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4 Capítulo 4 – A festa! II Parte.


Notas iniciais
Como esse capítulo é só a continuação do capítulo anterior, eu vou postar logo :) Ele ficou menor por causa disso também... Não é porque eu quero deixar vocês ansiosas para o próximo, prometo. Não.. Prometo nada não kkk Enjoy babes :)

– Hey... Então você que é a famosa Emily.

Melissa quebrou o silêncio que tinha se formado dentro da bolha em que a amiga e a ruiva estavam. Rebecca pareceu voltar a si quando ouviu aquela voz, olhou ao redor encontrando a expressão curiosa que a loira lançava para ela e suas bochechas atingiram uma tonalidade nova de vermelho.

Rebecca arregalou os olhos para a amiga como se perguntasse o que diabos ela estava falando e então Emily se desvencilhou do abraço procurando a dona da voz que se dirigia a ela. Quando encontrou deu apenas um sorriso tímido e educado para a loira e fitou o rosto de Rebecca com uma expressão de dúvida.

– Ela mesma, Mel. – interrompeu Thomas colocando as duas mãos nos ombros da amiga e aplicando uma massagem rápida – Relaxa Becs.

– Prazer, Emily. Eu sou a Melissa, melhor amiga e colega de apartamento da moreninha ai. – Melissa deu o seu melhor sorriso, mostrando os dentes brancos, e puxou Emily com delicadeza para mais perto dando dois beijinhos, um em cada lado do seu rosto. – E irmã daquele gato ali. Claro que você já deve ter percebido de onde vem tanta beleza... – completou apontando para o seu próprio corpo e riu.

Emily deu um sorriso um pouco envergonhado com o jeito empolgado da loira, mas a cumprimentou normalmente antes de virar-se para Thomas e parabenizá-lo pelo show. Não que ela tivesse assistido, já que chegou ao fim da última música, mas achou que fosse de bom tom fazer aquilo.

Os quatro conversaram por um tempo sobre a festa, mas estava se tornando cada vez mais difícil ouvir um ao outro com a música eletrônica alta que tocava e Rebecca já estava ficando com certa raiva por todas as vezes que Melissa se aproximava demais do ouvido da ruiva para falar alguma coisa.

A morena debatia internamente se devia ou não chamar a menor para sair daquela aglomeração e procurar um lugar mais tranquilo para conversar. Porém, no momento em que se decidiu por fazer alguma coisa percebeu que tinha demorado demais para decidir. E naquela hora desejou ter a coragem que Melissa tinha.

– Meu Deus, eu amo essa música... – gritou a loira assim que as primeiras batidas de Turn up the Love foram ouvidas e arrastou a ruivinha para dançar com ela.

A princípio só Melissa que se mexia animada ao ritmo da música e balançava os braços de Emily tentando fazê-la perder a vergonha e se soltar. Rebecca apenas observava as duas sem saber definir o que era aquele sentimento que estava crescendo nela e que só aumentou quando sua melhor amiga se aproximou novamente de Emily e disse alguma coisa que só ela ouviu, mas que a fez dar um sorriso enorme e começar a se mexer também.

Rebecca soltou um suspiro pesado e virou o rosto para Thomas. Decidiu não ficar olhando o quanto a menina em quem ela havia passado a semana inteira pensando estava se divertindo na companhia da sua melhor amiga que, por sinal, era um verdadeiro mel para as mulheres.

– Desfaz essa carinha, Rebecca. – Thomas apertou de leve o rosto da amiga com as duas palmas esticadas – Ela não vai pegar a sua garota... Vem, vamos dançar.

– Quem disse que eu estou com ciúmes? Emily não é a minha garota... Eu não tenho garota. – a morena enfatizou o “a” do gênero e começou a dançar acompanhando o amigo.

– Hum, impressão minha então...

