Weasleys - Nova Geração
16 Magia Antiga
Notas iniciais
A mata densa não permitia ver muita coisa, a lua ao alto de suas cabeças, a terra úmida sobre seus pés, as árvores acolhendo ao redor, enfim, a floresta, escura, como só a noite permitia vê-la. Já deveria passar das onze, estavam aflitos, os olhos ardendo, a varinha apontada para frente, para que enxergassem em meio a escuridão, o cuidado para saber onde pisavam, todos cautelosos, em busca de esperança.
Ele ergueu os olhos, a maioria da família havia chegado ali meia hora, não estavam tão longe, Harry ordenara que ficassem só a dois metros de distância, para não causar outra perdas, foram mandadas uma dupla para cada lado, caso encontrassem sinalizariam para o céu, em busca das pessoas mais próximas, cada dupla com um rastreador trouxa, no caso de perca, e a essa hora já estavam mais atentos, agitados, a noite parecia penetrar em cada pedacinho do corpo, tornando tudo mais frio, mais silencioso, mais solitário
— ei — Alvo chamou quebrando o silêncio
— o que? — A jovem o olhou com os olhos arregalados
— bem, eu estava querendo falar com você, mas era cedo, você não deveria estar aqui de qualquer jeito — ele resmungou a última frase emburrado
— você acha mesmo que iria deixar vocês se divertirem? Nada disso- ela brincou
— nos precisamos conversar- ele franziu o cenho, ela parou de caminhar e levou as mãos a cintura em expressão divertida
— então fale, estou ouvindo- sorriu reconfortante, ele se sentiu culpado, e estúpido, extremamente estúpido
— me desculpe, Alice, me desculpe mesmo, eu amo tanto você- ele murmurou e ela lhe encarou sem entender
— Alvo, o que você fez? -Ergueu uma sobrancelha desconfiada
— aconteceram muitas coisas em nosso tempo em Hogwarts, coisas que foram encobertas aos nossos olhos, coisas que eu não fazia ideia- ele explicou e ela cruzou os braços pensativa
— pode ser mais claro? -Perguntou com a voz distante
— eu descobri algo, fui falar com a Karen essa semana, e eu não fazia ideia, não fazia mesmo, não sabia que ela gostava de mim- ele respondeu e ela comprimiu os lábios, como uma criança que acabava de ser descoberta em uma travessura
— Eu sabia disso- ela respondeu desviando o olhar
— o que?! E como eu não sabia? — ele perguntou incrédulo
— você nunca soube quem sentia o que por você, Alvo, nunca soube- ela murmurava em tom culpado
— você fez alguma coisa que não quer me contar, Alice? -Ele indagou se aproximando
— er... Eu e Karen, fizemos uma promessa... — ela sussurrou
— tenho a leve impressão que essa promessa tem a ver comigo- ele suspirou
— sim, nos duas sabíamos que gostávamos do mesmo cara, e bem, no começo foi difícil, mas a gente começou a se apoiar- ela riu sem humor e ele assentiu incentivando a continuar- então fizemos uma promessa, quem ganhasse você, apagaria a memória da outra- ela respondeu com um suspiro profundo e ele arregalou os olhos
— estou começando a odiar Hogwarts profundamente, então, espera, você lançou o feitiço nela?
— eu lancei, porque prometemos, juramento tem de ser cumprido, mas, eu acho que ela mentiu para mim, acho que sofreu por dentro, sozinha- os olhos dela marejaram
— está querendo dizer que não funcionou? O feitiço não funcionou? Como?
— Eu não sei, Alvo, mas ela lembra, ela lembra de tudo, de você, e eu acabei de descobrir isso também, nos acabamos nos afastando- ela revirou os olhos ainda com a expressão preocupada
— isso é tão idiota! Não entendo porque fizeram isso, é tão injusto comigo, era melhor as duas resolverem, eu não sou prêmio para me ganharem- ele resmungou quase irritado
— eu sei que não, Alvo, eu te amo demais, muito, e nosso bebê vai ser um fruto dessa paixão, dessa árvore que cultivamos juntos- ela segurou em suas mãos com firmeza finalmente o encarando
— eu a beijei- ele sussurrou e ela respirou fundo
— eu nunca traí você, Alvo, pelo menos até onde eu sei o que é traição, eu sei o que é estar dividida- ela sorriu culpada
— sabe?
