We must be killers

5 Código de lealdade


Notas iniciais
teaser do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=2Y3Bvav6f-4 Demorei milhares de anos. Eu sei, eu sei. Really, sorry. Mas eu recebi comentários tão lindos no último capítulo que fiquei muito, muito feliz. Esse capítulo ficou bem grande e ai eu pensei: eles não vão ler isso. Então dividi em duas partes de 2000 palavras e a parte 2 sai no sábado. Música: Should I Stay or Should I go Bom capítulo!!

— Perdão, Padre, pois eu pequei.
— Qual o problema?
— Eu sou uma mentirosa — Algo bateu contra a parede, dois toques. — Uma traidora.
— O que aconteceu, minha filha? — A voz do homem parecia cada vez mais fantasmagórica. Mais um toque.
— Eu conspirei contra meus amigos, eu contei mentiras e eu matei uma pessoa.
Silêncio.
Ela continuou.
— Duvido que até o seu Deus possa me salvar.

Bam!

Reyna Avilla acordou com o barulho do cortador de grama e o cheiro de verão entrando pelas suas janelas. O relógio marcava 08h01min o início de uma manhã alegre e ensolarada. Por que era exatamente em dias como esse que uma coisa terrível acontecia? A cortina estava levemente aberta e ela pôde ver algumas crianças correndo pela rua, como se nada tivesse acontecido.

Mas acontecera.

Na noite passada, depois de Rachel E'Dare quase ser morta, Reyna havia pego uma carona para casa imaginando que nada ficaria pior.
Mas, é óbvio, estava errada.
Ao chegar em casa, ela por acaso, se deparara com a carta que havia mandado para sua melhor amiga no sétimo ano: Annabeth Chase.
Naquela carta, Reyna havia pedido gentilmente a ajuda de Annabeth depois de ter descoberto o segredo de suas outras duas melhores amigas: Thalia Grace e a popular Silena Beauregard. Annabeth havia feito Reyna jurar que nunca contaria aquilo para ninguém e que ela mesma daria um jeito naquilo. Uma semana depois, Thalia e Silena não se falavam mais, e Reyna às vezes olhava sugestivamente para Annabeth especulando o que ela fizera.

Quando desceu para tomar seu café da manhã, a irmã já havia saído para a aula de pilates e Reyna olhou para o quintal — especialmente para as flechas jogadas no chão — e suspirou. Depois subiu as escadas novamente, tentando procurar algo que tirasse sua mente daquela agonia intensa de que algo poderia acontecer a qualquer momento.
A cortina de seu quarto balançou um pouco quando ela passou por ela e Reyna escutou a campainha tocar, uma, depois duas, e depois mais uma vez.
— O que esta fazendo aqui? — ela não teve a intenção de ser rude, mas foi definitivamente o que aconteceu.
Parado a sua frente, com as mãos nos bolsos da calça jeans, Leo Valdez olhou para os lados antes de responder quase em um sussurro:
— Pegue suas coisas — ele foi rápido — vamos te esperar no carro.
E antes que ela sequer tivesse pensado em uma resposta, ele se fora, entrando no carro, parado do outro lado da rua.
Quando Leo Valdez colocava algo na cabeça não havia quem conseguisse protestar. Depois de pegar o celular, e colocar um tênis vermelho, Reyna havia atravessado a rua e entrado no banco traseiro do carro de Leo. Lá dentro cheirava a maços de cigarros caros e perfume sintético para flores. Ela torceu o nariz.
— Você tem mesmo certeza? — A voz saiu mais alto que o normal, e Reyna percebeu a garota sentada no banco ao lado de Leo.
Havia algumas semanas que não olhava Thalia Grace de perto, mas ela parecia definitivamente mais alta. Talvez tenha sido o cabelo — agora com algumas ondulações na altura do pescoço — ou talvez tenha sido apenas os óculos escuros que ela usava, mas algo em sua postura rígida fazia com que parecesse nervosa.
— É claro que eu tenho certeza — Leo tirou do bolso da calça jeans o aparelho celular — Quando recebemos a mensagem na noite em que Rachel foi para o hospital — ele parou olhando para Reyna — Rastreei o número e consegui um endereço.
Reyna sentiu um calafrio subir pelas suas costas antes de perguntar:
— E você pretender ir até lá?
Ela viu de relance Thalia revirar os olhos azuis por baixo dos óculos.
— Você não precisa ir se quiser — ele assegurou — De qualquer maneira, não consegui o endereço da hora que a mensagem foi enviada — ele colocou as mãos no volante — É apenas de onde o molde esta conectado.
— Então uma rede?
— Não Reyna, uma linguiça! — Thalia virou-se para ela — Precisamos saber o que aconteceu e quem fez aquilo. O detetive que cuida do caso de Rachel não vai demorar muito pra interrogar você, Leo e Annabeth e tenho mais que certeza que ela não vai segurar a língua por muito tempo.
— Vamos acabar logo com isso.

