Welcome To Your New Nightmare
5 O Lago de Sangue
Notas iniciais
Obrigado,
um potterhead.
KATE ESTAVA DECIDIDA A FAZER AQUILO. Se Freddy Krueger colocou um bilhete de aniversário no casaco dela nos sonhos e conseguiu trazer para o mundo real, porque Kate não conseguiria fazer isto também? Então ela estava certa de que pegaria sua filmadora e gravaria Freddy Krueger em seus sonhos.
Então na próxima madrugada ela iria dormir com sua câmera no bolso de seu pijama e iria mostrar a verdade para seus amigos. Kate tinha que fazer uma visita na delegacia, mas não tinha tempo. Sua mãe tinha feito uma excursão com as senhoras da igreja para ir em uma casa de adoção de crianças e ficaria longe até a noite. Então, as tarefas de casa ficaram todas por conta de Kate. Ela estava pensando nas palavras do delegado: “conheço mais da vida dele do que ele mesmo”.
Kate precisava saber mais sobre o homem de seus pesadelos e o delegado poderia ajudá-la. Ela tinha tido um pesadelo com Freddy, mas por sorte o alarme de sua escola tocou. Mas Kate não foi à escola. Não queria encontrar seus amigos que não confiavam nela. Só queria conversar com Bianca e Josh. Estava feliz por eles acreditarem nela. Kate tinha ligado para Bianca depois do almoço para saber se ela estava bem. Bianca não teve nenhum pesadelo por enquanto, por isso Kate estava mais feliz.
Kate colocou a xícara de café em cima da mesa e fechou sua casa para ir à delegacia. Ela não conseguia acreditar em tudo isso. Às vezes, queria cair na real, parar de sonhar, mas era tudo verdade. Ela estava no centro da cidade. Atravessou a rua e entrou no local, onde estaria o delegado.
– Não tenho tempo de falar agora, senhorita. – respondeu o delegado. – estou ocupado com um caso a resolver.
– Por favor! É urgente! – disse Kate.
– Mais uma morte? – perguntou o delegado.
– Não. – disse ela.
– Então não é urgente. – disse ele. – estou resolvendo o caso de um homem que agrediu uma senhora. Tal de Wookdov.
– Marcus Wookdov? – perguntou Kate.
– Sim.
– Era meu padrasto. – disse ela. – minha mãe o colocou para rua quando Wookdov quis bater nela.
– Ela devia ter dado uma queixa. – disse ele olhando para o relógio. – pois bem, temos um tempo não acha? Pode falar.
– O senhor que há algo a dizer. – disse Kate. – quero que me explique o que quis dizer com “conheço mais da vida dele do que ele mesmo”.
– Ah, sim! – disse o delegado. – éramos amigos. Grandes amigos.
– O que você sabe dele? – perguntou Kate.
– Pois bem, o nome dele é Frederick Charles Krueger. – disse o delegado. – ele foi fruto de um estupro coletivo ocorrido num velho manicômio da Rua Elm, quando a freira Amanda Krueger foi trancada junto com cem internos por dias. Durante toda a sua vida, ele foi capaz de se lembrar dos gritos de sua mãe. Amanda imediatamente põe o filho para adoção, e alguns anos depois, Freddy foi adotado por um velho alcoviteiro, Sr. Underwood, que viu utilidade no menino como atração de bêbados curiosos na pequena e imunda rua, repleta de prostitutas e drogados.
– Então ele foi abandonado pela mãe? – perguntou Kate.
– Foi, mas ela era freira, não poderia criar a criança. – disse o delegado.
– Continue. – disse Kate.
– O jovem apanhava constantemente do padrasto, que o tratava como um nada, tirando sangue e deixando-o cheio de marcas roxas pelo corpo. Após uma surra, em que quase foi morto, o jovem Freddy matou Underwood com uma lâmina — a mesma que Freddy usava para se cortar, devido ao abuso do padrasto e dos colegas. – disse o delegado.
– Ele era abusado? – perguntou Kate.
– Sim. – disse o delegado. — Freddy começou a trabalhar em uma fábrica, casou-se e teve uma filha e se mudou para Springwood.
– E o que mais? – perguntou Kate.
– Não posso lhe contar o resto. – disse o delegado.
– Como assim não pode? Eu vim aqui para ouvir tudo. Tudo. – disse Kate.
– Não posso e não quero. Eu não quero me lembrar das más lembranças. – disse o delegado. – não quero trazer coisas horríveis à cidade outra vez.
– Já tem algo horrível na cidade. E é ele. – disse Kate.
Ela saiu da delegacia e foi à casa de Bianca, sua amiga. A casa de Bianca era verde e tinha uma aparência de nova, embora a casa já tivesse alguns vinte anos. Bianca vestia um vestido e estava terminando de limpar a casa.
