We Love You, Olivia!
10 ღ CAPÍTULO 09
Notas iniciais
“Ninguém pode fugir ao amor e à morte.”
— Públio Siro
— A senhora mentiu! — Acusa Rosie, no meio da sala da casa de Lucinda. Rosie não esqueceu o encontro desastroso de ontem e me trouxe para reclamar com a mulher sobre o colar e, segundo ela, por ter “inventado histórias”. O ponteiro da tal roda do amor não avançou nem um milímetro sequer. Isso quer dizer que o nosso encontro não serviu mesmo de nada.
Dou um suspiro fraco e encolho meus ombros no sofá fofo. Lucinda solta uma risadinha e toma um pouco de seu chá. Ela não parece nem um pouco irritada, ao contrário de minha amiga, que está soltando fogo pelos olhos.
— Acho que você não entendeu. — Responde calmamente. — Só quem tem o poder de girar a roda do amor é quem a girou primeiro. — Explica. Rosie se cala, franzindo o cenho. — Se você se intrometer, não vai funcionar. Só a Liv — Ela olha para mim. — pode fazer a roda do amor girar, minha criança.
Rosie senta-se no sofá como se tivesse levado um choque. Eu, continuo encolhida no meu lugar. Saber que isso tudo depende só de mim não me deixa nem um pouco tranquila. Porque, no final de tudo, Noah só gosta de mim por causa do colar. E, quando tudo isso acabar, ele vai se esquecer de mim.
—Então, não há nada que eu possa fazer? — Pergunta desanimada. Lucinda balança a cabeça em negação e toma mais chá.
— Nada, querida. Nada.
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São cinco da tarde e meus pais ainda não chegaram. Henry solta um resmungo baixo, deitado no chão do meu quarto, e Rosie não para de andar de um lado para o outro como uma louca. Ela está quase abrindo um buraco no chão de tanto andar. Solto um suspiro fraco, agarrando um bicho de pelúcia e deito na cama, sem ter o que dizer. Aparentemente, minha amiga está tentando pensar numa forma de fazer com que eu faça a roda do amor girar. Ela parece estar ansiosa demais para que tudo volte ao normal. Tenho que confessar que eu também.
— Pelo amor de Deus, Rosie! — Murmura Henry. — Você está me deixando tonto de tanto andar de um lado para o outro. — Rosie para de andar e resmunga algo inaudível.
É impressionante o fato de Rosie e Henry ainda se falarem depois de tudo. Os dois tiveram um breve namoro no fundamental que, obviamente, não deu nem um pouco certo. Rosie e Henry são muito diferentes e se desentendiam na maior parte do tempo. Mas, foi graças ao namoro dos dois que eu e Rosie nos tornamos amigas. E, apesar de tudo, nossa amizade permanece até hoje. Os dois também se dão bem. Quero dizer, eles se suportam e dividem o espaço com muita paz. No entanto, acho que eles fazem isso mais por mim do que por eles.
— Eu tenho um plano. — Ela anuncia. — Liv — Rosie me encara. Seu olhar é cheio de cautela. — você, se aceitar, vai sair com o Noah. Mas, só você, desta vez. Vai dar uma chance a ele, está tudo bem pra mim. — Eu me sento, ouvindo com atenção. — Lucinda disse que a roda só iria girar se você desse uma chance ao amor. — Continua. — Tenho certeza que quando o ponteiro começar a girar, o Noah vai perceber que não é você que ele ama de verdade.
Henry se levanta do chão, com o cenho franzido.
— Isso é cruel demais, não acha? — Ele encara Rosie, sério. — Vai fazer ela sair com o cara que ela sempre gostou pra ele perceber que não gosta dela. — Henry solta uma risada sem humor. — Você só está pensando em si mesma, Rosalie.
— Eu estou pensando na Liv também, Henry! — Rebate irritada. — Não acho que ela esteja confortável com essa situação. — Ele revira os olhos.
— Sabe, agora eu me lembro porque a gente terminou. — Ele faz uma careta. — Você é egoísta.
— Ah, vê se cresce, Henry! — Ela revira os olhos.
— Por favor, não briguem. — Peço. Os dois me encaram e Henry me lança um sorriso fraco.
— Não precisa fazer isso, Liv. — Henry diz amigável.
—Liv! — Implora Rosie. Meus olhos percorrem de um para o outro.
—Aquele garoto consegue ser mais pirado do que eu! — Henry se aproxima de mim vagarosamente e ajoelha ao lado da cama, segurando minhas mãos. — Não precisa fazer isso se não quiser. Olha, se precisar de dinheiro para fugir do país eu posso te ajudar. — Ele sorri, exibindo as covinhas. Ele nunca perde a oportunidade de fazer uma piada. Acabo sorrindo também.
— Eu não vou fugir do país, Brownie.
Ele dá de ombros e se levanta.
—Você quem sabe.
