We must be killers

11 às vezes os solitários jogam melhor.


Notas iniciais
Pessoal eu nem demorei né? Bom o capitulo passado ao meu ver foi meio parado, mas os próximos MEU DEUS OS PRÓXIMOS. Gente eu não sei ao certo quantos capítulos a fanfic vai ter, mas já ta tudo encaminhado na minha cabeça então falta apenas escrever. Vou tentar escrever a maioria nas ferias e vamos ver no que dá. Eu queria agradecer assim a Carol Marques que é tipo A MELHOR LEITORA DESSE MUNDO PQ SIM. Bem vamos ao capítulo:

— Como anda a melhor namorada do mundo? — Annabeth fechou o livro que estava lendo e envolveu Luke em um abraço demorado.

— Você odeia a biblioteca — ela murmurou enquanto o beijava.

— Mas eu amo você.

Luke a ergueu na mesa redonda. Alguns livros caíram.

— Ei — a bibliotecária, uma mulher de meia idade que usava roupas largas demais chamou a atenção deles. — Nada disso aqui!

Luke revirou os olhos e a puxou pelas mãos.

— Quer ir a um lugar hoje?

— Qualquer coisa para me distrair da vida, da realidade.

— Meus pais vão sair hoje à noite então eu pensei que podíamos sair para jantar.

Annabeth sorriu.

— Eu pensei outra coisa!

— Sua pervertida!

Alguns olhares eram direcionados a eles. Annabeth constantemente era o centro das atenções, mas isso vinha incomodando ultimamente.

— Eu tenho álgebra — ela disse saindo dos braços de Luke — Sinto muito.

O garoto revirou os olhos de novo. Aquilo havia virado um hábito vicioso entre os garotos? Ela achava que sim.

— Te busco mais tarde tudo bem?

Annabeth concordou colocando a mochila sobre os ombros.

O cheiro de comida invadiu suas narinas assim que ela pisou no refeitório. Aquele lugar nunca mudava. As pessoas eram diferentes ali. Quer dizer você pode ser amigo de alguém e andar com essa pessoa todo o tempo, mas durante o almoço ela nem olhar para a sua cara. Ou você pode falar com certa pessoa durante o refeitório e depois ela fingir que nem te conhece. Isso é claro não acontecia com Annabeth, mas quando ela passou com a bandeja pelas mesas ocupadas percebeu que ninguém ali estaria disposto a ceder um lugar a ela. O que? Ela era popular por ser uma aberração? Sem problemas! As pessoas olhavam para ela, diziam "sinto muito", mas não a convidavam para se sentar com elas. Luke nem dava sinal na maioria dos almoços então contar com o namorado era furada. Sem pensar, ela seguiu para a única mesa em que poderia ter alguém para conversar.

— Oi — ela disse quando se sentou ao lado de Leo na mesa retangular.

— Hey- ele bateu seu ombro no dela enquanto mordiscava uma batata-frita.

Annabeth abaixou a cabeça e olhou para a própria comida. Ela nem tinha visto quem estava sentado com ele, mas suspeitava ter visto o rosto de Thalia e Reyna de relance.

— Você não tem outro lugar para sentar? — ela reconheceu a voz de Thalia e levantou a cabeça para olhar nos olhos da garota.

— Eu pensei que não tivesse problemas em me sentar aqui.

— Não tem — ela encarou o próprio prato — Só perguntei.

Ela viu Thalia mordiscar sua batata-frita e depois jogá-la sem vontade no prato.

— Você soube de Silena? — Reyna perguntou.

— Thalia me mandou uma mensagem ontem.

— Vocês trocam mensagens?

— Não — as duas disseram ao mesmo tempo, constrangidas.

Mas por que aquilo as constrangia? Era estranho como as pessoas podiam ter sido melhores amigas nos anos anteriores e depois não terem nada para falar umas com as outras.

