We Remain
7 Capítulo 07
Giane se apoiou no braço de Fabinho para subir as escadas do Cantaí, ao entrarem procuraram os amigos e encontraram uma mesa quase cheia, sobrando apenas dois lugares.
_ Ali. – Fabinho indicando a mesa. – Ih, rapaz, esse aí não perde tempo... – e deu uma risada.
Ela não tinha reparado nos detalhes, mas notou o que Fabinho estava falando, Elano estava conversando com Camila Lancaster, que recentemente tinha terminado com Caio, seu ex. Ela segurou a intenção que tinha de revirar os olhos diante daquilo, tudo bem que ele queria esquecer a empreguete, foi ela mesmo que lhe deu esse conselho, mas logo com a Lancaster? Que ultimamente tem sido uma das maiores piriguetes que já tinha conhecido?
_ Pois é, né. – ela se limitou a comentar.
Foram até a mesa e cumprimentaram todos, Fabinho e Giane sentaram de frente para o novo “casalzinho” da roda, eles continuaram conversando sobre como Elano tinha conseguido dinheiro para abrir um negócio só seu. Ela só pensa em dinheiro. Eles pediram bebidas, e Giane também, apesar de não gostar de cerveja, pediu um saquê. Ela não queria prestar atenção na conversa dos dois, tentou prestar atenção no que os meninos falavam, mas então, se distraiu totalmente.
Giane se lembrou do dia que logo de manhã abriu a porta de casa e deu de cara com Elano sorrindo, ela soltou um grito, ela tinha se assustado e ele riu.
_ Desculpa, eu ia apertar a campainha bem na hora que você saiu.
_ Nossa, cara! – ela colocou a mão no peito, sentindo o coração disparado pelo susto.
_ Eu não quero te atrasar, sei que você tá indo pra agência...
_ É. – ela arrumou a bolsa com a máquina no ombro. – Que foi?
_ Eu queria te agradecer por tudo, eu to bem melhor, sabe?
_ Eu percebi. – ela sorriu. – Não foi nada, você só merecia um tapa na cara. – ele riu.
_ Da próxima vez, não se esquece de me dar um. Eu vou resolver as coisas com a Cida mais pra frente, ainda não to tão bem pra isso. Enfim... – ele ofereceu a ela uma rosa branca que carregava. – Você não deve gostar muito de flores, sei lá, você passou tanto tempo trabalhando com isso, a dona Margot me disse.
Giane ficou sem jeito, mas pegou a rosa única, ela era enorme e tinha um perfume forte.
_ Obrigada, Elano. Eu ainda não enjoei das flores.
_ Ah, que bom. E ah, pra você engordar um pouco... – e lhe deu uma caixa pequena com bombons. – Tá muito magra, né, menina.
_ Você encheu minhas mãos para eu não ter a oportunidade de te bater, né, Elano. – ele riu.
_ Larga disso, eu tava brincando. – ele se aproximou dela, e lhe deu um beijo na bochecha. – Bom trabalho, cunha... melhor Giane, né.
Ela sentiu o rosto corar, ele estava saindo melhor que a encomenda.
_ Cunha é ridículo! – ela riu, mas não sabia se era de nervoso. Ele desceu as escadas e acenou indicando que ia embora.
Giane respirou fundo e entrou em casa, deixou os chocolates encima da mesa, pegou um copo de água e colocou a rosa, ficou olhando para ela, nunca tinha visto uma assim, com as pétalas tão brancas. Ela sabia que Fabinho não era cheios de mimimi como Elano, mas como garota ela sentia falta de alguns mimos de vez em quando, mesmo que tivesse aquele jeitão de moleque.
_ Acho que devemos brincar de quem nunca! – Jonas bateu a mão na mesa, fazendo Giane acordar do devaneio.
_ Que é isso? – Camila perguntou e Jonas riu.
_ É muito louco, cara. A gente pede umas tequilas, e por exemplo, eu faço uma pergunta: quem nunca comeu chocolate? E quem já toma um gole da tequila.
_ Eu to fora. – Giane disse.
_ Ah, Giane, larga de ser sem graça! – Douglas disse. – Todo mundo tem que brincar, porque senão alguém vai se lembrar das merdas ditas nessa mesa amanhã.
_ Ah, amor, vamos! Parece ser legal. – Fabinho mexeu no cabelo de Giane, bagunçando.
_ Tá, tá. – ela disse meio irritada, arrumando o cabelo.
_ Vai ser legal. – Camila disse sorrindo pro Elano.
_ Sei não... Mas, eu vim pra me divertir mesmo.
Ficou certo que cada um ia pagar uma rodada de tequila, e aquela conta ia ser cara, com certeza. E não iria ter perguntas idiotas como a do chocolate, e sim, pesadas. Elano ficou meio constrangido, mas ele iria entrar na brincadeira de qualquer forma, para começar foram umas perguntas bobas só para deixar o povo alto, como “quem nunca beijou na boca?”. E todos beberam um gole da tequila nas três primeiras rodadas. Giane sentia a cabeça ferver, a bebida esquentava pra cacete, mesmo com o limão e o sal.
