We could be heroes

9 Capítulo 08 - Como irmãos


Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês! Perdão pela demora pra atualizar. Espero que gostem! Boa leitura!

Elisa narrando (passado)

Meu coração estava acelerado. Eu definitivamente estava com medo, mas tão empolgada com aquilo. Nunca imaginei na vida que um dia me sentiria animada com um acampamento de Ginis. Antes era diferente, as pessoas sempre estavam se divertindo e eu nem sequer competia, mas com a presença do Christopher, as coisas ficavam mais leves, eu amava aquele cara e tinha impressão de que era correspondida a altura.

— Eu não vou demorar. — Ele depositou um beijo nos meus lábios e sorri automaticamente. Pude perceber a fúria das garotas ao meu lado e não me importei. Eu era a escolhida por ele.

Aquela era a luta mais esperada do campeonato inteiro. De um lado o Caio e do outro o Christopher, dois poderosos Ginis, mas é claro que todos sabiam quem iria vencer, não deixando ainda mais emocionante. Fiquei em pé ao lado do ringue e mordi os lábios quando a barreira transparente foi formada.

— Podem lutar! — o locutor anunciou e todos gritavam empolgados. Suspirei e senti uma mão tocar o meu ombro. Olhei para cima e vi Georgia sorrindo. Ela era tão linda, queria um dia ser atraente igual a ela.

— Os meninos darão um show! — falou um pouco alto por causa da euforia e eu assenti em silêncio.

— Espero que não se machuquem. — sussurrei derrotada.

— Não vão. Quer dar uma volta? Percebi que não está a fim de assistir. — Aceitei na hora e abandonei a arena com ela, não sem antes encontrar os olhos de Christopher na minha direção enquanto desviava de um soco do Caio. Ele me mandou um beijo no ar e eu ri, nem quando devia estar se concentrando deixava de demonstrar carinho.

— Então, para onde vamos? — perguntei enquanto caminhávamos pelo mato alto.

— Sinto muito, Elisa. Eu só cumpro ordens. — Georgia estava chorando e não tive tempo de perguntar o que tinha acontecido, pois ela me atingiu em cheio no peito com um raio de fogo que saiu de sua mão.

Senti uma dor inexplicável e tentei me transformar desesperadamente para iniciar o processo de cura, apesar de saber que seria quase inútil. Minha visão ficou azulada e revidei com uma rajada de gelo sobre ela, que foi pega desprevenida, provavelmente imaginando que eu não conseguiria me defender. Fui para cima dela ainda com muita dor e com apenas um golpe em seu rosto, apaguei-a. Me levantei e comecei a correr de volta para a arena, mas nunca consegui chegar. O clã dos Health foi aparecendo, prontos para me atacar. E eu bem sabia o porque, mas nunca imaginaria que seriam tão baixos. Eu poderia derrotar todos eles, mas não com uma ferida tão profunda.

Um por um veio ao meu encontro, e fui derrubando todos, apagando o máximo possível que conseguia. Até que percebi que eles não iriam desistir e iniciei uma matança. Fui matando quem passasse na minha frente e não focava nos rostos, porque sabia que não teria coragem de fazê-lo se soubesse quem era. Matei uns sete até ser atingida com tudo na perna e caindo no chão de dor. Olhei para cima e vi Christopher com os olhos vermelhos, parecia inconformado com o que eu estava fazendo, mas não consegui dizer o que estava acontecendo, só que não demorou para ele perceber que estavam tentando me matar.

Então, ele começou a atingir os membros do clã, assim como eu ainda tentava atingir alguns deitada. Caio apareceu e começou a lutar do nosso lado, ele sabia os reais motivos por eu ser um alvo, me elevariam para mestre do clã com apenas vinte anos e isso para eles, era inaceitável. Só que isso só partiria de uma pessoa no mundo: Klaus, o atual mestre.

— Que merda é essa? — Christopher agora tinha muita íra dentro de si, eu podia sentir. E ele era o único que roubava os poderes de seus inimigos enquanto matava-os, o mais esperto eu diria, pois assim teria mais forças para lutar.

— A Elisa será elevada para mestre. — Caio respondeu com um sorriso nos lábios. — Parece que não foi muito bem aceito.

— Isso é sério? — Meu amado suspirou e me pegou no colo. — Vamos dar o fora daqui, consegui o poder do Falcon, teletransporte, aí vamos nós. Vem, Caio. — esticou o braço para Caio, que pegou sem pensar duas vezes e fomos parar no barco do meu pai, no meio do nada.

— Eles logo descobrirão onde estamos, Chris. — Caio franziu o cenho e veio dar uma olhada na minha ferida. — Não está curando.

— Quem fez isso? — Christopher tinha muita fúria na voz.

