We Will Be Fine Now
1 Capítulo Único - Vamos Ficar Bem Agora
Notas iniciais
Bem-vindos a mais um passeio pela minha mente louca e levemente interessante... É aquele ditado: se os produtores não fazem meu ship, faço isso com minhas próprias mãos.
Enfim, boa leitura...
Eleven abriu os olhos bem devagarinho para que a claridade não os machucasse muito. Onde estava afinal? Nenhuma lembrança passava por sua mente no instante em que acordou, porém logo os flash’s começaram a surgir. A escola, Demogorgon, “Adeus Mike”, as pálpebras ficando pesadas, o corpo ficando pesado e, lentamente tanto quanto de repente, tudo foi escurecendo até apagar.
As memórias lhe causaram agitação imediata, fazendo-a se debater e gritar o máximo que conseguia, porém estava fraca. Logo apareceram enfermeiros no quarto para acalmá-la, mas só o que ajudou de fato foi a figura de Joyce Byers na janelinha da porta com aquele olhar de “tá tudo bem, querida, apenas respire”, por alguma razão aquela mulher lhe trazia uma sensação de paz enorme. Talvez porque era a primeira pessoa adulta que demonstrava se importar mais com o que sentia do que com o que podia fazer.
— Já está mais tranquila, mocinha? — Um dos rapazes vestidos de branco, cujo crachá identificava como “Miller, Philip”, questionou em tom ameno.
— Sim. — Eleven respondeu notando que havia outra maca ao lado da sua, onde um menino com cabelo de cuia a observava com discrição.
— Ótimo, assim não precisaremos sedá-la outra vez. — O enfermeiro sorriu. — Vamos chamar o médico que cuidou de você desde que chegou aqui e ele te dirá se está tudo ok.
E mais uma vez, apenas os dois pacientes estavam quarto.
— Oi, Will. — Cumprimentou quando percebeu que ele não pararia de lhe encarar.
— Olá, Eleven. — Respondeu fazendo-a franzir o cenho. — Mike me disse o seu nome, desculpa se isso pareceu estranho.
— Mike. — Sussurrou.
— Pois é, ele veio visitar todos os cinco dias que estamos aqui.
— Cinco?! — Arregalou os olhos.
— Que droga. Falar assim de uma vez deve ter te assustado. Cara, eu só to dando fora hoje. — Will usou ambas as mãos para cobrir o rosto, mas não antes que Eleven pudesse notar que ele estava vermelho.
Ela achou isso fofo e um pouco engraçado, tentou rir, mas ainda estava meio zonza de sedativos. O médico entrou no quarto e constatou que estava tudo bem, então deixou Joyce entrar para ver com seus próprios olhos, sabia que não teria paz até que ela visse.
Na tarde seguinte, depois da aula, Mike apareceu para visitar seus amigos junto com Dustin e Lucas. Levaram alguns jogos para se distraírem. Agora tudo parecia realmente bem depois de tantos acontecimentos bizarros.
Will precisava ficar em observação por ainda estar expelindo coisas estranhas na tosse. Já El havia quase morrido em sua disputa de forças contra Demogorgon e também ficaria no hospital até estar nutrida e saudável novamente.
Os dias passavam tranquilos, os enfermeiros eram gentis com Eleven e deixavam Joyce contrabandear Eggos, havia visitas e estavam sempre conversando e deixando-a confortável, mas à noite... À noite vinham os pesadelos e a garota acordava gritando e tremendo.
Por sorte Will entendia totalmente como ela se sentia e apenas saía de sua cama para abraçá-la sem dizer nada, respeitando o espaço que ela precisava. Só quando percebia que os soluços sessaram, sorria e questionava-a se queria que ele ficasse ali ou voltasse para a própria maca. Essa era a hora que falavam de verdade sobre o quão horrível era o mundo invertido e como era estranho as pessoas dizerem para ficarem calmos com aquelas imagens gravadas em suas cabeças. Assim a amizade ia se formando e ficando mais forte.