– Olá Kate. – disse Bianca. – algo a me dizer?
– Sim. – disse Kate.
Elas conversaram e Kate contou a ela sobre a conversa com o delegado. Bianca estava com uma cara estranha e pensativa.
– E o que nós temos com isso? – perguntou Bianca. – ele é apenas um homem revoltado que era arrombado e quer se vingar nos matando?
– Há uma parte que o delegado não me falou. – disse Kate. – Ele não queria trazer más lembranças na cabeça dele.
– O que deve ser tão ruim para ele não querer trazer más lembranças? – perguntou Bianca.
– Ele também falou que não queria trazer coisas horríveis à cidade outra vez.
– Velho estranho hein?! – disse Bianca.
– Ele era amigo de Freddy. – disse ela. – vou para casa dormir para ter um pesadelo.
– Como assim? – perguntou Bianca. – está doida?
– Eu tenho um plano. Um plano que explicará tudo a todos. – disse Kate.
Kate saiu da casa de Bianca e foi direto para sua. Ela queria ter um pesadelo. Ela pegou sua câmera e a colocou no bolso. Ela estava pronta para ir deitar. Kate não tinha nenhum medo de Freddy. Ela apenas queria salvar seus amigos. E era o que ela iria fazer. Estava pronta para dormir, quando bateram em sua porta. Era Josh.
– Oi Josh. – disse Kate.
– Como assim? – perguntou Josh. – qual o motivo de você querer ter um pesadelo com aquele desgraçado?
– Josh – disse ela.
– Eu não vou deixar! – gritou Josh. – não vou deixar.
– Você não tem querer Josh – disse Kate.
– Tenho sim! – gritou ele. – eu a amo! E me importo com você. E você não fará nada.
– Vou fazer sim. – disse ela. – e não ouvirei sua opinião! Porque eu não me importo com você. E não te amo mais.
– Kate. – disse Josh. – ele vai te matar.
– Não vai. – disse Kate. – eu vou filmar ele e mostrar a todos que não acreditaram em mim que ele existe.
– Você pode filmar ele ou tirar fotos – disse Josh. – ele te matará igual.
– Ele não irá conseguir. – disse Kate. – sinto, sinto que eu irei acordar. Sinto que não será desta vez que ele me matará.
– Me deixa ficar aqui com você. – disse Josh. – eu te acordarei quando for preciso.
– Não Josh. – disse ela – tentei fazer isto com minha mãe. E ele a ameaçou de morte. Quero que fique longe disso.
– Sério? – perguntou Josh.
– Sério. – disse Kate. – não quero que você se machuque.
– Sabe o que isso quer dizer, não sabe? – perguntou Josh sorrindo.
– O que? – perguntou Kate.
– Que você se importa comigo. – disse ele.
– Está bem – disse ela. – eu ainda me importo com você. Mas agora como amigo.
– Então você não me quer aqui? – perguntou Josh.
– Não mesmo. – disse Kate. – você não se machucará. Não por mim.
– Você está enganada. – disse ele. – eu aqui ou não, me machucarei igual. Não só eu, mas como todos os seus amigos mais próximos.
– Por favor. – disse Kate. – me deixe.
– Está bem. Tchau. – disse Josh saindo pela porta.
– Tchau. – falou Kate.
†††
Julie estava caminhando por uma rua não muito movimentada. Entre várias casas pequenas, havia no final da rua um cemitério. Era um campo gigante com várias lápides na grama. Julie se dirigiu para algumas lápides distantes. Entre elas, havia a lápide de uma garota, uma bela menina. Uma garota de olhos claros e um cabelo ruivo. Tinha uma pele macia e era cheia de sardas. Tinha belos amigos e uma bela família. Tinha uma vida inteira pela frente, mas morreu cedo. Mary era uma garota gentil e a melhor amiga de Julie.
Julie colocou algumas flores em cima da lápide e se ajoelhou. Fechou os olhos e deixou as lágrimas escorrerem.
– Você está bem? – perguntou um garoto que deveria ter uns onze anos de idade.
– Claro. – disse ela. – como eu poderia estar triste se estou perto da minha melhor amiga?
– É ruim perder alguém próximo de você – afirmou o garoto.
– Como você sabe? – perguntou Julie ainda chorando e de olhos fechados. – você já perdeu seu melhor amigo?
– Não. – afirmou ele. – mas perdi minha mãe.
Julie se levantou e abriu os olhos. Estava olhando para um garoto moreno com um nariz empinado e olhos castanhos.
– Mais triste do que perder um amigo, é perder um familiar. – disse Julie. – Mary era minha amiga desde os sete anos. Ficamos por dez anos sendo amigas e a morte a tirou de mim violentamente.
– Como ela morreu? – perguntou o garoto.
– Assassinada brutalmente. – disse ela. – e sua mãe?
