We know the name of the flower

7 As flores daquele verão


Notas iniciais
Oii gente :) Obrigada pelos lindos reviews do ultimo cap. Amo vocês ♥

Espero que gostem desse cap *---* Boa leitura ♥

-Mãe?! O que está acontecendo?

-Filha! – Ela se virou e sorriu – Finalmente você está pronta. Está usando esse vestido branco de novo... Eu ach...

-Eu gosto – Miya interrompeu a mãe – Não é infantil. – Afirmou como se adivinhasse o que a mãe diria.

-Bom... As meninas da sua idade não usam esse tipo de roupa, querida. – A senhora Koyama rebateu.

-Parece ótimo para mim – Anaru disse. Sua voz estava levemente rouca e quando me virei, reparei que ela estava prestes a chorar.

Não só ela.

Todos estavam.

-E... Eu acho que deveríamos comer o curry logo – A mãe dela sugeriu meio sem graça. Acabou de ser contrariada pela visita, Anaru. Aposto que em seus pensamentos, ela proferia palavras nada agradáveis para a ruivinha.

Para falar a verdade, a mãe dela não estava totalmente errada. Aquele vestido branco com um laço azul era infantil. Era algo que uma garota de seis anos usaria.

Mas que estranhamente, parecia se encaixar perfeitamente nela. Era como se ela sempre pertencesse a este vestido e vice-versa.

-Mamãe... – A garota murmurou, passando a mão pelos fios brancos. Seus olhos azuis não se desgrudavam dos meus e isso começou a chamar a atenção dos outros. – E...Eu acho que... deveríamos comer agora...

-Sim sim.

A mãe dela foi na cozinha buscar o curry, e nós nos ajeitamos em nosso devido lugar na mesa.

Todos nós permanecíamos calados. Miya se sentou bem a minha frente, sem tirar os olhos de mim.

-Aqui está – A senhora colocou a panela sobre a mesa e nos serviu – Espero que gostem.

A medida que ela servia a comida, era possível ouvir um gentil “obrigado”. Mas era apenas isso. Não havia conversas ali. Estávamos todos desconfortáveis com a situação.

De todos, Yukiatso era o que mais me parecia nervoso. Batia o garfo com força no prato, e acho que acabou levando um chute ou beliscão de sua namorada, pois logo tornou-se a fingir normalidade.

-Então... Você tem quantos anos? – Poppo perguntou para Miya, finalmente quebrando o silêncio.

-Eu tenho dezesseis.

-Ah, então faz colegial?

A mãe dela fez uma careta. Talvez ela tenha achado que o Poppo fosse alguém com “segundas intenções” para com sua filha.

-Sim, estudo na Oudai.

-Oudai? – Anaru perguntou. Olhei para Yukiatso e Tsuruko e reparei em como estavam extasiados com isso. – Por acaso, o seu uniforme é azul e branco?

-Sim... Você conhece a escola?

-Claro! – Anaru estava tão empolgada, que quase jogou o curry em sua própria roupa – Tsuruko e Yukiatso estudaram lá. Meu Deus, você é uma boa aluna mesmo.

-Um pouco – Ela sorriu, virando o rosto para o lado. Era a primeira vez que ela sorria para nós e mesmo sendo um sorriso meio fraco, era um sorriso e é isso que importava. – Eu fui bem nos exames de entrada e acabei caindo nesta escola. Não foi uma opção minha.

-Hum, entendo. – Anaru concordou – Garanto que vai se dar bem lá, é uma ótima escola... Não é mesmo, Tsuruko?

-Sim. – Ela sorriu – Aposto que vai adorar o festival cultural que eles fazem todo ano. É muito legal.

-Eu imagino que sim... Mas eu não gostaria de participar.

-Por que? – Yukiatso perguntou.

-Porque eu acho meio bobo... Quer dizer, a minha turma está querendo cantar no dia. Me parece um pouco sem criatividade.

Tsuruko riu.

-Está certa. Na sua idade, eu também não participei do festival, pelos mesmos motivos. Não acho que cantar seja a melhor das ideias.

-Pois é.

As duas riram baixinho. Até a mãe da Miya soltou uma risadinha inocente.

Aos poucos eu sentia que Miya estava se abrindo mais para nós.

E isso era ótimo.

**

No final do almoço, após agradecermos de coração a senhora Koyama, Miya fez questão de nos levar até a porta e garantir que estivéssemos bem.

