We don't have to do anything
1 Capítulo Único
Em retrospecto, talvez essa realmente não tenha sido a ideia mais brilhante de Sanji. Ficar sozinho àquela hora, sabendo o que podia acontecer, que época do mês era aquela. Não que ele realmente se importasse com o que as pessoas tinham a dizer sobre ser perigoso para os ômegas ficarem sozinhos ou besteiras como essas. Ele poderia cuidar de si mesmo.
Mas é tarde, ele realmente já deveria estar em casa, apenas a papelada o manteve trabalhando até que ele percebeu que não havia mais ninguém lá. Só ele, um workaholic como sempre. E nem é como se ele gostasse tanto assim de seu trabalho, ele preferia bem mais chegar em casa e preparar o jantar, por mais estranho que pareça. Mesmo que seja cansativo e ele acabe comendo sozinho de qualquer maneira.
Mas seu trabalho pelo menos o distrai, lhe dá um senso de propósito, de fazer algo em que ele é bom, pelo qual pode ser elogiado. Não como cozinhar, que é inútil e não leva a nada, pelo menos segundo seu pai.
Então, ele finalmente desliga o computador e solta um suspiro que ele nem sabia que estava segurando até agora. Suas costas doem por passar o dia todo sentado nesta cadeira e seu rabo está estranho por estar preso atrás dele esse tempo inteiro. Talvez ele devesse comprar algo na farmácia a caminho de casa, ou talvez ele devesse parar de ser teimoso e consultar um fisioterapeuta logo. Ele provavelmente não fará nenhuma das duas coisas, provavelmente esquecerá assim que suas costas alcançarem seu confortável sofá de couro em casa e então ele só se lembrará quando começar a doer novamente.
O elevador está demorando para subir, por isso ele tem tempo para pensar em dores nas costas e em voltar para casa. E é estranho que esteja demorando tanto, porque o escritório está vazio, então ninguém deveria estar usando. Entretanto, quando a porta se abre, tem um cara lá.
O sujeito provavelmente não esperava ver ninguém, porque não está nem um pouco apresentável. Sua camisa de botão está quase toda aberta e ele cheira como se estivesse passando seu tempo em algum bar barato. O que provavelmente foi o caso, isso definitivamente parece a cara dele. Zoro.
Sanji mal trocou duas palavras com o homem e já sabe que o odeia absolutamente. Preguiçoso, rude e não muito bonito de se olhar. Bem, talvez só a parte do seu peitoral descoberta pela camisa... Mas certamente não aquela cara feia dele. O tigre boceja e mostra seus caninos afiados mal educadamente com a boca aberta, embora esse seja um comportamento extremamente rude para um carnívoro.
"Segura pra mim, sobrancelhas." O homem das cavernas diz e sai do elevador.
"Ei, seu musgo sem educação!"
Que cara de pau. Ele apenas diz isso e sai, esperando que Sanji segure a porta para ele como se fosse seu mordomo ou algo do tipo. Sanji deveria apenas deixar a porta fechar e descer sem ele, mas ele a segura.
E Zoro demora o quanto quer, aparentemente. Depois de vários minutos, Sanji está se sentindo um completo idiota por segurar o elevador para ele por tanto tempo, mas já esperou o suficiente para desistir agora. Ele o segura com o pé até que o idiota volta depois de recuperar o que diabos ele veio aqui buscar.
"Onde diabos você estava?"
"Minha mesa." Zoro mostra a pasta debaixo do braço, que provavelmente esqueceu aqui quando saiu do escritório algumas horas atrás.
"E você demorou tanto para chegar à sua própria mesa? Você é retardado?"
Zoro tem sorte que às vezes Sanji seja bom demais com idiotas pouco merecedores. E parece ser sua ruína, aparentemente, porque no segundo que eles começam a descer o elevador para em seus trilhos, como carma. Como se o universo o estivesse punindo por ser gentil com um homem das cavernas como Zoro.
"Oh." O homem das cavernas grunhe e se senta no chão, fechando os olhos como se estivesse pronto para tirar uma soneca, como se ficar preso ali nem incomodasse seu sono.
"Merda." Sanji pragueja baixinho.
