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1 Capítulo Único
Notas iniciais
“E se algo grave acontecer na sua ausência, Shikamaru-sama?”
“Então eu confio em você para resolver, Chojuro- san. Você tem mais que capacidade para isso.”
“Mas você e Temari-sama são mais experientes nessa coisa toda de aliança, e mais respeitados também. E se os outros não me ouvirem?”
“Chojuro, eles vão te ouvir. Você foi escolhido em uma reunião dos Cinco Kages. Mesmo que a contra-gosto, todos irão lhe ouvir. Eu o escolhi não por acaso. Você vai ficar bem.”
Choujuro ainda tremeu ao ouvir essas palavras, o que fez Shikamaru colocar uma mão sobre seu ombro tentando lhe passar segurança e conforto.
“Se você não acredita em si mesmo, acredite em mim. Você é o mais qualificado para esta tarefa. Então dê o seu melhor e tudo ficará bem.” Shikamaru o reafirmou. Eles já tinham conversado anteriormente em uma longa reunião, com Shikamaru explicando todos os seus motivos, planos e estratégias referente ao tempo que ele e Temari permaneceriam fora, e tratando de demonstrar logicamente a Chojuro porque ele deveria ser o escolhido. O shinobi havia concordado com assumir esta missão com uma certa aura de honra, mesmo com seu costumeiro jeito tímido. Apenas agora com Shikamaru passando os últimos detalhes e se despedindo que ele manifestara sua insegurança. Explicar tudo de novo a ele seria cansativo, além de desnecessário. Shikamaru sabia que o Kiri-nin lembrava todo o discutido, e que não era isso que daria mais segurança ao Jounin. Então, Shikamaru tentou seu melhor em reconfortá-lo, usando o que aprendera com sua aguçada observação.
Chojuro acenou firme com a cabeça, parecendo determinado a atender as expectativas depositadas nele, apesar de sua insegurança. Shikamaru suspirou internamente, um tanto aliviado e arrependido ao mesmo tempo. Ele confiava em seus companheiros, e realmente acreditava que Chojuro poderia cuidar dos assuntos da Aliança Shinobi por duas semanas, mas sentia-se um pouco pesaroso por depositar essa responsabilidade nas costas de Chojuro. Mas ele e Temari mereciam esse tempo, um tempo de todas as suas obrigações para aproveitarem, junto. Como marido e mulher.
Sua mulher.
Shikamaru ainda não conseguia acreditar que era verdade, que realmente estava acontecendo. Temari era agora sua mulher, sua esposa. E eu sou seu marido. Shikamaru daria tudo por Temari, e seria todo dela. Ou melhor, ele já era todo dela. Antes mesmo de ser ciente disso.
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Temari olhava o mar apoiada no costado do navio, vendo a ilha a qual se destinavam cada vez mais próxima. Ela fechou os olhos e respirou fundo, contente e em paz, sentindo o ar limpo encher seus pulmões. Ela sentia alguém se aproximando atrás de si, mas conheceria aquela aura em qualquer lugar do mundo, então estava completamente relaxada apesar da aproximação.
Braços fortes a circundaram com delicadeza, e instintivamente o sorriso de Temari se abriu, ainda de olhos fechados mas sentindo o cheiro de seu marido. Este apoiou a cabeça em seu ombro e inspirou lentamente, numa calma que só poderia pertencer a ele, e que a contagiava.
Parecia um sonho, ela e Shikamaru viajando juntos e sem compromissos, para sua lua-de-mel. Jamais em sua infância e adolescência pensara que um dia desfrutaria de sua lua-de-mel assim, tão feliz, ou que poderia conviver em um mundo tão pacífico que poderia tirar uns dias de suas obrigações ninja apenas para curtir com seu marido. Ela jamais se cansaria de repetir que Shikamaru era agora seu marido.
