O POLICIAL ESTAVA OUVINDO O DEPOIMENTO DE CADA PESSOA, ATÉ QUE ELE TEVE ALGUMAS NOTÍCIAS. O outro policial falou que viu as câmeras e apenas uma jovem subiu no terceiro andar após a vítima. Eles não conseguiram identificar a garota, mas viram a conta dela na biblioteca e descobriram sua identidade: Katharine Johnson, até então, a principal suspeita do assassinato.

Kate estava com medo. Sabia que iria ser culpada por tudo que aconteceu. E o pior é que ninguém iria acreditar nela. Então ela sentou-se à mesa da cozinha e começou a chorar. Não sabia o que fazer. Foi aí que bateram em sua porta.

– Senhorita Johnson! – exclamou Thompson, o policial. – Estão querendo sua presença na delegacia e é agora.

– E por quê? – perguntou Kate.

– Acho que você já sabe disso não é? – ele sorriu.

– Me deixa avisar minha mãe. – ela falou se dirigindo para as escadas em encontro ao quarto dela.

O policial esperou durante algum tempo e Kate voltou com sua mãe.

– O que eles querem com minha filha? – perguntou Elizabeth.

– Sra. Johnson. – disse Thompson. – sua filha foi convidada a se dirigir a delegacia..

– Por que isso? Minha filha não é ladra. – falou Elizabeth.

– Não posso falar aqui senhora. – disse ele.

– Mas como não! Eu quer.... – ela foi interrompida por Kate.

– Mary está morta mãe. E eles acham que fui eu. – disse ela.

Elizabeth ficou séria. Não sabia o que dizer. Ela gostava de Mary. Era como se fosse da família.

– Eu vou rezar um terço por ela. – disse Elizabeth. – você vai ir à delegacia?

– Vou. – disse ela. – sou obrigada.

Ela saiu com o policial e sentou no banco de trás do carro. Quando chegou à delegacia, viu que estava vazia. Os suspeitos já tinham sido liberados. Só tinha ela e a gerente.

– Johnson. – falou o delegado. – Venha até minha sala.

Ela se encaminhou até a sala do delegado e ficou cada vez mais nervosa.

– Me conte tudo. Tudo que você sabe sobre o assassinato. – falou o delegado.

– Não fui eu. Não fui eu. – disse ela.

– Não estou lhe acusando. – disse o delegado. – como estava sua relação com a senhorita Marilyn?

– Normal. Nós éramos amigas. E no dia, durante a aula, ela me mostrou um corte enorme em sua perna. Tinha sido um pesadelo. – disse Kate.

– Você teve um pesadelo com ela mostrando uma perna cortada? – perguntou o delegado.

– Não. Vou contar desde o inicio. – ela engasgou e respirou até conseguir falar. – eu tive um pesadelo estranho com um homem esquisito que tinha a face queimada e mãos de lâmina. E no pesadelo ele feriu meu pulso. E eu acordei com meu pulso ferido. Quando cheguei ao colégio ela me mostrou o corte na perna. E disse que teve o mesmo pesadelo. Este homem está me ferindo. Está ferindo meus amigos. Se quiser, eu tenho a carta que ele me mandou...

– Ele te mandou uma carta? – perguntou o delegado. – volte pra sala de espera, garota. E chame a gerente do local.

– Está bem, senhor delegado. – disse Kate. E saiu para a sala de espera.

Ela se dirigiu até a recepção e fez sinal para a gerente do local. A gerente foi até o encontro do delegado e sentou-se na cadeira. Ouvi um barulho na porta e vi Laura entrando em minha direção.

– E aí? – perguntou ela. – o que ouve?

– Ela está morta. – disse Kate quase chorando.

– Eu sei. – disse Laura. – todos sabem.

Elas ficaram em silêncio por um bom tempo.

– Você viu como aconteceu? – perguntou Kate. – tão nova.

– Verdade. – disse Laura. – Apesar de eu achar isto errado, vou ter que dizer que Deus foi injusto.

– Não foi Deus que tirou a vida dela. – disse Kate. – foi Freddy!

– Olha, eu não sei quem é o assassino, mas sei que não é você. Mas quem é esse Freddy? E por que ele faria isto?

– Ele faz isso a todo mundo. – disse Kate. – ele mata as pessoas brutalmente nos pesadelos delas enquanto elas dormem. E depois elas ficam do mesmo jeito no mundo real.

– Pesadelo? Mundo real? – Laura ficou confusa. – o que você bebeu? Gilbert colocou algo em sua bebida? Ele te ofereceu alguma droga?

