Were you really surprised? - Cobrade
24 Capítulo 24
Notas iniciais
– Nunca, jamais, em hipótese alguma, repita isso! Entendeu?
– Desculpe, quem é você? — Perguntou John, assustado com a invasão da sala.
– Cobra, se acalma! — Intrometeu-se Jade, falando em português.
– Por que? Eu tenho motivos pra ficar estressado, Jade? Tirando, claro, o fato desse cara ficar te cantando...
– Não é nada disso, Cobra! A gente tava só conver...
– Com licença... — Interrompeu John, completamente confuso com o diálogo em português. — Vocês podem, por favor, me situar na conversa?
– Desculpa, John... Esse aqui é o Ricardo, meu namorado. — Eles fizeram um aperto de mãos. Cobra, obviamente, aproveitou para apertar um pouco mais do que o necessário.
– É um prazer te conhecer, Ricardo. — Cumprimentou, educadamente, o dançarino.
– Eu vou falar uma coisa bem séria pra você, John... Fica longe da minha namorada! Porque senão eu...
– Cobra, se controla, por favor! — Suplicou Jade, roxa de vergonha.
– Penso que fui mal interpretado... Juro que a minha intenção não era faltar com respeito com a Jade. Apenas gostaria que ela soubesse do tamanho carinho que tenho por ela. Isso vale pra você também, Ricardo. Espero que vocês confiem em mim, afinal, a Jade será a minha parceira por um bom tempo e você, como bom namorado, terá que deixar o ciúmes de lado pelo bem do nosso convívio. Garanto que da minha parte, você não terá motivos para tal sentimento. — Ele usou frases tão complexas que o lutador ficou processando-as por algum tempo.
– Ah tá! E o beijo na mão foi sinal de amizade? — Perguntou Cobra, irônico.
– Foi sinal de respeito. Quer uma dica? É melhor confiar mais nela, rapaz. E em si mesmo, principalmente. — Respondeu John, com incrível calma.
– Viu? Bem feito, Cobra! Falou o que quis, ouviu o que não quis! — Falou Jade, antes que Cobra revidasse. Pegando o braço do lutador, ela acrescentou: — Vamo bora, Cobra! Antes que você fale ou faça mais alguma besteira! Até amanhã, John! — O bailarino acenou em resposta.
Já do lado de fora, decidiram ir caminhando, para esfriar as cabeças. Não foi dita uma palavra no caminho para o apartamento. Porém, foi só entrarem na porta e a confusão começou.
– Onde você tava com a cabeça, Cobra? Invadir o meu local de trabalho daquele jeito, falar um monte bobagem e ainda ameaçar o meu colega? Que tipo de namorado é você?
– Você é tão ingênua assim ou tá te fazendo? Aquele cara tava dando em cima de você, na maior cara de pau! Se não é eu chegar, garanto que ele ia te roubar um beijo!
– Não ia, não! Sabe por que? Porque eu não ia deixar! Caramba, Cobra! Custa confiar em mim? — Perguntou Jade, com lágrimas nos olhos.
– Eu confio em você... Por favor, não chora! — Tarde demais. Jade se sentou no sofá e deixou que algumas lágrimas lavassem o seu rosto. — Desculpa...
– Você já percebeu, Cobra, que pedir desculpas é tudo o que você tem feito ultimamente? — Cobra se sentou ao seu lado. — Desculpa por ter te traído. Desculpa por acabar com a noite em comemoração às tuas vitórias. Desculpa por quase te bater. Desculpa por te fazer chorar. Desculpa por bancar o idiota ciumento que não acredita na fidelidade da namorada. Sério, Cobra? Tá repetitivo. Daqui a pouco, vai ser tão automático, que você nem vai se lembrar mais do significado real das "desculpas". Quando que você se tornou esse inseguro incapaz de se controlar?
– Eu não sei... Quando eu te vi lá com ele... — A voz do garoto começou a se embargar, porém ele não deixaria que ela o visse chorando de novo. — Vocês pareciam dar tão certo juntos, sabe? Ficaram falando sobre um monte de coisa de dança que eu não entendo e depois ele começou aquele papo de que você é inteligente, delicada, que tem um sorriso lindo e não sei o que... Ele beijou a tua mão! Ele foi um cavalheiro e te chamou de dama. — Jade finalmente entendeu o motivo maior do ciúmes. — Não é esse o casal certo? A dama e o cavalheiro? O vagabundo é só uma distração, um passatempo. Um erro.
– Você já foi o meu erro. Muitas e muitas vezes. Mas há muito tempo atrás. — Ela enxugou as lágrimas. — Eu não teria vindo até aqui se eu não gostasse de você. Cobra, você realmente acha que eu ia te largar pra ficar com o John?
– Ué? Não é ele que tem olhos verdes, sorriso branco e um sotaq...