Com estes pensamentos, ela se virou sorrindo para seu agora marido, e ele lhe sorriu de volta. Eles se olhavam de forma doce, mas com grande intensidade. Apenas aquilo bastava para que eles comunicassem e transmitissem todos aqueles sentimentos indescritíveis, sobre seu relacionamento e sobre todas as conquistas que eles alcançaram juntos, para si mesmos, para suas vilas, e para o mundo ninja. E por alguns dias ao menos, apenas os dois bastavam um para o outro.
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Temari se jogou contente em uma das camas de casal assim que chegaram no quarto de hotel. Embora eles houvessem reservado um quarto para casal, o quarto possuía duas camas de casal, e era bastante amplo, com um estilo rústico e aconchegante. Temari que o escolhera, pois por algum motivo lhe lembrara Shikamaru. Era um quarto confortável e elegante, com um estilo reservado e minimalista, mas não por isso menos bonito e funcional. Isso combinava com os Nara – inclusive com ela mesma.
A escolha de Aoi como destino foi feita em conjunto pelos dois. Aoi era uma ilha ao sul do País do Fogo, um lugar isolado e paradísico, onde poderiam aproveitar sua lua-de-mel de maneira reservada e tranquila, como condizia com a personalidade dos dois. Aoi fazia jus ao seu nome – suas águas eram de uma mistura de azul e verde difícil de definir de outra forma que não fosse aoi— e possuía diversas cachoeiras e lagos ao longo da ilha, além de diversas áreas para mergulho e snorkeling ao longo da costa, o que Temari adorava. Para Shikamaru, a ilha era cheia de áreas florestais com campos abertos para descanso e relaxamento, além de ser dotada de um céu cheio de nuvens – de fato, chovia quase todo fim de tarde na parte sul da ilha, a parte norte sendo protegida por cadeias vulcânicas presenciava precipitação com menor frequência que sua outra metade. O que significava que eles poderiam aproveitar o clima de acordo com seu humor no dia, e o hotel na parte sul garantia que eles pudessem dormir ao som da chuva, o que seria perfeito para sua lua-de-mel.
A localização e geografia da ilha Aoi também contribuíra para a escola: Aoi possuía apenas um acesso através de Shinjuku, uma cidade que embora pertencesse ao país do Fogo, ficava quase à mesma distância de Sunakagure e Konohakagure, embora fosse levemente mais próxima da primeira. A posição permitia que ambos pudessem chegar a suas vilas natais relativamente rápido em caso de alguma emergência. As águas revoltas do mar ao redor dificultavam o acesso a partir de outras cidades, sendo que o acesso por Shinjuku só era possível devido ao canal de areia submerso que ligava Aoi a Shinjuku. No entanto, o mar revolto fazia com que houvesse uma corrente neste canal, no sentido Aoi – Shinjuku, o que fazia com que fosse mais fácil sair do que entrar na ilha, especialmente em dias de tempestades no mar. Isto fazia com que Aoi, apesar de toda sua beleza natural, fosse pouco explorada e habitada. Destino perfeito para dois shinobis que queriam umas férias de suas responsabilidades com o mundo.
Shikamaru sorriu ao ver sua esposa se jogar atravessada na cama, deixando as malas de qualquer jeito pelo caminho. Ele colocou suas malas sobre a escrivaninha, a qual esperava não precisar usar durante seu tempo em Aoi, e sentou-se na cama, antes de se jogar de costas com os braços abertos sobre esta. Eles haviam decidido viajar de trem, para aproveitar a viagem de um jeito tranquilo e “não ninja”, mas no fim ambos já estavam cansados de estarem confinados no vagão por tanto tempo, apesar de todos os mimos e facilidades disponíveis dentro do trem – a verdade é que, para Shikamaru, este também era um motivo de desconforto com o decorrer da viagem, mesmo que tenha agradecido no inicio quando estava mais cansado.