— Piper não veio hoje — Leo disse olhando em volta — Talvez devêssemos falar com ela.

— Piper não fala com a gente — Thalia encarou alguns alunos do time de futebol.

— Ela falaria se alguma de vocês insistisse.

— Leo — Reyna suspirou — Piper não confia em ninguém a não ser na própria irmã.

Annabeth remexeu a comida como se fosse uma anomalia. Não estava com o mínimo de vontade de comer.

— Ela vai confiar em mim.

A casa onde Silena e Piper moravam era muito sofisticada. Afrodite sempre trazia algo de suas inúmeras viagens, portanto tudo tinha seu toque de personalidade. Ela viu Afrodite sair para correr quando virou a esquina então supôs que Piper estivesse em casa. Estacionou na frente da casa e olhou com cuidado para fora. Depois desceu, e girou a maçaneta da porta com cuidado. Estava aberta.

— Piper — ela chamou.

Ninguém respondeu então ela subiu as escadas se lembrando de onde ficava o quarto da antiga amiga. Antigamente era onde ela passava grande parte de seu tempo livre. Com as amigas no quarto de Piper ou Silena. A porta estava entreaberta então ela apenas deslizou para o lado esperando ver Piper.

Ela viu Piper.

E outra pessoa.

— Uau — Annabeth esfregou os olhos esperando que sua visão revelasse outra coisa — Eu realmente não sabia que...

— Não é nada disso — a voz de Nico encheu o ambiente.

— É — Piper concordou — E o que você esta fazendo aqui?

— Soube de Silena — ela se escorou na porta — Vim ver como estava. Sei que ela deve ter falado para onde foi ou por quanto tempo vai ficar. Só não esperava que tivesse companhia.

— Ela não disse. Agora pode ir embora.

— Piper eu sei que deve estar chateada, mas não precisa excluir...

— Eu não estou chateada! Será que você não se toca? — Piper se levantou da cadeira onde estava e caminhou ate Annabeth apontando o dedo para o rosto da garota — Eu sei o que você fez para separar Thalia e Silena. E não pense que eu vou ficar calada.

Annabeth descruzou os braços empalidecendo. É claro que Percy havia contado.

— O que você quer dizer? — Nico perguntou. A curiosidade estampada no rosto.

— Fica na sua — Annabeth suspirou — Isso foi a muito tempo Piper. Eu mudei.

— Por sua causa eu descobri que o meu pai, não era o meu pai.

— Você pretendia viver toda a sua vida sem saber? — Annabeth retrucou.

— Você fez com que minha vida virasse de cabeça pra baixo. — Piper sussurrou tentando fazer com que o garoto presente ali não escutasse. — Eu sei que Silena iria me contar em algum momento, mas nada disso precisava ser feito. Você fez isso de propósito.

— Eu não queria fazer isso — Annabeth encarou Piper — Eu só queria impedir que elas continuassem enganando a sua mãe. Você sabe que eu nunca quis te machucar.

— Você nunca me enganou Annabeth. Você manipula as pessoas e eu sempre soube disso, mas fazer o que você fez com duas de suas amigas... Peça ao Diabo que te perdoe porque talvez nem ele mesmo possa.

O silêncio que se estendeu foi longo, e enquanto Annabeth se remoía desconfortável, Piper se virou para a janela de seu quarto e a fechou rapidamente.

— O que ele faz aqui? — Annabeth perguntou desviando o assunto. — Vocês são amigos agora?

— Nico vai me ajudar a encontrar Silena — Piper respondeu — Eu sei o quanto ele é bom em encontrar pessoas.

— Você o chamou? -ela se virou para Piper — Mesmo que encontre sua irmã ela não vai voltar só porque Nico Di Ângelo a ameaçou. E, além disso, por que querem tanto que Silena volte? Desculpe-me, mas ela foi embora por vontade própria e se você quer que ela volte basta um telefonema da sua mãe ou ate mesmo seu para que ela pegue um voo de onde quer que esteja.

