We found love in a hopeless place
1 Capítulo 1
Estávamos vivendo o inferno na terra, lutando a cada dia, minuto e segundo para sobreviver. Aprendendo a nunca se apegar a nada ou ninguém, pois estávamos na ultima linha, no fim. Walkers eram os menores problemas agora. Depois que descobri,que mesmo vivendo o inferno, a raça humana que ainda pensava podia ser cruel,percebi que eles sim eram um problema. No entanto, ainda haviam pessoas boas, pois eu tive a sorte de conhecê-los.
– Você acha que ele vai melhorar? — Carl perguntou de repente, tirando-me de meus devaneios.
– Pensei que estivesse dormindo – sorri.
– Você estava viajando, nem percebeu – ele riu – Então, acha?
– Claro que sim – afirmei, observando Rick do outro lado fazendo a guarda – Ele está se recuperando, passou por um momento difícil.
– Acho que ele está louco.
– Seu pai é um homem forte, Carl. Agora... durma. Precisamos de você inteiro.
O garoto encarou-me com seus grandes olhos azuis, de forma desconfiada e rebelde. Mas depois de alguns segundos, cedeu. Esperei pelos profundos suspiros, e então segui até Rick, que me observou de forma atenta, antes de virar para a floresta. Sentei ao seu lado.
– Por que não vem? — indiquei a fogueira que ainda queimava.
– Já vou.
– Não adianta você ficar sentado ai, se culpando por tudo – falei, libertando finalmente as palavras que estavam queimando em minha garganta há tantos dias.
Ele me encarou, primeiro de forma surpresa, sendo substituído logo em seguida por um olhar totalmente calculista – você não sabe do que está falando.
– Claro que sei.
Havíamos amarrado uma corda por toda a nossa volta, com algumas latas, de forma que se algum walker chegasse perto, escutaríamos, dando-nos tempo de matá-lo. Desta forma, eu estava apenas atenta aos barulhos e de onde vinham. Houve um silêncio, até que Rick dissesse algo.
– Eu não sei o que houve com os outros, eles podem estar mortos. Sabe o que é isso?
– Não foi sua culpa, você sabe disso.
– Eu não os protegi, eu falhei.
– Você não podia prever que aquilo aconteceria. O governador era um filho da puta, matou Andrea, acha que não me senti culpada também?
– Não era sua culpa.
Soltei uma risada irônica – se não era a minha, por que é sua? Isso não faz o menor sentido!
Ele me encarou, e então sorri, tentando confortá-lo.
– Carl está preocupado – eu disse, imaginando que aquilo o animaria. E de certo modo, acertei, pois seu olhar se iluminou.
– Pensei que não ligasse.
– Ele está apenas passando por uma má fase, está sendo difícil para todos. – eu disse – Até para você.
– Obrigado.
– Pelo que?
– Pelo que tem feito a ele, tem sido ótima. E ele gosta muito de você. Então só posso dizer isso, muito obrigado.
– Ele é ótimo também – sorri, sabendo que era verdade. Aquelas pessoas... eu me importava com elas, principalmente com Carl.
Nossos olhos se encontraram por alguns segundos, antes que eu me sentisse envergonhada e desviasse. Senti meu corpo todo se aquecer, e percebi que não precisava de uma fogueira naquele momento. Apertei minhas mãos firmemente, e virei para encará-lo novamente, esperando que aquela cena passasse despercebido por ele. Rick olhava para as próprias mãos, mas percebendo que eu me virara, fez o mesmo.
– Se algo acontecer comigo, quero que fique com ele. Sei que é a pessoa certa para cuidar de Carl.
– Ele sabe se cuidar melhor do que eu, penso que será o contrário – comentei sorrindo.
– Não, Carl ainda tem muito para aprender. Pensei que a rebeldia da adolescência não fosse afetá-lo no meio deste inferno – ele riu – mas estava enganado.
– A rebeldia sempre afeta — sorri.
Rimos e então o vi ficar sério novamente.
– Como era sua vida antes disso tudo?
– Ah – perdi qualquer vestígio de prazer naquele momento. A imagem de Andre passou de forma rápida em minha mente, seu sorriso e olhos brilhantes – Era normal, como a vida de todos antes disso tudo. Já lhe contei um pouco, não?
– Tudo bem – ele tocou meu ombro de maneira delicada – Não precisa falar, sinto muito.
– Desculpe, eu..
– Tudo bem – ele acariciou meu ombro, parecendo sem graça por ter causado isso.
Caminhei para próximo a fogueira, seus passos vieram atrás, então puxou-me fazendo virar.
– Não queria te deixar assim.
– Todos passamos por momentos difíceis, Rick. Não é sua culpa, eu juro. Eu te entendo completamente, porque somos iguais. E uma vez me ensinaram, que também não era minha culpa.
Senti seus lábios tocarem os meus, e antes que eu pudesse pensar, estava correspondendo em um beijo cheio de raiva e urgente. Separei-me dele, e nos olhamos.
– Sinto muito – ele disse.
– Não é sua culpa – falei.
– Acho que confundi as coisas.
– Continuamos amigos, certo?
Um rosnado baixo surgiu do outro lado, junto com passos em folhas secas, olhamos na mesma direção. Um walker caminhava para a direção da linha, caminhei em duros passos e antes que ele pudesse se aproximar, puxei minha katana, rachando sua cabeça ao meio. Voltei para apagar a fogueira, Rick se aproximou.
– Sempre seremos amigos – disse ele – Não quero que nos deixe.
– Vamos apenas esquecer isso, então. Ninguém mais precisa saber.
– Ok – ele disse. Encostei meus lábios nos seus, de forma breve.
– Boa noite.
E fui me deitar, pois sabia que tinha muitas coisas a pensar. Sobre a regra de não me apegar as pessoas... Bem, em algum momento acabei esquecendo-me dela.
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