We see what we want

1 The game is a fake, John


John estava sentado em sua poltrona, no 221B, Baker Street. Era uma tarde chuvosa, fazendo com que seu amigo, Sherlock, e ele passassem o dia em casa. O tédio dominava o local.

O médico havia perdido o emprego há três dias, após uma discussão com sua chefe por causa de Sherlock. O detetive, precisando da ajuda do amigo, o "sequestrou" no meio de uma consulta. Como não havia sido a primeira vez, John acabou demitido de seu cargo.

Sherlock estava sem nenhum caso. O último, motivo da demissão de John, foi resolvido rapidamente. O tédio o estava corroendo. Sem poder recorrer às drogas e impossibilitado de ir ao laboratório pela chuva forte que caia, sua única saída era ficar em casa, mergulhado em seus pensamentos.

Então, repentinamente, uma ideia o envolveu. Ele se levantou rápido, assustando John, e sumiu de vista pela cozinha.

– O que está fazendo, Sherlock?

– Vamos dar um fim nesse tédio.

– Qual é a sua ideia agora?

O detetive não lhe respondeu. John podia ouvir o barulho que vinha da cozinha, com Sherlock procurando alguma coisa nos armários. Um tempo depois ele retornou à sala, com uma garrafa de vodka nas mãos e um sorriso estampado no rosto.

– Sherlock... desde quando nós temos isso?

– Quer saber desde quando EU tenho isto?

– Pensei que não gostasse de beber.

–John, alguns casos graves pedem medidas desesperadas. Esse tédio vai me matar.

– Eu nunca tinha visto essa garrafa aqui antes.

– É óbvio. Eu a escondi. Sei que as vezes você gosta de beber, e a garrafa é minha.

– Está me dizendo então que vai bebê-la sozinho? Inteira?

Sherlock deixou o amigo falando sozinho novamente. Abriu a garrafa e, de uma só vez, tomou um quarto do conteúdo. John olhou aquilo assustado, mas foi interrompido pelo amigo, que lhe estendeu a garrafa.

– Decidi dividir com você. É meu pagamento por lhe ter feito perder o emprego. Embora eu ache isso uma completa estupidez, sei que ficou nervoso.

– Obrigado. — disse John de maneira fria.

– Vamos jogar algo hoje.

– Como o que, Sherlock?

– Primeiro, vamos dividir a garrafa. Depois, deixemos que nossos instintos de bêbados falem por nós.

– Ok... — exclamou John, olhando desconfiado para o detetive, estranhando aquele comportamento.

O tempo foi passando, o dia começava a escurecer. Havia somente uma luz fraca acesa, já que Sherlock fizera o favor de explodir as lâmpadas da sala em seu último experimento. Quando terminaram a garrafa, já era noite. Um tanto embriagados, depositaram a garrafa vazia na mesa de centro.

– E agora? — perguntou o médico, com a fala enrolada, jogado em sua poltrona e olhando o amigo de forma divertida.

– Eu não sei. O que quer fazer, John?

– Beber mais? — John perguntou, em um tom sugestivo.

– Eu negaria esse seu... pedido. Mas eu também quero.

Sherlock então levantou lentamente de sua poltrona, com as pernas um pouco cambaleantes. Foi até a cozinha procurar a segunda garrafa de vodka, mas tudo o que conseguiu encontrar foi vinho, que estava a um alcance maior para suas mãos um pouco fracas.

Voltou à sala mas, em vez de sentar em sua poltrona, sentou-se na mesa de centro, bem na frente de John, olhando o amigo a uma distância curta.

– Só temos vinho, John.

– Sem problema. — E com isso, John lhe tomou rapidamente a garrafa das mãos, assustando o amigo. — Minha vez.