— Silena não foi embora por que esta fugindo. Ela nunca deixaria a louca da Reyna e você sozinha aqui sabendo que poderiam colocar tudo a perder em uma semana.

— Então por que simplesmente não esperamos que ela volte?

— Nós temos que encontra-la. — Nico disse. — Rápido.

— Por quê?

Piper tirou o celular do bolso e o virou para Annabeth ler.

— Porque coisas ruins acontecerão se ela não voltar.

●●

Percy apertou os dedos e olhou para o relógio no pulso. Os pais de Rachel haviam saído a duas horas e ele não sabia ao certo quando ela chegaria. O médico havia dado alta assim que ela recuperou os sentidos e agora ela viria pra casa. É claro que iria ficar em repouso. A Mini van do Sr. Dare estacionou na fachada de grama verde da casa de esquina onde eles moravam. O coração de Percy saltou.

— Percy — A mãe de Rachel desceu primeiro e o abraçou assim que o viu sentado na varanda.

O pai de Rachel, um homem alto e grisalho trazia a filha acompanhada nos braços. O cabelo ruivo preso em um rabo de cavalo.

— Oi — ele disse tentando olhar para a garota.

— Percy ela não pode falar muito se é que me entende — o Sr. Dare a levou para dentro com cuidado.

— Tudo bem, pai — Rachel murmurou. A voz melodiosa dela agora parecia rouca e sem vida.

Rachel se sentou na cadeira de balanço azul que ficava na varanda de sua casa. Percy se recostou na parede enquanto os pais delas entravam em casa.

— Como você esta? — ele perguntou se agachando para que pudessem se olhar nos olhos.

Ela sorriu.

— Não muito bem — os olhos verdes pareciam ainda mais cansados — Acho que quem fez isso não gosta muito de mim.

Percy apertou as mãos dela com força.

— Quem não gosta de você é um idiota — ele a beijou na bochecha — E tenho certeza que vão pegar esse idiota.

— Fiquei sabendo que Annabeth Chase também foi agredida.

Percy pareceu desconfortável.

— É — ele concordou — Mas nada comparado ao que aconteceu com você.

— Ela é sua vizinha. E eu sei que já namorou o seu irmão.

— É — ele suspirou — Não me leve a mal, mas ela não levou uma facada no pescoço.

Rachel sorriu.

— Não é tão ruim — ela se inclinou para beijá-lo — Eu ainda posso te beijar.

●●

Reyna estremeceu quando seu corpo bateu contra a água da piscina. Estava fria e vazia, mas era um de seus lugares preferidos. Quando era menor havia ganhado alguns campeonatos como nadadora, mas nada que a levasse a um patamar maior. Era como se pudesse esquecer-se de tudo na água. Esquecer especialmente de certo cara e certo beijo. Ela sentiu suas bochechas corarem e então mergulhou. A piscina era comprida então ela se virou e relaxou o corpo para que pudesse boiar. Seus cabelos estavam presos na toca de mergulho e ela sentiu como se não tivesse nenhum problema com o que se preocupar. Por um segundo ela se esqueceu de tudo o que a preocupava nos últimos meses.

Só por um segundo.

As lágrimas afloraram seu rosto e ela se virou para nadar de volta a borda. Quando pegou impulso para se levantar algo apertou sua cabeça pra baixo a fazendo entrar na água de novo. Ela levantou as mãos para cima e sentiu braços a afundando na piscina, então se debateu contra a água. Com muita força conseguiu tomar impulso para cima e sentiu uma golfada de ar. Quando tentou abrir os olhos, foi empurrada de volta para a água com tanta força que sentiu seus joelhos cederem. Debateu-se de novo.

Suas narinas se dilataram e ela engoliu um pouco de água. A pressão em sua cabeça diminuiu e foi o suficiente para que ela pegasse impulso e se levantasse para a borda.

