We found love in a hopless place
1 Capítulo único
Notas iniciais
Ela respirou fundo. A dor vinha de repente, quando menos esperava. Fechou os olhos e tentou se concentrar. As lembranças tornaram a invadi-la. Nos últimos meses, era inevitável pensar em toda a sua vida e em tudo o que a levara até ali. Ela não era má. Não mais. E não era antes de tudo. Sua mãe fizera com que ela se tornasse um monstro e ela foi por este caminho, mas se arrependeu. Deus sabe o quanto se arrependeu.
A história toda não era feliz. Amou desesperadamente um homem. Ele lhe dizia coisas bonitas, segurava suas mãos e juntos, planejavam um futuro. Mas havia Cora. Desde sempre, Cora desejou que a filha fosse uma rainha. Até seu nome fora propositalmente escolhido por esta razão. Daniel não poderia lhe proporcionar isso e então, ela o tirou do caminho.
Tudo fazia parte de um plano terrível. Sua mãe sabia que ela não deixaria de salvar uma criança e tal criança ser filha do rei não poderia simplesmente ser uma coincidência. A partir dai, ela era infeliz, mas não era má. Até que um dia, Cora finalmente conseguiu o que queria. Livrou-se de Daniel para sempre. Regina precisava de alguém para culpar e esse alguém atendia pelo nome de Snow White, aquela pequena linguaruda.
A menina não tinha culpa. Não fazia ideia de como Cora podia ser manipuladora e cruel. Sua inocência a levou a acreditar que estava ajudando. Mães não deviam fazer o mal. Elas sempre pensam no que é melhor para seus filhos.
Hoje entendia isso. Perdoara Snow, mas no entanto, jamais admitiria.
Por muitos anos, permitiu que a raiva e o rancor dominassem seus sentimentos. Sua satisfação estava em destruir cada mísera migalha de felicidade que Snow ousasse conseguir. Esta garota, agora mulher, roubara dela toda a felicidade que poderia ter ao lado de seu amado. Devia pagar na mesma moeda. Céus! Quanto tempo levara para perceber que estava equivocada e que a verdadeira culpada disso tudo era sua própria mãe! Mas não daria o braço a torcer. Não pediria perdão. Era humilhação demais.
A dor voltou em uma forte onda, e ela quase gritou, mas se conteve. Mordiscou o lábio inferior e respirou fundo. Ele já devia estar chegando e tudo isso logo acabaria.
Tornou a mergulhar em seus pensamentos, ignorando as vozes ao seu redor. Depois que Daniel se fora, tudo perdeu o sentido. Precisava fazer algo. Ninguém podia culpá-la por desejar ser ao menos por um dia, feliz. Então criou um novo mundo. Abriu mão, pela primeira vez, de tudo aquilo que mais amava, por vontade própria e lançou a maldição na esperança de que talvez se as pessoas não se lembrassem dela e de todas as coisas terríveis que fizera, gostariam de tê-la por perto. E não foi assim. Ela conseguiu estragar tudo novamente. Era respeitada, mas não amada. Até que ouviu aquelas palavras e tudo pareceu ter um novo sentido. Um filho. Era isso. Precisava de um filho. Uma criança que a amaria incondicionalmente. E Gold lhe trouxe Henry.
A dor tornou a vir e ela travou uma imensa luta consigo mesma para não gritar. Sentia vontade de chorar, mas resistiu. Lembrou-se da primeira vez em que seus olhos encontraram os de Henry, seu filho. E tudo mudou a partir dali. Sentia-se completa. Não precisava de mais nada. Ela o amou desde o primeiro instante. Mesmo quando descobriu a verdadeira origem do garoto e pensou em devolvê-lo, ela o amou. E soube que ele a amava também. Não poderia abrir mão do menino. Jamais poderia.
E então aquela mulher chegou. Emma, a salvadora. E mais uma vez ela viu sua vida sendo destruída por aquela maldita família. O filho imediatamente se rendeu àquela criatura. E ela, que dizia não querer nada com ele, de repente o acolheu como se o tivesse amado a vida inteira. Isso não podia acontecer! Emma abriu mão do garoto quando ele nasceu. Não o queria. Ela não podia simplesmente surgir do nada e arrancar o menino de seus braços. Regina jamais permitiria isso. Tudo o que fizera contra Emma fora por medo de perder Henry.
