We're not broken
3 The Devil Is Disguise
Notas iniciais
Katherine apareceu no café onde tinha marcado com Elijah meia hora atrasada. Ela sabia que o Original não ficaria muito feliz com a demora, e aquela provocação infantil a animava. Talvez ele vá embora, ela pensou esperançosa.
A vampira afastou a porta vai-e-vem do local e deu o primeiro passo à frente, localizando o vampiro de imediato. Algo não estava certo, ela podia sentir o medo irradiando da garçonete que o atendia. Aguçou sua audição e adiantou-se para um canto mais particular, onde ele não a veria.
― Mil desculpas, senhor – desculpou-se a mulher, pelo o que pareceu a décima vez. Katherine notou que o vampiro olhava para baixo, mas de onde ela estava era impossível saber para o que ele olhava.
― Saia daqui – a voz de Elijah soou baixa, ninguém ao redor realmente o ouviu, mas seu tom era ligeiramente instável.
― Por favor, não conte para o meu gerente! Eu não posso ser demitida outra vez... – a garota não parava de tagarelar sobre sua vida pessoal atribulada. Katherine já começava a se sentir entediada quando a reação de Elijah a alarmou.
Os olhos dele ficaram vermelhos, ele exibiu com orgulho seus caninos e as veias negras ao redor de seus olhos apareceram violentamente, fazendo a garota se calar no mesmo instante. O que diabos ele está fazendo?
Ele a segurou firmemente pelo braço no exato momento que ela dava um passo para trás e a puxou para frente, na direção de seus lábios, quando Katherine decidiu finalmente interromper. Katherine correu para os dois, soltando a garota das mãos de Elijah e colocando-se entre os dois. A vampira olhou fixamente naquelas duas esmeraldas, estavam completamente apavoradas e seu surgimento repentino não ajudou.
― O que, em nome de Deus, vocês são? – ela arfou a pergunta, com a voz trêmula. Apavorada demais para tentar correr novamente.
― Nós somos dois clientes normais – Katherine compeliu, lançando um olhar rápido para uma mancha avermelhada na mão de Elijah. Ela tinha derrubado café fervente em sua pele e sujado suas roupas. Não é possível que Elijah ia mata-la em um local público por causa de um pouco de café nas roupas. – Você derrubou um pouco de café, mas mesmo assim nós deixamos uma ótima gorjeta.
― Desculpe novamente, senhor – ela disse, com os olhos fixos em algum lugar distante.
Aparentemente, a situação estava controlada. Katherine sentou-se na frente de Elijah, colocou ambas as mãos sobre a mesa e entrelaçou seus dedos. Agora ele esfregava a manga de sua camisa com um guardanapo de papel que já começava a esfarelar-se.
― Você está com algum tipo de TOC vampírico assassino, Elijah? – ela perguntou, sem tirar os olhos do local onde o vampiro esfregava.
― Não é exatamente da sua conta, Katerina – ele cortou, mexendo a cabeça para os lados, como se tentasse estalar os ossos de seu pescoço.
― É claro que é da minha conta, Elijah. Você quase matou uma garota em um local público só por ela ter derrubado um pouco de café em você.
Ele inspirou lentamente e expirou rápido e audivelmente, como se a mais simples presença provocativa de Katherine o tirasse do sério, mas sua mente estava fixa na mancha em suas roupas, aquilo era a prova de quem ele era. O monstro que era. Fechou os olhos por alguns segundos e visualizou o mesmo flash de cenas que sempre via. Ele perseguindo Tatia.
Quando ele abriu os olhos, Katherine estava com os braços cruzados e olhava para ele com impaciência.
― O que você quer de mim? Eu não posso ficar aqui a noite toda, Elijah – ela falou grosseiramente, olhando para o relógio.
Dez horas. Havia passado tanto tempo assim? Ele não tinha notado.
― Preciso de você em Nova Orleans para vencer Finn.
― Finn? Esse não é o nome do seu irmão? – ela perguntou.
― Sim, é uma longa história. Em resumo, Esther, ele e Kol retornaram em corpos de bruxos. Ah, e claro que Mikael acabou surgindo como um brinde. O caso é que Finn está poderoso demais e precisamos de uma duplicata para um feitiço que pode ajudar a parar esta loucura toda.