_ Aqui, vamos parar com essas perguntas idiotas, por favor. – Jonas bateu na mesa. – Todos aqui somos amigos, até o Elano aqui é meu amigo. – Elano riu. – Então, bora... – a música estava alta, então, ele podia falar a merda que ele quisesse. — Quem nunca fez sexo oral?
Ficou um silêncio na mesa, todo mundo esperando quem iria pegar primeiro. Alguns começaram a rir de nervoso, Fabinho foi o mais corajoso, pegando o sal, o limão e a bebida no meio da mesa.
_ Que droga, Fabinho. – Giane acompanhou o namorado, fazendo todos rirem. Em seguida, todos da mesa, menos a acompanhante de Douglas pegou a bebida.
_ Fabinho, pode perguntar...
_ Nossa, vai vir chumbo pesado aí. – Douglas comentou.
_ Que nada, eu vou pegar leve. – ele parou alguns segundos pra pensar.
_ Quem nunca viu filme pornô?
Ele mesmo já foi arrastando um copo pra si, seguida de todos os meninos, inclusive de Elano.
_ Até você, almofadinha? – ele riu do irmão. Elano sentia o rosto queimar, mas ele estava sendo sincero, como todos ali. Quem nunca, né?
Das meninas nenhuma quis pegar, até que Giane pegou.
_ Mas o quê? – Fabinho olhou para namorada.
_ Cala a boca, eu nem acredito que eu tô fazendo isso.
Como o primeiro a pegar depois de Fabinho tinha sido Douglas, era vez dele.
_ Quem nunca beijou alguém do mesmo sexo?
Todos ficaram quietos, Douglas riu, até que Camila já meio alta pegou o copo. Todos olharam pra ela, Elano riu.
_ Nossa... – Elano olhava pra ela.
_ Eita, Elano! – Jonas gritou do outro lado da mesa.
_ Não entendo a tara de vocês por mulheres que beijam outra mulher. – Giane comentou.
_ Se você já viu filme pornô, acho que você entende. – Fabinho a cutucou, e recebeu um tapa no ombro.
A noite foi passando e os mais bêbados da mesa eram os meninos, Giane parou no meio da brincadeira, não queria ser carregada pra casa e principalmente, não queria ficar de ressaca. Ela ficou impressionada com o tanto de coisa que Elano já tinha feito, pensou que ele era um cara santo, e se enganou legal. Camila foi ficando cada vez mais assanhada com Elano, mas ele ria tanto de estar tão bêbado que quase não ligava. O Cantaí começou a esvaziar, o telefone de Fabinho tocou e ele levantou da mesa saindo da barulheira, um Jonas totalmente torto se apoiou no ombro de Elano.
_ Cara, a gente tem que cantar!
_ O QUÊ? – Elano estava com a fala lenta, e Giane riu dele. – Você veio para o Cantaí, tem que cantar-ali. – ele apontou para o karaokê.
_ Ah não, cara, não! NÃO! – Jonas foi puxando Elano até que ele se levantou, andando meio torto até o pequeno palco do Cantaí. – Não faz isso comigo não. – ele parecia uma criança chorosa. Giane ria e Camila também.
_ Mais um pouco e ele cai, né? – Giane parou de rir quando Camila falou, fuzilando a moça. Não gostava do fato de um cara tão bom quanto Elano cair na lábia dessa vagabunda.
Jonas deixou Elano parado no meio do palco, e lhe deu um microfone, ele parecia perdido lá no meio. Giane agradeceu mentalmente que não tinha muita gente lá vendo aquela cena, lá de cima Elano olhou para a mesa, sentia seu corpo mole, a bebida foi forte pra ele. Tudo meio que rodava, até que ele se concentrou em um ponto fixo que ele enxergou de lá, Giane. Ela ria dele, e ele começou a rir também, deu de ombros, e quis sair correndo quando começou a tocar a melodia de Sandra Rosa Madalena.
_ Cê tá me zuando, cara? – Elano tinha se esquecido que segurava o microfone, fazendo sua pergunta ecoar pelo salão todo, e todos que viam se divertiam. – Cê só pode estar me zuando.
Jonas começou a cantar os primeiros versos da letra, meio que dançando e rindo. Elano começou a rir dele, até que o novo amigo parou do seu lado e o balançou para que ele cantasse e dançasse também. Fazia tempo que Elano não se divertia assim, pegou o ritmo do amigo e começaram a cantar a música e dançar meio tortos, um tango ridículo. O pior de tudo é que a plateia começou a se divertir com aquilo, e cantava com eles, até Giane que ria tanto que a barriga chegava a doer, cantava também, e batia palmas.
_ Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar...
Elano se deixou levar pela brincadeira, e mais ria do que cantava a música. Tava fazendo um papel de idiota, mas não ligava mais. Nunca tinha ficado tão bêbado na vida, sempre preocupado com o que todo mundo ia pensar. No final da música, ele se sentia tonto demais, até que foi pego de surpresa, alguém tinha se aproximado dele, a visão e mente torta pela tequila o fizeram ver Giane ali na sua frente, te puxando pela nuca, tascando lhe um beijo na boca. Ele tinha perdido a noção, mas foda-se. Ele puxou o corpo da menina pra si e retribuiu o beijo de forma intensa. Alguma coisa no fundo do cérebro dele o alertava pra parar.
