We Love You, Olivia!
12 ღ CAPÍTULO 11
Notas iniciais
“O amor é imortal! Você pode negá-lo sufocá-lo, encerrá-lo, mas ele nunca morre.”
— Augusto Cury
Eu estou despencando. Literalmente. Sinto meu corpo caindo em queda livre contra o chão duro e me preparo para o impacto e para a dor. No entanto, algo amortece a minha queda. Ou melhor, alguém. Caio por cima de alguém que está usando um terno cinza. Eu consigo ver, apesar de estar escuro. Levanto meu olhar, já pedindo desculpas, mas eu paro de boca aberta no instante que vejo quem é.
—Você de novo? — Falamos ao mesmo tempo. Bash faz uma careta, não desviando os olhos de mim.
—Pelo amor de Deus! Você precisa parar de cair e derrubar as pessoas com você. Não olha onde anda? — Murmura. Sinto minhas bochechas corarem. — E, já é a segunda vez que encontro você numa festa fora da escola. — Ele dá um sorriso malicioso. — Anda me stalkeando?
—Mas é claro que não! — Rebato indignada. — Por que diabos eu estaria stalkeando você, Sebastian? — Ele arqueia uma sobrancelha. — E, além do mais, foi você que se meteu no meu caminho. — Acuso. Bash solta uma risada, sem humor.
—Eu? — Pergunta incrédulo. — Você me derruba e agora a culpa é minha, Olivia?
—Sim! A culpa sempre é sua por estar sempre cruzando o meu caminho na hora errada.
Ele revira os olhos, impaciente.
—Se não se importa, eu gostaria de voltar para o baile.
—Então vai!
—Será que pode fazer o favor de sair de cima de mim? — Pediu.
Só então percebo que ainda estou caída por cima de Bash, cara a cara com seu rosto. Sinto seu peito subindo e descendo, e sua respiração quente. Solto um grunhido baixo e engatinho para o lado, sentando-me no chão. Bash se levanta rapidamente, batendo a poeira da roupa. Após dar um longo suspiro, ele oferece uma mão para me ajudar. Eu aceito e quase me desequilibro novamente.
—Obrigada. — Digo baixo. Ele dá de ombros e depois me encara com uma ruga de preocupação na testa.
— Não parece muito bem. — Comenta. — Há algo de errado? — Dou um longo suspiro.
—Não está sendo uma das melhores noites para mim. — Admito. Bash franze a testa e esboça um sorriso.
—Vamos dar uma volta. — Diz decidido. Ele faz um sinal para que eu o siga. Eu hesito por um instante, mas, logo decido que pior do que está minha noite não pode ficar.
Nós dois seguimos em passos preguiçosos pelos jardins do clube. Ficamos alguns instantes sem dizer nada, até que Bash rompe o silêncio.
—Achei que você não gostasse de festas.
Eu o encaro.
—Eu não gosto.
—Então por que está aqui? — Franze o cenho.
Dou um longo suspiro.
—Eu não sei. — Confesso. — Eu nem sei o que eu estou fazendo. — Bash sorri.
—Não brinca? — Pergunta com certo sarcasmo. — Olivia Marie Carter, a que sempre tem a vida organizada nos mínimos detalhes, não sabe o que está fazendo? Isso sim é um milagre! — Ele esboça um sorriso divertido. Fecho a cara numa carranca.
— Eu já mencionei o quanto você é irritante?
—Hmmm… — Ele faz uma careta, fingindo estar pensativo. — Acho que hoje ainda não.
—Pois você é!
Ele solta uma risada, como se estivesse se divertindo.
—Será que não consegue passar um dia sem lançar farpas contra mim? — Pergunta bem-humorado.
— Foi você que começou!
—Gosto de ver sua reação. É engraçado. — Sorri. Reviro os olhos.