●●

Estava tudo muito escuro. O corredor exalava um cheiro forte de drogas químicas, típico de hospitais. Uma única porta estava aberta e uma garota ruiva dormia tranquilamente. O rosto pálido, a máscara de oxigênio fazendo seu trabalho, e o monitor ao lado, mostrando os batimentos irregulares de seu coração.
Ela entrou.
Observou Rachel E'Dare, e depois pegou um travesseiro da poltrona vermelha ao lado da cama. O primeiro impulso de Rachel foi levantar de súbito e segurar a cama com força, enquanto se sufocava.
Suas mãos fracas se tornaram frias imediatamente.
Silena Beauregard manteve o sorriso quando viu o trabalho feito.

O barulho do despertador fez com que Silena acordasse de um pesadelo que fez com que até mesmo ela suasse frio. Sua cabeça girava, e sua boca tinha um gosto estranho. O relógio na mesa de cabeceira marcava 09h38min e uma forte claridade invadia o ambiente, deixando seus olhos ainda mais sensíveis.
Quando seguiu para a cozinha já eram 10h15min e lá fora, as crianças já começavam a entrar em casa, por conta do sol da manhã. Afrodite já tinha saído para trabalhar a muito tempo.
Ela abriu a porta da frente olhando para a rua completamente vazia. O único ruído era o som de alguém aparando a grama.
— Oi.
Silena deu um grito e se virou.
— Jesus — Piper estava parada com uma mochila nas costas — Relaxe.
— Você não deveria estar em outro lugar que não fosse aqui?
Piper usava calças jeans azul escuro, e uma blusa de manga comprida desbotada, mas seu cabelo longo e castanho estava preso em um rabo de cavalo. Mesmo quando Piper estava relaxada, ela conseguia parecer impecável.
— Acho que mamãe anda preocupada com o que aconteceu com Rachel E'Dare.
Silena fechou a porta e passou por Piper.
— É — Ela concordou.
Silena sentia como se estivesse na beira de um precipício, prestes a cair. Na noite em que soube o que aconteceu com Rachel E’dare ela telefonara para Annabeth Chase a fim de procurar informações, mas tudo que conseguiu arrancar dela fora um: eu não sei o que aconteceu. E então ela desligara na cara de Silena. De princípio ela achou que estivesse algo relacionado com a revelação de Reyna na noite em que Bianca morreu, mas depois de ter pensado mais um pouco ela começou a questionar se alguma coisa acontecera depois do "assassina" na sua apresentação.
— Bom, na verdade eu queria passar um tempo com minha irmã.
Silena olhou a irmã pegar uma lata de Coca-Cola na geladeira.
— Eu quero dizer — Piper continuou — Nós realmente podíamos agir melhor uma com a outra. Quem sabe o que pode acontecer? Olhe só o que aconteceu com Rachel. Faz com que nossas brigas pareçam uma coisa boba.
— É — murmurou Silena. Era uma comparação estranha.
Piper sorriu em resposta. Houve uma longa pausa e então Silena prestou atenção na mochila que Piper carregava.
— Você pretendia sair? — perguntou.
— Ah, isso? São algumas coisas para a caridade.