— estive entre uma paixão e uma amiga, você só precisa identificar quem é quem, assim poderá escolher, eu não precisei escolher, as coisas só aconteceram, mas você tem essa escolha, Alvo- ela falou suspirando
— você está me pedindo para escolher? Eu já não te escolhi?
— não, Alvo, se você vê algo nela é porque seu coração ainda não escolheu- seus olhos já deixavam escapar lágrimas sorrateiras
— Eu amo tanto você- Ele a abraçou
—me desculpe também — ela sussurrou
— pelo que?
— estive a um passo de te trair
— acho que nosso relacionamento é cheio de inseguranças
— e o que vamos fazer com elas?
— você também tem a chance de escolher- ele beijou o topo de sua cabeça e sorriu, ela retribuiu o sorriso erguendo a varinha
— vamos encontrar um outro casal agora- os dois sorriram enquanto voltavam a caminhar lado a lado, ela ainda guardava remorso do que acontecera no dia anterior .
Flashback on
Ela cruzou as pernas sobre a poltrona e recostou ali, fechando os olhos, estava exausta, Victoire e Teddy tinham que ser tão cautelosos, eram capazes de chamarem aurores para cuidarem daquilo, mas Vic dissera que seria o começo de uma experiência, de sua experiência. O pequeno começara a dormir a pouco tempo, dando espaço para a jovem descansar. Enquanto na cozinha, o tio do pequeno preparava uma mamadeira. Ela abriu os olhos repentinamente enquanto os grandes olhos azuis lhe encaravam
— hey, se quiser dormir o quarto de hóspedes é la em cima- ele sorriu
— não, preciso aguentar isso, vou ter que ser cheia de energia- Ela sorriu acariciando a barriga
— ah, e como está esse jovenzinho? Eu espero que seja um menino, não aguento mais a Kate, seria uma boa o Rafa ter um amiguinho não acha? -Ele falou sentando no chão
— ah não, tem que ser uma menina! -Ela franziu o nariz
— está duvidando de mim, Longbottom? Eu sempre sei, adivinhei os outros dois! — ele gargalhou
— então, esta virando um Lorcan da vida?
— estou virando bem mais que isso, estou virando medibruxo- ele sorriu esticando o braço e tocando em seu ventre, ela se arrepiou com o toque, havia uma vida nascendo ali, aquele toque demonstrava algo que aquela vida precisaria para crescer
— não é lindo? Saber que estou gerando uma vida? -Ela falou com os olhos marejados
— eu já sou pai de segunda viagem, tive que cuidar dos meus dois sobrinhos- ele se pôs de joelhos ficando mais próximo a garota
— então acho que o paizão pode me ajudar -ela sorriu agradecida e encarou a barriga
— ei bebê, está sentindo o paizão? Ele não parece ser legal? -ela murmurou boba, Louis arregalou os olhos e a encarou
— não escute a mamãe, eu não sou legal, eu sou demais- ele falou sorrindo para o ventre e ela estava paralisada, emocionada, ele se ergueu e se inclinou, ficando frente a frente com ela
— tem um garoto aqui, Lice- ele sorriu vitorioso e ela abriu a boca para falar, mas logo a fechou, corando em seguida, ele ergueu uma sobrancelha e também corou
— eu sinto que também tem uma menina- Ela sussurrou, ele se aproximou um pouco mais, roçando seu nariz no dela
— então vão ser dois- Ele falou baixinho, ela já fechava seus olhos intencionalmente, mais os abriu rapidamente agitada
— Alvo ficará feliz se for- ela murmurou rapidamente virando o rosto, e voltando a encostar-se na poltrona, ele passou a mão pelos fios loiros e suspirou, sorriu culpado e deu as costas, voltando para a cozinha, ela praguejou para si mesma, e assim ouviu o choro do pequeno bebê, já se erguendo para atende-lo, ela sabia o que era certo ou errado, mas no momento, aquilo não parecia errado.
Flashback off
Ela empurrou o galho com força, não podia fazer isso com ele, mas agora os dois estavam em uma turbulência, e os dois poderiam sair felizes disso, bastava fazer a melhor escolha.