– Garanto que se você a lista de compras do supermercado você não lembrava, né? — Eles riram. — Era tudo provocação. Até parece que você não me conhece!
– É muito difícil namorar alguém como você, sabia?
– Por que?
– Porque você é muito gata, aí fica todo mundo na volta, querendo tirar uma casquinha... É complicado! — Ele sorriu.
– Eu sei que eu sou irresistível, mas confia mais em mim? — Ela abraçou o lutador e e cochichou ao pé do seu ouvido: — Quando bater a insegurança, lembra daquela música: Todas as dama se amarra num vagabundo...
E então, mais uma vez, eles terminaram a briga com um beijo. Não demorou muito e os dois foram para o quarto.
***
Quando Jade chegou na Companhia no dia seguinte, aproveitou que Dimitre ainda não tinha chegado e foi ter uma conversa com John.
– Posse falar com você um instante?
– Olá, Jade! Claro, o que seria?
– Olha, você tem sido incrível desde que me conheceu! Me apoia, me ajuda, me aconselha... Eu realmente acredito que tenho em você um amigo. E eu queria que você só isso, se você me entende. Pelo que você percebeu ontem, eu tenho um namorado e ele tá se mostrando bastante ciumento, então...
– Tudo bem, Jade. A nossa relação é de puro profissionalismo e amizade. Entendi. — Ele parecia um pouco triste, mesmo assim colocou seu característico sorriso no rosto e voltou a alongar-se. Jade suspirou, aliviada, e começou a fazer o mesmo.
***
Conforme as semanas passaram, John se tornou um grande amigo, realmente. Cobra conseguiu os músculos que tanto desejava, infelizmente não da melhor maneira, e foi escalado para o próximo campeonato.
O marketing em cima desse campeonato, aliás, estava enorme. Outdoors espalhavam-se pela cidade, anunciando o grande evento. Sites espelhavam a notícia pelo mundo, fazendo com que a Academia do Gael se sentisse orgulhosa do seu representante.
Certo dia, Cobra estava afundado em seus treinos quando Mike veio falar com ele:
– Cobra, o representante dos seus patrocinadores tá aí e quer falar com você.
Fazia pouco tempo que o lutador tinha conseguido novos investidores. Eles estavam se esforçando para tornar a imagem do Cobra conhecida e como ele era um jovem bem provido de beleza, não foi difícil fazer com que surgissem vários admiradores do trabalho do rapaz, principalmente do público feminino.
Ele se dirigiu ao rapaz, que era um pouco mais velho que ele.
– No que posso ajudar?
– Cobra, é o seguinte: a gente gostaria de fazer um ensaio fotográfico com você, para que a tenhamos fotos novas e interessantes suas para colocarmos nos seus outdoors. - Sim, aquela era a outra novidade. Ele teria outdoors espalhados por aí, o que segundo os patrocinadores atrairia "visibilidade e novos admiradores." Agora, ensaio?
– O senhor tem certeza de que é necessário? — Cobra tentou ser o mais educado que conseguia.
– Tenho. — Respondeu, de pronto. — Tanto tenho, que ele já está marcado para amanhã, sábado, pela tarde. — Ótimo, nada melhor do que treinar a manhã toda e ter que tirar fotos pela tarde.
– Maravilha! — O lutador tentou parecer empolgado.
***
Quando chegou no apartamento, Cobra encontrou com Jade assistindo TV e logo contou a novidade:
– Acredita que amanhã eu vou ter que posar para um book fotográfico?
– Sério? — Jade tentou conter o riso. — Por que?
– Porque o pessoal do patrocínio quer ter umas fotos legais pra colocar nos outdoors. Será que rola de você ir comigo? Eu não quero ter que ficar posando pra um cara sem ninguém que eu conheça por perto... Fico encabulado. — Ele fez uma careta.
– Até parece... Mas enfim! Amanhã, pra tua total felicidade, eu não tenho ensaio... Parece que o Dimitre ficou doente ou algo assim. Então você terá a honra da minha companhia, vagabundo! — Ela sorriu e ele a beijou.
***
No sábado, a caminho do estúdio, Cobra estava tenso.
– O que será que eu tenho que fazer, hein?
– Sorrir, fazer cara de mau, exibir seus músculos... Esse tipo de coisa. Qual é, Cobra? Não pode ser tão difícil!
– Fala isso porque não é você que vai ficar se exibindo pra um homem... É complicado pra mim, caramba!
Nisso eles chegaram no prédio do tal estúdio. Assim que entraram na sala, Jade correu os olhos pelo local e se deparou com uma coisa que ela preferia não ter visto.
– É, Cobrinha... Metade dos teus problemas sumiram. É uma fotógrafa.
Cobra acompanhou o olhar da garota. Quando encontrou o indivíduo com a máquina fotográfica na mão, a única coisa que ele conseguiu dizer foi:
– É... É uma bela fotógrafa.
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