Shikamaru ouviu sua esposa rindo, e virou apenas a cabeça para ver sua esposa ainda atravessada de bruços, com os braços cruzados apoiando a cabeça, e com um sorriso radiante no rosto. Ele sorriu de volta involuntariamente. “O que foi?”
“Nada.” Ela respondeu sorridente. “Só estou feliz de estar aqui.”
“Eu também...” Ele suspirou fundo e voltou a olhar para o teto.
“O que vamos fazer agora?” Temari perguntou.
“Que tal ficarmos aqui? Logo vai chover e podemos aproveitar para ficar deitados.”
“Shikamaru!” Um travesseiro o atingiu, e Shikamaru riu da cara travessa de sua esposa após voltar-se para encará-la. “Estamos a dias confinados naquele trem, é sério que você quer ficar aqui?”
“Sim, agora estamos sozinhos, é um pecado querer ficar a sós com a minha esposa?” Temari corou, e o Nara amava quando ela ficava corada. Mas emendou logo em seguida para não deixa-la encabulada. “Além do mais, é fim de tarde, logo deve começar a chover. Você tem alguma ideia do que poderíamos fazer?”
“Eu ouvi dizer que as ruínas da antiga vila são bonitas de ver, mesmo sob chuva.” Ela respondeu. “Dizem que traz uma sensação nostálgica e de esperança ao mesmo tempo, além da beleza. O que acha?”
Ainda deitado, Shikamaru colocou uma mão sobre a cabeça, segurando um chapéu imaginário, antes de tirá-lo e em um movimento de arco estendê-lo em direção a Temari. “Seu desejo é uma ordem.”
A gargalhada de Temari preencheu o quarto.
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“Ahh! É melhor do que eu imaginei.” Temari disse depois emergir da água na lagoa abaixo da cachoeira.
Shikamaru se aproximou dela e a beijou, aproveitando que os dois estavam sozinhos no local. Ap[os o beijo, Temari estava um pouco vermelha e desconcertada, e o Nara aproveitou para colocar uma mecha do cabelo molhado atrás da orelha dela, o olhar intenso a observando fixamente. “Concordo plenamente.”
Temari desviou o olhar, envergonhada. “Você gosta de me deixar constrangida.” Ela o acusou, tentando parecer indignada, o que só aumentou o sorriso do Nara que ainda a encarava.
“Não é minha intenção, mas honestamente não posso dizer que não me agrada.” Ele respondeu sorrindo.
Sem saber como responder, Temari reagiu como podia para quebrar aquele jogo: jogou água no Nara, o pegando de surpresa pelo movimento repentino, o que a fez rir imediatamente pela cara de desconcertado dele. Especialmente por ser depois daquele sorriso debochado e orgulhoso dele. E lindo... Temari balançou a cabeça rápido, tentando afastar aqueles pensamentos. Ele estava tentando a constranger, e não precisava que ela o ajudasse nisso.
Era a primeira manhã que eles passavam em Aoi, tendo chego no dia anterior ao fim da tarde. Eles estavam em uma pequena lagoa formada pela queda de uma cachoeira, escondida entre as regiões montanhosas e as florestas de Aoi. A água transpartente e cristalina refletia os tons de verde da mata ao redor e de azul do céu acima deles, sem deixar dúvidas sobre a origem do nome da ilha. A cachoeira, uma queda intensa mas não tão alta, parecia brilhar sob a luz do sol, deixando o lugar com um certo tom místico. Para chegar até ali, tiveram de fazer uma trilha de duas horas pela costa rochosa da ilha, um caminho construído pelos antigos nativos que abandonaram a região depois do último derramamento de lava na ilha, há mais de 500 anos. O caminho estava um pouco revirado devido as intempéries do tempo, mas ainda era fácil de seguir, especialmente para dois jounins como Shikamaru e Temari.