–-x--

Emily tinha adorado a ideia de Melissa, principalmente quando disse que aquilo deixaria sua morena com ciúmes. Rapidamente se repreendeu por ter usado aquele pronome possessivo para se referir a Rebecca. Ela não era propriedade da ruiva, mas a menina dos olhos azuis realmente ficou tentada a saber se a outra sentiria o mesmo incômodo que a havia atingido momentos antes.

E foi por esse motivo que ela dançou daquele jeito com a loira, se entregando completamente ao ritmo das batidas que invadiam sua consciência. Dançaram uma, duas... Cinco músicas. Mas só quando uma música mais lenta, que ela não conhecia, começou a tocar foi que ela percebeu pela primeira vez os olhos de Rebecca vidrados nela. Melissa tinha puxado o corpo da ruiva para mais perto e agora as duas dançavam sincronizadas, como um verdadeiro casal. Aquela foi a primeira vez que a ruiva realmente pensou que duas mulheres poderiam formar um no sentido verdadeiro da palavra. Mas ela, na verdade, imaginava aquilo ainda com os olhos fixos nos de Rebecca, que dançava com Thomas da mesma maneira. Imaginava que era Rebecca a segurando do jeito que Melissa segurava. E aquele pensamento fez com que a ruiva fechasse os olhos lentamente e um suspiro escapasse de seus lábios.

Rebecca entendeu tudo errado. Também estava ali imaginando que Emily poderia estar ocupando o lugar de Thomas naquela dança. Mas quando a ruiva fechou os olhos com aquela expressão de entrega um sentimento novo subiu pela cabeça de Rebecca e foi impossível continuar só encarando as duas que dançavam a sua frente enquanto, pra ela, Melissa claramente estava se aproveitando da situação. Não a culpava, afinal, quem não se aproveitaria? Emily era tão linda.

– Cadê seu bofe, Melissa? Eu me pergunto o que a Marina ia pensar se visse uma cena dessas. –Rebecca estava cega de ciúmes e no momento estava com raiva da melhor amiga. Nem se dava ao trabalho de esconder seus sentimentos.

Emily se soltou da loira no mesmo instante em que seu cérebro registrou a voz de Rebecca tão próxima de seu corpo. Naquele momento se sentiu um pouco culpada por ter feito aquilo de propósito, agora sabendo que o efeito para Melissa podia estar sendo diferente do que era pra ela, mas ainda assim, a culpa, não conseguia sobrepor ao sentimento de felicidade que a atingiu quando sentiu que a voz da morena carregava o mesmo incomodo que ela tinha sentido antes.

– Marinão bofe está viajando, só volta amanhã. – respondeu Melissa com os olhos de repente brilhando só com a lembrança de Marina. Emily se sentiu aliviada percebendo que a loira só tinha olhos para essa tal de Marina.

Mas aquilo parecia não ter acalmado Rebecca, que ainda fuzilava a amiga com seus olhos âmbar. Melissa então sorriu e puxou a amiga pela mão, arrastando-a até um canto com menos barulho.

– Nossa senhora, Rebecca Marshall, você está totalmente de quatro por essa menina. Eu sabia... Meu radar nunca falhou. – Melissa colocou a mão na boca escondendo o sorriso e depois mordeu o dedo indicador na tentativa de impedir a risada.

– Não, eu não estou... – Rebecca desviava dos olhos verdes da amiga, sem querer se entregar. – Mas e se eu estiver mesmo gostando dela... SE... ESTIVER... Não é o que você está pensando, não é nada sexual, é carinho e... Eu sou hetero.

– Assume que dói menos... Ninguém aqui disse que você tinha deixado de ser hetero. – Melissa já não conseguia mais deixar de rir. – E, sim, eu sei... Carinho. Eu, particularmente, amo o carinho que a Marina me faz.

Rebecca arregalou os olhos e seu rosto inteiro enrubesceu. Meu deus, ela não acreditava que estava falando sobre aquilo. Ela nem tinha pensado sobre isso... De verdade não. Melissa riu alto com a reação da amiga. Colocou um braço ao redor do seu pescoço e foi andando de volta com ela até o lugar onde Emily e Thomas estava.

