Welcome To The New Age
3 LIVRO 1- O DESPERTAR: Aura
Notas iniciais
Enfim, cap ruim ou bom, atrasado ou não, taí.
Minha raiva a aquela altura já me cegava. Eu não lembrava mais o porquê, exatamente, mas eu tinha que matar aquele cara. Senti o cheio dele, um cheiro doce, que me atraia. Era como se aquele cheiro dissesse: Confie em mim, eu sou um dos seus. Era uma aura que ao mesmo tempo em que dava medo, que me fazia querer ataca-lo ou fugir dele, também me dizia que eu deveria ficar perto dele, me dizia para confiar nele. Aquilo só me fazia querer mata-lo ainda mais, pelo meu próprio bem.
Eu ouvi então um clique extremamente baixo, e me virei, levantando o braço a tempo de me defender de um soco. Tive tempo apenas de ver um sorriso que transmitia arrogância. Ele estava atacando com tudo, como se realmente quisesse me matar, e eu sabia que ele podia. Eu era inexperiente. Ele me deu uma rasteira no tempo em que eu me distraí pensando em seu sorriso, e foi aí que eu percebi que não deveria mais pensar. Eu deveria me entregar a aquele instinto que me possuía.
Tudo a minha volta ficou vermelho-escuro, e eu não me sentia mais no controle do meu corpo. Eu me levantei em um piscar de olhos, socando-o na barriga, mas o soco pegou apenas de raspão. Mal ele teve tempo de se recuperar, eu corri, chutando-o na altura do peito. Ele segurou minha perna e a puxou bruscamente, me fazendo rodopiar e bater as costas em algo que eu acho que era uma árvore, pois fez um estalo. Eu não esperei a dor chegar. Eu peguei uma pedra que vislumbrei no chão e joguei nele, mas ele já não estava mais lá e a pedra bateu em uma árvore. Bater não é bem a palavra certa, a pedra atravessou a árvore.
Antes que eu pudesse ver, ele estava segurando minhas mãos atrás das costas, prendendo-as. Ele estava sussurrando algo no meu ouvido, mas eu não queria ouvir, eu apenas me sacudia loucamente, tentando me soltar, mas seu aperto era firme, embora não me machucasse. Eu queria mata-lo, eu tinha que mata-lo.
–Amo garotas nervosinhas assim – disse ele, rindo, ao meu ouvido. Isso foi o suficiente para me fazer despertar. Eu o odiava, eu não queria que ele me amasse, eu queria que ele me odiasse tanto quanto eu o odeio. Eu queria me afastar dele. Mas eu sabia que iria precisar dele. Eu respirei fundo e fechei meus olhos. As cores começaram a voltar ao normal e minhas presas e unhas se retraíram. Espera... Presas?! Unhas?! Eu roía as unhas desde os 5 anos de idade. Eu não tinha unhas. Eu nem percebi aquilo crescendo em mim... Que tipo de monstro eu havia me tornado naqueles breves instantes?
–Agora sim, está melhor... – ele soltou minhas mãos. – Está mais calma? – eu assenti, sem olhar para ele exatamente, ainda assustada comigo mesma. – Ainda quer me matar? Não que você fosse conseguir, mas você ainda assusta – eu tive que rir disso. Olhei para ele de canto de olho. Ele conseguia ser fofo as vezes. Sacudi a cabeça. Não, não, não. Ele era um demônio e iria me ajudar com aquelas mudanças. Apenas isso.
–Posso perguntar uma coisa? O que exatamente vai mudar em mim agora? – olhei em volta, percebendo que estávamos em uma floresta, numa clareira em si, e sentei num troco de arvore caído (acho que foi onde eu bati com as costas...).
–Bem, muitas lendas nos retratam, e nós temos muitos poderes. Pra não ter que explicar tudo, o que ia ser chato, vou te dizer as lendas básicas que os humanos criaram para nos retratar. Nós, demônios, somos vampiros, lobisomens, monstros, pé-grandes... Agora reúna todas as características dessas lendas. É assim que somos. – ele sorriu ao ver minha cara de susto.
–Quer dizer que serei forte, rápida e... Terei pelos? – eu perguntei, meio que brincando.