– Não, não e não. – Kate falou. – Você não confia em mim?

– Confio sim – disse Laura. – mas você tem que descansar. Não está falando coisa com coisa.

– Não posso descansar! – exclamou ela. – Se eu dormir, ele me mata.

– Pare, pare. – disse Laura. – pare com isso. Não tem como alguém te matar pelo seu próprio pesadelo. E nem todos tem pesadelo todos os dias.

– Vai embora Laura. – disse Kate. – você não está me ajudando. Quando você estiver morta e decapitada em sua cama, não adianta se arrepender porque daí já vai ser tarde.

– Quando você melhorar, ou parar de fumar isso, eu estarei aqui para ajudar você.

Ela saiu triste pela porta. E Kate chorou mais ainda. Não parava de pensar na carta que havia recebido do assassino. “Eu vou matar um por um, de amigos a professores, de vizinhos a familiares”.

“O que eu posso fazer para provar isto?” pensou ela.

A gerente da biblioteca estava voltando da sala do delegado e ele chamou Kate.

– Senhorita Katharine. – disse o delegado. – parece que você foi inocentada por aquela senhora.

– Como assim delegado? – perguntou ela.

– Ela falou que você ficou por três minutos no terceiro andar apenas. Não daria tempo de fazer o que o assassino fez com a vítima. E ninguém ouviu nenhum grito em quanto você esteve lá. Nenhum grito de dor e nem de sofrimento. – afirmou o delegado.

– Sim, não fui eu. – disse ela.

– Mas então por que você fugiu? – perguntou ele.

– Para ninguém achar que fui eu. – disse ela. – eu fui para a cada da mãe de Mary e ela falou que Mary estava na biblioteca. E então eu fui correndo para aquele local e quando cheguei ela estava morta.

– O que você queria com ela? – perguntou o delegado.

– Ver se ela estava viva. – disse Kate. – sobre tudo que eu falei para você, sobre os pesadelos, no último, estávamos juntas na escola e ele a matou.

– Vá para a casa descansar. Você está tendo algumas alucinações, mas quando melhorar ficará bem. – disse o delegado.

– Mas eu não posso dormir! – disse Kate. – ele virá me pegar. Ele quer me matar.

– Ele não existe! – exclamou o delegado. – você está maluca. Agora vá embora daqui e descanse.

Ele saiu deixando Katharine sozinha. Ela foi para a casa já pensando no que iria fazer.

Ela iria convidar todos os amigos que ela gostava e abriria o jogo com todos. Precisava manter eles seguros. Não sabia se acreditariam nela, mas ela iria tentar.

– Kate! – exclamou Gilbert. – oi!

– Oi! – disse Kate.

– Como você está? Eles te liberaram? – perguntou Gilbert.

– Isso que você está fumando é...

– Maconha! – disse ele.

– Você está maluco? Até onde você irá com isso tudo? Você fuma maconha, você toma aqueles remédios, usa bomba, — ela ficou quieta por um instante. – só venha falar comigo quando parar de fumar isso.

– Kate! Kate! – ela se afastou e Gilbert desistiu de gritar por ela.

Kate estava quase chegando a sua casa quando ouviu seu nome ser gritado por alguém.

– Kate! – disse Josh.

– Mais um?! – disse Kate. – Me deixe.

– Eu acredito em você. – disse ele.

– O que? – perguntou Kate. – você só está querendo se aproximar de mim, mas eu não quero isso.

– Eu sou seu amigo. – disse ele.

– Não, você não é. – disse ela. – você é meu ex-namorado. E só isso.

– Pelo menos, isso é alguma relação. – disse ele rindo.

– Veio atrás de mim só para isso? – perguntou ela.

– Vim para te dizer que acredito em você. Você não inventaria uma história dessas. – ele disse para ela. – E eu quero te ajudar.

– Não preciso de sua ajuda. – ela saiu sem dar nem tchau para ele.

Kate chegou a sua casa e chamou sua mãe.

– O que foi querida? – perguntou Elizabeth.

– O que você fará hoje? – perguntou ela.

– Nada. – disse sua mãe.

– Ótimo. – falou ela. – eu vou dormir agora e quero que você me acorde se me ver balançar ou eu sangrando ou eu gritando, não sei, só quero que fique comigo e me chame.

– Mas minha filha...

– Não fale nada. Só faça o que eu te peço. Por favor. Não saia de perto de mim.

– Deite. – disse a mãe dela.