Seus olhos se abriram vagamente enquanto ela tossia toda a água que acabara de engolir. Não havia ninguém por perto. Ninguém. Reyna cuspiu a água presa em sua garganta e sentiu as lágrimas descerem pelas suas bochechas com força. Uma enxurrada. Meu Deus, ela quase acabou de morrer. Precisava dar o fora dali. Mesmo com as pernas bambas se direcionou para a porta de vidro da saída.

Reyna subiu as escadas correndo enquanto as lágrimas desciam pelas suas bochechas.

Raiva.

Medo.

Ela havia entrado em seu carro e dirigido para casa sem nem ao menos trocar a roupa de banho. Tirou a toca da cabeça e deixou os cabelos caírem pelos ombros. Depois olhou pela janela de seu quarto. Algumas pessoas passavam pela rua indiferente ao que acabara de acontecer. Subitamente ela passou os braços por todas as coisas em sua escrivaninha fazendo com que estatelassem no chão. Depois abriu o closet e pegou todas as roupas que odiava e então as colocou na cama. Jogaria tudo no fogo.

As lágrimas haviam parado, mas a raiva ainda estava lá.

Raiva de tudo. Raiva de ter sido afogada a alguns minutos por alguém que não teve a mínima decência de mostrar o rosto e raiva de ser tão idiota.

Ela se agachou e puxou de baixo da cama uma caixa preta. Estava com todas as coisas que havia comprado a alguns dias. Cansada de ser indefesa, cansada de ser procurada apenas quando precisassem de ajuda. Olhou para fora uma última vez e então vestiu uma calça jeans junto com uma blusa preta, desceu as escadas e dirigiu até a delegacia.

Reyna estacionou a alguns metros da entrada. Seu corpo suava frio e seu cérebro gritava algo como “Vá embora”, mas ela não escutaria seu cérebro hoje. Mesmo que já tivesse ido para a cadeia, mesmo que aquilo não fosse apenas decisão dela e mesmo que não soubesse o que dizer ela não deixaria que aquilo acontecesse de novo com ela. Não mais. Pelo menos na cadeia estaria segura.

Ela desceu do carro e caminhou a passos largos ate a entrada. Mas algo a deteve.

Seu celular havia apitado. Mesmo que nada pudesse a deter naquele momento, ela o tirou do bolso e olhou a mensagem.

SE VOCÊ ENTRAR AI EU VOU CORTAR TODOS OS DEDOS DA SUA IRMÃ ANTES DE DECEPAR A CABEÇA DELA.

Reyna empalideceu. Subitamente seus dedos digitaram o número de Hylla e ela se lembrou de que a irmã provavelmente estava no trabalho agora.

Caixa postal.

Hylla sempre atendia.

Ela discou novamente e depois de três vezes a irmã finalmente atendeu.

— Reyna o que aconteceu?

— Onde você esta?

— Almoçando — Silêncio — Por quê?

Reyna olhou em volta.

— Eu queria saber apenas.

Ela desligou aliviada e quando deu mais um passo em direção à porta de entrada seu celular bipou novamente. Certa de que a irmã estava segura ela apertou a imagem que recebera. Sua boca secou. Era uma foto de Hylla sentada sozinha em uma mesa. Ela apertou na outra foto que recebera e viu uma foto dela e da irmã quando tinham dez e dezenove. Seu coração parou.

Sei que adora a sua irmã.

Ela girou os pés para o lado e voltou para o carro.

●●

— Ela não atende minhas ligações — Piper suspirou — Não acho que ela esteja em Los Angeles.

— Seria mais fácil ligar para o seu pai. Ele ligaria para Afrodite e colocariam a polícia atrás dela — Annabeth sugeriu.

— Como não pensamos nisso antes, Nico? Puxa Annie, você é um gênio.

— Esse é o bom de Silena — Annabeth continuou ignorando o comentário de Piper — Ela está sempre aprontando.

