We Need to Run
2 Capítulo 2 - O Paraíso na Terra
Notas iniciais
Capítulo 2 – O Paraíso na Terra.
–Tá, vamos checar só mais uma vez as histórias. –Rhyan é meio paranóico, ele acha que eu iria esquecer o que estávamos memorizando á quase 2 horas.
–Meu nome é James Melark, tenho 17 anos, nasci em Washington no dia 14 de abril de 1998, sou vegetariano, morei com meus pais até os 15 anos e decidi me virar, nisso acabei topando com você que é...
–Sou Gabriel Chase, 18 anos, nasci na Filadélfia em 29 de junho de 1997, comecei a te tratar como irmão mais novo e desde então viajamos juntos.
–Isso, as informações tão certinhas nas identidades e carteiras?
–Claro cara, quantas vezes nós não fizemos a mesma coisa e deu certo?
–Ta, confio em você.
–Senhores passageiros, o Hawaii se aproxima, mais 15 minutos de vôo e chegaremos ao destino, apertem os cintos que vamos passar por mais uma turbulência.
Eu já me acostumei a viajar de avião, e as vezes me pergunto como o Rhyan ainda não, a gente pega avião pelo menos 2 vezes ao ano e sempre é a mesma coisa, ele aperta a cadeira e fica segurando o saquinho de vomito, e murmurando coisa como:
“Perdão pela vez em que bati na Tinna Tunder na quinta série...”
E fica se confessando, o mais engraçado é que as vezes ele fala coisas pra mim tipo:
“Brow, lembra quando você perdeu sua bicicleta? Você não perdeu, eu vendi porque queria um skate, se eu morrer pode ficar com ele”
Fone de ouvido é indispensável nesse tipo de viagem.
Com o Rhyan (agora vou ter que chamar ele de Gabriel, que cu ¬¬’) eu estava acostumado, mas no pacote não vinha uma guria de cabelo colorido (provavelmente havaiana) chorando e tentando abrir a saída de emergência (que por um azar desgraçado ficava próximo a minha poltrona)
–PORRA ESSA SAÍDA É SO PRA EMERGÊNCIA, MOÇA ISSO NÃO É UMA EMERGÊNCIA, por favor se acalme.
E ela ficava lá chorando, qual é, ela provavelmente tinha uns 18 anos, como ela não sabia que turbulências eram normais? Será que ela era claustrofóbica? Ou então esquizofrênica? Será que ela tinha síndrome do pânico?
– Você ta bem? O que foi? Moça quer um chocolate?
–Eu só quero sair daqui... –ela disse entre fungadas.
–Espera só mais uns minutinhos, respira fundo...
–Obrigada.
–Vamos nos sentar, onde é a sua poltrona?
–Aquela ali. –ela apontou pra duas poltronas atrás de onde eu e Gabriel estávamos sentados.
Quando levei ela lá, notei que não tinha ninguém sentado com ela, me sentei lá e tentei acalmá-la, posso não ser um exemplo de menino, mas não vou deixar uma menina chorando sozinha.
Após minhas primeiras tentativas de acalmá-la (sem muito sucesso, devo ressaltar), percebi que ela batia os dedos no ritmo de uma música muito conhecida na atualidade, talvez cantar ajudasse, respirei fundo e comecei a cantarolar.
– It's going down
I'm yelling timber
You better move, you better dance
Let's make a night you won't remember
I'll be the one you won't forget
Ela cantou comigo o resto dessa música, e quando vimos o avião já tinha pousado, acho que não faço um trabalho tão ruim assim tentando ajudar as pessoas, deveria tentar mais vezes...
Érrr, não.
Como estava me sentindo generoso, me ofereci para ajudar a menina com as malas, avisei a Gabe para me esperar no hotel com as nossas malas e levei a garota- sem- nome até o hotel dela, no caminho a chamei de garota- sem- nome e levei um tapa.
–O que foi? –perguntei, afinal, não estou acostumado a levar tapas assim do nada, ainda mais depois de eu estar tentando ser legal!
–Meu nome é Estela, se queria saber era só perguntar, idiota –a ultima parte não passou de um sussurro, mas eu ouvi e só fiquei mais irritado.
–Não queria saber. –se já está provocando alguém, termine, embora eu não ache que chamar alguém de “garota- sem- nome” seja motivo pra se revoltar.
–Mas agora sabe.
–Mal agradecida.
–Motorista PARE O TÁXI.
–Senhorita? –ele pareceu como se não esperasse por essa, coisa que acho que ele realmente esperava, nem eu esperava.
–Desço aqui, aqui o dinheiro da corrida e tenha um bom dia.
–Estela volte aqui. –Eu disse enquanto ia correr atrás dela, o táxi ficou parado, provavelmente esperando agente acabar de discutir.
Essa menina é tão inteligente que desci no meio da rua, o táxi estava usando a faixa do meio e tinha mais 2 de cada lado até chegar no acostamento, não deve ser fácil correr com uma mala, pois logo a alcancei (apenas para mencionar: a mala dela abriu hahaha, #vingança), mas o cavaleiro (que eu desconhecia até aquele momento) dentro de mim me fez recolher as roupas dela e tentar me aproximar da maneira mais gentil (tudo pra evitar futuros tapas).
–Garoto sem nome? –ela claramente estava confusa com minha gentileza, eu não podia culpa-la, também não tava entendendo nada.
–James –revirei os olhos, já fui Mathew, Marcelo, Jhonas, Nathan e muitos outros, mas naquele momento queria apenas ser o bom e velho Jason.
–Okay James, o que está fazendo com minha calcinha?
–Só recolhendo, só recolhendo –‘sabe de nada, inocente’ murmurei desejando que Rhyan estivesse ali para trocar aquele olhar com ele.
Não podia decidir se era muita ou muita sorte, pois o dito cujo brotou ali (lê-se saiu de um táxi) ou muito azar, pois ele estava secando Estela com os olhos (lê-se despindo-a mentalmente).
Deixar ele seca-la ou fingir ser gay?
Fingir ser gay.
–GABEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE- gritei como uma bixa louca e pulei no colo dele e fiz agente cair no chão.
Depois de levar um tapa (se fosse eu daria uma surra) e apresentar Estela a Gabe ficou aquele silêncio desconfortável, que eu, muito sabiamente, decidi quebrar.
–Então, você é nativa?
–Não, acabei de me mudar para cá, vim para ajudar as aves em extinção.
–Você é uma ambientalista?
–Criei uma ONG e vim como representante para averiguar a situação.
–E a escola? Quantos anos você tem?
–Vou estudar aqui, e tenho 17.
–Onde você vai estudar?
–Na escola pública da região.
–Já fez matricula?
–Eu ainda nem cheguei no hotel!
–Para qual você vai?
–Parlate.
–Ótimo, nós também, vamos todos no mesmo táxi.
Depois do taxista do Gabe ser dispensado e agente se espremer no banco de trás do táxi que eu e Estela tínhamos pegado antes, nos encaminhamos para o hotel e fomos cada um para sua suíte.
Essa vai ser uma temporada muitoooo longa, vou para a mesma escola que a esquentadinha, Gabe vai vagabundear o dia inteiro e provavelmente vou dar um jeito de ser recrutado para ajudar as aves.
É, o Paraíso no Inferno, porque esse calor tá de lascar.
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