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Os dois riam enquanto brincavam como duas crianças – definitivamente, naquele momento, eles não precisavam ser duas pessoas-chave em uma complexa e ainda frágil aliança, eles podiam ser apenas um casal aproveitando sua lua de mel. Em um movimento rápido, Temari conseguiu empurrar Shikamaru para baixo da cachoeira, encerrando o riso dele enquanto tentava sair debaixo da queda. Ela ria, e quando ele saiu, de olhos fechado e tentando limpar a cara, ela o surpreendeu – ou na verdade não, ele esperava – jogando água nele novamente. Ele riu também, preparando-se para jogar mais água nela.
Temari se encolheu, virando a cara para o outro lado, mas o jato de água nunca veio. Ela imaginou que o Nara estivesse esperando para atacá-la quando ela virasse, por isso espiou apenas cautelosamente, ainda rindo, o que seu marido aprontava, já preparada para virar-se novamente quando ele tentasse lhe atirar água no rosto.
A cena que ela encontrou, no entanto, foi bem diferente do que esperava, seu marido não ria ou sorria mais, encarando o céu com bastante atenção e até algo de seriedade. Temari franziu o cenho, soltando sua posição de defesa e olhando para o marido, antes de olhar para o céu. Através das folhas e mata extensas, ela podia ver um pássaro bastante maior do que os que ela vira na ilha anteriormente, que em sua maioria eram pequenos e de diversas colorações e viviam nas árvores, em contraste com aquele grande pássaro de coloração aparentemente dourada, que voava alto no céu e parecia estar descendo.
“O que foi?” Ela perguntou a Shikamaru.
Ele desviou seu olhar para ela, com uma expressão neutra e difícil de definir. “Aoi não possui pássaros de rapina ou semelhantes, a maioria das espécies são endêmicas daqui.” Ele fez uma pausa, olhando novamente para o céu – ou para o pássaro – parecendo ponderar. “E na verdade, eu tenho a impressão eu este é um abutre-barbudo, pela plumagem característica. Mas é algo incomum, essa é uma espécie rara e ameaçada de extinção porque, bem, eles comem ossos, e houve uma época que isso era um mau agouro, por isso as pessoas os matavam indiscriminadamente.”
Temari franziu o cenho novamente, antes de voltar a perguntar. “E porque isso parece lhe preocupar mais do que simplesmente um animal fora de seu habitat?”
Shikamaru sorriu, orgulhoso. “Nada lhe escapa, não é?” Mas o sorriso logo se desfez, voltando a olhar o animal e novamente a Temari. “Na floresta Nara já cuidamos desses animais. Eles são inteligentes e possuem um ótimo senso olfativo. São capazes de encontrar ossos a longas distâncias. O que significa, que dadas as devidas condições, eles são capazes de rastrear diferentes coisas – ou pessoas.”
“Você acha que pode estar aqui por você?” Temari questionou. “Porque alguém mandaria este pássaro atrás de você?”
“Eu não descarto a possibilidade... Ou ele poderia estar atrás de outra coisa...”
“Ele não poderia estar atrás apenas de ossos?”
“Não existem animais com carcaças de grande porte em Aoi, portanto os tipos de ossos que existem aqui não atraem abutres-barbudos. O que me faz acreditar que este pássaro foi treinado para isso.”
Temari assentiu, parecendo concordar e absorver as informações. O pássaro seguia descendo no céu. Até ali? “Mas porque esse pássaro? Porque não qualquer outro?” Ela questionou novamente, emendando logo em seguida. “Sua família treina esse tipo de pássaro?”
“Não, mas meu avô treinou um.” Temari ergueu as sombrancelhas, indagando silenciosamente. “Para missões, digamos, não-oficiais.” Shikamaru coçou atrás da nuca, parecendo um pouco perdido.
Temari assentiu, cruzando os braços. “Agora entendo, estou com um mau-pressentimento.”
“Desculpe, não pretendia estragar nossa lua-de-mel com minhas preocupações. Vamos ignorar isso. Shikamaru tentou se redimir, mas Temari olhou para ele e sorriu.
