Notas iniciais
Heyy Pessoal!!!!! Feliz 2015!!!!!!!!!!!!Td de bom pra nós e acreditem: vcs são demais! Sem mais delongas, outro cap!! Boa leitura e não esqueçam de comentar!!

Sim, era ele, Jade tinha certeza. Aquele abraço... ah, aquele abraço só ele sabia dar. E aquela voz, que transparecia uma segurança capaz de acalmar multidões, mesmo quando ele nem sabia do que tratava o assunto? Sem dúvidas, aquela voz era dele.

– Cobra! — Exclamou a dançarina, enquanto retribuía o abraço, envolvendo fortemente Cobra com os braços. — A minha mãe... Cobra... Ela tá... — A garota chorava tanto que os soluços a impediam de formar uma frase inteira. Tentando proteger Jade daqueles sentimentos, Cobra a abraçou mais forte e afagou seus cabelos.

– Calma, Jade! Fica tranquila, vai ficar tudo bem! Olha para mim... — Afastou-se um pouco da menina e ergueu sua cabeça com as mãos, fazendo com que ela olhasse na sua direção. — Eu tô aqui, tá? Eu tô contigo! Vai dar tudo certo. — O lutador não sabia do que estava falando, mas sabia que iria dar certo, pelo menos no que dependesse dele. — Cuida, o que eu preciso fazer? Pode dizer qualquer coisa, eu faço!

Jade, que até então estava inconsolável, pareceu ter uma ideia. Parou de chorar por um instante e com o que lhe restava de fôlego, falou:

– Cobra, por favor, me leva daqui! Me leva pro hospital aqui perto, por favor!

– Claro, Jade! Me espera aqui, que eu vou buscar o carro! — Nisso, saiu correndo e voltou dali a pouquíssimos minutos. Mal ele chegou e Jade embarcou no banco ao lado de Cobra e os dois foram para o hospital.

Cobra estava começando a se incomodar com o silêncio daquele carro, que só era quebrado por alguns soluços da garota. Por isso ele resolveu perguntar, como quem não quer nada:

– Você... quer me contar o que aconteceu?

– Minha mãe passou mal. — respondeu ela, simplesmente.

– Isso eu percebi. Eu queria saber a razão. — Cobra não queria parecer grosso em uma situação daquelas, porém ele já estava se preocupando e precisava saber de mais informações.

– Minha mãe passou mal quando estava contando para os seus alunos que ela está com câncer de mama. — Jade olhou para Cobra por um minuto e percebeu a sua surpresa. — Mais alguma coisa?

– Sim. — Foi a vez dele olhar para ela por um minuto, antes de voltar sua atenção para a estrada novamente. — Por que você guardou isso só contigo? Podia ter me falado, e eu podia ter te ajudado a passar por isso, podia ter te dado uma força quan...

– Ah, fala sério, Cobra! — Ela parecia irritada. — Primeiro, não era uma coisa minha, e sim da minha mãe. Segundo, que grande tipo de ajuda você poderia ter me dado, do jeito que a gente tá?

Cobra achou melhor não tocar mais no assunto. Ela estava machucada e querendo um tempo para si, e ele tinha que entender isso.

Quando chegaram no hospital, depois de algumas informações, se encontraram com Edgard e Dandara.

– Como é que tá a minha mãe? — Foi a primeira coisa que Jade perguntou.

– O que esse garoto tá fazen...

– Agora não, Ed! Como é que tá a minha mãe? — Repetiu a garota.

– A gente não sabe, querida. Os médicos ainda não deram notícias. — Explicou Dandara, um pouco nervosa.

– E o que a gente faz?

– Ué, senta e espera, Jade! — Se meteu Cobra, já se sentado em uma das cadeiras da sala de espera.

– Quem foi que disse que você vai sentar e esperar conosco, rapaz? — Disse Edgard, com as mãos na cintura.

– Você quer que eu vá embora? — Perguntou Cobra, virando-se para Jade.

Jade observou Cobra. Ele parecia estar um pouco nervoso com a situação, além de que, ela não podia negar que a presença do lutador a fazia bem. Por isso, falou para o Ed:

– Deixa ele, Ed! Ele não tá fazendo nada de errado, aliás... — Olhou também para Dandara. — Ele fez o que vocês deveriam ter feito. Pô, maior sacanagem me deixar sozinha, lá na frente da Ribalta, desesperada, chorando que nem uma louca, sem notícias... O Cobra só me ajudou! — O lutador não pode evitar o sorriso ao ver sua dama o defendendo. Nem tudo tá perdido...