Sherlock o olhava com divertimento. Ele estava gostando de ver o amigo naquele estado. Podia não admitir, mas sentia uma necessidade frequente de beber na ausência de drogas. E beber com John ali... estava sendo uma experiência interessante. Não sabia ao certo se "interessante" era a palavra correta. Ele não sabia quais eram as sensações no momento, mas sentia que algo dentro dele despertava, começava a acender, algo que a mente de Sherlock até então desconhecia. Talvez fosse somente o efeito da bebida.

– Posso beber agora? — perguntou Sherlock com sua voz rouca, agora um pouco arrastada. O amigo só percebeu que Sherlock também queria quando este estendeu sua mão, colocando os dedos na perna de John, que estremeceu com o toque.

– Ok, ok, mas deixe mais para mim.

Sherlock agora o olhava com cautela, tendo o olhar seguido pelo olhar de John, que encarava o detetive de forma estranha. John então, sentindo o corpo aquecer-se mais pela bebida (talvez fosse pela bebida, ele não sabia ao certo), soltou os três primeiros botões da camisa branca que estava usando.

Sherlock, tomando a bebida das mãos de John, deu um longo gole, levantando a garrafa e o pescoço.

John não havia notado, mas parte da camisa roxa de Sherlock também estava desabotoada, deixando uma boa parte do corpo do amigo à mostra. Quando acabou, passou novamente a garrafa para John, que a pegou exasperado e a levou rapidamente à boca, deixando parte do líquido escuro descer por seu pescoço e manchar sua camisa.

– Ah, mas que merda, puta que...

– Acalme-se, John. Isso sai.

Sherlock então, em um movimento rápido, levantou-se da mesa de centro e ficou ao lado de John. Para o espanto do loiro, Sherlock começou a desabotoar o resto da camisa de John, fazendo questão de encostar seus dedos longos e finos pelo corpo quente do médico. Por fim, desencostou o amigo da poltrona, puxando sua camisa e o deixando somente de calça.

– Feche a boca, John. Está tão embriagado que nem a própria camisa iria tirar.

– Eu iria... tirar, sim. — disse John que, pela garrafa de vinho, estava um pouco mais embriagado que Sherlock.

O loiro então se levantou de súbito, quase caindo e, com as pernas cambaleantes, foi até Sherlock e puxou a camisa de suas mãos.

– Eu... lavo isso. — disse, indo para a área de serviço, se apoiando nos móveis e na parede.

–Você mal consegue ficar em pé. — Sherlock afirmou, seguindo o amigo.

Chegando lá, encontrou John apoiado na máquina de lavar, tentando apertar os botões. Sherlock o surpreendeu no ambiente pouco iluminado, chegando por trás do amigo, encostando seus corpos, a fim de enxergar os botões à frente e ajudá-lo.

– Que merda é essa, Sherlock? — perguntou o John, um pouco assustado com o modo como Sherlock havia encostado nele. O moreno aplicava uma força cada vez maior, apertando o corpo de John por trás, contra a máquina de lavar.

– Estou tentando te ajudar — respondeu Sherlock, tentando ajustar os botões, mas sem eficácia.

Acontece que Sherlock estava distraído. Deve ser a bebida, ele pensou, mas aquela proximidade com o corpo do amigo o estava deixando louco. Fez questão de fazer mais força, pressionando o corpo do menor ainda mais contra a lateral da máquina.

– Sherlock, que porra é... — John foi interrompido, perdendo completamente a noção quando seu amigo, por trás, encostou o rosto em seu pescoço.

– O que foi, John? — perguntou o moreno de maneira maliciosa, aos pés do ouvido do loiro, com sua voz rouca e calma.

Sherlock desceu os lábios, encostando-os no pescoço do médico, dando pequenos beijos. John não se conteve e soltou um pequeno gemido, fazendo o detetive sorrir. Então, rapidamente, Sherlock virou o amigo, ficando de frente para ele, mas ainda fazendo a mesma força contra o corpo do menor. Puxou os cabelos de John para um lado, deixando livre a curva do pescoço do homem à sua frente. Voltou a encostar sua boca ali, beijando, dando pequenas mordidas naquele pedaço de pele quente e convidativa.