“Não há nada pelo que pedir desculpas. Este é quem você é. E eu me casei com você por quem você é.” Ela sorriu convencida por ver ele agora sem graça. “Além do mais, esta também é quem eu sou.” Ela olhou novamente para cima, vendo o abutre mergulhar. Definitivamente, ele estava indo até ali. “E acho que nossas dúvidas serão respondidas em breve.” Ela apontou o animal quando Shikamaru a olhou confuso, e ambos observaram o pássaro mergulhando na estreita clareira entre as árvores acima da lagoa em que estavam. Shikamaru estendeu o braço para recebe-lo, mas o animal planou e passou reto por ele, indo pousar em uma rocha lisa ao lado da lagoa, onde ficou como se não percebesse seus acompanhantes. Em sua pata, no entanto, uma pequena nota estava presa.
Ambos se dirigiram ao pássaro, que ficou todo o tempo observando-os, como se entendesse algo que eles não, ao que parecia a Temari. Shikamaru retirou a nota e se dispôs a lê-la.
Shikamaru,
Espero que você receba essa mensagem. Sua mãe disse que este pássaro conseguiria entreg-la, apesar de que nenhum de nossos falcões, e nem mesmo o Choju Giga de Sai, terem conseguido.
Há um usuário de Genjutsu aí em Aoi/Shinjuku chamado Ryuuko, Nível B. Este ninja não é um grande problema, mas recebemos informações de que ele está por trás de algo maior que poderia ameaçar a todos, e por isto eles estão ‘escondendo’ Shinjuku e Aoi. Nosso informante apenas falou que era muito perigoso e que estava saindo, e nunca mais ouvimos dele. Não fazia sentido como eles estariam escondendo Shinjuku, até que todos os ninjas que enviamos para coletas de informações voltarem por nunca terem conseguido chegar a Shinjuku. Todos eles relatam que pareciam estar dando voltas quando pensavam estar chegando. Por isso, tentamos enviar falcões na esperança de vocês estarem em Shinjuku ou Aoi – mas eles também voltaram com as mensagens. Sinto pedir isso em sua lua-de-mel, mas se encontrarem informações ou o alvo, o capturem e reportem imediatamente. O assunto foi reportado a Aliança Shinobi, e todos estão fazendo esforços para identificar o ocorrido.
Anexo estão maiores informações sobre o alvo.
Naruto
Em outro pequeno papel, haviam informações como nome, tipos de jutsu e um desenho do rosto do nukenin – feito por Sai, provavelmente por não poderem anexar fotos à mensagem nessas condições.
Ambos trocaram olhares, e voltaram ao ficar pensativos processando as informações da carta. Como nenhum outro ninja conseguiu chegar até ali e eles sim? Como alguém pode ter feito algo tão grande como para esconder uma cidade? Porque nenhum dos falcões mensageiros e o Choju Giga conseguiram chegar até eles, mas o abutre sim? Haviam muitas questões sem respostas.
Por fim, foi Temari que rompeu o momento pensativo, batendo amigavelmente nas costas de Shikamaru. “Parece que temos uma missão, não é?” Ela falou divertida, tentando aliviar a incerteza que plainava no ar.
Shikamaru suspirou antes de responder. “Era muito pedir uma lua-de-mel tranquila?”
—----
Quatro dias após sua chegada em Aoi – dos 6 dias que Shikamaru e Temari pretendiam ficar – ambos estavam em Shinjuku. Eles deram uma volta por toda Aoi em busca de um esconderijo, já que ouviram falar de algo como tráfico ou produção de armas que poderiam destruir a ordem do mundo, algo que eles tanto lutaram para alcançar. Com as informações coletadas, eles sabiam que Ryuuko era responsável por manter Shinjuku e Aoi livres de shinobis, passando a ideia ao vilarejo de que “só assim nossa cidade estará verdadeiramente em paz, já que ninjas estão sempre lutando”. Era plausível compreender a ingenuidade das pessoas, mas ninguém sabia exatamente quem era esta pessoa. Era como se fosse uma espécie de ser invisível que protegia a todos com um manto. A informação mais próxima de algo palpável indicava que o nukenin apareceria em uma boate – ou algo mais do que isso, pelo que ouviram — naquela noite, mas não tinham a menor ideia de horário. Por isso estavam disfarçados de um casal comum – o que não era tão difícil, já que eles eram um casal real, só precisavam não parecer shinobis – que pretendia se divertir juntos dançando e curtindo a noite na cidade.
