Welcome To Your New Nightmare
1 O Arranhão
HAVIA FUMAÇA. Muita fumaça. Ela estava em um lugar que já era conhecido. Sabia que um dia foi lá. Mas não se lembrava de como. Era uma usina. O lugar estava vazio. E ela estava com medo. Seu rosto dizia tudo. Ela gritava e chorava. Fugia de algo. De alguém.
– Por favor... – pedia ela soluçando. – pare! Por favor, pare!
Alguém estava dando gargalhadas. O local estava extremamente escuro. Tinha fumaça dos gases para todo lado.
Katharine havia se escondido atrás de caixas e alguns instrumentos de metais. Ela tapou a boca com a mão. Do jeito que soluçava, o homem conseguiria ouvir ela.
– Venha Katharine. – e ela ouviu pela primeira vez a voz do homem. Uma voz rouca, como um sussurro. Uma voz fria e que colocava medo em quem ouvisse pessoalmente. – Venha até mim.
Ela chorava.
– Você não pode fugir de mim. – ele falou. – eu quero brinca um pouco com você.
– Vá embora! Vá! – ela gritou. – Sai daqui! O que você quer de mim? Quem você é?
– Você deve me conhecer, ou sua mãe não falou de mim para você? – ele deu uma risada falsa.
– O que tem minha mãe? O que você quer com ela? – ela estava desesperada.
– Onde você está garota? – ele perguntou. – Eu vou te achar de qualquer jeito.
O medo tomava conta da garota. Ela estava morrendo de medo. Seu coração estava acelerado e ela suava. Estava perto de morrer.
– Apareça! Apareça! – gritou ele, com uma voz brava e fria. – cansei de brincar de esconde-esconde.
– Vá embora! – ela gritava.
– Prefiro pega-pega. – riu ele.
Ela estava agachada. Começou a andar de joelhos com suas mãos no chão. Estava procurando outro lugar para se esconder. Ou pretendia descer até as escadas que levava até o terceiro andar da usina.
– Kate... – falou ele.
– Me esqueça, por favor! – gritou ela. – o que eu fiz a você? Eu nem o conheço.
– Pergunte a sua mãe, Katharine. – ele riu. – ela tem a resposta.
– O que ela tem com você? – ela perguntou. – o que ela é sua?
– Era. Essa é a resposta correta. Era. – disse ele. – mas infelizmente, você não irá viver para perguntar a ela.
–Não... Por favor...
– Sim, claro. – ele falou. – eu vou matar você.
– Não. Nem que você queira. – ela se levantou. – Isto não é real. É apenas um sonho. Meu sonho.
Ele se virou. Katharine não acreditou no que viu. Ela sentiu algo no seu estomago. Uma vontade de vomitar. O homem com quem conversava, tinha algo no rosto. Ele era deformado. Parecia ter sido queimado. Seu suéter listrado e seu chapéu davam a ele um ar macabro. A pessoa mais feia para Kate seria ele. Não parecia ser humano, e sim algum monstro.
– Isto não é um sonho. – quando ele abriu a boca, Kate nunca sentiu algo igual. Ele parecia mais macabro sendo visto do que se Kate estivesse escondida. – Isto... Isto é um pesadelo. O meu pesadelo.
– Não. – disse ela. – esse pesadelo é meu. Eu estou tendo ele.
– Esse é o meu mundo. E você só poderá se ver livre de mim se acordar. – disse ele.
– Não! Não! – gritou ela.
– Sim! E sim! – gritou ele, cuspindo no ar. – Me ouça bem, vadia. Eu vou brincar com você. E prometo ser bonzinho.
– Me deixe ir. – implorou ela. – por favor?
– Bem vindo ao seu pesadelo. Bem vindo ao mundo de Freddy Krueger! – exclamou ele. — Isso só vai doer um pouquinho.
Ele ergueu as garras. Lâminas afiadas. No lugar de mãos, ele tinha garras. Ela tropeçou, caindo perto de algumas ferramentas. Não havia saída. Freddy veio para cima dela correndo. E ergueu suas garras para matar Kate, e ela colocou o braço na frente.