— Deveria experimentar ser irmã dela.

Annabeth havia conseguido convencer Piper a ajudar. Ela havia lido o bilhete deixado por Silena e mesmo que ela dissesse com todas as palavras que poderiam confiar em Nico, ela não conseguia deixar de ficar em alerta. Ele poderia muito bem estar os despistando.

— Eu poderia pedir ajuda a minha mãe — Annabeth sugeriu.

— Não obrigada.

— Piper por que esta me tratando assim? Sei que não somos mais amigas, mas...

— Por que eu estou te tratando assim? Depois de descobrir que foi você quem colocou todo mundo contra todo mundo e praticamente desfez nossa amizade de anos eu tenho o direito de ficar chateada, não acha?

Annabeth suspirou irritada.

— Parece que Rachel recebeu alta — Nico disse.

— Você se importa? — Annabeth perguntou curiosa.

— Bem, alguém tentou feri-la e foram coisas sérias — ele disse — Eu tenho um coração.

Piper revirou os olhos.

— Não consigo me concentrar com toda essa conversa.

— Você sente falta dela?

Antes que percebesse as palavras já haviam saído da boca de Annabeth. Ela quase se bateu para trazê-las de volta. Nico permaneceu em silêncio e olhando nos olhos de Annabeth ele respondeu:

— Às vezes — ele disse — Quando eu olho para o quarto dela. Meu pai nunca mudou nada.

Piper havia parado de digitar algo no computado, e se deitou na cama fitando o teto.

— Eu não consigo entender por que ela fugiu — Piper suspirou — Quer dizer, eu sei que Rachel e Annabeth quase morreram, mas ela não me deixaria aqui. Sozinha.

— Piper talvez devesse considerar a possibilidade de que Silena não gosta tanto de você.

Piper se levantou surpresa.

— Você não tem irmãos. Não entende nada sobre isso.

Annabeth encarou Piper.

— Silena não se importa com ninguém, além dela mesma.

— Eu sei o que você está fazendo, Annabeth — retrucou Piper — É isso o que você sempre faz. Você manipula as pessoas, mas nada do que me disser vai me fazer duvidar de Silena.

Nico soprou os cabelos negros da testa e sorriu triunfante.

— Encontrei — ele disse — Encontrei Silena Beauregard.

●●

Enquanto dirigia pelas ruas de Queens Reyna se sentia extremamente inútil e medrosa. Havia prometido a si mesma que não cederia a nenhum tipo de ameaça, mas lá estava ela: confusa e com medo. Ela ainda via a faixada da delegacia se afastar pelo retrovisor e sua cabeça ainda latejava por conta da água. Aquilo não podia estar acontecendo, mas de fato acontecia. E se lamentar não iria ajudar então ela precisava arrumar uma solução logo. Mas que solução poderia tomar? Annabeth havia recebido uma mensagem que deixava claro o interesse de alguém no "assassino" de Bianca Di Ângelo. Mas quem seria o assassino? Todos tinham sua parcela de culpa — alguns mais que outros — mas ainda assim. Não havia um assassino.

O tempo estava nublado e provavelmente daqui a poucos minutos iria chover. Ela sentia que pensava com mais facilidade em dias chuvosos e nesse momento era exatamente do que precisava. Ela poderia ter lidado com isso tudo contando a Hylla sobre Bianca, mas não queria desapontar a irmã e, além disso, Nico havia confessado então ela não seria presa de novo. Mas agora o que estava acontecendo, bem isso mudava tudo.

Subindo uma ladeira bem íngreme, Reyna pisou no acelerador — o carro sempre precisava de um empurrão nas subidas. Mas em vez de continuar em frente, as luzes do interior do carro se apagaram e o automóvel começou a descer a ladeira de ré.

— Isso não está acontecendo — sussurrou Reyna, puxando o freio de mão. Quando tentou a ignição de novo o carro nem sequer deu partida.