“Eu sinceramente não entendo o que essas pessoas acham de legal nisso...” Shikamaru comentou amargurado, parecendo totalmente desligado do seu arredor — o que Temari sabia não ser verdade. “É só um bando de gente bebendo, fazendo movimentos aleatórios, com um barulho que não te permite conversar, uma luz que te cega, e tentando se agarrar. Como eles podem querer interagir ou sequer se interessar em alguém sob essas condições?” Ele se lamentou, largando a bebida sobre a mesa após a pergunta retórica.
“Nem todas as pessoas são como você.” Temari lhe respondeu. Embora parecesse estar o censurado pelas suas reclamações, de fato sentia algo de pesar por saber que definitivamente aquele ambiente não combinava com Shikamaru. Não combinava com ela também, mas ela aprendera a tolerar esse meio a muito mais tempo do que ele.
“Ele acabou de entrar.” Shikamaru falou, ainda com aparência relaxada. Temari se virou discretamente para ver seu alvo entrando pela entrada secundária, cuidando para todos os lados se havia alguém suspeito. Ele definitivamente não conseguia disfarçar o nervosismo, que não passaria despercebido nem para civis, se não fosse a escuridão e as luzes coloridas e ofuscantes do ambiente, somado ao alto barulho e total falta de foco dos ali presentes. Shikamaru terminou seu copo de bebida de uma vez só, e logo estendeu uma mão para Temari “Me daria a honra de um dança?” Temari sorriu, estendendo a mão para o Nara.
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“Porque sempre genjutsu?” Temari perguntou ao nada, enquanto corriam atrás de Ryuuko.
O nukenin corria a frente, e os dois atrás tentavam lançar jutsus sobre este, mas por algum motivo seus jutsus simplesmente desviavam. Ele virou e entrou em uma sala a direita, e logo os dois o seguiram.
Quando entraram, Ryuuko estava parado na sala branca e vazia rindo.
“Como ratos numa ratoeira.” Ryuuko riu mais alto.
A porta se fechou atrás deles. Os dois olharam em um milésimo de segundo e logo voltaram sua atenção ao nukenin. Ele estava a uma distância considerável deles, mas isso não os assustava, pois ambos eram melhores com ataques a longa distância. O mais preocupante é que os ataques pareciam nunca atingir seu alvo.
O nukenin parecia em um estado de êxtase e animação que não poderiam ser comuns em alguém que fora descoberto inesperadamente, e lhe dava uma aura de maluco. “Agora, veremos um morrer, e o outro ficar maluco. E assim termina a história do casal.”
Temari segurou mais forte seu leque, tensa com as palavras dele. Shikamaru arregalou os olhos, no entanto, soltou a posição parecendo mais relaxado. “Você sabe quem somos então? Porque você quer acabar conosco?”
“Nós vamos acabar com a ordem desse mundo, e reconstruir uma ordem melhor. Vamos espalhar o caos, destruir tudo, para que haja um novo começo.” Ryuuko gargalhou alto, e Temari franziu o cenho. Realmente, o cara era um tanto louco, mas provavelmente sozinho não representaria grande risco.
“E como vocês farão isso? Onde estão os outros?” Shikamaru perguntou calmamente.
“Você quer me fazer entregar meus companheiros?” Ele gritou irritado, mas logo mudou a feição sorrindo contente. “Isso não se faz, shinobi. Ryuuko é leal.” E então repentinamente, o nukenin atirou uma kunai e um jutsu em sequência na direção de Shikamaru.
