We Love You, Olivia!
5 ღ CAPÍTULO 04
Notas iniciais
“Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor.”
—William Shakespeare
Eu acordo com o barulho do meu despertador. Ainda estou usando o cordão que aquele misteriosa mulher me deu. Eu não deveria ter aceitado o presente de uma estranha mas esse objeto me atraiu de uma forma que eu não consigo explicar. Também não consigo tirar da cabeça o fato da mulher ter desaparecido do nada. Da mesma forma que apareceu. Afasto os pensamentos da minha cabeça antes de tudo. Me levanto da cama e tomo um banho antes de descer para tomar café da manhã. Estou desanimada. Mas isso vai passar. Eu acho.
—Bom dia. — Eu cumprimento meus pais. Minha mãe já está de saída e me dá apenas um beijo na testa antes de sair. Fico encarando o pingente do cordão. Simplesmente estranho. Tenho a sensação de algo ter mudado, mas eu não sei o quê. Talvez seja coisa da minha cabeça.
—Suco de laranja ou abacaxi? — Meu pai pergunta, me tirando do transe.
—Abacaxi.
Ele me serve. Tomo meu café da manhã e meu pai sai antes de mim. Tanto ele quanto minha mãe passam a maior parte do dia no trabalho, e quase não os vejo. Mas, eu não posso reclamar. Esse é o trabalho deles. Sei que eles fazem isso por mim também, mas tenho que confessar que às vezes sinto um pouco de falta dos dois. Como eles não estão em casa na maior parte do tempo, aprendi a me virar sozinha e a tentar meus problemas sem ter que incomodá-los. Eles já fazem tanto por mim que fico sem jeito de encher a cabeça dos dois com os meus dramas (não tão dramas assim) adolescentes. Termino de comer e encontro Henry para ir para escola.
Brownie está bem vestido como sempre. Ele realmente curte essa coisa toda moda. Ele é extremamente consumista e eu sei bem por que. Ele desconta nas compras a dor que sente com relação à mãe doente. A mãe de Henry é doente desde que ele era criança e está cada vez pior. Henry não gosta de falar sobre isso, no entanto. E como eu disse, desconta em compras. Seu pai está sempre no trabalho e quase não vê o filho, e parece não se incomodar com esse excesso de consumismo, e até apoia, como se comprar fosse diminuir a dor com relação à mãe e a ausência do pai. Uma vez, quando era criança, Henry comprou um camelo pela internet só porque achou legal. Até hoje não sei o que ele fez com o pobre animal
Entro no carro e já espero a enxurrada de perguntas por causa da noite anterior.
—Muito bem, Liv. — Ele fala. — O que aconteceu ontem? Por que você foi embora?
— Não estava me sentindo muito bem lá. Você sabe. — Dou de ombros. — E você? Se divertiu?
— Um pouco. Mas, fiquei preocupado quando você foi embora. — Ele dá partida no carro. — Vai, Liv, me conta o que houve! Eu te conheço como a palma da minha mão. Você é tipo minha irmã caçula.
—Mas eu sou mais velha. — Rebato. Ele me encara com uma carranca. Henry não se conforma com o fato de eu ser mais velha que ele.
—Duas semanas apenas. — Revira os olhos.
—Ainda sou mais velha. — Solto uma risada fraca.
—Mas eu pareço mais velho e você parece uma pirralha do fundamental. — Ele faz bico, igual uma criancinha.
—Isso não muda o fato de eu ser mais velha que você.
Ele bufa.
—Espera, não muda de assunto. O que aconteceu ontem? Você estava triste, eu sei.
—Já disse que nada demais.
—Você foi com o Bash? — Ele dá um sorrisinho malicioso.
—Ha-ha. — Reviro os olhos. — Não começa, Henry!
—O que? Mas, você não tinha uma queda por ele?
— Não sei de onde tirou isso. — Eu quase engasgo.
—Uhum… Acho que vocês fariam um casal bonitinho.
— Não! Nada a ver, Henry! — Rebato, embaraçada. — Nós nem nos damos bem, a propósito!
—Amor embutido.
—Henry! — O repreendo.
—Tá bom. Eu estava só brincando. — Ele ri.
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Quando eu chego na escola, Rosie vem logo falar comigo. Ela tem uma ruga de preocupação na testa. Eu já imagino bem o porquê. Rosie tem um bom coração e se preocupa demais para não magoar ninguém ao seu redor. Essa é uma qualidade que nem eu mesma sei se tenho.