— Não importa quem fez. — Caio falou e eu assenti concordando.

— Uma ova! Eu vou matar quem fez isso, diga de uma vez. — Chris invadiu os meus pensamentos, me fazendo gritar enquanto tentava expulsá-lo da minha cabeça. Ele estava revendo os acontecimentos e ficou branco quando chegou no início de tudo. — Foi a Georgia.

— O que?! — Caio se alterou, também desacreditado assim como eu.

Christopher depositou um beijo nos meus lábios antes de começar a tirar a minha dor. O alívio foi imediato, só ele era capaz de fazer isso. Seu dom era incrível.

— Fique comigo. — ele pediu quando meus olhos começaram a querer se fechar. O olhar dele era de desespero e algumas lágrimas começaram a escorrer pela sua face.

— Me sinto tão cansada. — falei sentindo ele me abraçar mais forte.

— Está tudo bem. — Christopher chorava e passava a mão nos meus cabelos.

Melita narrando (presente)

— A Georgia matou a pessoa que você amava? — perguntei incrédula enquanto meu coração voltava ao normal.

— Não! — Caio e Christopher gritaram juntos e me olharam como se eu fosse um bicho de sete cabeças.

— Mas foi o que eu vi. — Respondi.

— São memórias manipuladas. — Christopher balançou a cabeça, parecia perturbado. — Você acha que ele está de volta?

— É o que parece. — Caio suspirou e tinha uma áurea de preocupação em volta dele.

Não tive tempo de falar nada, pois um jovem loiro apareceu ao meu lado com um sorriso matador. Ele era uma das pessoas mais linda que já vi na vida e lembrava muito a Elisa das memórias. Usava um paletó cinza e carregava uma maleta preta. Ficou sério ao ver os dois Ginis congelados à minha frente.

— Aposto que sentiram a minha falta. — O loiro ainda sorria e não consegui segurar um suspiro ao admirá-lo.

— Você tem 5 segundos para correr. — Christopher ameaçou formando uma bola de fogo em sua mão esquerda.

— Duvido que me pegue. — Piscou e começou a flutuar. — Aliás, eu acho que vou ficar com a garota.

— Vai sonhando. — Caio tinha a voz assustadora e nem percebi ele se transformando.

— Muita demonstração de testosterona para pouca coisa, meus caros. — O loiro mostrou seus olhos laranja. Era tão incrivelmente atraente que fiquei paralisada. — Eu só vim ver quem era a nova garota.

— Fique longe dela. — Christopher sibilou com sua voz assustadora.

— Assim como ficou longe da Elisa quando ela mais precisou de você? — Seja lá quem fosse o cara, deixou Christopher muito irritado, pois ele atingiu o homem com uma rajada de raio laranja.

— Não ouse abrir a boca para falar dela, Frederich. — O moreno tinha os olhos vermelhos e emanava ira em sua fala. — Se teve alguém que a abandonou aqui, foi você, seu miserável... — Christopher ainda usava sua voz que me fazia arrepiar inteira, estava prestes a atacá-lo novamente quando o Caio interveio.

— Não, Thompson. Ele não vale a pena. — Caio ficou de frente para o Christopher e eles pareciam se comunicar somente com o olhar.

— Foi ele. — Christopher me encarou dessa vez. — Ele quem matou a Elisa.

— Minha irmãzinha, que Deus a tenha. — Frederich riu de sua fala. — Me desculpem, é que toda vez que lembro dela, sinto compaixão. Ela era tão adorável, não acham?

Nesse momento, quem o atingiu foi Caio, o que me deixou bastante surpresa porque segundos antes estava impedindo Christopher de machucá-lo.

— É melhor você ir embora, Frederich. Não é bem-vindo aqui, sabe disso. — Caio fez seus olhos ficarem amarelos.

— O Klaus discordaria de vocês. — Frederich abriu uma espécie de portal do seu lado e antes de entrar, disse algo que me deixou curiosa. — Da última vez que vi vocês, eram como irmãos. Ainda se preocupam tanto assim com o outro? — Deu um sorriso macabro de lado e entrou no círculo puxando Caio consigo.

— Não! — Christopher gritou enraivecido, mas já era tarde, Caio tinha desaparecido junto com o loiro.

— Caio.. — Sussurrei pasma com toda a situação.

— Vou te teletransportar pra casa e depois rastrear o Caio, tudo bem? — Christopher parecia controlar a respiração.

— Eu posso ajudar de alguma forma? — Perguntei com receio e ele negou com a cabeça.

— Eu não consigo perder mais ninguém, Melita. Então, por favor, fique a salva, está bem? — Ele fechou os punhos com força antes de me abraçar e nos teletransportar para o quintal da minha casa.

