Well, You Just Cant Tell

37 Cap. 37 – High school dance


Notas iniciais
Me desculpem se eu estou indo rápido demais com a história, digo as datas na fic, mas estou dando o máximo de mim para conseguir terminar aqui no Nyah! o que acho que não vai ser possível pelo tamanho da fic.
Eu recomendo vocês a escutarem as músicas que estão com os links no meio do texto enquanto leem certas partes, mas a escolha é de vocês se quiserem ou não.
Acho que é isso, esse capítulo está um pouco adiantado, mas foi preciso fazer isso.
Boa leitura!

PDV William

“Novembro, 1979”

Sim, já era novembro, eu mal pude acreditar ao ver o calendário em meu espelho enquanto arrumava meu smoking. Era a noite de formatura, despedida do colégio, finalmente. Respirei fundo, nervoso. Eu sabia que em menos de um mês eu já não estaria mais em Laffayete, e sim em L.A. Fugiria de casa o mais rápido possível. Eu e Michelle. Nós havíamos parado mesmo com essa coisa de amizade colorida. Fora só uma vez que aconteceu por que estávamos completamente drogados. Espera... Eu e Michelle. “Eu e Michelle” isto não soava mais como antes, já fazia algum tempo. Eu e Michelle. Por que isto estava acontecendo? Eu e Michelle? É, eu estava me sentindo estranho. Talvez fosse o efeito da maconha que eu havia fumado a uns minutos atrás. Mas maconha já nem me fazia mais efeito. Ah, deixa pra lá. Falando em Michelle, eu estava atrasado. Tinha que estar lá trinta minutos antes da festa. Faltam quinze agora. Roubei a chave do carro do Stephen e fui rapidamente á casa de Michelle.

Entrei pela janela do quarto enquanto ela estava no banheiro. Eu já estava pronto, com aquele smoking irritante. Sentei-me na cama a esperando sair lá de dentro enquanto encarava aquele quarto já vazio. Ela já havia guardado praticamente tudo para podermos fugir. Era engraçado pensar em todas as lembranças que deixaríamos para trás naquele quarto. De certo modo doía em mim. Dei um profundo suspiro e, segundos depois, Michelle apareceu. Estava tão linda quanto na formatura de Jeff. Na verdade estava muito mais bonita. Ela deu um pulinho de susto quando me viu.

- William! Você está louco? Quase me mata de susto! — dei uma risada de sua expressão — Eu poderia estar sem roupa.

-Ah! Para Michelle! Como se eu nunca tivesse te visto pelada. — ela revirou os olhos.

- Seja lá como for, eu me assustei, tá?

- Tudo bem manhosa, não chego mais de surpresa aqui.

- Manhosa? – perguntou rindo – vai se foder, William.

- Está pronta?

- Sim...

- Então vamos, estou de carro.

- Garanto que nem pediu pro Stephen.

- Desde quando peço alguma coisa para ele? – ela apenas riu.

Entramos no carro e liguei o radio e estava tocando “Walk this way (comece no 0:35 seg)” do Aerosmith. Comecei a rir. Michelle virou para mim, sem entender.

- O que houve? Parece louco.

- É que essa música me lembra... – parei de falar, voltando a atenção para a estrada.

- O que?

- Ah, deixa pra lá... – dei uma risadinha, com os olhos vidrados no caminho.

- William!

- “So I took a big chance at the high school dance with a missy who was ready to play. Wasn't me she was foolin' 'cause she knew what she was doin' and I know'd love was here to stay” – comecei a cantarolar com a música, deixando Michelle irritada. Ela me deu um tapa, virando para a sua janela. – Au! Se você começar a me bater, vou deixar você no meio do caminho, a pé... – brinquei.

- Você está com o ar da graça hoje, né? – revirei os olhos com o mau humor de Michelle.

- Tudo bem... Essa música me lembra de... Daquela época... Sabe, que nós dois...

- Tá, tá, tá, tá... Entendi. – me interrompeu.