Mas as coisas foram mudando. Havia muito mais perigo lá fora do que simplesmente o fato de a maldição ter sido quebrada. Queriam atingir o seu filho e isso não ia acontecer de jeito nenhum. Faria o que fosse preciso para protegê-lo. Tentou mudar. E mudou. O garoto era o único que acreditava nela. Se redimiu. Já não era mais a rainha má, embora as pessoas não enxergassem isso. Quando Henry foi levado à neverland, ela uniu forças com Emma, Gold e os Charming para resgatá-lo. No fim das contas percebeu que não fora de todo ruim. Todos amavam o garoto e estavam dispostos a dar suas vidas por ele. Não fora apenas ela que mudou. Emma também. Ela se mostrou uma excelente mãe e realmente amava Henry. Além de provar ser uma mulher forte e de fibra que jamais desistia de seus objetivos. Isso por muitas vezes era irritante.
Houve finalmente aquele dia. Aquele maldito dia em que uma nova maldição foi lançada. Pela segunda vez na vida, Regina precisou abrir mão daquilo que mais amava. Não havia nada nesse mundo que ela não fosse capaz de fazer pelo filho e se a segurança dele dependesse de não poder vê-lo nunca mais, ela abriria mão de tê-lo perto dela, para que ficasse a salvo. Felizmente agora sabia que ele estaria bem com Emma. Confiava nisso. Jamais o esqueceria e estava certa de que ainda tornaria a vê-lo.
A dor agora era insuportável. A imensa onda de dor física uniu-se à dor sentimental e ela não resistiu. Um grito abafado escapou de seus lábios e várias lágrimas vazaram de seus bonitos olhos. Estava cansada, nervosa, apreensiva.
Hook entrou pela porta e correu para o seu lado, tomando sua mão esquerda na direita dele.
- Oh, céus, Regina! Me desculpe, pensei que não chegaria a tempo!
- Está tudo bem. Ainda falta um pouco para o gran finalle — Disse entre suspiros.
O homem lhe dá um beijo na testa e lhe sorri o melhor de seus sorrisos.
Regina fecha os olhos novamente, revivendo os passos que a levaram até ali. Quando a nova maldição foi lançada e Henry se fora, as pessoas começaram a enxergá-la de um modo diferente. Pareciam entender o tamanho do sacrifício que acabara de fazer. Esta segunda maldição era ainda mais terrível do que a que ela havia lançado. As pessoas lembravam de tudo. Mas não podiam ser felizes com quem amavam, pois todas as vezes que tentavam, algo terrível acontecia. Estavam condenados a amar uns aos outros de longe, sem jamais poder desfrutar disso. Pais e filhos separados. Irmãos e irmãs. Avôs e netos. Maridos e esposas. Gente que outrora fora absurdamente feliz e agora mal podia se ver.
Killian passou um bom tempo sofrendo por Emma. Isto não era segredo para ninguém. Após a partida da amada, o Capitão passou a visitá-la, objetivando criar um plano que resolvesse a situação. Com o passar do tempo, as visitas foram ficando mais frequentes e quando caíram em si, estavam apaixonados um pelo outro. Isso era absurdamente irônico. Os dois vilões encantados por alguém e em meio a uma maldição, sendo as únicas pessoas que podiam encontrar felicidade, pois seu amor um pelo outro não existia quando a mesma fora lançada.
Jamais esqueceria aquela noite. Ela estava confortavelmente acomodada em seu sofá, lendo, quando ele chegou. Não tocou a campainha e tampouco bateu na porta. Simplesmente apareceu na sala, como sempre fazia. Regina largou o livro e levantou-se para falar com ele. Haviam descoberto uma pista importante que talvez ajudasse com a maldição. Um antigo artefato que seria capaz de enfraquece-la o suficiente para que eles conseguissem achar uma brecha. Hook havia pesquisado um pouco e fora conversar com Bella mais cedo, para pedir ajuda. Provavelmente haveria algo na loja de Gold e eles precisariam de autorização para entrar. Além do mais, Bella era inteligente e boa com pesquisas. Poderia ser bem útil. Regina também havia feito suas próprias pesquisas e o convidou para ir até a biblioteca, a fim de apresentar as descobertas. Como já era de costume, ofereceu-lhe rum e naquele dia, teve vontade de apreciar um vinho. Estava excitada com a possibilidade de finalmente acabar com tudo aquilo e tornar a ver o filho.