Parou o movimento, soltando o cabelo de John, que agora o olhava assustado mas ao mesmo tempo desejoso. O médico então tomou a iniciativa, passando uma mão pela cintura do mais alto e, a outra, pelos cabelos escuros e macios de Sherlock, o puxando, vendo-o fechar os olhos e pressionar ainda mais seus corpos.

Não aguentando mais, beijou o detetive. Algo dentro dele lhe dizia que era efeito da bebida e que, provavelmente, ele iria se arrepender depois. Mas também pensava que nenhum dos dois iria se lembrar daquilo pela manhã.

O beijo foi longo e forte, fazendo com que eles se separassem para buscar ar. John tinha sua respiração ofegante, ele precisava de mais. Podia sentir o corpo de Sherlock reagindo, implorando, o convidando. Olhou para cima e viu Sherlock com os olhos fechados e os lábios abertos e vermelhos.

Para o espanto do detetive, John o puxou pela camisa, fazendo alguns botões saltarem. O levou assim até a sala mal iluminada, jogando Sherlock que, na mesa de centro, se apoiou pelos cotovelos e deixou as pernas para fora da mesa. Lentamente então, sentindo o forte efeito da bebida, John sentou-se sobre Sherlock, deixando suas pernas flexionadas ao lado do corpo do amigo. Puxou o tronco do moreno pelos cabelos, desabotoando o resto da camisa e a tirando, enquanto o beijava.

Sherlock então, admitindo para si mesmo que não aguentava mais esperar, passou as mãos pelas coxas do amigo. Lentamente, tirou o cinto do menor, o olhando com aqueles olhos claros e sedentos. Abaixou seu zíper e voltou a beijá-lo, agora com mais força, apertando o médico, que parecia pedir cada vez mais pelo corpo de Sherlock.

John levantou-se, retirando sua calça e ficando apenas de cueca, mostrando já a excitação enorme que sentia. Empurrou o tronco de Sherlock para trás, deixando-o apoiado na mesa pelos cotovelos, e começou a retirar o resto da roupa do detetive. De repente,

xxx

– Ah meu Deus, Sherlock, venha aqui.

– O que foi agora, John? Eu estou ocupado. — disse Sherlock, levantando-se contra sua vontade da poltrona em que estava e indo até seu amigo, que estava à mesa e com o computador aberto em um site muito conhecido pelo detetive. Sherlock havia pego o hábito de entrar naquele site, mas John não sabia. E não poderia descobrir.

– Você já leu isso?

– Isso o que, John? — perguntou Sherlock, fingindo não saber do que se tratava o assunto.

– Isso aqui. — John então virou o computador na direção de Sherlock, para que ele lesse o título.

– Ah.. er... e isso seria o que, exatamente?

– Não se faça de desentendido, Sherlock.

O detetive então sentiu seu corpo estremecer, vendo que aquele computador era, na verdade, o seu, não o de John.

– Sherlock, sinceramente, porque não me falou disso? O que está escondendo?

– E você teria algum motivo para pegar o meu computador? Por favor, John, já falamos sobre isso. O computador é meu. Não toque nele.

– E desde quando se interessa por essas baboseiras que essas adolescentes escrevem da gente pela internet? Você por acaso leu isso até o final? Porque eu não consegui. E não adianta negar, eu achei no seu histórico na internet.

Sherlock suspirou, vendo que teria um longo dia pela frente, mentindo para John e dizendo que ele só havia lido a fanfic por pura curiosidade. Ele mesmo achava um grande erro se interessar por coisas que não o ajudariam em seu trabalho. Mas se interessou, sem querer, e agora havia sido descoberto.

Talvez ele aproveitasse a ideia, comprando alguma coisa para embebedar John, o fazendo esquecer da história e quem sabe até... bem... é, Sherlock admitiu para si mesmo, ele deveria parar de ler fanfics.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.