– Ah, claro, esse garoto só te ajuda, não é, Jade? Ele é praticamente seu anjo da guarda! — Edgard estava começando a se alterar, quando Dandara interveio:

– Calma, gente! Não precisa brigar, ainda mais por causa do Cobra. Olha Ed, eu sei que vocês não se bicam...

– Não mesmo! — Cobra riu.

– Mas ainda assim... — Dandara continuou, ignorando o comentário. — Ele não tá fazendo nada errado. Gente, eu sinto muito, mas essa sala já tá com gente demais. Por favor, meu amigo, me dá notícias. E se comportem! Isso aqui é um hospital! — Dizendo isso, mandou um beijo para todos, pegou sua bolsa e saiu. Inconformado com a situação, Edgard sentou-se exatamente entre Cobra e Jade.

Já era tarde da noite quando o médico apareceu. Antes que ele dissesse uma palavra, Jade saltou na sua frente e perguntou:

– Então, doutor, como tá a minha mãe?

– Senhorita Jade Gardel? — Após a afirmação da garota, o médico prosseguiu: — A pressão da sua mãe acabou caindo, talvez por alguma forte emoção, mas não passou disso. O quadro já foi estabilizado.

– Tá, e nós podemos falar com ela? — Indagou Ed.

– No momento, não. Ela se encontra dormindo, e nesses momentos todo descanso é essencial. Mas amanhã pela manhã, antes da cirurgia, eu libero ela para falar com um de vocês. Tenham uma boa noite! — Finalizou o médico, deixando a sala logo após.

– Bom, vocês ouviram, crianças! Podem ir para casa, eu fico aqui. — Determinou Edgard.

– Mas nem querendo, Ed! Não vai rolar! — Contrariou Jade. — Eu fico.

– Desiste, cara! Não adianta, eu não vou sair enquanto a Jade estiver aqui! Entendeu? — Pronunciou-se Cobra.

Sentaram-se novamente e Jade se pôs a pensar. Por que, logo naquele momento, Cobra decidiu se reaproximar?Inconscientemente, Jade levou a mão na nuca e arrancou alguns fios. "Eu não quero mais ficar contigo", ele tinha dito. Bom, não importava, ele estava ali agora, e isso era bom. Mas sua mãe também estava, e isso não era nada bom. Com centenas de pensamentos misturados, Jade dormiu na cadeira mesmo, assim como Edgard.

Mas Cobra não estava dormindo. Pelo contrário, ele estava bem acordado. Pensar que Jade estava ali, tão perto, porém tão machucada também, doía nele. Ele não conseguia nem imaginar como seria passar por aquilo tudo sozinho. Agora ele entendia todas as vezes que Jade o deixou, para ir cuidar da sua mãe. Ela tinha sido muito forte, e ele um idiota. Custava se interessar um pouco mais pela vida da garota? Talvez ela tivesse contado. Cobra não sabia direito como tinha ido parar ali, só sabia que quando tinha visto Jade abandonada a própria sorte lá na praça, dominada pelo choro e pela tristeza, sentiu uma necessidade incontrolável de... cuidar dela. Essa palavra já estava ficando meio gasta entre os dois, mas era isso mesmo. Podia parecer masoquista, mas quanto melhor ela estivesse, melhor ele estaria também.

Cobra olhou para o lado e viu Edgard. Aquele cara, apesar de ter encobertado alguns encontros dos dois, odiava o lutador. Talvez ele soubesse que ficar perto do Cobra era um perigo para Jade. Então, Cobra levantou-se e se sentou ao lado da sua dama. Ela estava com os olhos inchados por causa do choro e parecia tão frágil, tão indefesa... Delicadamente, tirou a mão da Jade da sua nuca. Ah, esse hábito... Vai virar doença.

***

Tão logo os primeiros raios de sol raiaram e os três já estavam em pé. A cirurgia estava marcada para as dez, por isso, a visita permitida estava para acontecer a qualquer minuto. Assim que o médico chegou, perguntando quem faria a visita, Jade e Ed responderam, em conjunto:

– Eu, doutor! — Os dois se olharam e Jade tomou a frente.

– Olha, Ed, eu sei que você conhece a minha mãe não sei por quantos anos, vocês são melhores amigos e tal, mas eu repito: é a minha mãe! Eu preciso desse momento com ela!

– É, cara! Se liga! Mãe e filha! — Interveio Cobra.

– Tá legal, gente! Mas manda um beijo meu para a Lu, tá Jade? E tente parecer forte! — Suplicou Edgard.