Nós dois paramos de caminhar, no centro do jardim. Estávamos tão distraídos em nossa discussão que não percebemos que não saímos do jardim redondo e quase fechado. Consigo ouvir uma música ao som de um violino do lado de dentro do baile, mas não consigo ver o local da festa. Bash suspira, olhando para o céu num transe completo. Sigo com olhos na direção em que ele está olhando. O céu está tão estrelado. E, a lua! A lua está cheia e parece bem maior do que ela normalmente. Eu estava tão nervosa com o Noah que nem percebi o quanto o céu está lindo hoje.
— Eu amo as estrelas. — Digo baixinho. Bash dá um sorriso, sem tirar os olhos do céu.
— Eu também. — Sussurra. — E sabe por que eu amo tanto a lua? — Nego com a cabeça. — Porque não importa onde eu esteja, ela sempre vai estar lá. Sempre a mesma. — Sorrio e ele me encara, parecendo ter uma ideia. — Vamos dançar? — Ele me puxa pela mão.
—O que? Não! — Protesto, enquanto ele continua me conduzindo pela mão até o meio do jardim. — Eu não sei dançar!
— Eu não me importo. — Dá de ombros. — E, você não pode ser tão ruim assim. — Paro de frente para ele, que ainda está segurando a minha mão. Ele posiciona minha mão direita em seu ombro esquerdo e segura minha outra mão na altura de nossos ombros. Como uma valsa.
—Isso vai ser uma tragédia. — Resmungo.
—Pare de resmungar. Não vai ser tão ruim assim. — Bash segura minha cintura com a mão livre, me puxando um pouco mais para perto. — Agora, só me segue. — Ele me conduz um passo para um lado e depois outro para o outro. Sinto meus pés se embolando um no outro e acabo pisando em seu pé. — Aí! — Resmunga.
—Desculpa. Mas, eu avisei que eu não sabia dançar.
Bash continua me conduzindo ao som da música instrumental e lenta. Um passo para o lado. Um para o outro. Piso em seu pé de novo.
—Menos três. — Diz soltando uma risada dolorida, mas ainda em nossa dança desalinhada.
—Menos três o que?
—Menos três dedos. Agora só me restam dois.
—Bash!
Me distraio e piso em seu pé novamente.
— Agora não tem mais nenhum! — Sorri. — Você esmagou todos os meus dedos em menos de três minutos.
—Foi mal. — Dou um sorriso sem graça. Bash solta a minha cintura e me faz dar um breve giro. Ele solta uma risadinha antes de me puxar de novo para mais perto.
— Isso não é um bicho de sete cabeças. — Comenta, me puxando para bem mais perto. Tão perto que minha boca quase encosta em seu ombro. Meu coração palpita um pouco por causa de tanta proximidade. — Basta deixar seu corpo guiar você. — Sussurra em meu ouvido. Por poucos milímetros nossas bochechas não estão grudadas.
Aos poucos, nossos passos deixam de ser espaçosos e mal tiramos os pés do chão. Começo a me acostumar com a dança e com tanta proximidade. Meu coração desacelera, como se estivesse em paz. Viro meu rosto bem no momento em que Bash vira o dele. Ele me encara por alguns segundos e sorri. Acabo dando um sorrisinho tímido de volta. A música acaba e eu me afasto automaticamente, lembrando-me de onde eu estou e com quem. Está na hora de ir embora.
— Eu tenho que ir. — Anuncio. Bash arqueia uma sobrancelha, com um olhar de puro divertimento.
— É impressão minha ou você está sempre fugindo?
— Eu não estou fugindo. — Dou um sorriso fraco. — Eu prometi ao meu pai que não chegaria tarde.
— Quer que eu te leve?
— Não precisa. — Dou de ombros. — Até depois, Bash. — Me despeço e dou as costas, seguindo em direção à saída do jardim.
— Liv! — Escuto sua voz e me viro.
— O que foi?
— Se vai dar um de Cinderela e fugir, você bem poderia deixar um sapato também. — Brinca.
— Não estou fugindo. — Repito.
— Não. Claro que não. — Responde irônico. — Até depois, Liv. — Sorri.
— Até. — Me afasto e vou embora. Quando saio do clube, não deixo de encarar o cordão em meu pescoço. A roda do amor. Percebo que o ponteiro girou. Um ponto apenas, mas ele girou. Dou um suspiro. Isso significa que o meu encontro deu certo.