- Não! Agora escuta tudo! Ficou me enchendo o saco até aqui. – falei estacionando o carro. Desliguei o carro e virei pra ela que botou os dedos na orelha. A música continuava tocando – Rá, rá! Tira as mãos daí agora! – falei puxando suas mãos dali, e consegui arrancar um sorriso dela.

- William! – reclamou tentando conter um sorriso.

- Aquela época que a gente TRANSAVA, aquela época que a gente FODIA, aquela época que nós nos CHUP...

- Aaaaah! TÁÁ! ENTENDI! – comecei a rir e Michelle também depois de um tempo.

- Então agora que eu te falei, podemos entrar?

- Idiota!

- Hipócrita! Eu sei que você gostava! – se fez um silêncio e não conseguimos nos conter, riamos como bobos.

- Tá, vamos lá de uma vez. – falei desligando o rádio.

Entramos no salão que já estava lotado. Ficamos um tempo juntos, conversando, mas logo nos dispersamos naquele enorme lugar. A música era alta, e ruim. Festa de formatura era sempre uma bosta. Encontrei Cristina e umas amigas dela, na verdade elas me encontraram.

- Bill! Oi queriiido! – ela falou me abraçando. Era tudo muito forçado. As amigas delas, um pouco mais atrás faziam caras e bocas, tentando chamar minha atenção.

- Oi Cristina... – ao olhar sobre o ombro dela, vi Michelle conversando com um cara. Ela também me olhou, dando um sorriso. Também sorri.

- Bill... Você está me escutando? – Cristina perguntou, passando a mão na frente de meus olhos.

- Hã... Sim, sim... Então... Hã... – ela olhou para a direção que eu estava olhando e logo voltou o olhar para mim.

- Esquece essa aí, Michelle não vale a pena. Quase todos os caras do colégio já foram pra cama com ela.

- Eu e ela somos amigos, mas ela vale a pena sim, e não é verdade isto que você falou.

- Pare de defender ela William!

- Não.

- Você gosta dela, ou acha que me engana?

- Cala a boca, você não sabe o que fala. Vai cuidar da sua vida vadia! Como se você não tivesse fodido com todos os caras dessa escola. Nem eu e o Jeffrey escapamos. E só para constar, Michelle é muito melhor de cama do que você. – falei sorrindo, satisfeito com tudo que havia falado. Cristina fechou a cara e suas amiguinhas ficaram de boca aberta, sem saber o que fazer.

- Eu não acredito que você está falando isso para mim! – olhei novamente atrás de seu ombro e Michelle estava me encarando com um sorriso debochado, parecia não estar prestando atenção no que o cara estava falando, assim como eu não prestava atenção em Cristina. Seus lábios se movimentaram formando a palavra “vadias”, seguido de mais um sorriso. Eu comecei a rir. Voltei a atenção novamente para Cristina. – Você nem está me escutando! Fica olhando pra aquela vadia da Michelle! Só vou dar um aviso! Você não pode falar assim comigo! – eu apenas ri e ela deu as costas, saindo de perto de mim.

Eu acompanhava Cristina com os olhos, quer dizer, a bunda dela. Ao voltar meu olhar para onde Michelle estava meu sorriso havia desaparecido. Aquela fora a sensação mais estranha da minha vida. Minhas mãos começaram a tremer e eu estava tendo náuseas. Eu iria ter um ataque de raiva a qualquer momento, mas isto não poderia acontecer ali, no meio de todos. Senti minhas pupilas dilatarem ao ver a boca de Michelle na boca daquele desconhecido. Botei minhas mãos dentro dos bolsos, apertando o tecido interno do smoking, tentando cessar aquela tremedeira. Não adiantou. Virei de costas para eles, respirei fundo, encarando o teto do lugar. Nada. Eu não entendia o que estava acontecendo comigo, quer dizer, acho que não, não tinha certeza... Para piorar as coisas começou a tocar “I Don’t Wanna Miss a Thing”. Todos os casais foram para a pista de dança, e alguns desacompanhados saíram de lá reclamando. Repirei fundo mais uma vez, mas desta vez encarando o chão, tentando me controlar. Senti duas mãos em meus ombros.

- Vamos dançar esta? – aquela voz... Me virei rapidamente.