Katherine engoliu em seco, mas disfarçou bem seu medo. Toda a família Original estava de volta à cena. Ela não sabia o que era pior, conviver com eles em forma de vampiros ou bruxos.
― Aposto que há outra duplicata muito mais interessada em ser heroína por aí – disse ela, em tom de recusa e referindo-se a Elena.
― Nós a descartamos. Ela traria consigo muitas pessoas, o que poderia despertar a curiosidade de meu irmão mais velho.
― Oh, é claro. Escolham Katherine, a que não tem amigos ou família – ela resmungou, aparentemente ofendida.
― Diga-me onde está a mentira no que acabou de dizer, Katerina – ele pediu, com uma pontada de humor negro em sua voz.
Ela não respondeu. Em vez disso fixou seus olhos nos dele, admirando-o e notando que não sentia qualquer rancor daquele vampiro em particular e sequer compreendia o motivo de ele a querer tão mal. Talvez aquela fosse a segunda chance que sempre desejara ter. Rangeu os dentes por um segundo, quando sua mente praticamente gritou para ela, mandando que fugisse outra vez.
Os olhos de Katherine pareciam tão firmes e seguros que Elijah quis desviar, mas não o fez. Ia se manter tão firme quanto ela, sabia que ela ponderava sobre segui-lo ou fugir, por mais quinhentos anos, se fosse necessário. Mas algo lhe disse que desta vez era tão diferente para ele quanto para ela. Os Mikaelsons não poderiam suportar quinhentos anos perseguindo-a, Hope não tinha todo esse tempo de vida.
― O feitiço não requer minha morte? – ela perguntou e sem dar tempo para que o vampiro respondesse, emendou uma segunda pergunta. – Serei livre depois?
― Não. Sim. – respondeu Elijah diretamente, finalmente sentindo que podia desviar seus olhos dos dela.
― Elijah, pare de esfregar essa mancha, está ficando ridículo – ela falou subitamente, parando a mão do vampiro com as próprias mãos. – Se precisa tanto de uma roupa limpa, vamos até meu apartamento.
Ele não tinha notado que ainda esfregava o braço. A queimadura estava curada, mas a mancha amarronzada permanecia em sua camisa branca e em parte de seu paletó. Sentiu sua gengiva adormecer e em seguida formigar, quando seus caninos apareciam. Ele os tocou com a ponta da língua, distraindo-se completamente do que a vampira a sua frente havia dito.
― Você vai me contar o que está acontecendo com você se quiser que eu vá para Nova Orleans – ela exigiu, seu tom era tão decidido que quase soou como uma ameaça.
― Sabe que posso hipnotiza-la – ele falou, levantando-se e deixando na mesa a gorjeta que sabia que a garçonete merecia por ter visto o que vira.
― Não, não pode – ela volveu teatralmente, seguindo-o para a mesma porta onde entraram e ocupando o lugar do passageiro no modelo esportivo de Elijah.
Ele dirigiu sobre as orientações da vampira, para o local onde ela morava e então foi sua vez de segui-la. Primeiro até o elevador e depois até a porta certa do apartamento.
― Só por usar verbena não significa que é impossível compelir você, Katerina – disse ele, soando sério.
A mulher preocupou-se unicamente em lançar um olhar sugestivo ao vampiro. Ele soube que se quisesse captura-la teria de ser rápido e contar com o elemento surpresa. Ela nunca foi uma presa muito fácil.
Elijah afrouxou o nó de sua gravata, retirando o laço do pescoço com facilidade, depois retirou o paletó e desabotuou a camisa, entregando tudo nas mãos de Katherine.
― Eu pensei que não viveria para ver você lavando roupas – disse ele, sentando-se em uma das poltronas, de frente para uma TV.
― Eu pensei que não viveria para ver você tirando as roupas para mim novamente – ela respondeu rápido e com a língua afiada em palavras de duplo sentido, que afetaram positivamente o ego de Elijah, massageando-o.
Ambos estavam acima de qualquer piada poder envergonhá-los, tinham passado por coisas demais juntos e aquele pensamento pareceu surgir na mente dos dois.
Katherine arremessou uma bolsa de sangue para Elijah e ele a pegou no ar, retirou o lacre de segurança e sugou com força, sentindo o gosto adocicado daquele tipo sanguíneo, seu preferido.
