Notas iniciais
Yaay! Sei que demorei para postar este capítulo, maaas para compensar, fiz um bem comprido pra vocês ;)

P.O.V Helena:

Mais um dia… O sol estava lindo, e eu precisava de um descanso. Desci de meu quarto e fui até a piscina, me arrependendo de ter o feito.

— Mas veja quem chegou... — Louis me olhou, rindo. Ele, meu irmão, Pietro e mais algumas garotas estavam ao redor da piscina, e todos olharam para mim.

— Que eu saiba a piscina também é minha! — Falei, encarando Mike. Ele sabia que eu odiava seus amiguinhos.

— Há! Meu pai me contou sua história. Abandonada quando criança, Helena? — Pietro se aproximou de mim. — Não me choca. Nem criança conseguiam gostar de você! Teve sorte que os pais de Mike tiveram piedade de você!

— Seu filho de uma mãe! — Rosnei e lhe dei um tapa estralado, naquela cara de mauricinho. Ele não podia falar aquilo! Não podia! Algo dentro de mim sangrou quando ouvi aquelas palavras.

— Vagabunda... — Ele tentou vir pra cima de mim, mas nesse momento, meu pai chegou.

— Garotos? Algo errado por aqui? — Meu pai se posicionou do meu lado, passando seus braços por cima de meus ombros.

— Nenhum, pai! — Mike disse. Suas amiguinhas já tinham ido embora assim que papai apareceu. Só ficaram aqueles babacas.

— Ótimo! — Ele olhou para Mike, com o olhar. Sabia que Mike estava ferrado. Mamãe sempre foi bem clara: sem garotas nessa residência. — Pietro, Louis, espero que estejam gostando da estadia... — (Sim, os dois estavam passando uns dias aqui em casa).

— Estamos adorando, senhor! — Louis disse, sorrindo.

— Que bom. — Ele se direcionou a mim. — Helena, fiquei sabendo que foi muito bem no último teste de aritmética. Meus parabéns... — Ele me abraçou, me direcionando para dentro de casa. Olhei para trás e Mike me fuzilava com os olhos. Ele odiava minha relação com o papai. Não entendo o motivo, afinal, ele sim era filho biológico de papai.

Isso não vem ao caso. Papai me levou até seu escritório. Eu receberia minha recompensa por ser boa aluna. Mamãe me esperava lá, também.

— Filha! Acabamos de receber ligação da sua escola dizendo que, mais uma vez, você impressionou a todos, com suas ótimas notas! — Ela me abraçou, e finalmente senti um pouquinho de conforto naquele dia.

— Obrigada, mamãe. Só consegui isso, graça a vocês! — Segurei a mão dos dois, que sorriam para mim. Começei a chorar, os assustando.

— Filha, o que foi? Fizemos algo de errado? — Mamãe me abraçou forte, preocupada.

— Não! Nunca! Vocês nunca fazem nada de errado! É que estou feliz. Feliz por ter uma família! — Fingi sorrir.

Os dois se olharam e sorriram. Eu sou uma ótima atriz, e posso esconder tudo com um sorriso. Pra que contar a verdade para eles, se sei que isso vai machuca-los? Não. Era melhor assim.

–-----------------✞-------------------

Perfect by nature

Icons of self indulgence

Just what we all need

More lies about a world that

(Perfeita por natureza

Ícone de auto- indulgência

Justamente o que todos nós precisamos

Mais mentiras sobre um mundo que)

Eu estava em frente ao espelho de meu banheiro. Porra, porque eu não conseguia sorrir? Havia acabado de tomar banho, e estava sem maquiagem. Sem minha máscara. Sem minhas defesas. O que os homens viam em mim, que eles consideravam perfeito? Aonde eles viam algo de verdadeiro em mim? Minhas origens são farsas, minha pele perfeita é pura maquiagem, na realidade sou cheia de sardinhas, até meus olhos são uma farsa! Uso lentes de contato para conseguir enxergar direito! Uso salto para corrigir o fato de ser praticamente uma anã, comparada as outras mulheres que desfilam por aí. Eu sou toda errada, sou uma mentira!