Giane ficou estática no meio do povo, Camila tinha subido até o palco e estava praticamente engolindo Elano na frente de todos. Cadê o Fabinho? Pegou a pequena bolsa que tinha trazido, a cabeça dela queimava de raiva, e ela não entendia porque, seu estomago revirou, efeito dos goles de tequila. Douglas se aproximou da amiga, também bêbado. Ela não aguentava mais bêbado nenhum.
_ Ow, Giane, aquele lá é o Elano, viu? Não é o Fabinho, não! – ela bufou pra ele, revirando os olhos.
_ Cala a boca, Douglas, eu vou embora que eu ganho mais.
Giane colocou a bolsa no ombro, e saiu quase batendo os pés. Encontrou um Fabinho surpreso que tinha acabado de voltar pra dentro do Cantaí olhando pra cena no palco.
_ Na boa, ele não perde tempo mesmo.
_ Vamo embora, Fabinho, amanhã eu tenho que trabalhar e você também.
_ Ow, nervosinha. Por que você tá nervosa desse jeito? – ele segurou no braço dela, a encarando.
_ Eu só to cansada, a gente pode ir? – Giane soltou do braço dele, e saiu, sendo seguida pelo namorado.
Elano ainda estava imerso naquela bolha, quando o beijo acabou e Camila se afastou dele, ele se sentiu péssimo ao perceber que não era Giane, e depois mais péssimo ao pensar que tinha imaginado ela ali, e tinha a beijado daquele jeito, a menina sorria pra ele.
_ Eu preciso ir embora...
Jonas ajudou Elano a descer do palco, mas tava difícil mesmo, um pior que outro. Elano queria dormir, queria vomitar, queria gritar, dar risada, tudo ao mesmo tempo. Douglas o pegou do outro lado, ajudando Jonas a carrega-lo.
Fabinho andava atrás de Giane pela rua, até que puxou o braço dela quando tinham chegado ao portão da casa dela, a puxou pra si, e a beijou. Encostou o corpo dela no pequeno portão, ela puxava o cabelo dele, e ela sabia o quanto ele ficava doido com aquilo. Ele deu um jeito de abrir o portão, e deu uma mordida no lábio dela.
_ A gente pode fazer que nem aqueles filmes que você andou vendo... – Giane riu. – Tô falando sério. – ele começou a beijar o pescoço dela.
_ O meu pai tá aí. – ela sentia o pescoço ficar arrepiado.
_ E daí? – ele fechou o portão com o pé, a pegando no colo, e a carregando até a porta. Ele a colocou no chão, e abriu a porta da frente bem devagar pra não acordar o sogro.
Giane segurava o riso com a situação até que ele fechou a porta o deixando tudo escuro, Fabinho a agarrou pelas costas a empurrando pra dentro, dando um beijo na sua nuca. Ela tentava lembrar mentalmente o caminho até o quarto, até que ela deu de encontro com a porta do quarto, fazendo o barulho. Ela estava bêbada e começou a rir.
_ Shiiiu... – Fabinho falou no ouvido dela, mas também estava rindo. Ela abriu a porta, e fechou em seguida. Puxou o corpo do namorado pra si, o agarrando. Ele a segurou pela cintura, lembrando-se do caminho até a cama dela a jogando lá em seguida.
Ela ria do escuro, mas gostava da sensação de estar sem ver nada, apenas via o vulto de Fabinho, já que a cortina do seu quarto não era tão escura, e a luz da rua invadia. Ele tirou a jaqueta, e ela ouviu o barulho dela caindo no chão. Depois sentiu as mãos dele passando por suas pernas, e seu corpo sobre o dela.
_ Giane?
_ Oi. – ela sussurrou, tateando pra encontrar o rosto dele, o segurando, e riu de novo.
_ Sua maloqueira safada. – ele riu, e ela bateu de leve no rosto dele, mas ele parou de rir, aproximando o rosto do dela. — Eu vou te amar pra sempre.
Elano era carregado pelas ruas, e cantarolava alto a música de Sidney Magal, os caras riram dele, e resolveram leva-lo para a casa de Jonas para não acordar Margot. Com certeza, nesse estado ele ia acordar o bairro todo. Ele meio que dormia, sentia o corpo mole e pesado, e toda vez que fechava os olhos enxergava a imaginação dele trazendo Giane até ele para o beijo lá no Cantaí. Ele sentiu seu corpo ser jogado em algum lugar confortável.
_ Giane... – ele falava baixo dessa vez.
_ Que ele tá dizendo? – Douglas perguntou.
_ Eu espero de verdade que eu esteja bêbado o suficiente e não tenha ouvido o que eu ouvi, entendeu?
_ Entendi merda nenhuma, vou dormir aqui mesmo. – ele se jogou no outro sofá exausto, enquanto Jonas ouviu Elano sussurrar de novo o nome da amiga até que ele apagou de vez.
_ Que merda hein, cara? Você gosta de se foder mesmo.
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