Welcome To Your New Nightmare
42 A decisão de Katharine II
Notas iniciais
SEMANA DE PROVAS, na verdade, SEMANAS DE PROVAS.
Boa leitura!
Katharine levantou-se da cama com dor de cabeça. Desceu as escadas do segundo andar do apartamento de Sérgio e foi até a geladeira. Pegou leite e o que precisava para fazer algumas torradas. O dia estava chuvoso e frio, muito frio. Kate detestava Nova Iorque, como detestava! Detestava mais ainda sua mãe. Ela havia obrigado a garota a se casar com Aidan. Depois de fazer as torradas, sentou-se à mesa e começou a devorá-las. Ela estava morrendo de fome e agora precisava cuidar de dois.
- Bom dia. – falou Sérgio indo à cozinha e sentando-se a mesa com Katharine. – torradas, oba.
- Fiz para você. – disse Kate olhando para o teto, pensando na vida. – você acha que ele está me cuidando? Josh? Acha que ele pode ter virado um anjo?
- Acho que você tem que esquecer ele. – falou Sérgio puxando o braço de Kate para seu lado e apertando fortemente a mão dela. – sei que é difícil, mas você não pode correr o risco de entrar em depressão por causa dele. Na verdade, não sei como não virou uma depressiva, contando tudo que está acontecendo.
- Nunca irei esquecê-lo. – Katharine estava com os olhos quase explodindo de lágrimas. Não queria chorar. Mas estava quase. – como vou viver sem ele ao meu lado? Logo ele, Sérgio. Ele me apoiava muito.
- Você é forte o suficiente, prima. – sorriu Sérgio comendo mais um pedaço de torrada.
†††
Aidan estava dormindo, mas sua mãe estava bem acordada. Tomava café da manhã e lia o jornal do dia. Ela levantou-se, pois alguém havia tocado a campainha. Era Elizabeth e se encontrava parada com uma saia longa e uma jaqueta de couro.
- Sabe quem sou? – perguntou Elizabeth sorrindo falsamente.
- Você é aquela mulher que participa das reuniões de igreja, não é? – perguntou a mãe de Aidan bocejando. – Entre. Já fui a uma reunião e te vi lá.
- Estou sempre lá. – falou Elizabeth entrando pela porta e observando a casa com cara de nojo. – a igreja é meu lar. Considero-me uma mulher quase santa.
- Pois é, mas ninguém é santo. – sorriu a mulher ligando a televisão para Elizabeth ficar a vontade. – então você ficará onde está, pois não vai conseguir ser mais que isso.
- Penso igual. – afirmou Elizabeth com raiva da mulher. – conhece minha filha Katharine?
- Conheço. – disse a mulher afastando o gato caolho que estava ao lado dela. – amiga de meu filho.
- Não são apenas amigos. – disse Elizabeth seriamente. Iria direto ao assunto. – minha filha está grávida e é de seu filho Aidan.
- O que?! – a mulher estava espantada e aquela noticia havia a deixado pasma.
- Foi o que ouviu. – falou Elizabeth fechando os olhos de raiva. – e eu quero que os dois se casem. Ele a engravidou, ele irá ser um pai presente.
- Está colocando a culpa toda em meu filho? – perguntou a mulher furiosa. – sua filha transou com ele, não foi estuprada. Fez coisa errada porque quis.
- Cale a boca! – exclamou Elizabeth batendo a mão na mesa.
- Veio em minha casa para gritar comigo? – perguntou a mãe de Aidan indo em direção à porta e a abrindo. – vá embora daqui agora!
- Aidan! – gritava Elizabeth. – Aidan!
Minutos depois, Aidan descia as escadas quase caindo de sono.
- O que ouve? – perguntou ele para a mãe até que se deparou com Elizabeth e imaginando o que já estava acontecendo.
- Você engravidou a filha de Elizabeth? – perguntou a mãe de Aidan chegando perto dele.
- Foi sem querer. – sussurrou Aidan para a mãe.
- Sem querer? – perguntou ela dando um tabefe na cara de Aidan. – você irá casar com esta garota, está ouvindo Aidan?
Elizabeth riu.
- E não irei fazer isto porque você pediu sua vadia! – exclamou a mãe de Aidan dando outro tabefe só que agora, na cara de Elizabeth. – saia da minha casa.
Elizabeth gargalhou e saiu da casa da mulher, descendo a lomba.
“Casar com ela é tudo que eu mais quero” pensou Aidan subindo a escadaria e voltando para a sua cama, pensando na vida.
†††
Julie estava caminhando pela rua escura. Era mais de meia noite e ela estava com muito frio. Ligou seu celular e colocou em uma música que adorava. Vestia um casaco de pele que ia quase até os pés. Sua respiração estava diminuindo, pois o frio era muito.