– Pode deixar. Para onde eu vou, doutor? — Assim que Jade saiu, Edgard se virou para o Cobra, que continuava muito bem sentado em uma das cadeiras.

– E você, garoto?

– Eu o que? — Perguntou o lutador, meio confuso.

– Não vai sair?

– Não, não. Acho que a dona Lucrécia não ia gostar de me ver. — Cobra sorriu, debochado.

– Eu também não gosto de te ver, principalmente perto da Jade. — Cobra ficou sério ao perceber o rumo da conversa. — Olha, eu não queria falar antes por causa da Jade, mas agora que ela saiu, eu vou falar: eu tenho ela como uma filha. E como todo pai, eu quero proteger ela do que é ruim. No caso você. E o senhor já pode colaborar com essa missão, começando indo embora daqui. — Antes que Cobra pudesse responder, recebeu uma mensagem:

"De: Nat

Para: Cobra

Preciso falar contigo. É urgente. Tô na frente do QG, onde você se meteu, garoto? Bom, não interessa, desde que você apareça muito em breve. Caso contrário, eu vou achar que você não está querendo colaborar comigo, com o Duca, com a polícia, principalmente... E aí já sabe!

Tô te esperando!"

Deixar Jade ali não era uma ideia que agradava muito o Cobra, mas se ele não fosse embora, talvez arrumasse problemas com o Edgard e, pior, com a polícia. Sendo assim, disse:

– Eu vou! Mas olha, se eu ficar sabendo que você deixou a Jade sozinha, por um segundo que seja, você tá ferrado, cara, muito ferrado!

***

Quando chegou no quarto da mãe, Jade parou na porta. Não foi fácil ver a sua própria mãe encolhida em cima de uma maca, com aparelhos injetando remédios e soro em sua veia, medindo sua frequência cardíaca, suas respirações. Pareciam estar medindo até a vida em si. Jade sentiu um nó apertar na garganta. Lutando contra as lágrimas que começavam a surgir, ela deu o primeiro passo dentro do quarto. Tente parecer forte, tente parecer forte...

– Ô, minha filha... — Balbuciou fracamente Lucrécia, assim que percebeu a presença de Jade no quarto. A garota sabia que se tentasse falar alguma coisa, se derramaria em lágrimas, por isso permaneceu em silêncio. — Pensei que o Ed ia te convencer a favor dele, para essa conversa...

– Ele até tentou, mas eu disse que a filha aqui era eu! Tinha prioridade! — Jade forçou um sorriso, porém uma lágrima também correu pelo seu rosto e ela logo tratou de enxugá-la. — Aliás, ele te mandou um beijo.

Permaneceram em silêncio por alguns instantes. Pelos olhos marejados, via-se que Lucrécia também estava emocionada. Então, a professora segurou firme na mão da filha, e, pela falta de forças, começou a sussurrar:

– Filha, você sabe que essa cirurgia que a mamãe vai fazer é... perigosa, não sabe? — Jade afirmou, fitando o teto, em uma vã tentativa de impedir que novas lágrimas se formassem. — Então, eu queria te dizer algumas coisas antes de entrar no bloco, já que pode ser que eu não saia...

– Você vai sair, mãe! — Jade a interrompeu, com as lágrimas já caindo livremente pelo seu rosto.

– Eu também espero isso, minha filha, mas pode não acontecer... Peço que não me interrompa... está difícil de falar. Eu queria te pedir desculpas. Muitas desculpas. Perdão, minha filha. — Algumas lágrimas saíram também dos olhos da mãe, mas Jade logo as enxugou. — Perdão por todas as vezes que te fiz ensaiar até mais tarde, enquanto você poderia estar se divertindo. Perdão por todas as festas que eu te privei de ir. Me perdoe por todas as vezes em que cobrei coisas de você que nem eu fiz, na sua idade. Perdão, minha querida, por não ter sido a mãe carinhosa que você merecia...

– Eu não me importo! Mãe, eu te amo! — Jade, chorando em desespero, se lançou em um abraço. Longo, como a muito tempo não acontecia. Uma pena ter que acontecido naquela situação.

– Ô, minha joia... Jade! Esse nome não poderia ser mais perfeito! — Lucrécia sorriu, enquanto lágrimas lavavam seu rosto. Assim que a garota se soltou um pouco do abraço, Lucrécia pegou o rosto da menina e limpou-lhe as lágrimas. — Você é tão linda, querida! O seu futuro, Jade... Ele é tão rico... Viva... Viva ele intensamente... Não fique como eu, uma velha bruxa que pode partir com a sensação de não ter vivido essa fase maravilhosa da vida, que é a adolescência...