Never was and never will be

Have you no shame don't you see me

You know you've got everybody fooled

(Ela nunca foi e nunca será

Você não tem vergonha, não me vê

Você sabe que faz todos de tolos)

Eu nunca serei a mulher perfeita! E nunca conseguirei achar alguém que goste de mim de verdade. O que mais me irrita, é o fato de só conseguir usar os homens como tolos: minha diversão e pronto. E eles não vem isso, acho que isso sim é o que mais me irrita. Mais uma vez, encarrei o espelho em minha frente, e fingi sorrir. Acho que estava perdendo meu dom de fingir. Fechei meus olhos, e as palavras de Pietro me acertaram em cheio. Abri meus olhos rápido, e tudo que consegui ver foi uma garota normal. Sem atrativo algum. Uma garota que procurava se encontrar!

Look here she comes now

Bow down and stare in wonder

Oh how we love you

No flaws when you're pretending

But now I know she

(Olhe, lá vem ela agora

Curve-se e olhe maravilhado

Oh, quanto nós a amamos

Sem defeitos quando está fingindo

Mas agora eu sei que ela)

O que estava acontecendo comigo? Por que eu não podia ser amada? Afinal, quando eu chego todos me olham maravilhados, acham que sou maravilhosa. Dizem me amar, mas não amam! Era porque eu não sou o que eles querem. Bufei com raiva, dando um soco na parede a minha frente. Para minha “sorte”, era onde o espelho se encontrava. Senti sangue escorrer de minha mão, mas não liguei, não doía.

Never was and never will be

You don't know how you've betrayed me

And somehow you've got everybody fooled

(Ela nunca foi e nunca será

Você não sabe como me traiu

De alguma forma, você faz todos de tolos)

Eu estou cansada de não ser o que alguém quer. Mas tem que ser alguém especial. Eu faço eles de tolos, mas eles também me fizeram e ainda fazem isso.

Without the mask where will you hide

Can't find yourself lost in your lie

(Sem a máscara onde você vai se esconder?

Não poderá se encontrar perdida na própria mentira)

Ouvi quatro batidas desesperadas na porta, e em seguida, meu pai, minha mãe, meu irmão e seus amiguinhos estavam em meu banheiro, olhando perplexos pra mim. Pra que trancar a porta se seus pais tem a chave de seu quarto?

— Fi...Filha, o que é isso? — Minha mãe perguntou, chorando.

— NADA! — Gritei, me soltando dos braços de meu pai. Olhei para Louis e Pietro. — ESTÃO FELIZES AGORA? FELIZES? — Eles me olharam assustados. Caminhei até o balcão do banheiro e tomei alguns comprimidos.

— Helena! Me escute! O que aconteceu aqui? — Papai me perguntou, preocupado.

— Só cansei de fingir, pai. Só isso! — Peguei um pedaço de vidro e o encarei.

— Leninha... O que está acontecendo? — Mike veio em minha direção e tentou me abraçar.

— Sai, Mike! Quando eu precisei que me ajudasse, você defendeu seus amigos! Agora volta lá lamber o cu deles, que eu cansei de você ser uma coisa na minha frente e outra coisa na frente deles! — Sai correndo, esbarrando com tudo em Pietro e Louis que estavam petrificados.

Corri para fora de casa, mas ouvi um grito de meu pai: “não deixem ela sair!”. Os seguranças tentaram me segurar, mas eu tinha guardado o caco de vidro, e o usei. Os seguranças se afastaram, e eu me livrei de qualquer empecilho. Senti lágrimas tomarem conta de mim. Eu não ligava se estava com um roupão rosa, eu só precisava sumir naquele momento.

Notas finais
Espero que gostem. Comentem bastante