- So shine bright, tonight, you and I, we're beautiful like diamonds in the sky… — Julie tentava cantar para esquecer o medo de estar sozinha.
- Olá Julie! – exclamou alguém correndo ao lado dela rapidamente e Julie conseguiu apenas ver o vulto.
- Quem é? – perguntou Julie desesperada.
- Quem poderia ser? – perguntou o homem com a voz rouca dando uma gargalhada.
- Por favor! – exclamou Julie chorando. – o que eu fiz para você estar atrás de mim?
- Você não fez nada. – sussurrou o homem, mas não tinha nenhum sinal dele por perto. – sua amiga Katharine é a culpada.
- Ela não tem culpa de nada. – falou Julie tentando achar o homem. – você tem.
- Fique quieta garota! — exclamou Freddy Krueger. –é melhor morrer quieta do que falar merda.
- Você não irá me matar Freddy Krueger! – exclamou Julie correndo pela rua desesperadamente. – socorro! Socorro! Alguém me ajude!
Uma fumaça apareceu na frente de Julie e ela parou de correr na mesma hora. Daquela fumaça, se formou Freddy que sorria para ela. Julie ficou perplexa e correu para o outro lado, pedindo por socorro. Subia a lomba da outra rua, mas ninguém ajudava a garota. Começou a gritar mais ainda por socorro, para que alguém em algum lugar a ajuda-se, então uma velha abriu a porta de casa e deparou-se com Julie gritando.
- Entre e fique quieta. Ele não pode saber que está aqui. – disse a velha que segurava uma vela branca e puxava a mão da garota caminhando do jardim para dentro da casa.
- Obrigado senhora. – falou Julie gaguejando e observando a rua pela pequena janela que tinha ao lado da porta.
- O que faz você andar essa hora da noite por aí? – perguntou a velha ligando mais uma vela. – não iremos ligar nenhuma luz, pois para ele, todos moradores estão dormindo.
- Eu estava voltando para casa, mas não sei de onde. – disse Julie colocando a mão na cabeça. – a senhora tem água?
- Venha comigo. – disse a velha caminhando até a cozinha.
A velha fez café para Julie e acompanhou a garota, bebendo junto.
- Está frio demais para beber água. – falou ela raspando seus dentes podres nos lábios.
- A senhora mora sozinha? Como se chama? – perguntou Julie observando que a mulher olhava para o café com mágoa.
- Sempre fui sozinha no mundo, desde a época em que nasci. – falou a velha dando as costas para Julie e subindo a escadaria.
- Senhora? – perguntou Julie colocando a caneca na pia da cozinha e subindo a escadaria para procurar a mulher. – senhora?
Julie estava quase no último degrau quando ouviu vozes de crianças ecoando da parede.
“Um, dois, o Freddy te pega depois,
Três, quatro, é melhor trancar a porta.
Cinco, seis, agarre seu crucifixo,
Sete, oito, fique acordado até tarde.
Nove, dez, não durma nunca mais"
Julie começou a gritar pela a velha, pois sabia que Freddy estava ali. A velha apareceu em cima da escadaria e começou a ficar “diferente”. No lugar de seu casaco de pele com um cheiro de mofo, agora havia um suéter de listras vermelhas e pretas. O rosto dela ficava queimado enquanto uma fumaça negra saía pela volta. Julie se deparou com Freddy Krueger mais uma vez.
- O que fez com ela? – perguntou a garota desesperadamente.
- Era eu o tempo todo Julie. – gargalhou Freddy. – assassinei a velha e tomei conta do corpo dela. Eu lhe chamei para dentro da casa. E impressionante, consegui deixar a voz igual a dela, coisa que nunca havia conseguido fazer antes.
- O que quer comigo? – perguntou Julie descendo as escadas devagar para Freddy não notar que queria fugir. – por favor, me deixe. Eu nunca fiz nada para você.
- Não adianta implorar. – falou Krueger, desta vez, seriamente. – não tenho pena de você e de ninguém. Eu percebi que está descendo as escadas. Eu avisei, não durma nunca mais. E também não tente se fazer de esperta, vagabunda!
Freddy soltou as garras para fora e Julie deslizou da escadaria, caindo das escadas e machucando seu braço.
- Quando está no meus pesadelos, senhorita, saiba que nunca poderá sair viva dele. – falou Freddy descendo os degraus.
- Katharine sobreviveu a vários pesadelos. Você é um fraco Freddy Krueger! – gritou Julie furiosa, levantando-se do chão. E então, Freddy voou até ela, enfiando as garras em seu corpo e a assassinando.
†††
- O que houve? – perguntou Laura chocada ao olhar Katharine com os olhos vermelhos de raiva.
- Paul acabou de me ligar e dizer que Julie está morta. – falou Kate colocando as mãos na cabeça e fechando os olhos. – ele está tirando todos que eu gosto. E agora? O delegado e Thompson morreram, qual policial irá acreditar na gente? Paul será culpado pela morte de Julie obviamente.