Ele devia ficar calmo e apenas pressionar o botão de ajuda. Mas ninguém parece responder o maldito alarme e ele já está enlouquecendo, embora tenham se passado apenas alguns segundos desde que o maldito elevador parou.
Ele odeia espaços fechados. E não é realmente porque ele é claustrofóbico, mas pensar em não poder fumar o deixa louco. É por isso que ele odeia aviões e quase tentou desligar os detectores de fumaça no banheiro uma vez. Ele odeia saber que não pode acender um cigarro por horas, mesmo que se não fosse proibido talvez ele pudesse passar essas horas muito tranquilamente. Mas é psicológico. A ideia de não poder fazer com que ele deseje tanto seu vício que é insuportável.
Ele está tão focado que demora muito para perceber que algo está errado com seu corpo. É aquela época do mês, sim. Mas ele havia se lembrado de tomar seus supressores?
Ele se sente anormalmente quente. Ele fareja o ar, tentando cheirar a si mesmo, mas tudo o que consegue cheirar é o alfa preso no elevador com ele. O cheiro de Zoro parece muito mais forte do que antes, como se provocado por algo.
Isso não é ótimo. Este é o pior cenário de todos, na verdade.
Ele olha para Zoro e o homem está cobrindo o nariz com a camisa o melhor que pode, seu rosto contorcido em uma carranca horrível, o que apavora Sanji.
"Posso fumar?" Ele finalmente pergunta, sem realmente esperar que Zoro responda porque quem iria querer inalar fumaça em um lugar fechado como este. Mas ele está tão ansioso que realmente precisa de um cigarro para se acalmar.
"Sim, tanto faz." Vem a resposta, abafada pela camisa que cobre metade do rosto do homem.
Sanji acende um cigarro tão rápido que quase queima os dedos com o isqueiro. Isso é bom. A nicotina enche seus pulmões com alívio, embora seu corpo não concorde em nada com seu cérebro.
Seu corpo não está aliviado. E ele sabe que não será, vai ansiar até que Sanji dê o que ele quer. Ele pode sentir a lubrificação vazando pela cueca, ele pode se sentir já duro. Ele geralmente é um homem muito pervertido, mas no cio ele fica louco de tesão. Ele quer apenas se esfregar na parede enquanto se toca por trás até gozar e o pensamento o enoja.
É a mesma coisa do cigarro, ele pensa. Talvez ele aguentasse calmamente se não estivesse trancado naquele elevador, mas a sensação de não poder, de não saber por quanto tempo terá que aguentar, é o que o deixa mais agoniado.
Seu próprio cheiro deve estar terrivelmente forte agora. Mas talvez a fumaça do cigarro até mesmo o ajude, camuflando seu odor.
Ou talvez ele esteja apenas se enganando. Basta olhar para o homem de cabelos verdes e ele percebe que Zoro ainda está sentindo seu cheiro muito bem.
Ele ainda está com um pouco de medo. Dele. Do punho cerrado de Zoro, de ser tão vulnerável e fraco quando está no cio enquanto o outro homem parece insanamente musculoso e forte. E ele se lembra dos dentes do tigre que viu antes, tão afiados e mal cabiam em sua boca. Isso faz Sanji se sentir pequeno e patético, como não fazia há muito tempo. E ele odeia isso, ele odeia se sentir fraco.
Ele é um homem, ele sabe o que é ter desejos, mas é claro que ele não pode saber o que é ser um alfa e cheirar um cio como o dele. Ele também tem algumas memórias ruins. Às vezes, pessoas como Zoro simplesmente não conseguiam se controlar. Disseram que ele não entenderia, porque ele não é um alfa, ele não sabe o que é precisar. Ter aquela vozinha dizendo possua, possua, possua. Eles disseram que era tudo culpa dele.
E agora é o mesmo novamente. Tudo culpa dele. Por ser tão estúpido e se esquecer de tomar o remédio.
Zoro parece puto. Suas pequenas orelhas cobertas de pelos verdes estão prestando atenção a cada som. Ele cheira a bebida e a eles, todos eles. Alfas. Isso o assusta, o fedor insuportável deixando fracas até mesmo pernas fortes como as suas.
"Se você realmente precisa, nós podemos fazer. Rápido." Ele diz a Zoro em voz baixa. É melhor oferecer do que ser tomado à força, ele imagina. Então ele espera um pouco. Mas o homem nem mesmo levanta um dedo.