●●

Percy não sabia ao certo onde estava, mas logo sentiu o cheiro de produtos químicos e só então abriu lentamente os olhos esperando encontrar algum médico ou enfermeira o dando uma bronca. Isso vinha acontecendo a alguns dias e ele se perguntava se eles já não haviam se acostumado com sua presença ali. A camisa branca que ele usava estava com uma mancha de suco enorme e seu pescoço doía quando se levantou da sala de espera e foi ate a cafeteria do hospital. Pediu um café express. forte e voltou novamente para cima, onde esperava poder ver Rachel. O relógio em seu pulso marcava exatamente 10h09min o que significava que o horário de visitas havia começado há nove minutos e que se ele não fosse rápido não conseguiria ver Rachel a tempo.
Um pouco mais rápido e ele encontrou a enfermeira que cuidava de Rachel.
— Você não pode entrar — ela disse olhando uma folha em sua mão — Há outra pessoa ai dentro.
Percy apertou o café em suas mãos.
— Que outra pessoa? — ele perguntou tentando olhar pela janela de vidro, mas a cortina azul marinho atrapalhava sua visão. — Eu achei que os pais dela não viriam hoje.
A mulher apenas revirou os olhos, seguindo seu caminho. Percy se aproximou da porta lentamente olhando para os dois lados antes de entrar em um pulo. Assim que fechou a porta ele percebeu a figura de Rachel na cama.
Tudo estava perfeitamente normal.
A não ser o garoto parado ao lado de Rachel E'Dare.
Ele era alto assim como Percy e tinha os mesmos cabelos negros.
— Veio terminar o que começou?
Os dois garotos se encararam.
Percy Jackson e Nico Di Ângelo.

●●

Annabeth amarrou os tênis e soltou os cabelos loiros pelos ombros. Atena Chase, sua mãe, estava no escritório onde costumava ficar todas as manhãs. Quando acordara naquela manha, Annabeth não conseguiu dormir novamente e então havia saído para correr um pouco pela vizinhança. Ela fez questão de passar lentamente pela casa de Percy, com a intenção de que ele a visse. Não poderia a culpar para sempre e com certeza já estava mais calmo agora. Ela soube que Rachel havia acordado algumas vezes e que nesses momentos ela murmurava algo como: eu morri? Ou: Estou no inferno?

Os médicos haviam dito que isso eram sintomas normais de um paciente que sofrera tentativa de homicídio. Annabeth não soube mais nada.

Agora, enquanto descia lentamente as escadas de sua casa observando os quadros de sua mãe, ela pensava em como aquilo tudo podia estar acontecendo. A mãe nunca a perdoaria se soubesse que a filha havia deixado um garoto inocente assumir a culpa por um acidente, mas ela também não perdoaria Annabeth se soubesse que a filha estava envolvida em um homicídio.

— Annabeth? –Era a voz de Atena – Atenda ao telefone, por favor?

A garota estava tão entretida em seus pensamentos que nem ao menos tinha percebido o barulho irritante do telefone no andar de baixo. A sala de estar estava impecavelmente arrumada assim como o resto da casa. Os Chase´s odiavam bagunça.

— Alô? – Annabeth puxou o fio ate o sofá.

— Olá Annabeth – Mas quem diabos era? Ela pensou. Algum tipo de robô dessas empresas telefônicas?

— Quem é?

— Um amigo.

Annabeth sentiu sua cabeça rodopiar novamente. Aquilo era alguma pegadinha? Talvez fosse Leo, ele adorava esse tipo de coisa.

— Um amigo? – ela perguntou – Um amigo de que tipo?

— Um amigo que compartilha segredos. – Annabeth sorriu indiferente – Um amigo que sabe exatamente quem você é e o que você fez.

Seus dedos estremeceram e ela se levantou do sofá.

— O que você quer?

— Quero que você me diga o que eu quero saber.

Annabeth passou as mãos pelos cabelos tentando aliviar a tensão em seu rosto. Seus olhos encheram de lágrimas. Isso sempre acontecia quando ficava nervosa.

— Por favor, se você quiser dinheiro ou...

— Por que vocês garotas ricas americanas acham que tudo se resumi a dinheiro?

Annabeth escutou a voz de Atena perguntando quem era. Ela não respondeu.

— Eu vou desligar, mas antes chamarei a polícia.

— Se você desligar vou cortar seus pescoço ate sentir o osso.

Os olhos de Annabeth se estreitaram e ela olhou pela janela de vidro que rodeava o sofá e dava em direção à rua.

— Não pode fazer isso – ela manteve a confiança – Ameaça é crime grave em Queens.

— Assim como assassinato. Você e seus amigos têm 31 dias para me entregar o assassino. Caso o contrário se machucarão

Notas finais
GENTE ALGUÉM VIU STRANGER THINGS? ♥ ♥ QUEM AQUI AMOU? Eu estou tão muito empolgada por que comecei Oitnb e por favor sem spoilers hahaha. Ate sábado e comentem. Gente alguém gosta de Suicid Squad? Eu vou escrever uma fic inspirada: https://www.youtube.com/watch?v=QIAjbyfxw2Q