Kate deitou e com o sono que tava adormeceu em poucos minutos. Sua mãe estava cantando uma canção. A mesma canção que cantava quando ela era pequena para ela dormir. Kate dormiu como uma pedra.

– Já volto querida. – disse ela. – vou buscar algo para eu beber. – e ela saiu dando um beijo em seu rosto.

Elizabeth desceu até a cozinha e pegou um copo da água.

– É bom. – disse ela. – bem geladinha.

Ela ouviu um barulho estranho e subiu rapidamente até o quarto.

– Já vou filha! – gritou Elizabeth.

Quando chegou, Katharine estava levitando pela cama.

– Filha! Filha! – disse Elizabeth. – acorde!

Ela foi jogada da cama em direção a o roupeiro e bateu com muita força no chão.

– Filha. – disse ela.

Elizabeth pegou a filha pelos ombros e começou a balança-lá. Um arranhão apareceu no rosto dela e começou a sangras.

– Filha! Pare! – disse ela. – socorro! Socorro!

Ela deu um beliscão em Kate e ela acordou.

– Minha filha! Você está bem? – perguntou ela.

– Estou com muita dor. – disse ela.

– O que você fez? O que era aquilo? – perguntou ela nervosa. – Me explique isso agora!

Kate recebeu uma mensagem de voz.

– Depois te conto mãe. – falou ela.

Ela abriu a mensagem e teve um ataque. Era a voz de Freddy Krueger, cantando uma canção de ninar.

" dorme,dorme,bebezinho,

dorme pra não acordar,



toma cuidado com o ursinho,



pra ele não te atacar.



dorme,dorme,bebezinho,



a mamãe não vai voltar,



vai te deixar bem na caminha



pro bicho papão te pegar.



dorme,dorme,bebezinho,



o papai vai te sufocar,



logo,logo,bem quietinho,



você não vai respirar.



então dorme com os anjinhos,



e pede pra eles te ajudar,



porque vai ser uma noite longa,



e eu sinto que você não vai gostar.



então fecha os olhinhos,



e deixa o mal te levar."



– Sua mãe não poderá lhe proteger para sempre Kate. E se ela proteger mais uma vez, vai morrer primeiro que você.



†††

Thompson estava indo em direção à sala do delegado.

– O senhor me chamou? – perguntou ele ao delegado.

– Sim Thompson. – disse ele. – entre.

– o que foi senhor? – perguntou Thompson.

– Tenho uma má noticia. – disse o delegado.

– Qual? – perguntou Thompson.

– A garota culpada de assassinar aquela outra menina, Marilyn, ela é inocente. – disse o delegado.

– E isso não é bom? – perguntou Thompson.

– Ainda não cheguei à parte ruim. – disse o delegado. – Essa garota, Katharine, está tendo muitos pesadelos com o assassino e a garota foi assassinada no próprio pesadelo.

– Como assim? Isso pode acontecer? – perguntou ele.

– Claro que pode. – disse ele. – e isso já aconteceu Thompson.

– Já aconteceu? – perguntou ele.

– Já. Há tempo atrás morreu um homem. Morreu por causa de um incêndio. A partir daí, vários jovens já tiveram pesadelos com esse homem. E quando as pessoas têm pesadelos com ele, morrem.

– Sério? – perguntou Thompson.

– Sim. – disse ele. – só que eles não morrem no nosso mundo. Se o homem tirar uma perna da pessoa, ela acorda sem.

– Que horror chefe! – disse Thompson.

– Eu o conhecia. Era meu amigo. Um chapéu, um suéter listrado de verde e vermelho. Foi com essa roupa que ele morreu. É com essa que ele assusta as pessoas.

– Como você sabe? – perguntou Thompson.

– Eu já tive um pesadelo com ele. Foi graças a ele que perdi um dedo da mão esquerda. – ele riu. – E ele dizia ser meu amigo. Um cretino. Filho da puta! Mas agora eu posso me vingar.

– E o que você quer dizer com isso? – perguntou Thompson assustado.

– Ele está de volta Thompson. – disse o delegado. – ele vai tirar a paz desta cidade outra vez. Freddy Krueger voltou.

Notas finais
Kate estava menos sonolenta. Ela conseguiu dormir duas horas sem ter pesadelos, o que a deixou mais feliz. Pegou seu celular para ligar para todos seus amigos. Ela iria chamar todos para irem até sua casa a noite, aproveitando que sua mãe não estaria. Ela só não sabia que algo estaria por vir. Algo pior do que tudo que ela já viu.