— Você precisa de proteção. — Ele tocou a própria cabeça com a mão direita e várias imagens passaram na minha frente. — Me desculpe por isso, estamos conectados, você está vendo o meu rastreio... Achei! — Christopher deu um sorriso de lado. — Pode deixar, eu aviso quando estivermos bem. Vou nos desconectar pra que você não fique preocupada.

— Não! — Pedi. — Eu quero saber como vocês estão.

— Eu te aviso sobre isso. Agora preciso ir. — Ele se afastou e senti um vazio repentino. — Aproveite com a sua família. — Disse com a voz calma e sumiu do meu campo de visão.

Fiquei paralisada olhando para a minha casa e logo vi uma barreira transparente descendo em volta, como se fosse um domo protegendo-a.

— Não saia dessa área enquanto não for seguro. — Ouvi a voz do Christopher atrás de mim e quando me virei, ele já tinha desaparecido.

Será que o Caio está bem? Ele é tão forte quanto o Christopher, provavelmente está. Preciso vê-los logo. Por que estou tão preocupada com eles? Nesse momento, eu queria tanto ser útil, saber usar os meus poderes e dar uma boa surra naquele babaca que ousa ferir os sentimentos dos meus Ginis favoritos.

Nem sei quanto tempo se passou enquanto fiquei divagando em pensamentos, mas em algum momento, Tyler parou ao meu lado e tocou a minha mão, me fazendo voltar para o mundo real.

— Você está bem? — Ele estava sério.

— Você já quis muito pertencer somente a um lugar? — Perguntei de repente, eu nem queria perguntar isso, era como se o meu subconsciente fosse mais forte do que eu. Tyler sorriu de lado.

— Na verdade sim. — Ele parecia pensar. — Eu sempre quero pertencer ao lugar que você está, maninha. Não sabe quanta falta você me faz. — Tyler olhou pra mim e vi seus olhos marejados.

— Ty... — Sussurrei e senti as lágrimas escorrendo pela minha face. — Eu nem acredito que você está aqui, sabia?

— Como eu poderia não estar? — Ele riu e franziu o cenho para as minhas lágrimas. — Eu não sabia que alguém tão poderosa como você poderia ter sentimentos tão puros assim. — Parecia zombar de mim, como sempre faz.

— O que disse? — Arregalei os olhos e ele riu mais ainda.

— Você é uma tipo Z, não é? Uma rara? — Tyler remexeu os bolsos e olhou com admiração pra mim.

— Como sabe sobre isso? — Eu estava curiosa.

— Antes de viajar, a mamãe me contou tudo. Ela achou que estava na hora de eu saber e pra poder te entender melhor também. — Afirmou. Não aguentei e abracei-o.

— Eu te amo infinitamente, Ty. — Apertei mais ele contra mim, que respondeu na mesma intensidade.

— E teria como ser menos? Somos irmãos. — Tyler depositou um beijo na minha testa e ficamos ali por um bom tempo.

— Como está sendo pra você, lidar com tudo isso?

— Acho que estou feliz por você, Mel. Eu sempre te vi como uma pessoa muito forte e isso só comprova como te enxergo. Aliás, preciso te contar uma coisa.

— Me conte.

— Tenho chances de ser um tipo Y. — Tyler sorriu e eu gritei.

— O que você disse?!? — Meu coração acelerado mais do que o normal.

— Ao contrário de você, eu tenho a opção de continuar sendo humano ou Gini, já que a mamãe só desistiu de ser uma logo depois que nasci, eu tenho o gene. É como se estivesse dentro de mim, mas adormecido, só irá acordar se eu permitir.

— Você quer isso? — Perguntei já imaginando a resposta.

— Acho que estou bem sendo eu. O que acha? — Ele perguntou bagunçando o meu cabelo.

— Eu também acho, não imagino você de outra forma. — Respondi sinceramente.

— Tem alguma regra que te impeça de me mostrar o que consegue fazer? — Tinha um sorriso empolgado no rosto.

— Preciso consultar os meus pais, eu sou bem novata nisso. Se eles disserem que sim, posso te mostrar amanhã, pode ser?

— É claro! — Ele me abraçou de lado e começamos a andar indo em direção a casa, quando no meio do caminho senti a presença de alguém.

Virei a cabeça rapidamente e dei de cara com o Christopher e o Caio.

— Vocês voltaram! — Me virei, fazendo com que o Tyler virasse também.

— Eu sabia que dizer que estamos bem não seria o suficiente, então aqui está a prova. — Christopher disse sério.

— Que bom que estão bem. — Olhei para o Caio e ele estava sorrindo enquanto o Christopher empurrava ele com o ombro.

— É Tyler, não é? — Caio perguntou para o meu primo, que assentiu com a cabeça. — Cuide bem da nossa garota. — Tyler riu.

