Were you really surprised? - Cobrade
35 Capítulo 35
Notas iniciais
– É hora do show!
***
Cobra e Alice saíram apressados para a plateia. Sentaram-se um ao lado do outro e ficaram aguardando o início da apresentação. O silêncio prevalecia, até que Cobra ouviu um cochicho. Virou-se para a Alice e a encontrou com os olhos fechados e as mãos unidas.
– Ei garotinha! — Cobra chamou a atenção. — Silêncio.
– Silêncio você! — Respondeu, irritadinha. — Eu tô rezando.
– Pra quê? — Cobra até rezava. Muito raramente, mas rezava. Rezava quando via alguma necessidade muito urgente, porém naquele momento? Pra quê?
– Pra tia Jade! Ela tava nervosa! Vai dizer que não percebeu? — Cobra ficou um pouco irritado com o tom da resposta. Só uma pessoa tinha o direito de falar com ele daquele jeito.
– Ei! Fica na tua aí, criança! Me respeita!
– Shh! — Ela pôs o dedo nos lábios, pedindo silêncio. — Vem, reza comigo!
Ela enlaçou seus dedos nos dedos do Cobra e recomeçou sua oração. Primeiro, Cobra quis se afastar, mas depois sentiu algo diferente. Era como se aquela mãozinha devesse ficar enlaçada na sua, de algum modo. Sem nem perceber, iniciou sua prece.
***
Jade estava a dois passos do palco, ao lado do John. As cortinas do teatro estavam fechadas, o que aumentava o clima de mistério. As cortinas se abriram. Lentamente, Jade e John se moveram ao meio do palco.
Era o momento. A grande estreia. Tinham avisado o que ela poderia sentir quando encarasse o público, mas nem de longe se comparava a sensação real. Estava nervosa, mas era um nervoso bom. Suas mãos suavam como nunca antes, seu coração ameaçava sair pela boca e ela mal podia sentir suas pernas. Apesar de não conseguir respirar de jeito que deveria, aquilo servia como prova. Ela estava ali, afinal; o público também, junto com seus aplausos. E havia a música. Quando ela ecoou pelo teatro e os movimentos começaram, a sensação mais bonita e mais simples que pode existir invadiu seu peito. Ela estava feliz.
Se a bailarina conseguisse ver a plateia, perceberia que estava agradando. Os olhos não piscavam e a respiração era suspensa sempre que um passo mais difícil era executado. Os críticos estavam vidrados na graciosidade e segurança dos movimentos dos dois e Dimitre sustentava um sorriso orgulhoso nos lábios.
Cobra ainda não tinha soltado a mão da Alice. Quando a Jade e o John realizaram um passo aéreo complicado, a garotinha suspirou e apertou firme na mão do lutador. Inconscientemente, ele fez o mesmo, sorrindo.
Quando enfim a coreografia terminou e os aplausos vieram, Jade sentiu que finalmente tinha cumprido sua missão. Onde estivesse, Lucrécia Gardel estaria orgulhosa.
Assim que encarou o público, os dois bailarinos levaram um susto. Todos estavam em pé, sorrindo e alguns até emocionados. Vivendo aquilo, Jade deixou uma ou duas lágrimas caírem. Após o agradecimento, as cortinas foram fechadas e John a abraçou, também emocionado.
Eles foram para o camarim, onde encontraram com Dimitre.
– Vocês foram geniais!! — Ele exclamou, assim que a dupla passou pela porta.
– Eu não acredito que a gente tá ouvindo isso dele! — Cochichou John, feliz da vida.
Não demorou muito e Cobra e Alice apareceram. Ela veio correndo, toda saltitante, e se jogou no colo da morena.
– Tia Jade!!! Tava perfeito!!Aquela hora que ele te pegou no ar e fez assim ó... — Ela tentou demonstrar o passo, sem muito sucesso. — Foi incrível!
– Obrigada, pequena! — Ela disse, abraçando a menina. Assim que se desvincilharam-se, ela olhou para Cobra. — E aí?
Ele apenas sorriu e a beijou, deixando os outros presentes no camarim meio incomodados. Depois que se soltaram, Cobra sussurrou no ouvido da garota:
– A gente precisa comemorar.
***
Depois dos autógrafos distribuídos e das entrevistas dadas, Jade finalmente foi dispensada. Cobra e Alice tinham ficado o tempo todo sentados, em silêncio, observando todos os passos da morena e cochilando. Não conseguiram expressar toda a alegria que sentiram quando foram avisados que tinha acabado.