—Bom dia. — Eu falo por fim.
—Liv, eu preciso falar com você… — Começa.
—Está tudo bem. — Sorrio. — Eu sei o que aconteceu. Não se preocupe. — Dou de ombros. Sua expressão se suaviza, como se eu tivesse tirado um peso enorme de suas costas.
—Tem certeza isso? — Insiste.
—Sim. Está tudo bem. — Suspiro. — Vamos para aula? — Pergunto. Ela assente e saímos pelos corredores em direção à aula.
—Balas? — Ela oferece balas de gelatina. Minhas preferidas.
—Você que eu não resisto a essas balas. — Pego um bocado.
— Eu sei que não. — Cantarola. Solto uma risada. Uma última gargalhada antes de entrar na sala de aula.
ஐﻬﻬஐ
Estou a caminho de do campo da escola. Vai haver um jogo da nossa escola contra a outra e todos nós fomos dispensados de algumas aulas para poder assistir. Eu não gosto muito, mas não tenho outra escolha, já que cabular aula está fora da minha lista. Quando viro o corredor esbarro em alguém. Quando levanto os olhos vejo que é Noah. Ele está usando o uniforme do time. Ele sorri para mim. Um sorriso bobo. Franzo o cenho. Ele não parece em seu estado normal. Se é que ele esteve algum dia.
—Liv, eu estava te procurando! — Ele dá um passo à frente e eu um à trás, de forma automática. — Eu preciso falar o que estou sentindo. — Suspira. Certo. Ele está muito estranho. Encantador. Mas estranho. — Eu estou perdidamente apaixonado por você!
Eu quase caio para trás. Não. Noah não seria capaz de brincar desse jeito, seria? Eu não tenho certeza. Mas, é exatamente isso que ele está fazendo. Olho para os lados procurando os amigos dele que devem estar olhando e dando gargalhadas. Não vejo nenhum deles.
—Não é engraçado brincar desse jeito! — Respondo sem graça. Ele franze o cenho, parecendo confuso. — Eu conheço essa história. Você deve ter feito uma aposta, né? Onde estão os outros? — Pergunto quase brava.
—Aposta? — Ele nega com a cabeça. — Não tem aposta nenhuma. Eu simplesmente percebi que sou louco por você! — Ele diz sério.
— Não. Você é apaixonado pela Rosie. — Respondo. Ele sorri.
— Não. Eu sou apaixonado por você.
Ou o Noah está tirando onda com a minha cara. Ou ele enlouqueceu de vez. Eu sinceramente não sei o que é pior.
— Olha, Liv, eu sei que parece estranho. Mas, eu simplesmente acordei e percebi que não posso viver sem você! — Ele é direto. Recuo um passo, assustada. Ele é louco. — O que você me diz?
Eu não consigo responder. Ele está olhando para mim cheio de… Esperanças. Algo não está certo. Não pode ser real. Eu devo estar sonhando ou é uma câmera escondida onde um apresentador escandaloso vai aparecer a qualquer momento. Eu só consigo pensar na Rosie. Ela gosta dele e ele gosta dela. Eu vi isso.
—Já falei que essa brincadeira não tem graça!
— Não é brincadeira. O que eu preciso fazer para você acreditar em mim? — Ele me olha no fundo dos olhos. — Eu faço qualquer coisa que você quiser.
— Você está louco! — Respondo e saio correndo pelos corredores, o deixando para trás.
— Eu vou provar meu amor por você, Liv! — O ouço gritar e ele vira as costas e vai embora. Provavelmente para o jogo. Ele já deve estar atrasado.
Passo a mão na testa, nervosa. O que acabou de acontecer? Olho para trás e vejo que ele não me seguiu. Respiro fundo. “Foi só uma brincadeira de mau gosto” , repito para mim mesma. Mal tenho tempo de me recuperar para dar de cara com Bash.
—Liv! — Ele está sério. Muito sério. Uma ruga de preocupação se forma em sua testa. — Eu preciso falar com você.
—É sobre o trabalho? — Ele nega e sorri, nervoso.
— Não.
—É sobre a Rosie?
—Também não. — Ele respira fundo. — Eu não sei como isso foi acontecer. — Ele passa uma mão nos cabelos. — Mas… Eu acho que eu estou apaixonado por você!
O que? Arqueio uma sobrancelha. É uma piada. De muito mau gosto. Ele deve ter combinado com o Noah. Sim. Mas, eles não são amigos, são?