Em alguns dias, Eleven já conseguia levantar e Will a levou para um tour no hospital, mostrou a sala onde ficavam as cadeiras de roda e propôs uma corrida, o que gerou uma confusão enorme, mas foi divertido o bastante para valer a pena.
Para a infelicidade de Mike, um processo de adoção era muito complicado e assim que El recebeu alta, foi mandada para o orfanato da cidade. Nunca saberiam se o local era tão bom realmente ou se começou a ser quando os funcionários foram informados de que uma pré-adolescente com poder o bastante para matar um exército seria encaminhada para lá. Porém, o importante era que ela estava sendo tratada bem.
As visitas de Joyce para a menina eram regulares e depois de todos os acontecimentos passados, não deixaria Will sozinho de novo e sempre o levava junto, o que deixava os dois felizes por apreciarem a companhia um do outro.
O tempo passou e logo os jovens da cidade de Hawkins estavam animados para o baile cafona do colégio. Eleven já havia sido convidada por Mike, então Will chamou uma menina de sua turma: Jade Brawn.
A menina Brawn era uma gracinha, para dizer o mínimo. Tinha grandes olhos cor de mel e sardas espalhadas pelo rosto, os cabelos caíam sobre os ombros em uma linda cascata loira acobreada, e o sorriso dela a deixava absurdamente fofa. Mas a verdade era que Will só conseguia se concentrar na cena que se passava por cima do ombro de sua acompanhante: Eleven dançando com Mike. Ela estava tão linda.
Já El tentava ao máximo não olhar naquela direção, pois sempre que via os braços de Jade ao redor do pescoço de Will e as mãos dele na cintura dela, uma sensação estranha de desconforto lhe acertava a boca do estômago como um saco.
— Você está bem? — Mike questionou um pouco receoso. Estivera ansioso por aquela noite e agora não sabia bem como agir, estava tão nervoso.
— Estou an... Cansada. — Eleven disse a primeira desculpa que podia para sair da pista de dança. — Podemos sentar um pouco?
— Claro. Não está com sede? Posso pegar ponche pra gente se quiser.
— Sim, obrigada.
— Te encontro na mesa.
Eleven deixou um suspiro baixo escapar quando Mike se afastou, então respirou fundo e seguiu para a mesa agradecendo mentalmente por ter um segundo sozinha. Só não sabia ao fazer isso que de fato só teria um segundo para si antes que Nancy sentasse na cadeira ao bem ao lado.
— Ei, El.
— Oi.
— Você deveria dizer a ele.
— O que?
Nancy suspirou e desviou o olhar por um instante. — Deveria contar ao Mike que não gosta dele como ele gosta de você. Antes que o machuque.
— O que?
— Reparei como esteve olhando pro Will a noite inteira, é bem óbvio. Mike não notou por que... Bem, ele está caidinho por você. Isso deixa as pessoas cegas. Um conselho que eu posso te dar é: seja honesta com ele antes que o garoto crie esperanças ou o coração dele vai sair mais quebrado do que precisa.
— Não queria que ele sofresse por mim de nenhum jeito. É o meu melhor amigo.
— É, ninguém quer. Mas amigos não devem mentir e, sabe, às vezes a verdade dói.
Nancy se levantou e saiu da mesa, voltando para a pista, onde Jade sorriu para Will e disse. — Ela parece ser bem legal. Você devia chamá-la pra dançar.
— O que? — O menino Byers franziu o cenho despertando de seus pensamentos.
— Aquela novata, a tal da Eleonor. Ela ficou te olhando, e você a ela. Então estava aqui pensando que seria uma boa chamá-la pra dançar.
— Não, não. Que é isso? — Sorriu e negou com a cabeça. — Eu vim contigo, até parece que vou te deixar sozinha.