"Não precisamos fazer nada." Zoro respira fundo e fala com aparente dificuldade. "Não é assim. Nós só temos orelhas e rabos estúpidos, não somos animais de verdade."
Os olhos de Sanji se arregalam um pouco com isso.
Ele se aproxima de Zoro e, olhando mais de perto, Sanji percebe que não está mais assustado. Ele está se sentindo culpado, porque o homem realmente parece estar sofrendo de alguma forma, com a mão fechada em punho e trêmula.
"Me desculpe por estar fazendo isso com você." Ele tenta se desculpar.
"Está tudo bem. É só ..."
"O quê?"
"Você cheira tão bem que estou quase desmaiando." Zoro sorri ao dizer isso, como se fosse engraçado para ele ou algo assim. E Sanji não pode deixar de sorrir também. E talvez corar um pouco nas orelhas.
Ele fica ao lado do tigre, olhando para ele tentando tanto ficar calmo e no controle.
Seu peito largo subindo e descendo tão rápido quanto sua respiração. Isso o torna ainda mais atraente. E o corpo de Sanji fica mais quente ao vê-lo assim. Ao ver seu controle. Ele pensa que talvez não se sinta mais culpado. Talvez queira quebrá-lo. Ter o pobre tigre comendo na palma da mão, sem escolha a não ser corrompê-lo.
"Eu sei que não precisamos, mas... E se eu quiser?"
"Não brinque com isso..."
"Não estou. Você cheira bem também ..." Ele está tão perto de Zoro que quase pode sentir o gosto do seu cheiro, e acrescenta bem ao lado de sua orelha peluda. "E estou escorrendo tanto que está começando a molhar minhas coxas..."
Zoro está em cima dele antes que ele possa piscar, levantando os dois do chão e jogando-o contra o espelho do elevador. Ele tem apenas um olho bom e sua pupila está contraída como a de um felino, apenas uma linha tênue em um mar verde.
"Diga que você quer que eu o preencha."
"Quero, eu quero..."
"Diga."
"Me preenche. Me deixa tão cheio que eu não pense em mais nada. Mas faça isso rápido e cale a boca, tigre idiota."
Ele não precisa de nenhuma preparação, vazando e aberto de tanto desejo pelo preenchimento. O que é bom, porque Zoro nem se preocupa em checar, ele apenas tira o pau da calça e o enfia direto no buraquinho quente de Sanji.
Seu corpo grita "sim, sim, sim", como se ter algo enfiado dentro dele e ser tocado por mãos grandes e quentes fossem a cura para todos os seus problemas. Ainda não é o suficiente, ele pensa, ele quer força bruta, ele quer ser dilacerado.
"Eu achei que era suposto os felinos terem paus minúsculos e patéticos..." A raposa astuta tenta enganá-lo.
"E eu pensei que era suposto raposas serem pequenas e fracas." Zoro toca sua coxa forte para enfatizar o que está dizendo.
"Acho que estávamos ambos errados então... Mesmo assim... Realmente poderia ser maior..." Ele recebe uma estocada poderosa por isso, mas é exatamente o que ele quer. Cutucar Zoro até que não haja mais controle, apenas instinto e violência e ele satisfazendo seu próprio desejo.
E Zoro dá o que ele quer, aliás, é bem mais fácil do que ele pensava. O tigre parece perdido no cheiro do suor em seu pescoço, no calor do seu cuzinho escorregadio. Ele o morde forte com aquelas presas grandes e grunhe em seu ouvido enquanto Sanji baba em seu ombro, sorrindo e chorando de ter sido fodido com tanta força.
Eles ficam lá cobertos de suor e esperma até que aos poucos se recomponham o melhor que podem. Demora algumas horas para alguém finalmente resgatá-los, o guarda noturno que provavelmente percebeu que o elevador parou de funcionar.
E Sanji deveria apenas dizer adeus sem jeito e voltar para casa.
Mas em vez disso, ele o convida. Ele cozinha o jantar para ele. Aquele que ele geralmente come sozinho. E talvez desta vez cozinhar lhe dê um senso de propósito, de fazer algo em que ele é bom, pelo qual pode ser elogiado.
E talvez ele tenha satisfeito seu desejo em mais de uma forma.
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