—Liv — Desta vez é Rosie quem se aproxima de mim. — eu sei que eu pareço estar sendo egoísta, me desculpa por isso. — Suspira. — Mas, só você pode fazer tudo voltar ao normal. Se você não quiser, eu vou entender. — Ela respira fundo. — Por favor, pensa com carinho. Você não tem que namorar com ele. Só sair algumas vezes.
—Se quiser fugir do país, eu te ajudo. — Henry repete. Rosie o encara com uma carranca.
— Você é tão infantil, Henry! — Dispara. Ele faz uma careta, remedando-a.
—A Maggie não reclama disso. — Se gaba. — Você está tentando jogar a minha amiga para os lobos! — Rebate no mesmo tom.
—A Liv é minha amiga também! — Responde ofendida. Henry dá de ombros.
— Ela era minha amiga muito antes de ser sua amiga. — Murmura.
—Parem de brigar! — Eu me levanto da cama e largo o bicho de pelúcia de lado.
Os dois me encaram, esperando ansiosos por uma resposta. Eu não posso fugir a vida inteira. Uma hora ou outra eu terei de enfrentar a situação. E, se a própria Rosie quer que eu saia com o Noah... Por que não? Por muito tempo eu sonhei com isso. Eu só não esperava que fosse acontecer de forma tão inusitada. Também não esperava que eu fosse querer fugir desta maneira. Noah sempre esteve em meus sonhos e não acho que ele deveria ter saído de lá, mas, eu preciso da minha vida de volta. E, para isso, eu tenho que — respiro fundo ao pensar — dar uma chance a ele. Mesmo que no final ele perceba que não gosta de mim e que isso me faça sofrer um pouco. Eu já estou acostumada a não ser a opção de ninguém mesmo.
—Tudo bem, Rosie. — Respondo por fim.
—Sim? — Perguntam em uníssono. Assinto com a cabeça e Rosie dá um gritinho de felicidade.
—Você tem certeza? — Henry tem uma sobrancelha arqueada quando pergunta. Balanço a cabeça.
—Está tudo bem, Brownie. — Ele semicerra os olhos e franze os lábios, nem um pouco convencido. Mas, ele não fala mais nada.
—Obrigada, Liv. — Rosie sorri, animada. — Tenho certeza que em pouco tempo você terá sua vida normal de volta. — Dou um sorriso fraco.
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Quando eu chego na escola, no dia seguinte, sigo direto para a minha aula de literatura. Não estou atrasada, mas não quero correr o risco de ficar de detenção mais uma vez. Uma já foi mais do que o suficiente para manchar o meu currículo escolar para sempre. Não deixo de lembrar que a culpa foi do Bash. Como sempre ele tem que estar envolvido em algum de meus diversos problemas.
Entro na sala e percebo que o sr. Phillips ainda não chegou. Não muitos alunos ainda, e os poucos que chegaram estão conversando baixinho. Tomo meu lugar de sempre, em uma das primeiras fileiras. Eu sentaria nos fundos se ele não ficasse tão longe do quadro. Ficaria impossível de enxergar e, com a minha sorte, eu acabaria com torcicolo. Ou cairia na frente de todo mundo quando levantasse para ver o estava escrito. Não consigo decidir qual é a pior opção.
—E aí, nerd? — Ouço a voz de Jaden e quase me assusto. Me viro e vejo que ele está sentado a duas cadeiras atrás de mim, com dois de seus amigos/cachorrinhos fiéis. Eu quase reviro os olhos. — Conta pra gente — Ele ri, sendo acompanhado de seus amigos. — qual o lance entre você e o Noah?
—Acho que não é da sua conta. — Respondo baixo. Por um instante, não sei como consegui responder isso sem gaguejar. Talvez tenha sido por impulso. Ele franze o cenho, rindo debochadamente.
—Olha, o pessoal do fundo do poço social da escola está muito abusado ultimamente. — Ele responde e os dois amigos riem. Idiotas. Idiotas. Idiotas. — Acha que porque o capitão do time resolveu brincar com você já pode falar assim comigo? — Eu praticamente fico estatelada. Completamente sem saber o que responder. Eu sabia que Jaden era desprezível, só não esperava que fosse tanto. — Achei que você namorasse aquele garoto… Como é mesmo o nome? — Ele olha para os garotos. — Ah, Henry!
— Henry é só meu amigo! — Respondo seca. No entanto, não sei porque estou me dando ao trabalho de entrar no joguinho de Jaden. Eu devia ignorá-lo completamente.
Ele solta uma risada maliciosa.
—Bem — Ele sussurra. — o jeito dele…Tão fresco...Sempre seguindo a última moda. — Ri. — Ele é tão gay! — Diz com desprezo. Como se isso fizesse meu amigo inferior. Sinto uma raiva se agitando dentro de mim. Eu posso aguentar todo o tipo de humilhação. Mas, não com os meus amigos. Isso me dá uma coragem que eu nem mesmo sei de onde vem.