― Como consegue as bolsas? New York é uma cidade cheia de olhos atentos – ele perguntou curiosamente, ignorando o fato de ela ter se lembrado de seu “sabor” preferido.
― Hipnose é a chave, mas nunca esbanjar também ajuda. Eu não tenho um estoque – ela respondeu, observando cautelosamente a lavagem das roupas caras do vampiro. – Vai me dizer o que está acontecendo com você?
― Este pequeno contratempo mental é um presente de minha mãe, mas tenho de admitir que Finn foi quem o piorou. Ela me fez lembrar de uma ou duas atrocidades que tinha me feito esquecer e, assim toda vez que me sinto sujo, me torno um tipo de demônio incontrolável.
― Está esquecendo da parte onde me agradece por eu ter aparecido na hora certa – ela vangloriou-se, sentando-se ao lado de Elijah.
― Na verdade, você é a culpada. Se tivesse chegado na hora, talvez estivéssemos a caminho de Nova Orleans agora – ele respondeu prontamente, umedecendo seus lábios com a ponta da língua e pousando a bolsa de sangue vazia sobre a mesa de centro.
Ela revirou os olhos, levantando-se ao ouvir o aviso da máquina de lavar.
― Agora é só esperar secar – ela anunciou, passando as roupas molhadas para a secadora. – Amanhã estaremos prontos.
Elijah estava em pé, observando alguns quadros sobre um móvel qualquer da casa de Katherine. Ela parecia ter finalmente se estabelecido e feito alguns contatos. Havia uma foto com um homem, ele a analisou por alguns segundos ou talvez mais do que isto, pois quando virou-se ela estava recostada sobre o batente da porta.
― Não fique com ciúmes, eu já cuidei dele – ela falou, caminhando na direção de Elijah lentamente.
Ele fez um gesto negativo em resposta, notando só então que estava segurando o quadro, recolocou-o no lugar.
― Parece ter uma vida feliz aqui, Katerina.
― Tive, até meu celular tocar e você soar do outro lado da linha – ela respondeu, quebrando parcialmente o clima amigável entre eles. Foi até seu quarto e pegou uma mala ligeiramente grande da parte de cima do guarda-roupas, abriu-a e começou a escolher as peças que levaria para cidade. – Fique à vontade para tomar banho e talvez mexer mais um pouco em minhas coisas particulares. Minha gaveta de calcinhas é aquela ali – ela apontou para a primeira gaveta do guarda-roupas. – Vai ficar surpreso como as coisas diminuíram com os séculos.
― O que está querendo insinuar? – ele perguntou, sentindo-se embaraçado por ter invadido a privacidade pouco privada de Katherine.
― Quero dizer que esta é a primeira vez que me vejo livre de você e sua família pirada e sequer tive tempo suficiente para dizer ao cara da foto o que eu sou.
Ele riu debochadamente.
― Você pretendia dizer ao humano que é vampira? E esperava que ele reagisse como?
― Ele seria bem menos ridículo do que você está sendo, Elijah – ela respondeu, sem tirar os olhos das roupas que escolhia.
― Agora eu sou ridículo? Você escolheu se passar por humana para ser feliz, Katerina.
― E você escolheu ser a vadia do seu irmão mais novo – ela virou-se para ele. – Vale a pena, Elijah? Obedecer calado a tudo o que Klaus manda só para não virar mármore num caixão?
Ele investiu contra ela, ofendido com as verdades que Katherine estava dizendo. Segurou-a pelo pescoço e a arrastou até a parede mais próxima, que na verdade era um espelho médio fixo a parede. O objeto partiu-se em vários pedaços pelo chão. Elijah elevou o corpo de Katherine a alguns centímetros do chão e a encarava com ferocidade.
― Isso, Elijah. Sabe que gosto de um pouco de brutalidade – ela zombou, fazendo-o soltá-la no segundo seguinte. Ele virou-se de costas para ela, fechando os olhos e colocando dois dedos sobre as pálpebras.
― Nós deveríamos ter ido para Nova Orleans diretamente, assim trataria com Niklaus e não comigo.
― Oh e por que deseja me evitar? Incapaz de ouvir verdades, Elijah?
― Você fala demais, Katerina – ele respondeu, sem olhar realmente para vampira as suas costas e a deixou sozinha no quarto.
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