Depois de deixarem Alice na Casa, Cobra perguntou para a bailarina:
– Cansada?
– Um pouco, mas eu tô muito ligada pra ir pra casa agora. A gente não ia comemorar?
– E vamos.
Cobra seguiu com seu carro alugado para uma região um pouco afastada do centro da cidade e parou em frente a um parque.
– O que a gente tá fazendo aqui? — Jade perguntou, sem entender.
– A nossa comemoração.
– Como assim?
– No nosso porta-malas tem uma cesta de pique-nique e uma toalha quadriculada. — Jade riu, enquanto ele retirava as coisas de dentro do carro. — O que foi?
– Você disse que a comemoração era a nossa cara. — Ela gargalhou. — Pique-nique com toalha quadriculada não é a nossa cara.
– Eu sei... Só achei que a gente pudesse fingir ser um casal normal, tipo, por algumas horas. — Ela ficou pensativa. Ao ver que ela estava quase cedendo, ele perguntou: — Vai ficar aí parada?
– Será que não é perigoso?
– Não... Tem um guarda bem ali, ó — Ele apontou em direção ao policial. — E logo, logo já amanhece. E você tá comigo, minha dama. Eu sempre vou te proteger, lembra?
Ela sorriu. Sim, ela lembrava perfeitamente.
Depois que tudo estava em seus devidos lugares, eles se sentaram um em frente ao outro e começaram a abrir os potes que Cobra havia trazido. Aparentemente, tudo em ordem, mas foi só Jade colocar um pedaço de bolo na boca que ela fez uma careta.
– Quem foi que fez esse bolo, Cobra?
– Eu... Por que? Tá muito ruim?
– Não... Eu só acho que você colocou sal no lugar do açúcar... — Jade começou a rir.
– Sério? Cara, eu não posso ter feito isso! — Ele pegou um pedaço do bolo e pôs na boca. — Isso tá horrível!
– O que mais você trouxe?
– Tem pipoca... — Ele disse, oferecendo outro pote.
– Ah, não! Isso aí tá murcho, Cobra! — Jade riu de novo. — O que você trouxe pra beber?
– Eu trou...trouxe... Ihh! Eu esqueci em cima da mesa, minha dama... — Cobra esfregou as mãos no rosto. — Cara, eu tenho que me tratar! Não é possível!
– Relaxa, vagabundo! — Jade sorriu. — Olha, eu tô feliz e nada vai mudar isso, certo? — Cobra afirmou. — Então a gente guarda isso tudo aqui e vai ali na lojinha de conveniências daquele posto aqui perto e toma um café.
– Bela comemoração. — Eles riram e foram ao tal posto.
Minutos depois e com o café em punho, os dois sentaram-se no capô do carro e ficaram em silêncio. Aos poucos, o sol começou a surgir no horizonte, deixando o momento mais romântico. Sem perceber, Jade mantinha um sorriso bobo no rosto.
– Gostar de alguém é uma droga. — Despejou Cobra, do nada.
– Por que? — Assustou-se Jade.
– Eu era frio. Agora, olha pra mim... — Jade olhou. — Não passo de um garoto apreciando o nascer do sol.
– Isso é ruim?
– Mais ou menos. — Jade o olhou, incrédula. — Comigo foi uma mudança legal, então tudo bem. Mas podem existir vários outros caras apreciando o nascer do sol agora e que daqui a algum tempo vão ser um cara frio.
– Isso é problema nosso?
– Não.
– Então vamos embora. — Jade falou, indo na direção da porta do carro. — O sono tá te deixando muito sensível, vagabundo.
– Você tem razão. — Eles riram e Cobra também entrou no carro. Já dentro do veículo, o lutador olhou para Jade e concluiu: — Você foi incrível.
– Você também.
– Eu quis dizer na apresentação. — Cobra se explicou.
– Eu também. — O lutador não entendeu. — Você aguentou firme todas as minhas ausências, os meus cansaços... Não importa o que digam, você foi incrível.
Ele sorriu, beijou-a, ligou o carro e dirigiu até o apartamento.
***
Os dois dormiram até o pouco mais do meio da tarde. Teriam dormido mais, mas foram acordados pelo telefone da garota.
– Ed...– Ela leu no visor. — O que será que ele quer?
– Deve ser alguma coisa da apresentação... — Disse Cobra, meio dormindo.
Jade deu de ombros e atendeu a chamada:
– Oi Ed...
– Você já leu os sites?
– Não... Eu acabei de acordar, na verdade.
– Nós temos que ter uma séria conversa, Jade.
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