Ela olhou para a estrada vazia. O som de um trovão ecoou e a chuva começou a despencar do céu. Reyna mexeu no bolso, pensando se deveria ligar para os pais ou chamar um guincho para buscá-la, mas, depois de tirá-lo do bolso se deu conta de que a bateria havia expirado. A chuva caía tão forte que o para-brisa e as janelas embaçaram.

— Ah, meu Deus — sussurrou Reyna. Ela estava começando a se sentir claustrofóbica. De repente ela começou a ver pontinhos pretos na sua frente.

Reyna conhecia essa sensação de ansiedade: era um ataque de pânico. Ela já tivera alguns antes. Um na noite em que Bianca morreu outro depois de Nico confessar e um terceiro depois de atropelar a garota.

Acalme-se, disse a si mesma. É só chuva. Ela respirou profundamente três vezes para se acalmar tampou os ouvidos e começou a tagarelar alguma música antiga. Depois de alguns minutos os pontinhos pretos começaram a desaparecer. A chuva perdera um pouco de sua consistência e apenas caía torrencial. O que precisava fazer era andar ate sua casa que ficava a alguns quarteirões dali. Ela manteve a porta do carro aberta e começou a correr. Uma rajada de vento soprou seus cabelos na sua cara e ela enfiou o pé em uma poça de lama enorme.

— Que inferno — gritou com raiva.

Estava apenas a alguns três quarteirões de casa quando um carro preto passou. Ele passou sobre a poça d'água molhando a garota completamente e depois parou quando viu o carro de Reyna quebrado. Deu ré devagar ate chegar perto dela. O motorista baixou o vidro.

— Você esta bem?

Reyna apertou os olhos, a chuva gotejava de seu longo cabelo. No banco de motorista estava Luke Castellan, o namorado de Annabeth. Ele era um garoto típico americano: jaqueta com capuz, pele hidratada, feições bem americanas, carro bem caro. Não era o tipo de pessoa que ela queria ver justo naquela situação.

— Estou bem — ela gritou de volta e recomeçou a andar.

— Você esta ensopada. Precisa de uma carona?

Reyna estava tão molhada que não conseguia pensar direito. O carro de Luke parecia quente e aconchegante, por isso ela deslizou para o banco do carona e fechou a porta.

Luke disse a ela para que tirasse os sapatos molhados e os jogasse no banco de trás.

— Para onde vamos?

— Na verdade eu só preciso do seu celular, preciso ligar para o guincho.

— Tudo bem — Luke mexeu em sua mochila.

Reyna encostou-se ao banco e olhou em volta. Luke não havia enchido seu carro com adesivos de bandas nem fotos de mulheres seminuas como alguns caras faziam e a parte de dentro não cheirava a suor masculino. Na verdade era bem confortável. Havia dois livros no chão, em frente ao banco dos passageiros.

— Você gosta de ler?

Luke ainda revirava a mochila.

— Na verdade Annabeth me indicou.

— Eu li muito quando estava fora — ela fez uma pausa. Nunca havia falado realmente com Luke. — Você sabe que eu estive fora?

— Eu sei — ele desviou a atenção da mochila para ela.

— Ah — e então houve um silêncio desconfortável. O único som era o da chuva batendo contra o vidro do carro.

Luke tirou da mochila finalmente o telefone celular e o entregou a Reyna que telefonou para casa. Tocou sem parar ate cair na secretaria eletrônica. Então ligou para a irmã — já passava das cinco horas, e após chamar, ninguém atendeu. Os pontinhos pretos começaram a piscar na frente dela mais uma vez quando imaginou onde a irmã poderia estar.

— Ei — ela ouviu Luke, mas sua voz parecia distante.

Se acalme — pensou novamente. Ela agachou a cabeça entre as pernas e aos poucos foi retomando a consciência.

— Ataques de pânico? — ele perguntou — Minha mãe também tem.