— Henry não é gay e seguir a moda não interfere na orientação sexual de ninguém. — Respondo calmamente. — De qualquer forma, e se ele fosse? Qual o problema? Que eu saiba, não há nenhuma ofensa em ser gay. — Ele arqueia uma sobrancelha. — Ofensa mesmo é ser comparado a Jaden Mitchell. — Murmuro baixinho.
Mas, eles escutaram, e os dois amigos de Jaden estão rindo da cara dele. Jaden me encara com os olhos cheios de raiva. Neste instante, eu tenho certeza que a minha resposta atravessada não vai ficar assim. Minha sentença de morte está declarada. Jaden vai se vingar. Porque, eu atingi seu orgulho na frente de seus amigos, e isso, é algo que alguém como Jaden não admite jamais.
— Bom dia, turma. — O sr. Phillips entra na sala, apressado, e eu me viro para frente novamente. — Desculpe o atraso. Vamos começar logo separando as duplas para que vocês possam discutir o tema e começar a pensar como vão fazer. — Os alunos trocam de lugar e se ajeitam em suas cadeiras, prontos para começar. Olho para os lados, à procura de Bash, mas ele ainda não chegou. Suspiro.
— Sr. Phillips, desculpa o atraso. — Bash entra quase correndo na sala e toma um lugar ao meu lado, sem falar nada. O professor o encara, com uma sobrancelha arqueada.
— Desta vez passa, sr. Foster.
Bash contém um sorriso.
— O que eu perdi? — Ele me encara. Não deixo de reparar em sua blusa de manga comprida puxada até o antebraço e o cabelo um pouco desalinhado, com uma mecha caindo no rosto, na altura da bochecha. Seu rosto é bem marcado e as sobrancelhas estão levemente arqueadas, já que ele está esperando uma resposta. Ele sempre foi tão bonito assim? Pisco rápido, recobrando a consciência. O que está acontecendo comigo? Minhas bochechas esquentam e, por sorte, ele não percebe.
— O sr. Phillips pediu que as duplas começassem a discutir sobre o trabalho do semestre. — Explico rápido. Bash franze a testa.
— Certo. E como vamos dividir? Eu posso fazer uma parte da montagem?
Eu penso por um instante. Não acho que seja uma boa ideia.
— Melhor não. Eu faço a parte da montagem e pesquisa.
Ele franze o cenho.
— Por que você vai ficar com essa parte?
— Porque… — Eu quase gaguejo. — Porque você vai fazer tudo errado!
Ele solta uma risada, incrédulo.
— Não é porque não é do seu jeito que quer dizer que está errado. — Rebate. Reviro os olhos, impaciente.
— Não, Bash!
— Que eu saiba esse é um trabalho em dupla. — Ele me lembra. Fecho a cara numa carranca. — Se não colaborar, vou reclamar com o sr. Phillips que você está me deixando de fora. — Ameaça. Bufo.
— Você é insuportável. — Respondo entre dentes. Ele me lança um sorriso sínico.
— Acho que eu preciso te ensinar uns palavrões, Liv. — Sussurra. — Ou vou começar a achar que você não quer me ofender de verdade. — Solto um resmungo baixo e voltamos a nos concentrar em nosso trabalho.
Na maior parte da aula de literatura, Bash e eu passamos tentando entrar num acordo sobre o que cada um vai fazer. Nós discutimos a maior parte do tempo, mas no final, tive que aceitar que ele faça uma parte da montagem também. Quando a aula de literatura acaba, eu sigo direto para a aula de biologia. O tempo passa rápido, e eu mal percebo quando o sinal toca, anunciando que está na hora de ir embora. Pego minhas coisas e sigo direto para fora da sala. Ando em passos apressados pelos corredores movimentados da escola, tentando não chamar a atenção de ninguém. Quando estou perto da saída, dou de cara com Noah. Ele se aproxima de mim com cautela, como se tivesse medo que eu fugisse. Eu não o culpo. Eu já fiz isso diversas vezes, de qualquer forma.
— Oi. — Sorri.
— Oi. — Respondo sem jeito. Por trás dos ombros de Noah, à uma distância considerável, eu vejo Rosie e Henry acenando freneticamente. Rosie faz mímica com a boca, dizendo “Aceita sair com ele.” No entanto, Henry está querendo dizer algo como “Eu te ajudo a fugir do país.” Desvio o olhar dos dois e volto a encarar Noah, antes que ele perceba o que está se passando em suas costas.
— Eu sinto muito por ontem no boliche. — Ele dá um sorriso, sem graça. — Será que você aceita ir a um baile comigo? Para compensar. — Engulo seco. Vamos, Liv! Coragem. — Eu prometo que não vou agir como um louco. — Sorri.
— Tudo bem. — Respondo baixo. Vejo Rosie comemorar lá trás e Henry cruza os braços, quase emburrado.
— Sério? — Ele sorri ainda mais. — Então, amanhã à noite eu passo para te buscar na sua casa. — Noah me dá um beijo na bochecha e se afasta. Respiro fundo, sentindo minhas pernas derreterem por completo. E que os céus me ajudem!
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