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Ela piscou freneticamente, focou o chão a sua frente, estava tão gelado quanto antes, ela sentou rapidamente, atenta a cada sinal, deveria estar madrugando, olhou ao redor, o sol ainda era fraco, indicando algumas quatro ou cinco horas
Ela se ergueu, e praguejou quando sentiu a perna pesar, se agachou e desamarrou o pedaço de tecido dali, encontrado um corte sujo, ela sabia que alguma infecção estava se formando ali, franziu o cenho preocupada, olhou para frente, diretamente para o abismo que havia entre os dois lados, encostou a mão à parede e começou a caminhar devagar, até o buraco, ao chegar na beira do abismo olhou para baixo, haviam árvores ali, e um rio correndo toda a extensão, aquela água poderia ajuda-la com a infecção, mas não sabia como descer ali. Pelas largas paredes corriam cipós, uma ideia surgiu em sua cabeça, mas ela repreendeu a ideia, continuou encarando o rio.
— Rose! — a voz ecoou a assustando, ela tombou para trás caindo no chão
— quer me matar? -ela respirou fundo, ele suspirou aliviado e se aproximou, com passos cautelosos
— o que você ta fazendo ai, sua louca? — ele resmungou
— tentando pegar água, lá embaixo- ela respondeu entre dentes
— quer morrer? Porque não pediu água? -Ele bufou e ela lhe encarou franzindo o cenho
— você...
— sim, eu tenho água- Ele exclamou se voltando para as vestes, caçou entre elas encontrando a garrafa
— eu estava ganhando uma infecção grátis- Ela murmurou com os olhos marejados
— percebi, ninguém fica gemendo por nada durante a noite- ele se aproximou com a garrafa e se ajoelhou, em frente a ela, a ruiva esticou a perna segurando a respiração, ele arrancou um pedaço da roupa e molhou, começando a limpar o ferimento, a ruiva mordia o lábio para não emitir som algum
— espero que não piore- ela sussurrou
— se você ficar se esforçando vai piorar- ele respondeu cuidando do ferimento que agora estava parcialmente limpo, depois de limpar ele se ergueu, se voltou para a fogueira enquanto ela suspirava.
Um vento forte atingiu a caverna, soprando para todos os lados, um pequeno redemoinho se formou ali, Rose arregalou os olhos, James se encostou a parede, o vento chicoteava tão forte que podia arrastar alguém... Rose cravou as unhas nas vestes não havia onde se segurar ela lançou um olhar para o moreno, e então olhou para o redemoinho, seus olhos refletiram o que estava acontecendo ali
— Magia! -Ela gritou sobre o barulho ensurdecedor da ventania
— o que? -ele gritou de volta olhando para o mesmo foco que a ruiva
— magia, James! Use sua varinha- ela exclamou tateando até a parede, as pedras eram lisas, e ela tentava segurar-se com seu peso, o moreno arregalou os olhos e procurou a varinha entre a roupa, ao encontrar ergueu-a
— mas pra que? -ele perguntou confuso
— não faça parar! Vamos precisar de magia! -ela continuava a gritar procurando sua própria varinha, olhou ao redor desesperada, e o olhar recaiu sobre a varinha, que jazia no local onde ela havia dormido, perto da parede
— nos precisamos fazer alguma coisa! -Ele gritou de volta a encarando
— uma ponte! Faça um feitiço que o transporte para o outro lado! — Ela falou olhando para o abismo
Ele girou a varinha, fazendo pedras se deslocarem até formarem uma ponte firme até o outro lado, então o vento soprou mais forte, mais voraz, Rose desprendeu suas mãos e escorregou, sendo arrastada para o buraco, soltou um grito assustada, escorregou sobre a beira do penhasco, procurando algo para se apoiar, quando caiu, suas mãos encontraram um cipó, e ela enrolou seus dedos com força, os pés, lançados de um lado para o outro, o vento acima soprava seus cabelos até que começou a diminuir, ela sentiu os dedos soarem, ameaçando escorregarem, olhou para cima, encontrando uma cabeleira morena
— A magia! Está acabando- ela ofegou, ele a encarou com os olhos arregalados, estendeu a mão para baixo
— Rose, segura a minha mão- ele falou entre dentes
— você precisa ir, a magia está acabando -Ela respondeu começando a chorar instantaneamente
— segure a minha mão! -ele falou com convicção e ela negou sentindo os dedos começarem a escorregar
— você tem que ir, eu... Eu acho que terminei minha missão por aqui- ela falou com a voz embargada e olhou para baixo
— segura logo, sua idiota! -ele exclamou com os próprios olhos marejando
— não se preocupe comigo, vai, James, não fique aqui- ela respondeu soluçando, olhou para cima, o encarando, e notou que os olhos dele tinham a coloração normal
— mas eu me importo! Não vou te deixar ir! — ele esbravejou e ela arregalou os olhos, ela ergueu a mão, porém não agarrou a sua, ela movimentou a mão, fazendo assim, os olhos dele brilharem como se voltasse a sã consciência
— você está livre -ela sussurrou, ele esticou a mão ainda mais, ela sorriu culpada e soltou uma mão do cipó
— Rose, não faz isso, fica aqui comigo, eu não vou sair daqui sem você -ele murmurou começando a chorar, ela suspirou sentindo que o vento já estava chegando ao final, se transformado em brisa
— Está tudo bem, eu to bem — ela sussurrou soltando a corda
Ele arregalou os olhos e se inclinou para frente, o vento parou, o barulho cessou, o rio parecia ter parado lá em baixo, tudo parado, silencioso, ele engoliu em seco, agradecendo aos céus por ter segurado no pulso da ruiva a tempo.