— É isso vem acontecendo.

— Tem alguma coisa irritando você?

Reyna balançou a cabeça.

— Com toda essa história sobre as mensagens que Annabeth recebeu eu tenho andado muito pilhada.

— Mensagens? — ele pareceu confuso.

— Ela não te contou? Desculpe-me achei que...

— Ela disse — sua expressão se tornou fria — Seus pais não atenderam?

— Não — ela disse — Acho melhor eu ir para casa.

— Eu te levo.

●●

Annabeth abriu a porta de casa com pressa. Ela havia saído da casa de Piper assim que percebera que horas eram e então havia corrido para casa o mais rápido possível. Seus cabelos haviam molhado por conta da chuva e seu corpo tremia de frio.

— Annabeth — Atena apareceu na porta com o telefone em mãos — Luke esta esperando lá em cima. E vê se troca essa roupa molhada.

Annabeth subiu o mais rápido que pôde. O namorado estava sentado na cadeira de Annabeth olhando alguma coisa pela janela.

— Luke eu sinto muito pela demora, mas a chuva me pegou de surpresa.

— Por que não me contou?

O coração de Annabeth palpitava.

— Contar o quê?

Luke se virou para ela.

— Sobre as mensagens.

Annabeth engoliu em seco.

— Eu ia te contar — ela disse — Hoje mesmo. Foi por isso que eu vim correndo. No dia em que você veio aqui me ver deu tudo errado e então eu não pude te contar.

— Eu só queria que você fosse sincera comigo por uma vez apenas — ele se levantou — Mas sempre tem algo que esta escondendo.

— Quem te contou sobre as mensagens? — ela perguntou friamente.

— Isso não importa.

— Foi o Percy não foi? Eu sabia que aquele idiota ia tentar alguma coisa...

— Percy Jackson sabia? — Luke parecia atordoado — Você contou pra ele e não pra mim?

— Eu não contei, ele descobriu.

— Eu sabia que vocês dois juntos na noite em que Rachel foi atacada não era coincidência.

— O que? Não é nada disso — ela passou as mãos pelos cabelos loiros — Eu não acredito no que você acabou de insinuar!

— Eu acabei de insinuar? — ele apontou para si mesmo e depois revirou os olhos — Eu sei muito bem a sua queda por garotos daquela família.

Annabeth arregalou os olhos surpresa.

— Você não pode estar falando sério! — ela gritou.

— Sabe Annabeth, eu preciso de um tempo — Luke passou por ela — Acho que você precisa de um tempo sozinha — ele se virou para trás — Na verdade, você fica bem melhor sozinha.

Ela se virou passando a mão pelos cabelos, atordoada.

Mas às vezes os solitários jogam melhor.

Annabeth se sentou na cadeira onde Luke estava e digitou o número em seu celular. Ela atendeu no segundo toque.

— Conseguiu despistar os dois?

— É claro que sim — Annabeth respondeu — Onde você esta?

— Não precisa saber. Mas estou bem perto de conseguir o que eu quero.

— Deveria agradecer a mim por ser tão inteligente.

— Na verdade deveria estar agradecendo a mim. Eu é quem vou nos tirar dessa confusão.

— Nada mais justo considerando que foi você quem nos colocou.

Notas finais
GENTEE VOCÊS NÃO ESTÃO PREPARADOS PARA OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS. O aniversario da Annabeth ta chegando e vai ter uma feeeeeesta que vai deixar todo mundo de queixo caído. Vai rolar uma coisa que eu acho que 99% dos leitores estão esperando desde sempre (eu não falo o que vai acontecer de jeito nenhum). Enfim eu fiz um mini-teaser do capitulo, mas ele só equivale a primeira parte (lembrando que são mais ou menos umas três partes de pura festa). Aqui esta o Link: https://www.youtube.com/watch?v=W7f_mh7RXG4 ASSISTAM TA MUITO FODA