- Calma Kate. – falou Laura a abraçando. – não vamos precisar da ajuda de nenhum policial. Essa foi a última vitima que ele fez. Vamos acabar com isto logo. Estou muito triste, Julie era nossa melhor amiga. Mas foi por isto que me chamou aqui?
- Não. Acabei de receber a notícia para falar a verdade. – disse Kate olhando-se no espelho de seu armário enquanto Laura sentava na cama da garota. – minha mãe descobriu que estou grávida e obrigou que eu casasse com Aidan.
- O que?! – Laura levantou-se da cama de Katharine e se dirigiu até o espelho para falar com a amiga. – me desculpe, mas sua mãe é um monstro.
- Laura, eu irei casar com Aidan. – falou Katharine olhando para si mesma no espelho e fingindo estar com um vestido de casamento.
- Você não precisa amiga. Já é maior de idade, sua mãe não manda mais em você.
- Eu quero. – falou Kate murchando o corpo e virando-se para Laura.
- Como assim? Está maluca? – perguntou Laura espantada. – e Josh?
- O que tem Josh, Laura? Nunca irei esquecer ele, afinal ainda o amo, mas se eu ficar sozinha, não irá trazer Josh de volta. – disse Kate enquanto escorria uma lagrima no canto de seu olho. – Aidan gosta de mim de verdade. Se ficar com ele, irei esquecer todo esse mal.
- Você é quem sabe. Só acho que não deveria fazer isto. Mas estou aqui para lhe apoiar. – Laura segurou as mãos de Katharine.
- Mudando de assunto, Laura. Eu vou ser direta. – falou Katharine puxando a amiga e sentando-se na cama.
- Diga. – sorriu Laura.
- Só há um jeito de acabar com Freddy: o trazendo para o mundo real. – falou Katharine pensativa e ficando quieta logo depois, encarando Laura.
- É isso! – exclamou Laura pulando da cama e rindo sozinha. – como não pensei nisso antes?! Se Freddy Krueger tem poderes no pesadelo, obviamente, ele não tem poderes no mundo real, pois aquilo é só nos sonhos. Ele é senhor dos pesadelos, imortal no lado de lá. Aqui ele é mortal. Temos que trazê-lo para a Terra.
- Claro. Laura, você fala isso com tal entusiasmo, que parece ser tão fácil trazê-lo para cá. Ele tem garras, poderes, controla os próprios pesadelos, não tem como. – Kate tentava fazer Laura compreender que aquilo era quase impossível.
- Podemos lhe acordar aqui! – exclamou Laura.
- Primeiro, que se temos pesadelos com Freddy, é porque estamos em um sono mais profundo que o normal e segundo, como eu irei agarrá-lo? – Kate estava perdendo as esperanças.
- Para tudo tem um jeito. – argumentou Laura.
- Laura! – exclamou Katharine com uma ideia brilhante na cabeça. – Freddy é como um demônio, então ele deve ter pavor de água benta, não?
- Se Freddy tem pavor de algo, esse “algo” não terá nos pesadelos dele. – avisou Laura arrumando o quarto de Kate que estava bagunçado. – já trouxe suas roupas da casa de Josh?
- Já. – disse Katharine impedindo de que Laura arruma-se o quarto dela. – eu posso levar a água benta, assim como levei a câmera fotográfica e assim como Freddy enviou o bilhete para mim.
- E se não der certo? Prefiro que o traga para cá e o matamos. – disse Laura olhando para Kate seriamente.
- Freddy se alimenta com o medo das pessoas, é isso que o deixa feliz. – acrescentou Kate.
- Como assim?
- Se eu mostrar não estar mais com medo dele, talvez ele desista. – disse Katharine colocando a mão na barriga. – e se Freddy fizer algum mal para meu filho?
- Ele não pode saber, pois senão Katharine, ele acaba com você e a criança. – falou Laura a abraçando.
- Freddy não está matando as pessoas apenas para me deixar triste. Ele mata para ficar forte. Talvez a cada morte que ele cometa, seja uma espécie de mais uma vida que ele ganhe ou outra coisa. – Kate estava ficando maluca com estes pensamentos.
- Onde está seu primo? – perguntou Laura olhando pela janela do apartamento.
- Está na cozinha. – disse Kate estranhando a pergunta de Laura.
- Vou falar com ele. – disse ela saindo do quarto.
- E Anderson? – perguntou Kate rindo.
- Acha mesmo que iria dar certo eu com ele? Morando longe um do outro? Não. – falou Laura descendo as escadas e indo para o primeiro andar do apartamento.
Katharine fechou os olhos por alguns segundos e logo após, colocou uma música em seu celular.
http://www.youtube.com/watch?v=OHkvan-NFnM
Fale com o autor