-Muito obrigada pela companhia de vocês no almoço de hoje – Miya se curvou diante nós – Eu adorei a nossa conversa. Acho que fazia tempos que eu não me divertia assim.

-Igualmente – Yukiatso respondeu.

O silencio tomou conta de nós. Passamos a encarar uns aos outros como se quiséssemos dizer algo, mas não podíamos por motivos óbvios.

Afinal, quem iria acreditar em um bando de adultos, que alegavam que uma adolescente era a reencarnação de uma criança que morreu há mais de vinte anos atrás?

-E... Eu posso fazer uma pergunta para vocês? – Ela quebrou o silencio, gaguejando um pouco enquanto suas mãos alisavam os curativos.

-Sim... – Nós respondemos juntos.

-O que vocês estavam fazendo perto do rio, naquele dia que eu cai?

-Nós... – Eu olhei para os meus amigos, como se pedisse permissão para revelar um dos nossos segredos. Eles acenaram com a cabeça e criando coragem, eu respondi. – Nós temos uma “base secreta” ali.

Miya deu dois passos para trás, com os olhos marejados e uma expressão de algo que parecia ser medo ou angustia, estampado em seu belo rosto.

-Ba...Base secreta?

-Sim, nós temos uma base secreta. – Poppo respondeu sorrindo.

-E... Eu posso conhe...Conhecer amanhã? – Gaguejou, limpando algumas lágrimas que escorriam.

-Claro. – Anaru confirmou – Será um prazer.

-Então tá – Miya sorriu novamente. Porém, este sorriso era tão lindo quanto o primeiro. Ela realmente estava feliz. – Eu posso ir depois da escola, lá pelas três... Eu só... Só preciso de alguém para me acompanhar na ida... Ainda não sei direito onde fica.

-V...Você quer que eu te busque na escola? – Finalmente eu abri a minha boca naquele dia – Eu posso te buscar na escola e te levar para a base secreta. Cl...Claro que se você quiser, eu não quero parecer um tara...

-Eu aceito. – Ela me cortou, sorrindo. – Eu te espero na porta da escola. Por favor, esteja lá na hora.

-Tudo bem. – Eu sorri de volta. Senti a raiva do Yukiatso, pelo modo que ele respirava, levemente ofegante. – Então até amanhã.

-Até.

Ela sorriu novamente pela ultima vez, correndo de volta para sua casa.

Menma.

Sem dúvidas, era ela.

Aquele dia poderia ser perfeito, se não fosse pelo simples detalhe de que Yukiatso estava prestes a me espancar até a morte.

-O que você está pensando? Você é doente? – Ele gritou, enquanto nós cinco caminhávamos juntos até a base secreta.

-O que você quer dizer com isso? O que eu fiz de errado agora?

-Você só quer se aproveitar dela, porque ela se parece com a Menma.

-Não é verdade...

-É sim!

-Ela é bonita – Anaru comentou baixinho, atrapalhando nossa discussão. Sua voz parecia tomada pelo choro – Bonita igual... Igual a Menma.

Todos os olhares se voltaram para a ruiva. Ninguém sabia o porque dela estar chorando daquela forma.

-Porque... Porque ela é a Menma! – Anaru esbravejou – E ela voltou, como ela tinha prometido...

Anaru caiu no chão, cobrindo o rosto com a palma das mãos.

-Anaru... – Eu murmurei.

Eu sabia exatamente o porque dela estar chorando.

Ela sabia que eu amava a Honma Meiko desde criança. Que eu nunca esqueci a Menma mesmo depois de tantos anos, e que sempre sonhei com o dia que ela voltaria.

Mas... Eu realmente nunca pensei que a Menma fosse realmente voltar da morte, renascer, seja lá o que você chame isso.

Então eu nunca tinha planejado o que aconteceria entre eu e Anaru.

E eu realmente não sabia o que fazer em seguida.

O meu coração agora estava dividido entre Anaru, e uma menina que está dando todos os sinais de ser o meu primeiro amor. A minha pequena Menma.

O problema é que isso é uma escolha muito injusta.

Eu não sabia o que fazer.

Eu não sei o que fazer.

Notas finais
Diminui o drama nesse capitulo :)) Espero que tenham gostado... No prox, eu vou colocar a nova Menma, um pouco mais parecida como ela era antes, sabe feliz e talz. :) Talvez vai ter algo a ver com desenhos hehe.

Beijos e espero que tenham gostado. Até prox sábado.