— Nossa? Preciso saber se são bons pra minha irmã aqui. — Bagunçou o meu cabelo mais uma vez me fazendo rir.

— Eles são ótimos. — Respondi para o Tyler. — Hey! Tem alguma regra que me impeça de mostrar o que sou ou o que eu faço pra alguém? — Perguntei para os dois e eles se entreolharam, pareciam conversar por pensamento.

— Não é recomendado, mas não existe nenhuma pena pra isso, visto que podemos apagar as memórias das pessoas. — Caio quem respondeu.

— Incrível! — Tyler parecia empolgado. — Então vocês também são Ginis.

— Você está cara a cara com um dos únicos tipo Z que existem, sinta-se privilegiado. — Caio brincou e o Tyler ficou boquiaberto.

— Isso é demais. — Vi os olhos do Tyler relampejarem de admiração, então ele fez a pergunta que todo mudo estava esperando. — Se vocês tivessem a opção de escolher entre virar ou não um Gini, o que escolheriam?

— Ser um Gini. — Caio respondeu ao mesmo tempo em que eu e Christopher respondemos juntos: "Não ser um."

— Eles só veem o lado negativo. — Caio sorriu. — Eu não me vejo sendo outra coisa.

— Eu odeio ser quem sou. — Christopher deu de ombros. — Mas como não tenho opção, dou o meu máximo para ser bom.

— Bom?! Ele está sendo modesto. — Caio balançou a cabeça. — Sério, ele é o melhor e o mais forte que existe.

— Não fale bobagem. — Christopher parecia envergonhado e abaixou a cabeça. — Você é o melhor. — Thompson olhou para o Caio e eles pareciam felizes, conectados de alguma forma que eu ainda não tinha visto.

— Acho que você está em boas mãos. — Tyler falou e todos nós rimos.

Vendo o Tyler ali comigo, mesmo escolhendo não ser um Gini, era como se o meu mundo estivesse completo. Eu não precisava mentir ou omitir nada para ele mais.

O Christopher e o Caio pareciam bem juntos, pelo menos o Caio não o estava tratando com indiferença e eu gostaria muito que continuasse tudo daquele jeito, os dois homens que me acolheram sendo amigos. Mas eu sabia, bem lá no fundo, que as coisas não seriam assim tão fáceis.

Eu gostaria de ter eternizado aquele momento com os três e de certa forma, eternizei.

Quando estava deitada para dormir, com o Tyler ao meu lado na cama, fiquei sorrindo lembrando de como foi bom estar com eles, mesmo que tenha sido assustador em algum momento. Pensei no que aconteceu com o Frederich e o que levaria a matar sua própria irmã.

"Não deveria pensar tanto nisso." — Ouvi a voz do Christopher na minha cabeça. Ele tinha nos conectado de novo.

"Ele está vivo?". — Perguntei por curiosidade e pude até ver os olhos do Christopher revirando.

"Está. A morte seria muito fácil pra ele."

"É verdade."

"Queria que o Tyler virasse um Gini?"

"Não. Ele não seria o meu Tyler se virasse."

"Concordo totalmente."

"Você e o Caio voltaram a ser amigos?"

"Talvez isso não aconteça nunca, melhor não criar expectativas."

"Mas você gostaria?"

"Nós éramos como irmãos, igual a você e o Tyler. É uma das coisas que mais desejo nesse mundo."

"Tão complicado assim?"

"Mais do que possa imaginar. Tenha uma boa noite, Campbell."

"Boa noite, Thompson."

O que será que aconteceu entre os dois? Eu precisava saber o porquê deles ficarem separados. Queria poder ajudar, eles pareciam sentir a falta um do outro. Assim como eu sinto do Tyler.

Será que o Ginis devem escolher entre os seus sentimentos e o clã também? Muito provavelmente era isso. A forma como o Klaus proibiu o Christopher e a Georgia de se verem, sem ninguém questionar ou achar repugnante, assim como eu achei, eu me senti deslocada.

"A tendência é você ser cada vez menos humano e mais Gini. Não perca isso nunca, Campbell. É o que te ajudará a tomar as decisões certas em meio ao caos. Agora, por favor, vamos dormir. Eu estou exausto."

"Bom descanso, Thompson."

Apaguei sem pensar em mais nada e acordei cedo com o Tyler olhando para mim. Era pedir muito vê-lo todos os dias? Naquele momento, sim. Por isso estava empenhada em aproveitar ao máximo o tempo que teria com ele e com os meus amigos.

Permanecer humana. Esse era o meu desejo.

Notas finais
E então, o Caio e o Christopher voltarão a ser amigos? A Melita conseguirá continuar sendo humana o suficiente? Beijos e deixem os seus comentários!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.