— Eu não me importo de te emprestar um pouquinho. — Jade aumentou o sorriso e tirou as mãos dos ombros de Will. — Aproveito pra descansar um minuto e pegar alguma coisa pra beber.
— Jura?
— Juro. Vou até ali na mesa do ponche.
— Ok. Daqui umas músicas a gente se vê.
Antes de seguir até a mesa onde Eleven, Will foi até o banheiro, lavou as mãos e ficou algum tempo apoiado na pia tomando coragem. Depois de inúmeras respirações profundas, finalmente ele foi e a encontrou sozinha lá.
— Olá, El. Cadê o Mike?
Antes de responder, a garota franziu as sobrancelhas por um instante, o que passou despercebido por conta da baixa iluminação do ambiente. — Foi tomar um ar lá fora.
— Certo. — Will balançou um instante sobre os pés e coçou atrás da cabeça. — Você an... Não quer dançar uma música comigo?
— Claro! — O tom alto de Eleven sobressaltou o amigo, e a ela mesma. — Qu-qu-quer dizer... Sim, eu quero.
Byers sorriu e estendeu a mão, puxando a garota de volta para a pista de dança. Uma música passou, depois outra e mais outra. O mundo parecia estar girando mais devagar, os ponteiros do relógio também e as coisas ao redor pareciam diminuir aos poucos, e se afastar até estar bem longe. E tudo o que existia eram eles dois e a música.
El olhava para o rosto de Will e pensava sobre tudo desde o dia em que sem querer abriu o portal e fugiu passando por quando acordou zonza de sedativos no hospital e as visitas que recebia no orfanato até chegar aquele momento.
— Will.
— Sim?
— Podemos ir lá fora um minuto?
— Certeza? Acho que está frio.
— Eu quero conversar. Em particular.
— Ah, entendi. Tudo bem então.
— Vamos.
Os dois caminharam em silêncio para fora e assim permaneceram por alguns instantes, até que Will erguesse os cantos da boca em um sorriso pequeno e dissesse. — Tudo bem, pode falar sobre o que quiser comigo.
— Eu... Estou nervosa. — Eleven olhou para o chão e usou o braço direito para segurar o esquerdo.
— Não precisa ficar...
— Will.
— Sim, El.
— Eu gosto de você.
— Você an... Você gosta... Como um amigo?
— Não como um amigo. Nem como um irmão. Eu gosto... E-eu gosto...
Eleven não conseguia terminar a frase, então tomou fôlego e com ele coragem, e sem se dar tempo para hesitar, segurou o terno de Will e o beijou.
O menino Byers ficou tão surpreso que longos segundos se passaram antes que ele conseguisse reagir, sorrindo e dizendo. — Eu gosto de você também.
(...)
Joyce Byers mais uma vez estava visitando Eleven no orfanato de Hawkins com seu filho caçula. Os três riam e conversavam, mas a mulher ficou com sede e precisou deixar as crianças sozinhas um minuto para tomar um pouco de agua e foi aí que Will olhou ao redor para ter certeza de que ninguém estava prestando atenção neles.
— Ainda tem pesadelos?
— Diminuíram bastante. Essa semana até consegui dormir uma noite inteira. — Eleven respondeu empolgada. — Você ainda tosse paradas esquisitas?
— De quando em vez, quase nada comparado a antes. — Estendendo a mão por cima da mesa, Byers alcançou a mão da garota. — Vamos ficar bem agora.
El entrelaçou seus dedos e ambos sorriram, um pouco tímidos, mas muito felizes.
Notas finais
#Wileven
Bom, na minha cabeça tem uma espécie de "versão estendida", mas talvez eles não ficassem tão fine, então deixei por isso mesmo... Se me der a louca ou eu ficar inspirada por algum motivo ou se vcs pedirem nos comentários, talvez eu escreva...
AH! Antes que eu esqueça, a Jade é um amorzinho, né?
xoxo
Atenciosamente, Leoa A. Santana...
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