– Não... Não, mãe... Você não vai ir embora! — Jade parecia estar falando mais para si do que para a mãe, já que esta parecia não ter escutado e continuou, nem tentando conter o choro:

– Eu quero que você seja tão feliz, minha filha! Faça isso... por mim, por favor! Eu me orgulho tanto de você...

– Mas eu não sou digna de orgulho, mãe. — Interrompeu Jade, tentando frear suas emoções. A história de parecer forte não havia chegado nem perto daquele quarto. — Eu invejo as pessoas, mãe. E o pior, eu não sou nem metade do que você é... Eu é que tenho que te pedir desculpas... Eu ainda vou dançar nos maiores palcos do mundo, viu? — Jade tentava sorrir e parecer confiante, mas no momento, ela só conseguiu parecer triste.

– Vai, vai sim, filha. E eu vou ver, seja lá onde eu estiver! Eu vou te ver... brilhante nos palcos do mundo todo... O teu talento, Jade, é inegável! Você só tem que focar nos seus objetivos... e principalmente, Jade, se relacionar com as pessoas certas...

– Não, mãe, não fal...

– Sim, eu tô falando daquele vagabundo. Minha filha, ele te faz mal! Ele... não é o rapaz certo para você, por favor, se você... se você ainda tiver alguma ligação com ele... corte, minha filha! Você merece muito... muito mais do que ele pode oferecer... — Jade não chorava mais, apenas ouvia tudo atentamente. Lucrécia continuou, ofegante: — Sua mãe sabe o que é melhor para você, e eu di... e eu digo: não é ele. Eu posso não estar mais aqui para te proteger, minha filha... Me promete Jade, que voc...

– Sinto muito, mas a senhora já tem que se dirigir para o bloco cirúrgico. — Informou uma enfermeira.

– Mãe, olha para mim! — As lágrimas voltaram. A mãe estava tão debilitada... Não parecia a mesma. Jade segurou o rosto da mãe entre as mãos, como se fosse a coisa mais preciosa que ela tinha. Talvez fosse. — Mãe, eu te amo. Muito! E eu tô ali fora, te esperando!

– Eu te amo, minha filha! Lembra com carinho de tudo que eu te disse...

Jade observou a maca até ela sumir dentro do bloco. Voltando a sala de espera, procurou por Cobra, mas ele não estava lá. Você disse que ficaria, vagabundo... Pelo menos eu não precisei me afastar, você mesmo fez isso. Perguntou por Ed e a atendente disse que ele tinha dito que ia ao banheiro.

Jade mais uma vez, se sentou na sala de espera, sozinha. Pensando sobre tudo o que vinha acontecendo, levou a mão aos cabelos.

***

Quanto Cobra chegou no QG, Nat ainda o esperava, sorridente:

– Aleluia! Pensei que não fosse chegar nunca! Tenho boas notícias! — Cobra ainda estava pensando em Jade, por isso não demonstrou nenhuma reação. — Lembra que eu disse que ia ser nessa luta ilegal de hoje que a Khan ia rodar? Pois é, tá confirmado! A gente só precisava de um flagrante, e ele chegou! Depois da luta tá tudo acabado!

– Então eu não preciso ir hoje? — Cobra logo pensou na possibilidade de visitar a garota no hospital, contar tudo para Jade e acabar com aquilo.

– Ainda não, garoto, senão eles podem desconfiar. Vai lá, luta uma ou duas vezes que ai a gente chega!

– Tá... — Disse o lutador, triste. — Mas vem cá, a polícia tá sabendo que eu ajudei, né?

– Claro, Cobra! Relaxa, a tua ficha tá limpa!

***

Haviam-se passado intermináveis horas desde a entrada de Lucrécia para o bloco. Jade e Edgard estavam tão nervosos que nem tinham tocado no nome do Cobra. Já estavam acostumados com o silêncio, quando o médico responsável pela cirurgia chamou:

– Senhorita Jade Gardel?

– Aqui, doutor! E aí?

– A senhorita é filha da senhora Lucrécia Gardel? — Após a afirmação da garota, o médico continuou: — Durante a cirurgia, ocorreram algumas complicações no quadro em geral, mas ela resistiu... — Jade ficou aliviada, mas ainda não tinha terminado. — Infelizmente, não durante todo o procedimento. Lamentamos informar, senhorita Jade, que nós fizemos de tudo, mas a sua mãe faleceu.

Notas finais
E aí? Qual será a reação da Jade? Até o próximo!