– Um câncer. – disse o garoto.
– E você tem alguém? – perguntou ela.
– Minha avó. – disse ele. – meu pai fugiu quando soube que minha mãe estava grávida.
– Eu lamento. – disse Julie. – qual seu nome?
– Paul. – disse ele. – e você quem é?
– Julie. – disse ela. – com quem você veio?
– Sozinho. – disse ele. – eu moro perto daqui.
– Nesta rua? – perguntou Julie.
– Não. – disse Paul. – duas ruas depois.
– Está com fome? – perguntou ela.
– Não. – disse Paul. – eu tenho dez anos. E você?
– Eu tenho dezessete. – disse ela. – sabia que você nasceu no ano em que eu conheci Mary?
– Sério? – perguntou ele. – irado!
– Sim, é irado. – falou ela.
– Eu vou ter que ir. – disse ele. – minha avó não sabe que eu vim. Vou vir quinta feira, neste mesmo horário. Se quiser aparecer para conversarmos mais...
– Sim, sim. – disse Julie. – se eu puder, eu virei.
O garoto foi embora e Julie ficou olhando a foto de Mary por mais alguns segundos até se virar e caminha para fora do cemitério. Ela iria voltar na quinta, pois sentia que conseguiu alguém para contar suas dores.
†††
Kate estava na beira de um lago, ao qual ela achava já conhecer. Era noite e o local não era iluminado. Havia algumas árvores separando o lago das casas. A civilização não era longe, mas havia uma cerca. O lugar ambiental parecia uma espécie de lazer aos domingos. Kate tocou em seu bolso e lá estava a câmera que ela havia pegado. Ela começou a andar entre as árvores e começou a ouvir um barulho estranho e um cheiro forte. Olhando para o lado, conseguiu ver um animal morto. Deveria ser um boi apodrecido com moscas voando sobre ele. “Que nojo” pensou ela. Quanto mais andava para frente mais via animais podres. Eram vacas, ovelhas e até porcos pendurado em árvores com alguns insetos se alimentando deles. Ela viu alguns ratos comendo uma ovelha que parecia estar morta a um mês de tão forte seu cheiro. Ela decidiu voltar para a beira do lago, onde não tinha nada daquilo. Então Kate se virou para trás pretendendo voltar quando se deparou com aquele que tinha um rosto deformado e garras nas mãos.
– Olá Kate! – exclamou Freddy. – feliz em me ver?
– Claro! – afirmou Kate pegando a câmera e ligando ela disfarçadamente.
– Como anda você ultimamente? – perguntou ele. – faz um bom tempo que não falo muito bem com você ultimamente.
– Verdade. – disse ela. – já estava com saudades Freddy. Fazia tempo que não te via.
– O que você está fazendo com isso nas mãos? – perguntou ele.
– Gravando. – disse ela. – gravando esta paisagem bela, gravando você e tentar gravar minha morte para guardar de recordação para mamãe.
– Então filme. Filme bastante. Quero ver você me filmar. – disse ele.
Kate ainda nem ligará a câmera. Ela estava mentindo para Freddy. Apertou o botão para ligar o objeto quando apareceu um recado na tela avisando que não tinha mais bateria e precisava carregar. Então a câmera desligou-se sozinha. Kate se apavorou. Tinha desafiado Freddy Krueger por nada. Não poderia usar a câmera. Procurou pelas calças seu celular, mas ela havia deixado ele em cima do balcão da cozinha. Ela estava desesperada, mas não queria demonstrar isso a Krueger.
– Não vou filmar. – disse ela. – não estou a fim de mostrar minha morte.
– E eu não estou a fim de ouvir sua voz. — disse Freddy. — eu vou matar você delicadamente para você sentir muita dor.
– Eu duvido que você me mate. – disse Kate. – Pode até tentar, mas não terá resultados.
– Tem certeza? – disse Freddy sorrindo.
– Pelo menos hoje – disse Kate dando uma pausa. – pelo menos hoje eu tenho certeza que não.
– É o que veremos. – disse Freddy.
Ele colocou as garras para fora correndo atrás dela. Kate estava desesperada e se beliscava enquanto fugia de Freddy.
– Acorde. – sussurrava Kate para ela mesma, mas sem resultado algum.
– Venha Kate! – disse Freddy. – fugir será pior.
– Vá embora! – exclamou ela. – por favor, acorde. – sussurrou Kate.
Kate voltou para o lago, onde agora estava mais macabro. A margem do lago estava cheia de animais mortos e á água dele tinha virado sangue.
– Eu preciso acordar. – disse ela. – eu preciso.
– Não implore por um milagre. – disse ele rindo. – acolha a morte como amiga Kate!
– Vá para o inferno. – disse ela.