O alarme tocou. Ela levantou-se assustada. Tinha tido um pesadelo terrível. “Parecia tão real”, pensou ela. Katharine teve a sorte de seu despertador ter tocado antes de ser morta por Freddy Krueger. Eram quatro horas da manhã quando tocou o alarme e Kate foi pegar o seu remédio que toma de seis em seis horas. Ela abriu a geladeira e pegou uma garrafa de vidro com água. Serviu em um copo com um símbolo do Yankees, que tinha ganhado de seu padrasto.
Voltou para sua cama e foi deitar. Quando ela conseguiu dormir, ouviu um sussurro estranho falando seu nome. Ela acordou. Seu telefone estava tocando.
– Josh? – perguntou ela. – o que você quer?
– Feliz aniversário. – ele falou. – tudo de bom para você.
– E tinha que fazer isso de madrugada? – perguntou ela.
– Queria ser apenas o primeiro. – disse ele.
– Ligou tarde, mamãe foi a primeira. – ela disse.
– Você está brava? – perguntou ele.
– Isso está meio óbvio, não acha? – ela perguntou.
– E por quê? – ele perguntou.
– Talvez porque você me liga às quatro horas da manhã pra me falar algo que poderia me dizer amanhã na escola. – ela falou.
– Não é sempre que uma garota faz dezoito anos. – ele disse
– Você falaria a mesma coisa se fosse outra idade. Afinal não é sempre que se fazem dezessete anos, não é sempre que se fazem vinte e dois, não é sempre que se fazem trinta e cinco. – ela cansou. – me deixa. Amanhã conversamos mais. Eu sei que você ainda me...
– Não.
Ele desligou.
Josh tinha tirado o sono de Kate, então ela acendeu a luz e ligou o seu computador.
Nem se lembrava de que tinha um trabalho para fazer sobre demônios. “Os demônios são anjos caídos” pensou ela. E começou a ler o resto do texto que havia achado na Wikipédia, fascinando-se por aquele parágrafo:
“Os demônios, ou espíritos imundos, são anjos caídos que foram expulsos do terceiro céu. O chefe dos demônios, Lúcifer, era um querubim da guarda ungido, que ao desejar ser igual a Deus, foi expulso do Paraíso. Porém, quando foi expulso do Céu, trouxe consigo um terço dos anjos de Deus. Como punição à sua rebeldia, Deus preparou para Satanás e seus anjos um lago de fogo e enxofre, erroneamente chamado de inferno, visto que são lugares diferentes, onde eles devem ser atormentados por toda a eternidade, e com eles, todos aqueles que não receberam a Salvação, que é pela fé no sacrifício e ressurreição de Jesus Cristo. Todos aqueles que morrem sem crer em Jesus Cristo para arrependimento e perdão dos pecados são enviados ao Inferno, onde ficarão até o juízo final, quando então farão companhia ao diabo e, junto dele e de seus anjos, serão atormentados com fogo e enxofre por toda a eternidade. Devido a vários motivos ou simplesmente por submissão religiosa a Satanás os demônios podem possuir alguém, assumindo inclusive o senhorio sobre o corpo desta pessoa, manipulando suas atitudes e palavras e influenciando fortemente os seus pensamentos. Para os cristãos, o único meio eficaz, utilizado pelos apóstolos, para falir a autoridade de um ou mais demônios sobre uma ou mais pessoas é o nome de Jesus Cristo, Filho de Deus, que segundo a crença cristã é o Nome sobre todo nome, inclusive dos demônios.”
Kate sentiu medo daquelas palavras. Algo nela começou a arder. Era seu pulso. Ela encostou a outra mão para coçar. “Ai!”. Olhou para seu pulso e ele estava sangrando pouco. Ele estava cortado como em seu pesadelo.
Notas finais
Ela não dormiu. Estava com medo de ter mais um daqueles pesadelos. Estava com muito sono, mas não podia dormir. Então Kate colocou uma música para ouvir. Foi aí que pegou no sono e estava no mesmo lugar, onde havia machucado seu pulso.
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