ஐﻬﻬஐ
Quando eu acordo, no dia seguinte, pela manhã, meus pais me fazem uma enxurrada de perguntas de como foi o meu fatídico encontro com Noah. Eu acabo mentindo um pouco. Não é que o meu encontro com ele tenha sido ruim. Mas, também não foi dos melhores. A prova de que funcionou foi o fato da roda do amor ter girado um ponto. Não é muito, mas já é um grande começo para eu ter a minha vida de completamente invisível de volta. No entanto, o que realmente não sai da minha cabeça foi a minha dança (um tanto desastrosa) com o Bash. Ele estava tão bonito e nós estivemos tão próximos. Tão próximos que poderíamos ter nos beijado. Afasto os pensamentos da minha cabeça rapidamente. Eu não deveria estar pensando no Bash, não é? E muito menos em beijá-lo. Eu nem mesmo gosto dele. É do Noah que eu gosto.
Não. Sebastian Foster é um idiota irritante e eu não gosto dele. Repito em minha mente, como um mantra. Sebastian Foster é um idiota irritante e eu não gosto dele. Sebastian Foster é um idiota irritante e eu não gosto dele. Sebastian Foster é um idiota irritantemente bonito e eu não gosto dele. Sebastian Foster é um idiota irritantemente bonito e eu não (quero) posso gostar dele. Sebastian é...
— Liv! — Um grito e uma buzina me faz dar um grito agudo de susto. Olho para frente e vejo Henry em seu carro, me olhando com uma sobrancelha arqueada. Então, lembro-me que estou na porta de casa e estava esperando meu amigo para ir para a escola. Passo a mão pela testa, me recuperando. Será que eu disse isso em voz alta? Respiro fundo. Eu acho que não. Me aproximo do carro de Brownie.
— Oi. — Sorrio. Ele estreita os olhos, desconfiado.
— Estava dormindo acordada? Estou te chamando à quase meia-hora.
— Não seja exagerado. Há meia-hora atrás eu estava em casa. — Abro a porta do carro e entro. Brownie esboça um sorriso, como uma criança que acaba de aprontar uma travessura.
— Liv! — Tomo um susto com o grito que Rosie dá, no banco de trás. Eu a encaro, apavorada. — Desculpa. — Ela ri. Encaro Brownie em busca de explicações.
— Ela me obrigou a buscá-la. — Dá de ombros. — Não conseguia se segurar para saber do seu encontro.
— Como foi, Liv? — Pergunta ansiosa e Henry dá partida no carro.
— Er… Ok.
— Ok? — Perguntam em uníssono.
— Nada disso. — Rosie balança a cabeça. — Você vai contar tudo. O que aconteceu?
— Nada de mais. — Dou de ombros, evitando encará-la. — Só fomos ao baile e conversamos um pouco. — E Noah quase me beijou. Acrescento mentalmente, mas não tenho coragem de contar isso. Isso seria terrível. Uma traição de minha parte. Por mais que não tenha acontecido nada, não deixo de me sentir um pouco culpada por causa disso.
— Só? — Insiste, desapontada.
— Sim.
— Só isso mesmo? — Brownie semicerra os olhos, desconfiado. Apenas assinto com a cabeça. É óbvio que ele sabe que eu menti. Henry me conhece desde sempre, eu não consigo enganá-lo. Mas, ele não contesta a minha resposta. Ele nunca me obrigaria a contar algo que eu não quisesse.
— Mas, o ponteiro girou um pouco. — Anuncio. Rosie solta um gritinho, animada.
— Isso é ótimo. Se sair com ele mais algumas vezes, tudo vai voltar ao normal. — Sorri. Henry revira os olhos, impaciente, mas não fala nada. Sei que Rosie está certa. Se funcionou uma vez, vai funcionar de novo. Eu só preciso aceitar sair com Noah mais algumas vezes. E, é claro, manter a boca dele o mais distante da minha possível.
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