Olho para os lados para ter certeza de que ninguém está nos ouvindo. Ficamos em silêncio e Bash só me encara. Eu solto uma gargalhada.
—O que foi? — Ele franze o cenho, confuso.
— Não sabia que você gostava de piada. — Ainda estou rindo.
—O que? Eu não estou brincando. Estou falando sério.
—Aham. Tá. Pode parar. — Respondo parando de rir. — Você gosta da Rosie.
—Sim. Eu gostava. — Ele diz, perdido em pensamentos. — Mas, então, eu acordei esta manhã e descobri que estou apaixonado por você. Isso é uma loucura, eu sei. Eu devo estar maluco, mas é como se eu realmente precisasse dizer isso. — Suspira. — Eu sei… Nós dois… Não tem nada a ver, mas… Ah! Eu estou confuso!
Dou um passo para trás. Ele não parece estar brincando e começo a ficar preocupada. Primeiro o Noah. Depois o Bash. O que está acontecendo com esses garotos? Será que eles resolveram me zoar em conjunto? Ou usaram alguma droga forte que afetou o cérebro deles? De uma coisa eu tenho certeza — eles não estão em seu estado normal.
—Bash. — Eu seguro seus ombros com as duas mãos. — Você não está apaixonado por mim. — Ele ri. — Repete: Eu não estou apaixonado por Olivia Marie!
—O que?
—Repete, Bash!
— Eu não estou apaixonado por Olivia Marie. — Ele diz com má vontade.
—Mais uma vez.
— Eu não estou apaixonado por Olivia Marie. — Revira os olhos.
—De novo!
— Eu não estou apaixonado por Olivia Marie.
Eu o solto. Dou um suspiro, me recompondo.
—E, então? — Pergunto por fim.
— Eu ainda estou apaixonado por você! — Sorri.
— Não. Você. Não. Está. — Estou quase histérica.
—Mas eu estou! — Ele responde no mesmo tom.
Passo a mão no rosto. Não. Isso não é real. Não está acontecendo. É impossível.
—Ah! — Eu grito.
—Ah! — Ele parece tão histérico quanto eu.
—Ah! — Eu saio correndo o deixando para trás. Louco. Bash está louco.
—Liv! Espera, por favor! — O ouço gritar. Sei que ele está correndo atrás de mim, mas eu não olho para trás. Sigo para as arquibancadas do campo. As cadeiras estão todas ocupadas e eu tenho dificuldade de encontrar um lugar vazio. — LIV! — Escuto a voz de Bash. Não. Não. Não.
Procuro por Henry. Ele deve estar aqui em algum lugar. Esbarro sem querer em alguém e mal consigo pedir desculpa. O jogo já está rolando e eu avisto Rosie no campo com as outras líderes de torcida. Elas estão fazendo uma coreografia.
—LIV! — Bash tropeça lá trás. Continuo passando pelas cadeiras, procurando por um lugar. A torcida vibra quando um dos jogadores quase marca um golo. Um dos nossos jogadores é atingido e cai no chão. Me mantenho andando. Parece que não há lugar nenhum vazio. As líderes de torcida gritam. Eu acho um lugar vazio. Eu só preciso chegar até ele. — LIV! POR FAVOR! — Bash ainda está tentando chegar até a mim e chego até o banco vazio. Quando estou prestes a me sentar, a torcida inteira levanta e grita. Nossa escola acaba de marcar um golo. Foi de Noah. Ele corre no meio do campo com os outros e depois para. Seus olhos vão de encontro aos meus. Sabe, aquela sensação de que tudo está acontecendo em câmera lenta? É exatamente assim que eu me sinto agora. Noah me encara e sorri. É um sorriso sincero. Ele grita. No meio do campo. No meio do jogo. Para a escola inteira ouvir.
— EU FIZ POR VOCÊ, LIV! ACREDITA QUE EU SOU LOUCO POR VOCÊ AGORA? — Noah está me olhando. A torcida inteira está me encarando como se um holofote tivesse sido ligado em cima de mim. Um silêncio toma conta de todo o lugar. Rosie está pasma. Bash para de correr. Ninguém está entendendo nada. E, eu não sei o que fazer. Minhas pernas parecem estar grudadas no chão. Não consigo me mover e nunca torci tanto para que um meteoro caísse na minha cabeça, pois estou morrendo de vergonha. Não sei o que acontece nos segundos seguintes, mas algo realmente acerta a minha cabeça e tudo fica preto.
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