Estávamos vivendo o inferno na terra, lutando a cada dia, minuto e segundo para sobreviver. Aprendendo a nunca se apegar a nada ou ninguém, pois estávamos na ultima linha, no fim. Walkers eram os menores problemas agora. Depois que descobri,que mesmo vivendo o inferno, a raça humana que ainda pensava podia ser cruel,percebi que eles sim eram um problema. No entanto, ainda haviam pessoas boas, pois eu tive a sorte de conhecê-los.

– Você acha que ele vai melhorar? — Carl perguntou de repente, tirando-me de meus devaneios.

– Pensei que estivesse dormindo – sorri.

– Você estava viajando, nem percebeu – ele riu – Então, acha?

– Claro que sim – afirmei, observando Rick do outro lado fazendo a guarda – Ele está se recuperando, passou por um momento difícil.

– Acho que ele está louco.

– Seu pai é um homem forte, Carl. Agora... durma. Precisamos de você inteiro.

O garoto encarou-me com seus grandes olhos azuis, de forma desconfiada e rebelde. Mas depois de alguns segundos, cedeu. Esperei pelos profundos suspiros, e então segui até Rick, que me observou de forma atenta, antes de virar para a floresta. Sentei ao seu lado.

– Por que não vem? — indiquei a fogueira que ainda queimava.

– Já vou.

– Não adianta você ficar sentado ai, se culpando por tudo – falei, libertando finalmente as palavras que estavam queimando em minha garganta há tantos dias.

Ele me encarou, primeiro de forma surpresa, sendo substituído logo em seguida por um olhar totalmente calculista – você não sabe do que está falando.

– Claro que sei.

Havíamos amarrado uma corda por toda a nossa volta, com algumas latas, de forma que se algum walker chegasse perto, escutaríamos, dando-nos tempo de matá-lo. Desta forma, eu estava apenas atenta aos barulhos e de onde vinham. Houve um silêncio, até que Rick dissesse algo.

– Eu não sei o que houve com os outros, eles podem estar mortos. Sabe o que é isso?

– Não foi sua culpa, você sabe disso.

– Eu não os protegi, eu falhei.

– Você não podia prever que aquilo aconteceria. O governador era um filho da puta, matou Andrea, acha que não me senti culpada também?

– Não era sua culpa.

Soltei uma risada irônica – se não era a minha, por que é sua? Isso não faz o menor sentido!

Ele me encarou, e então sorri, tentando confortá-lo.

– Carl está preocupado – eu disse, imaginando que aquilo o animaria. E de certo modo, acertei, pois seu olhar se iluminou.

– Pensei que não ligasse.

– Ele está apenas passando por uma má fase, está sendo difícil para todos. – eu disse – Até para você.

– Obrigado.

– Pelo que?

– Pelo que tem feito a ele, tem sido ótima. E ele gosta muito de você. Então só posso dizer isso, muito obrigado.

– Ele é ótimo também – sorri, sabendo que era verdade. Aquelas pessoas... eu me importava com elas, principalmente com Carl.

Nossos olhos se encontraram por alguns segundos, antes que eu me sentisse envergonhada e desviasse. Senti meu corpo todo se aquecer, e percebi que não precisava de uma fogueira naquele momento. Apertei minhas mãos firmemente, e virei para encará-lo novamente, esperando que aquela cena passasse despercebido por ele. Rick olhava para as próprias mãos, mas percebendo que eu me virara, fez o mesmo.

– Se algo acontecer comigo, quero que fique com ele. Sei que é a pessoa certa para cuidar de Carl.

– Ele sabe se cuidar melhor do que eu, penso que será o contrário – comentei sorrindo.

– Não, Carl ainda tem muito para aprender. Pensei que a rebeldia da adolescência não fosse afetá-lo no meio deste inferno – ele riu – mas estava enganado.

– A rebeldia sempre afeta — sorri.

Rimos e então o vi ficar sério novamente.

– Como era sua vida antes disso tudo?

– Ah – perdi qualquer vestígio de prazer naquele momento. A imagem de Andre passou de forma rápida em minha mente, seu sorriso e olhos brilhantes – Era normal, como a vida de todos antes disso tudo. Já lhe contei um pouco, não?

– Tudo bem – ele tocou meu ombro de maneira delicada – Não precisa falar, sinto muito.

– Desculpe, eu..

– Tudo bem – ele acariciou meu ombro, parecendo sem graça por ter causado isso.

Caminhei para próximo a fogueira, seus passos vieram atrás, então puxou-me fazendo virar.

– Não queria te deixar assim.

– Todos passamos por momentos difíceis, Rick. Não é sua culpa, eu juro. Eu te entendo completamente, porque somos iguais. E uma vez me ensinaram, que também não era minha culpa.

Senti seus lábios tocarem os meus, e antes que eu pudesse pensar, estava correspondendo em um beijo cheio de raiva e urgente. Separei-me dele, e nos olhamos.

– Sinto muito – ele disse.

– Não é sua culpa – falei.

– Acho que confundi as coisas.

– Continuamos amigos, certo?

Um rosnado baixo surgiu do outro lado, junto com passos em folhas secas, olhamos na mesma direção. Um walker caminhava para a direção da linha, caminhei em duros passos e antes que ele pudesse se aproximar, puxei minha katana, rachando sua cabeça ao meio. Voltei para apagar a fogueira, Rick se aproximou.

– Sempre seremos amigos – disse ele – Não quero que nos deixe.

– Vamos apenas esquecer isso, então. Ninguém mais precisa saber.

– Ok – ele disse. Encostei meus lábios nos seus, de forma breve.

– Boa noite.


E fui me deitar, pois sabia que tinha muitas coisas a pensar. Sobre a regra de não me apegar as pessoas... Bem, em algum momento acabei esquecendo-me dela.

Notas finais
Ainda não revisado. Pode haver erros, me avisem? Espero que gostem, e me enviem suas opiniões. Beijos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!