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Roxy se inclinou para frente, segurando os joelhos
— Roxy, acho melhor nos voltarmos- Daniel pediu a encarando preocupado
— não, eu não saio daqui sem meus primos- ela murmurou, desde que rastrearam o carro ela estava aflita, como se algo pudesse ter acontecido
— mas você não pode se esforçar- ele bufou, passando o braço pelo seu ombro, ajudando a jovem a se apoiar
— Eu não vou deixar que aconteça algo com eles! -Ela falou com os olhos marejando, ele respirou fundo e a abraçou
— está tudo bem, eles só devem ter se perdido- ele falou tentando engolir as próprias palavras
— Eu espero que sim- Ela sussurrou com a voz embargada, os dois suspiraram juntos então um vento forte soprou sobre eles, um vento passageiro, que pareceu correr a floresta, e ali havia algo que reconheciam, magia
— Leste?
— Leste- ela confirmou e os dois viraram para frente, avistando mais ao lado um Fred preocupados
— Hey, vocês sentiram isso? -A voz alta de Fred ecoou e eles assentiram
— parece magia — Roxy murmurou, Fred ergueu a varinha, lançando faíscas ao céu
— o que!?
— estou chamando os outros, algo está errado- ele respondeu mordendo o lábio inferior. Logo os mais próximos começaram a surgir, Alvo e Alice vindo do Oeste, Lily e Hugo do Sul, Hermione e Rony do Leste e assim sucessivamente
— sentiram isso? -Fred perguntou quando a maioria já estava ali
— magia antiga- Harry respondeu entrando a frente dos outros
— esse tipo de magia é mais poderosa, não é? -Lily comprimiu os lábios preocupada
— sim, Lils, devemos tomar mais cuidado, agora já temos uma direção, para o leste!- Hermione exclamou convicta, seus passos eram decisivos, e ela saiu na frente, ao lado de Gina que se mantinha calada e quieta, enquanto caminhava, seu olhar era desesperador, seu coração apertou, quanto mais avançavam floresta adentro mais ela tinha medo
— eu não duvido que ela esteja envolvida nisso- Harry murmurou próximo a Hermione
— mas ela não pode simplesmente chegar e tira-los de nos- ela falou com a voz embargada, segurando as próprias lágrimas
— ela pode -ele sussurrou para si mesmo focado a encontrar algo
Até que ouviram um grito, os passos aceleraram, logo estavam correndo um ao lado do outro, pararam repentinamente em frente a uma caverna, uma caverna onde o silêncio pairava, eles se entreolharam, Lily deu o primeiro passo sendo seguida pelos outros
— Lily! -Hermione gritou antes que a jovem pudesse entrar
— o que? — ela parou atenta
— não tem magia aí dentro- Hermione alertou
— e se eles estiverem la? -Lily falou esperançosa olhando para dentro, o chão estremeceu sobre seus pés, fazendo todos tombarem de encontro ao chão
— um terremoto causado por magia- Gina sussurrou, o barulho ensurdecedor eram de pedras colidindo com águas, como se saíssem de uma altura enorme de encontro a um rio.
— abaixem, essa magia não vem de uma pessoa que esta brincando — Lorcan falou entre dentes, todos se inclinaram sobre o chão, enquanto o mesmo tremia como em uma guerra.
— há algo bem mais poderoso por aqui, se abaixem- Lorcan gritou enquanto o chão estremecia em protesto.
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