Temari tentou aproveitar este momento para acertá-lo com seu Kamaitachi, no entanto este desvia e atinge Shikamaru, que havia, aparentemente, desviado da kunai e do jutsu anteriores. “Shikamaru!” Ela gritou, indo para perto do marido.
“Agora você é minha!” Disse Ryuuko, correndo na direção dela. Temari já percebera que não adiantaria lançar jutsus sobre ele, mas usou seu futon para criar uma barreira de proteção em torno de si mesma, e Ryuuko deteu seu avanço, parando a uma distância segura de Temari. Percebendo a desistência de seu inimigo, Temari rumou ao lado de seu marido.
“Está tudo bem.”Shikamru lhe disse, lhe estendendo a mão para que ela o ajudasse a ficar em pé. “Você vai precisar confiar em mim. Não faça nada até o meu sinal.” Ele disse a ela, antes de voltar a falar com Ryuuko. “Nós sabemos quem é você, Ryuuko, e sabemos que existem muitas pessoas no seu plano. Nós só queremos saber sobre os outros, e podemos deixar você ir.”
“Porque vocês me deixariam ir?” Ryuuko perguntou confuso. Em seguida, uma fúria subiu sobre ele. “É mentira! Vocês estão querendo me manipular-!”
“Não, não estamos. É verdade, o deixaremos livre, com a condição de que deixe Shinjuku e Aoi.” Shikamaru disse calmamente.
“Mentira! Vocês querem me manipular, para que eu ache que estão me deixando ir, e logo me capturarem. Vocês shinobis são uns mentirosos.”
“Você também é shinobi.” Ponderou Shikamaru.
“Há muito tempo não sou mais um. Shinobis só baixam a cabeça e cumprem ordens. Eu não quero cumprir ordem de ninguém!”
“No entando aí está você, cumprindo ordens de alguém. São eles que estão te manipulando, Ryuuko, não nós. Nós estamos dispostos a lhe oferecer liberdade.” Shikamaru parecia tentar convencê-lo, mas Temari não achava que estivesse funcionando.
“Hmm... quer saber, mudei de ideia, acho que vou fazer você matar ela e viver com a culpa.” Ryuuko riu, e lançou um jutsu na direção de Shikamaru.
Temari apertou os punhos, mas não fez nada. Shikamaru lhe pedira para confiar nele, e como ela confiava. Ela confiaria sua própria vida a ele – ou ainda mais importante, ela confiaria a vida dele. Mesmo que ela odiasse ficar de fora, ela confiava nele.
Shikamaru lançou sua sombra também na direção de Ryuuko, mas como esperado, a sombra dobrou ao se aproximar deste. E então, algo diferente aconteceu. Os olhos de Shikamaru pareceram ficar em branco, como se estivesse em outra dimensão ou algo muito distante, e a sombra dele alcançou a dela, paralisando-a.
Ela conhecia a sensação de estar presa no jutsu de Shikamaru, mas ainda estava tentando entender se aquilo fazia parte do plano ou não. “Shikamaru?” Ela perguntou confusa, olhando para ele e sem poder se mexer. Ela sabia que não tinha chances de se livrar do jutsu do Nara por si só, especialmente agora que ele decidira tornar-se jounin e conselheiro do Sexto Hokage.
Ryuuko riu. “Não adianta. Ele não vai lhe ouvir. Ele agora está preso no meu jutsu, e acredita que você é um inimigo. Ele perderá o controle do próprio chakra e depois lhe matará com tudo que tem. E então, eu vou liberá-lo para que ele se corroa sozinho com a culpa. Hahahaha.”
Temari ficou tensa, ao mesmo tempo que não acreditava no que Ryuuko dizia, um receio a incomodava por Shikamaru parecer um pouco fora de si. E o fato de ela estar imobilizada a impedia de fazê-lo voar e acordar. Mas ela ainda acreditava em Shikamaru, ele poderia sair disso. Não poderia?