- Hãn... Não sei... – dei uma risada nervosa – Por quê?

- Sei lá... – Michelle disse dando os ombros – Nossos últimos dias em Laffayete e... I don’t wanna miss a thing. – falou sorrindo. Tentei sorrir de volta, mas não consegui. Eu estava passando mal, não conseguia olhar nos olhos dela – Bill? Você está bem? – ela perguntou naquela serenidade. Minha respiração começou a acelerar – Nossa... Calma...

- E-e-eu, eu estou calmo. – ela me olhou torto, com dúvida – Vamos? – perguntei pegando sua mão indo em direção à pista de dança, tentando disfarçar aquela confusão que acontecia em minha cabeça.

Colamos nossos corpos, pus minhas mãos em sua cintura e ela em meus ombros. Aquilo estava me deixando confuso/nervoso/atrapalhado. Ela olhou nos meus olhos, séria, percebeu que eu realmente não estava bem. Ela afundou o rosto em meu ombro, beijando meu pescoço, na tentativa de me acalmar. Fechei meus olhos ao sentir o toque de sua boca em minha pele. Nervosismo. Nervosismo. Nervosismo. O que estava acontecendo comigo? Jurava que, mesmo com aquela música alta no salão, qualquer um podia ouvir o som de meu coração batendo contra minha caixa torácica. Aquilo pareciam chicotadas e não batimentos cardíacos, estavam me machucando. Doía, e muito.

- Bill... – ela falou ainda com o rosto apoiado em meu ombro – Você estava tão bem quando chegou... O que aconteceu? – ela perguntou enquanto nos movimentávamos no ritmo da música. Do nada, meus olhos se encheram de lágrimas. Merda. Por quê? Como isso foi acontecer? – Bill? – soltei o ar que eu estava segurando já fazia algum tempo e ela afastou seu rosto para poder observar o meu – Bill... O que está acontecendo? Você... Você está chorando... – falou limpando minhas lágrimas.

- Desculpa por isso, é que eu realmente não estou me sentindo bem... Eu... Eu não sei o que está acontecendo comigo.

- Por que você não me falou antes? – olhei para ela e me lembrei da cena, o beijo.

- Por que... Não queria atrapalhar... – fechei os olhos respirando fundo, tentando apagar aquela imagem da minha cabeça — Atrapalhar a noite, sei lá... – desviei o olhar para qualquer que fosse o lado que não fosse os olhos de Michelle.

- Você tinha que ter me avisado, não atrapalharia em nada seu bobo... Quer ir para casa? Quer dizer... Vamos pra casa, você realmente não está bem.

- Sim...

- Então vam...

- Espera... – interrompi – Só vamos terminar esta música... – aquilo soou como se eu estivesse implorando.

- Tudo bem... – ela falou voltando para mim novamente. Fechei meus olhos, afundando meu rosto em seus cabelos, sentindo o perfume suave deles. Eu estava louco por ela, completamente apaixonado, mas não queria ser mais um Jeff em sua vida. Eu a queria, a desejava mais do que tudo. Acho que foi o que sempre quis, desde o começo, desde o primeiro olhar que lancei para ela, atirada naquela classe, levando um xingão do professor de matemática já no primeiro dia de aula. Já fazia algumas semanas que percebi esse olhar diferente que eu tinha sobre Michelle, mas agora, depois daquele beijo, da minha reação ao ver aquilo, eu tinha mais do que certeza do que sentia.

“Contar? Não contar? Contar? Não contar? Contar? Não contar?” Eu está ficando louco.

Michelle havia largado meu pescoço.

Merda. A música acabou. Fiquei a encarando por um tempo, sem saber o que fazer.

Notas finais
Sim, empolguei com Aerosmith LOL poderia ter me empolgado com KISS, mas acho que Aerosmith encaixa melhor no caso ^^
Espero que vocês tenham gostado. Esse capítulo veio para a alegria de algumas leitoras, ou não kkk
O próximo já está prontinho ^^ vou esperar os reviews para poder postar, como sempre. Me avisem se tiver algum erro, não consegui revisar.
Até logo *-*
Bjos ♥