We could be heroes
1 Prólogo
Notas iniciais
— Pare de procurar! Isso é ridículo, Melita! — Heloíse tocou o meu ombro tentando me fazer parar.
Eu não conseguia me controlar. Não podia simplesmente deixá-lo naquele frio. Tudo menos isso. Ele merecia mais de mim, depois de tanto me avisar e tentar abrir os meus olhos. Como fui tola!
— Christopher! — gritei a pleno pulmões.
Ouvi um grito. Meu coração disparou.
— Ouviu isso? — perguntei apontando para o lago congelado.
Heloíse começou a correr na direção que eu tinha falado. Ela chegou depois de mim.
Fiquei paralisada. Aquilo era sangue? Ele estava? Não, não podia estar. Claro que não estava.
— Chris — sussurrei.
— Eles estão vindo — Heloíse me alertou olhando na outra margem do lago.
Caminhei lentamente até o corpo dele. Estava tão frio que mal conseguia respirar. Passei minhas mãos por seu corpo, esquentando-o. Fiz isso até que ele pudesse abrir os olhos e sorrir. Aquilo fez meu coração falhar uma batida. Seu sorriso era triste e por mais que fosse difícil acreditar vindo dele, não tinha um pingo de esperança.
— Você precisa ir — ele conseguiu abrir a boca, mas sua voz saiu quase imperceptível.
— Não posso te deixar — toquei seu rosto, já quente.
— Você está fraca — perfurou os meus olhos com aquele olhar.
— Eu prometi.
Peguei-o no colo. Minhas pernas estavam quente demais e derreteram o gelo abaixo de meus pés, me fazendo ficar presa com ele ainda em meus braços. A água fria estava quase me congelando. Eu não ia conseguir.
— Vamos Melita! — minha amiga estava assustada — você precisa deixá-lo ou morreremos aqui.
— Vai — ele suplicou — por favor meu mel, você precisa me deixar.
As lágrimas transbordavam pelos meus olhos. Aquela era a profecia que ninguém queria me contar? Profecias poderiam ser mudadas, certo?
— Melita — aquela voz era familiar, até demais eu diria — percebe agora que não pode salvar a todos que ama? — o meu mestre estava com ódio nos olhos.
— O que você sabe sobre amor? — cuspi as palavras para as 7 pessoas que estavam caminhando em minha direção — vocês são todos sujos!
— E o que você sabe sobre sacrifício? — eles estavam rindo. Uma risada calma e sincronizada, como só eles conseguiam em frente a uma tragédia daquela.
— Meli — Heloíse estava com os olhos arregalados — deixe-o.
— Devia seguir o conselho da sua amiga — aquela sincronia com as vozes de novo.
Encarei-a. Um círculo de gelo e fogo foi subindo em volta dela. Eu estava protegendo-a, usando o que ainda restava da minha força.
— Melita! Pare! — gritava minha amiga desesperada — você vai morrer!
Eu estava olhando o corpo dele ainda em meus braços.
— Não tenho mais nada a perder — disse entre dentes.
Desloquei o cilindro em que se encontrava Heloíse para um lugar seguro. Eles não a achariam de forma alguma e se eu conseguisse sobreviver, nenhum desses Ginis sobrariam para contar história.
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