Quando as duas se juntaram ao grupo novamente, Melissa sussurrou um “pode me agradecer depois” para Rebecca e arrastou seu irmão pra longe, deixando a amiga ali, nervosa e sem saber exatamente o que fazer.

– Então... Você está cansada? – Rebecca perguntou baixo, com os olhos encarando as próprias mãos.

A ruiva não respondeu a pergunta, porque não tinha conseguido entender o que a morena tinha falado. E quando o silencio começou a incomodar a mais velha, ela levantou os olhos para ver se Emily ainda estava ali. Estava. E ainda por cima com um sorriso tímido extremamente fofo. Não parecia a menina que dançava confiante há minutos atrás.

Rebecca segurou a mão de Emily, entrelaçando seus dedos, e foi guiando a menor até a entrada da festa. Ao chegar lá, respirou fundo e virou-se para fitar aquele mar azul que eram os olhos da ruiva.

– Você não respondeu... Está cansada?

– Ah, me desculpe. Não tinha escutado direito o que você tinha falado. – Emily sorriu sem quebrar o contato – Mas, sim, estou um pouco cansada. Não sou acostumada com festas, na verdade. Vim porque queria te ver de novo.

Rebecca perdeu o ar. As palavras de Emily foram como um golpe inesperado pra ela, um golpe muito bom, mas ainda assim tinha pegado a morena completamente desprevenida.

– Também quis muito ver você outra vez... – admitiu a mais velha, mas logo soltou a mão que sem perceber ainda segurava a de Emily. Confissões daquele tipo pareciam tão mais intimas quando feitas olho no olho ou com o toque das mãos. E Rebecca simplesmente não sabia o que fazer, então achou melhor evitar aquilo por hora. – Como veio para cá? – mudou para um assunto mais seguro.

– Peguei um taxi... Não posso dirigir ainda. – Emily falou desviando o olhar de Rebecca. Não queria que a outra percebesse o quanto ela preferia não ter soltado sua mão. – Quer dizer... Posso, mas não posso. – risos.

– Quantos anos você tem, Emily? – Era a primeira vez que as duas tinham uma conversa de verdade desde que se conheceram e Rebecca percebeu que ainda não sabia a idade da menor.

Emily fez uma careta engraçada e começou a apalpar o casaco em busca de seu celular. Tirou-o do bolso interno que ficava do lado direito do seu peito e observou a tela que marcava as horas. Eram exatamente uma e quinze da madrugada.

– Bom... Hoje já é dia 27 de outubro... Então eu tenho dezoito anos. – Sorriu um pouco sem jeito e guardou o celular de novo no bolso. Uma parte dela temia que Rebecca a achasse criança demais.

– O que? Hoje é seu aniversário? – Rebecca falou surpresa, seu tom elevando um pouco por causa do susto. – Meu Deus... Vem comigo.

Rebecca agarrou a mão de Emily e a puxou quase correndo pela trilha de árvores com suas folhas caindo formando o tão conhecido tapete do outono de Londres. A morena nem pensava direito, só sabia que queria levar Emily em um lugar especial e fazer com que seu aniversário se tornasse memorável.

As duas entraram no carro de Rebecca, que nem pensou que estava deixando Melissa para trás, afinal ela tinha o seu irmão que poderia levá-la pra casa em segurança e nada naquele momento poderia ser maior do que a vontade de ver o sorriso da ruiva sendo direcionado para ela a noite inteira. A morena ligou o carro e deu partida rumo ao “The Regents Park”, seu lugar preferido em toda Londres.

Notas finais
É isso... Feliz aniversário, Emily :) The Regents Park aguarda vocês... Hmmm, passeios secretos em um Park basicamente deserto na madrugada. É, sei não... Aguardem que tem muita água pra rolar debaixo dessa ponte.