–Alguns de nós tem – ele respondeu sério. – Mas você não terá. Você é diferente. Você será uma das demônias mais fortes, rápidas e silenciosas que existe. Você será única.
–Por que eu?
–Por que você é especial. Não pelo que você é, mas pelo que você sente e pensa. Existe uma coisa no mundo que se chama energia mental. Algo conhecido como ‘aura’. Sua intenção nesse mundo aumenta ou diminui o poder dessa aura. As pessoas normalmente vivem vidas monótonas, não tem grandes intenções. Agora, já viu aquele pobrezinho menino, que sempre sonhou ser um médico e que agora é um pediatra amado pelas criancinhas? É tipo isso. A aura pode estimular até mesmo as coisas ao seu redor. É o maior poder já conhecido.
–E essa história de “me despertar”? – perguntei, curiosa. Aquilo realmente tinha me despertado... Me despertado uma curiosidade infernal.
–Bem, você tinha uma aura extremamente forte, e a mesma estava descontrolada, atacando tudo a sua volta, e até mesmo fazendo você sofrer, seu corpo se fragilizar. Você tinha uma aura demoníaca antes mesmo de passar pelo inferno. Você precisava virar uma demônio. Você nasceu para ser uma demônio, Elizabeth.
–Não, não, não. Demônios são maus, sem sentimentos e assassinos. Eu estou longe de ser assim. – afirmei com certeza, me levantando. Eu não iria ser como ele. Eu não iria ser um demônio, cruel e sem escrúpulos.
–Elizabeth, você é mais parecida conosco do que você pensa. – ele suspirou. – Quanto mais rápido aceitar, mais rápido poderá seguir seu objetivo e eu poderei voltar para... – ele fez uma breve pausa, claramente desconfortável. — Eu poderei voltar.
–EU. NÃO. SOU. ASSIM. – meus olhos começaram a se avermelhar, e eu respirei fundo para me acalmar. Se eu não me acalmasse, aí sim, eu seria como eles. – Você já explicou muito por hoje. Eu vou pra casa.
–Elizabeth... – ele começou mas eu o interrompi com um “Não!”. Eu não estava com paciência para aquilo. Era muita informação para um dia só, e ele já estava enchendo o saco, aliás, eu já estava começando a ficar com dor de cabeça, e minhas costas começaram a doer. –Você precisa aprender a controlar a aura... – ele acabou continuando, mesmo sem eu querer ouvir. – Ou pode acabar destruindo a cidade, ou algo assim.
Eu ri, uma risada irônica e maléfica. Uma risada que não era minha, mas... Sinceramente... Destruir a cidade apenas por uma “força do pensamento”?
–Não me faça rir, Azharrarion – eu disse com uma voz sussurrante e maligna. – Eu não preciso da sua ajuda. – Então saí andando, até me lembrar de que não sabia onde eu estava e nem como voltar para casa. Azharrarion apareceu sorrateiramente atrás de mim e murmurou.
–Certeza disso? – ele riu, e então eu senti uma dor atrás da cabeça e apaguei.
Quando eu acordei já era manhã. O despertador tocava... Alguém me chamava para ir para a escola. Então, como se nada tivesse acontecido eu me levantei, tomei banho (um longo banho) e me arrumei. Enquanto penteava meu cabelo, eu percebi um galo na lateral da minha cabeça... Aquele maldito. Respirei fundo, pois já sentia meu sangue esquentar, coloquei um bandaid ali e fui para a escola.
Ao chegar na escola, comecei a ouvir burburinhos sobre garotos novos, lindos. Eu não acredito, não poderia ser ele um deles, poderia? Apesar da preocupação, segui minha rotina normalmente, o que era fácil fazer, sem amigos. Na primeira aula o professor queria apresentar o aluno novo da classe, o qual eu não tinha reparado ao entrar olhando para o chão e me sentar no fundo da sala como eu fazia sempre. O tal foi até a frente da sala. Ele tinha cabelos pretos também, como Azharrarion, era alto, talvez 1,90, mas tinha olhos verdes, bem diferentes do demônio que me transformara e sorria, deslumbrante... Olhando para mim. Seu cheiro era levemente familiar, doce... Me lembrava... UM DEMÔNIO!
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