Temari ficou apenas o encarando com os olhos apertados, como em crítica e desafio. Shikamaru continuava com os olhos vazios, suas sombras subindo pelo corpo de Temari e algumas se erguendo como agulhas a sua frente. Kage Kubishibari e Kage Nui. Temari conhecia bem as técnicas, e sabia do que eram capazes. Com uma, ele poderia estrangulá-la, com a outra, perfurá-la. Ela poderia tentar fazê-lo gastar mais chakra para mantê-la, mas ela não acreditava que isso seria o suficiente para quebrar o jutsu.
E foi então que ela viu. Por um milésimo de segundo, os olhos de Shikamaru desviaram levemente e se tornaram intensos olhando para ela, ao mesmo tempo que a sombra apertou a mão dela em seu bolso. Foi apenas um instante, mas foi o suficiente para ela perceber que ele estava no controle da situação. Quando sua mão tocou no bolso, Temari sentiu que havia algo – algo que ela não colocara ali.
Assim como veio, o momento passou – Shikamaru parecia ter voltado ao seu estado vazio e de olhos brancos. Mas subitamente a pressão das sombras de Shikamaru diminuiu, e ela pode espiar, rapidamente, o que havia no seu bolso. Uma bomba de luz. E então tudo fez sentido. Shikamaru não estava a deixando de fora. Ele tinha um plano. É claro que ele tinha. Ela se sentia um pouco culpada por ter duvidado, mesmo que muito pouco.
O Kage Nui avançou na direção de Temari, mas nesse mesmo momento as sombras a soltaram, e Temari desviou, atirando a bomba de luz que aumentou a sombra de Shikamaru , conectando-a com a de Ryuuko e imobilizando-o.
“Parece que agora sabemos quem é um rato na ratoeira, hein?” Temari zombou, muito mais tranquila agora. E então virou-se para Shikamaru. “Como você descobriu?”
“Ele não podia ignorar as leis da física. Mas eu precisava que ele acreditasse para que não tentasse usar o jutsu de ilusão em mim. Ele cria uma confusão que lhe faz desviar o jutsu inconscientemente. Foi assim também que ele conseguia esconder Shinjuku.”
“HAhahaha, você se acha esperto, mas ainda não sabe da metade.” Ryuuko riu.
“Não se preocupe, nós iremos descobrir em breve.” Temari falou ríspida. O nukenin riu novamente.
Temari se aproximou dele, e Shikamaru lhe alertou. “Precisamos dele vivo , você está ciente disso, não é?”
“É claro que estou.” Temari sorriu travessa, se aproximando do nukenin, que tinha um sorriso debochado.
“O que pretende fazer?” Shikamaru perguntou.
Em um movimento rápido e certeiro, Temari socou o rosto de Ryuuko, desmaiando. “Eu estava querendo tirar esse sorriso da cara dele.”
Shikamaru riu, se preparando para prendê-lo. “Você nunca deixa de me surpreender...”
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No dia seguinte a captura e toda a papelada com o relatório da missão, ambos estavam no quarto. Dedos grossos alisavam os cabelos loiros vagarosamente. Era um gesto calmo, tranquilo, que mantinha Temari imersa em seu sono – não que fosse sua intenção, mas depois do dia estressante, ela simplesmente não podia evitar.
“Qual seria o plano para aproveitar nosso último dia aqui?” Shikamaru questionou em um tom levemente rouco e arrastado, de quem ainda está cansado e adormecido.
Na linha entre o sono e a consciência, Temari respondeu com os lábios ainda apoiados no ótimo travesseiro que o peito de seu marido era. “Você sempre tem que ter um plano, não é?” Ela enterrou a cabeça mais em seu peito. “Que tal dormir?.... Nem precisamos de roupas para dormir.”
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