Os dois ficaram em pé, debruçados sobre a mesa, observando livros e anotações até que em algum momento, ela sem querer derrubou um pouco do vinho na roupa dele. Sem graça, tentou resolver a situação, e antes que pudesse perceber os lábios dele haviam capturado os seus em um beijo. Ela poderia ter recuado. Poderia ter se afastado e lhe dado um bom tapa. Mas não o fez. Simplesmente apreciou. A mão direita do pirata enlaçou sua cintura e a puxou mais para perto dele, enquanto seu gancho, frio e ousado, roçava perigosamente sua nuca. Não devia aceitar. Aquilo de todas as formas era errado. Mas seus lábios eram quentes e tinham um sabor diferente. Mais do que simplesmente uma mistura de vinho e rum. Era como se ela estivesse mordiscando uma fruta doce e saborosa que jamais havia experimentado antes.
Afastaram-se por um breve instante e seus olhos se encontraram, confusos, intrigados, cheios de desejo. Jamais saberia explicar, mas enquanto encarava o pirata, viu verdade em seu olhar e isso a incentivou a continuar.
Hook passou delicadamente o gancho sobre os botões delicados da bonita camisa roxa que ela usava, abrindo-a de cima a baixo, expondo a carne branca e sensível que cobria. Em seguida, arrancou-a com certa violência e a atirou em um canto qualquer. Seus lábios devoraram ainda outra vez os da mulher a sua frente. Ela o guiou até o macio sofá esverdeado e subiu em seu colo. Uma perna em cada lado de seu quadril. Era esperta. Seus movimentos eram ousados e precisos. As mãos femininas despiam-lhe com agilidade e rapidez. Killian deslizou a calça preta pelas longas pernas da parceira e acariciou seu corpo demoradamente. Agora, Regina vestia apenas sua lingerie roxa. A mão do pirata alcançou o fecho do sutiã e o abriu rapidamente, fazendo a peça escorregar pelos ombros da mulher. Passeou os olhos sobre ela e sorriu.
- Gostou do que viu? – Ela disse.
- Não há dúvidas de que a vista é agradável. – Ele respondeu e abocanhou um de seus seios, fazendo-a gritar. Sua língua fazia movimentos enlouquecedores e ela já não sabia por quanto tempo resistiria. Suas unhas passeavam pelas costas do homem, arranhando, apertando, cravando-se na carne. Seus quadris insinuavam-se sedutoramente sobre os dele, em um convite calado. Hook enganchou o gancho em sua calcinha e puxou sua lateral com violência, rasgando a delicada peça. Livrou-se do tecido e tocou sua feminilidade, arrancando um gemido desapercebido de sua boca. Seus dedos brincaram ali por alguns instantes, pressionando, massageando, invadindo. Regina sentia sua cabeça rodar. Aquela sensação era deliciosa. Seu corpo pedia por mais. Ela se ajeita e mordisca o ombro do pirata. Em seguida, levanta a cabeça lentamente, roçando o nariz em sua nuca e quando chega a altura de seus ouvidos, emite um longo gemido. Isso era demais. Ele não podia mais aguentar. Sua mão apertou a carne do quadril feminino e ela entendeu o sinal, erguendo-se um pouco e então ele a penetrou, com firmeza. Novamente um grito escapou de seus lábios e novamente ele riu.
Moviam-se de modo sincronizado, trocando beijos e carícias, até que por fim ela estremeceu. E aquilo fora diferente de tudo o que já experimentara. Não demorou muito para que ele a acompanhasse. E por fim, os dois sentiram seus corpos relaxarem e largarem-se descuidadamente sobre o sofá verde.
Aquela certamente fora uma noite inesquecível e seria a primeira de muitas.
A dor voltou a invadi-la. Forte, repentina. Sentiu Hook apertar a sua mão e apertou a dele em resposta. Tentou respirar fundo e afastá-la. Seus olhos se fecharam novamente. Deixou a mente viajar mais um pouco. Não demorou muito para que a cidade inteira soubesse sobre o relacionamento deles e mesmo que não dissessem nada, ela podia perceber os olhares de raiva e inveja e não podia deixar de sentir-se culpada. Sentia pena de todos, especialmente de Mary Margaret e David. O sofrimento nos olhos deles era quase palpável. Agora conseguia entender. Por mais estranho que pudesse parecer, agora eram amigos e trabalhavam juntos, buscando uma solução para aquilo tudo. Nenhum dos dois jamais lhe disse qualquer coisa a respeito de seu relacionamento. Nem a ela e nem a Killian. Mas era pedir demais que não ficassem no mínimo, entristecidos. Mary Margaret insistia em dizer que estava absurdamente feliz por ela, pois todos mereciam amar alguém e ser amado. No entanto, Regina não sabia se acreditava muito nisso ou não.