Kate estava sem saída. Ou ela ia em direção ao lago ou ela ia em direção a Freddy. Então ela pisou por cima dos animais podres e entrou no lago de sangue. Não sabia até onde o lago a levaria e não sabia a profundidade. Só sabia que estava entrando lago adentro para chegar à outra margem.
– Não adianta se esconder. – gritou Freddy. – onde você está menina?
Kate aproveitou que Freddy não tinha visto ela ainda e mergulhou no lago de sangue trancando a respiração. Não sabia por quanto tempo iria aguentar, só sabia que se levantasse iria ser perseguida outra vez.
Então tudo ficou quieto. Tudo estava em silêncio. E Kate que não aguentava mais trancar a respiração, voltou ao topo. Abriu os olhos e olhou na margem do rio. Freddy não estava lá. Foi quando olhou para a outra margem, que viu Freddy Krueger ao seu lado dentro do lago.
– Eu acho que você deveria se esconder melhor. – disse ele.
Kate saiu correndo e Freddy colocou as garras para dentro. Ele queria puxar ela de volta para dentro do lago, mas com garras ele não conseguiria fazer isto. Kate estava quase na margem quando foi puxada por Freddy e caiu de cara nas carnes podres dos animais. Ela gritou o mais alto que pode, mas quando viu, já estava mergulhada em um lago sangrento e agarrada por Freddy Krueger.
Três batidas na porta foram o suficiente para Kate acordar. Ela não sabia quem era, mas já estava agradecida por esta pessoa ter salvado sua vida. Foi quando ela abriu a porta e viu no lado de fora uma das velhas da igreja, amiga de sua mãe.
– Olá querida, tudo bem? – falou a senhora.
– Tudo bem sim senhora Garcia. – disse Kate. – obrigada.
– Pelo que filha? – perguntou ela.
– Nada não. – disse Kate. – é complicado.
– Bom, e sua mãe está? – perguntou Kate.
– Não. – disse Kate. – ela foi à excursão.
– Que excursão? – perguntou senhora Garcia.
– Ela foi à excursão da igreja. – disse Kate.
– Excursão? – perguntou ela. – que excursão?
– A excursão que a igreja fez para ir a uma casa de adoção de crianças. – disse Kate.
– Me desculpe incomodar Katharine, mas não fizemos nenhuma excursão. – disse ela. – a igreja não marcou nada.
– Não consigo entender senhora Garcia. – disse Kate. – você está dizendo que minha mãe mentiu para mim?
– Certamente. – disse ela. – Elizabeth mentiu para você.
– Então – falou Kate dando uma pausa. – onde ela foi?
†††
Elizabeth tinha chegado a um vilarejo. O lugar era estranho e tinha mansões que pareciam ser abandonadas. Chegou a uma igreja em ruínas que parecia não funcionar mais, mas funcionava. Elizabeth entrou e viu uma freira em sua frente.
– Eu queria conversar com o padre Mariolo. – disse ela.
– Claro. – disse a freira. – é só aguardar alguns instantes.
A freira saiu e cinco minutos depois apareceu com o padre.
– Boa tarde, padre. – falou Elizabeth.
– Vou deixá-los sozinhos para poderem conversar melhor. – falou a freira.
– Obrigado Jenna. – disse o padre em um tom robusto. – então senhora? O que deseja?
– Bom, senhor Mariolo. – disse Elizabeth. – pesquisei por um tempo alguns padres que tem o mesmo poder do senhor e não encontrei perto da minha cidade. Então tive que viajar duas horas para falar com o senhor.
– E o que deseja? – perguntou o padre, que tinha uma voz grossa e falava calmamente apesar de ter uma aparência de homem bravo.
– A minha filha estava dormindo e eu fui buscar um copo d’água. Quando voltei para o quarto, ela estava levitando no ar e sendo jogada nos cantos do quarto. Parecia estar tendo um ataque.
– E o que você acha que eu possa fazer? — perguntou o padre.
– Eu acho que ela está com alguma espécie de demônio no corpo. Além disso, ela tinha que entregar um trabalho sobre demônios para a escola e acho que de tanto futricar neste assunto ela acabou sendo invadida por almas malignas no corpo dela. – disse Elizabeth. – Ela não me contou o que estava acontecendo, mas acho que só existe essa explicação.
– Você quer que eu vá até sua casa para fazer algo com sua filha? – perguntou o padre.
– Sim, senhor. – disse Elizabeth. – só o senhor poderá ajudá-la. Eu vim até aqui atrás de alguém que pudesse ajudar minha menina. Andei por duas horas dentro de um ônibus para vir encontrar o senhor.
– A senhora quer que eu exorcize sua filha? – perguntou o padre.
– Sim, padre. – disse Elizabeth. – tire esse demônio de dentro dela. Liberte minha filha deste mal. Eu quero que o senhor a exorcize.
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