Welcome to badlands

29 Capítulo Vinte e Oito: a não tão fácil vida de Seth.


Seth carregava muita raiva, não era um garoto dócil e educado, nunca foi, seus pais não se importaram em educá-lo e na escola, quando ele ia à aula, estava sempre na detenção. Seth não gostava de outras pessoas e às vezes achava não ter sentimentos, mas isso nunca o incomodou, ele considerava uma virtude. Sabia como sentimentos podiam enlouquecer as pessoas.

Nem de Sawyer ele gostava. Sentiu vontade de afogá-lo enquanto ele estava dentro da pequena banheira e sua mãe estava na cozinha desligando o fogão.

Mas ele olhou para aquela cara bochechuda e os olhos pequenos e vacilou.

Foi a primeira vez que sentiu algo parecido com afeto.

Mas após Sawyer nascer, seu pai ficou pior. A frequência que Seth apanhava aumentou, como se ele fosse o saco de pancadas cheio de ossos quando ele não conseguia descontar a sua energia na cama com a mãe.

Quando Sawyer cresceu, a raiva de Seth encontrou um alvo fácil. Batia no irmão e o pequeno batia de volta, tinha a mesma raiva, corria pelas veias como sangue da família.

Seth gostava de pensar que estava preparando o irmão para a vida terrível que o esperava, mas ele gostava quando via o irmão chorar.

Após a morte do pai, que Seth foi incapaz de chorar ou lamuriar, como sua mãe se jogando no chão enquanto o caixão era velado no cemitério comunitário — basicamente um lixão para corpos pobres -.

Sawyer era tão pequeno e chorava no colo de Seth, que o beliscava pra repreendê-lo, mas ele chorava mais ainda.

Quando chegaram ao bairro, percebeu que as coisas começariam a piorar. A vizinhança era pior, as ruas mais sujas e sua mãe se afundou em um poço de remédios e bebida.

Seth já não a via com frequência, mesmo sob o mesmo teto, e Sawyer fez amizades com garotos tão perdedores quanto ele. Seth ficava sozinho na maior parte do tempo, aproveitando sua companhia.

Mas se deu conta de que não gostava de si também. Era difícil gostar de pessoas, ele considerou.

Seth não gostava de homens ou mulheres, sentia-se apático. Por isso era tão fácil simplesmente vender seu corpo.

Só havia uma coisa que Seth gostava.

Dinheiro.

Ele gostava da sensação das notas lisas em sua mão. Adorava as cores diversas de cada cédula. Guardava dinheiro em seu quarto de todos os trabalhos que fazia: garoto de programa, segurança e ajudante de traficante.

Seth amava a vida que os traficastes levavam. Sempre com o bolso recheado de dinheiro, anéis de ouro e armas de diversos tamanhos.

Ele almejou aquela vida e para ele sempre foi fácil ultrapassar os outros. Não descansou até o seu chefe estar morto e ele ser o grande mandante daquele lado do bairro. E ele agia na surdina, por isso sempre faturava.

Policiais tinham trato com ele e Seth não temia se vender para o lado do inimigo, ele só se importava em ganhar dinheiro.

Seth gostava quando seu irmão trabalhava para ele, porque ele voltava a ter aquela sensação de poder sobre o mais novo. Já não conseguia bater em Sawyer sem sentir a tontura em todo seu corpo com os movimentos bruscos e sabia que o irmão poderia matá-lo se quisesse, por isso evitava a vontade sempre que surgia.

Mas Seth estava com raiva, porque seu irmão abusou da sorte e estava atrasado para o trabalho. Seth não gostava de ser bondoso por isso, as pessoas pisavam em você.

Tentou ligar, tentou falar com os amigos babacas do irmão e ninguém o atendeu.

A raiva, que já era tão grande pra seu corpo esquelético, o transbordava.