Gold era astuto. Sabia muito bem como lidar com seus negócios. Obviamente o artefato salvador estava muito bem escondido em algum lugar secreto, protegido por inúmeros feitiços. Ainda não haviam obtido sucesso nas buscas, mas estavam confiantes. Bella achara uma espécie de inventário secreto da loja e havia uma chance de que o objeto estivesse listado ali.
Foi durante uma dessas buscas que sua vida mudara de vez. Ela estava no meio de um diálogo, argumentando sobre alguma coisa qualquer. Mal conseguia se lembrar. De repente tudo escureceu e a próxima coisa que se lembrava era de acordar no hospital com Hook, Bella, Mary Margaret e David ao seu lado. O doutor veio, em passos largos, com uma expressão séria no rosto. Todos os olharam com expectativa. O homem aproximou-se dela, suspirou e disse: “Regina, descobri a razão de seu desmaio. Você está grávida.” Sua cabeça rodou naquele instante. Aquilo seria mesmo possível? Recebeu 3 sorrisos amargurados, acompanhados de um “parabéns” e também um beijo alucinante nos lábios, do pirata ao seu lado. Era inacreditável e parecia absurdamente errado. Ainda mais preocupante era pensar em trazer uma criança para aquele mundo. Precisava arrumar uma saída para a maldição e logo. Já perdera um filho, não poderia arriscar o segundo.
A dor agora parecia rasga-la por dentro. Não podia mais aguentar. O médico à sua frente lhe dizia para empurrar e não era como se pudesse evitar de fazê-lo. Era quase como se o seu corpo o fizesse involuntariamente. E depois de longos minutos, que pareceram uma eternidade, ela ouviu um pequeno chorinho agudo e por fim descansou.
- É uma menina. Parabéns.
Seus olhos encontraram os de Killian e ela enxergou ali um brilho diferente. Ele lhe sorriu e em seguida, beijou-lhe a testa. O médico por fim lhe entregou aquele pequeno embrulhinho branco e delicado e ela não pode evitar que as lágrimas viessem. Ela era linda. Absurdamente linda. Pensou em Henry e em como ele reagiria ao saber da irmã. Será que ficaria contente? Enciumado? Será que aceitaria bem? Ele era um garoto maravilhoso. Provavelmente ia gostar.
- Querida, eu acho que você leva esse negócio de maçãs a sério demais.
- O que? – Perguntou, confusa.
- Olhe bem para ela. Veja essas bochechinhas lindas e rosadas. Parecem duas maçãzinhas.
Ela não conseguiu conter o riso.
- Parecem mesmo. Ela é adorável.
- Acho que se parece com você.
- Céus, Killian, ela acabou de nascer! Ainda está inchadinha. Não dá pra saber ao certo com quem se parece.
- Dá sim. A boca dela é igual a sua. E esses olhos são meus.
- Ainda bem. Os seus são mais bonitos que os meus.
- Céus! Já sei como ela vai se chamar! Tenho o nome perfeito!
- Mesmo? E que nome é esse que é tão perfeito?
- Rose!
Regina sente cada terminação nervosa de seu corpo reagir. Seu pensamento voa imediatamente para o pergaminho secreto que ela havia encontrado na loja de Gold semanas atrás. Aquelas preocupantes palavras:
[i] “Um novo caminho,
uma nova terra,
uma nova maldição,
uma nova salvadora.
Rose.” [/i]
E após estremecer, ela compreendeu. E tendo compreendido, não pode deixar de sentir medo. Mas gargalhou gostosamente.
- O que foi?
- Rose. Este é o nome perfeito.
Hook se aproxima e beija sua testa novamente. Em seguida, acaricia a delicada cabecinha da pequena Rose e sorri.
- Amo você, minha querida. – Sussurrou. Vocês. E olhou para a mulher.
Regina sorri e aperta sua mão. Finalmente encontrara sua tão esperada felicidade. E era só o começo. Logo teria Henry de volta, pois ali estava a solução. Sua luz na escuridão. Sua pequena salvadora.
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