Notas iniciais
Bom dia! Muito obrigada Violet Lestrange por favoritar e Amanda Pêra por comentar ♥ ♥ Primeiro capítulo. Espero que gostem. Bjs.

A paixão aumenta em função dos obstáculos que se lhe opõem.”

— William Shakespeare



Eu sou a pessoa mais azarada que já existiu. Sem exagero ou pessimismo. Eu costumo pensar que se algo pode dar errado para mim, isso certamente vai dar errado. Sem drama, eu prefiro ver como precaução. Sempre foi assim. Por exemplo, quando eu era criança, eu torci o mesmo pé três vezes, em anos consecutivos, no meu aniversário. Eu já quase morri entalada por um besouro que caiu na minha sopa em um restaurante e já quebrei um braço de um antigo crush. Foi sem querer. Eu não tenho culpa de ter tropeçado e caído em cima dele, o derrubando da janela, de uma altura de quase dois metros. O pobre garoto me odeia até hoje. Talvez, isso não se trate de azar ou sorte, e só de mim mesma.

Guardo o livro que eu já terminei na prateleira da biblioteca. Neste exato momento, estou empoleirada numa escada, tentando pegar outro livro. Pessoas com costume em azar sabem que isso nunca poderia dar certo. Ignoro o meu pessimismo, tentando ser positiva, e me estico na ponta do pé para pegar o livro que eu quero. Sinto a escada balançar com o meu peso. Três segundos. Esse foi o tempo que eu levei para escorregar da maldita escada e despencar com uma prateleira inteira de livros de astronomia. É aí que eu digo que sou azarada. Se eu fosse sortuda, um garoto forte apareceria e me seguraria em seus braços, trocaríamos um longo olhar, nos apaixonariamos e eu viveria o famoso clichê Nerd X Popular, venerado e insubstituível. Ou então, eu simplesmente não cairia. Mas, como sou apenas Olivia, quase invisível, caio com minhas (não-tão-bonitas-assim) nádegas no chão e uma pilha de livros cai em cima de mim. Ótimo. É apenas mais um dia começando.

Me levanto, tentando ignorar a vergonha por estar sentindo por ter derrubado uma prateleira inteira de livros e agarro o livro de astronomia que eu precisava. A bibliotecária aparece, e olha para mim com um olhar penalizado. Ela sabe que não foi culpa minha.

— Tome cuidado, Liv. — Ela diz com um olhar maternal.

— Desculpa. — Dou um sorriso sem graça, tímida. — Foi sem querer.

— Eu sei. — Ela ri. — Você já não devia estar indo para a aula. Vai se atrasar. Não se preocupe com isso. — Eu hesito e ela fez um sinal para que eu corra para a aula.

— Obrigada. — Apenas digo e saio em direção aos armários da escola.

Está quase na hora de bater o sinal. Guardo meu livro no armário e pego outro. E lá está ele. Noah Gauthier. Em seus 1,85m de altura e puro charme, cabelos loiros claros e dourados, olhos azuis quase violeta, um sorriso digno de comercial da pasta de dente e a jaqueta vermelha. Ah, aquela maldita jaqueta! Feita sob medida para o capitão do time de hóquei da Toronto South High School. Ela tem o caimento perfeito no corpo esguio e um tanto musculoso de Noah e parece que ele nasceu para vestí-la. Noah está acompanhado dos outros garotos do time, mas eu nem consigo prestar a atenção. Sim. Noah é meu crush. Assim como o crush de metade das garotas da escola, além de ser um dos alunos mais populares, se não o mais. Às vezes eu me sinto irritada comigo mesma por causa disso. Isso não é amor, eu não sou boba. Não exatamente. É apenas endorfina descontrolada e hormônios à flor da pele por causa da minha idade. E, esse é um dos vários e infinitos motivos por eu odiar ser uma adolescente. Estar sempre apaixonada platonicamente. Espero que isso passe quando me tornar uma adulta. Mas, enquanto isso, eu me conformo em admirar a beleza de Noah. E como ele passa a mão nos cabelos para endireitar os fios fora do lugar e o cacoete bem fofo que ele tem de coçar a ponta do nariz. Quase suspiro.

— Se controle, Olivia. Está me deixando com vergonha alheia. — Uma voz nas minhas costas me faz sentir um arrepio na espinha por causa do susto. Me viro e dou de cara com Sebastian. Sebastian Foster. Ele está olhando para mim com um sorriso divertido nos lábios. Bash, como prefere ser chamado, não é meu amigo, e ele normalmente não costuma falar muito comigo, a não ser para perguntar algo. Na realidade, nós não nos damos nem um pouco bem. Ele é apaixonado por minha melhor amiga desde a terceira série e, obviamente, não é correspondido. É o que eu digo, paixão adolescente não é legal. — Você está o encarando com a maior cara de tarada pervertida! — Sinto minhas bochechas pinicando de vergonha. Eu não acredito que ele viu! Quero esconder a minha cara na terra e não sair de lá nunca mais.

—N-não sei do que você está falando. — Respondo rápido, tropeçando nas minhas próprias palavras. Fecho a porta do armário.

—Uhum! — Ele diz. — Você estava com a maior cara de “ai, meu Deus, esse cara é tãaaaaao gostoso” ! — Ele remeda uma voz feminina. — Você é afim dele, né?

— Não! — Quase grito.

—Ah, não? Então por que você está vermelha desse jeito? — Ele ri. — Você tá caidinha por ele! Está escrito na sua testa! — Minhas bochechas esquentam tanto que penso que alguém ligou um forno perto de mim.

— Não!

—OLIVIA MARIE ESTÁ APAIXO… — Coloco a mão na boca dele de forma desesperada e ele se desequilibra nos armários, quase caindo no chão. Sebastian é um idiota!

—Cale a boca! — Eu sussurro, conferindo para ter certeza que ninguém o ouviu. Ele ri e tira a minha mão da boca dele.

— Você gosta dele!

— Não!

—Gosta sim!

— Não!

—Olivia e Noah sentados numa árvore…

—Cale a boca!

Ele ri com vontade.

—Vem calar. — Ele sussurra quase perto da minha orelha. Sinto um arrepio e minhas bochechas esquentam ainda mais.

— O que você quer, Sebastian? — Pergunto tentando mudar de assunto.

— Não me chame de Sebastian! — Ele encolhe os ombros como se estivesse envergonhado por seu nome. — Só minha mãe me chama assim, e quando está brava! — Suspira. — Você viu a Rosie?

Não disse?! Bash nunca fala comigo, a não ser para perguntar sobre a Rosie. Eu quase rio. Minha amiga não o vê como um pretendente, apenas como um bom amigo ou irmão. No fundo, sinto um pouco de pena de Bash.

— Não sei. Acho que ela ainda não chegou. — Dou de ombros.

— Como não sabe? — Ele arqueia uma sobrancelha. — Vocês são tipo Sherlock Holmes e Watson. Estão sempre juntas. — Sorri. — No caso, você é o Watson! — Isso é verdade, eu tenho que concordar. Quando vou responder, percebo que Bash está com a mente longe.

Seu sorriso é substituído por uma cara de bobo apaixonado. Olho na direção que ele está olhando e avisto ela. A chefe das líderes de torcida. Acompanhada das outras líderes, ela tem um catwalk de dar inveja à muitas modelos da Victoria's Secret. Rosalie Evans — Sua pele é negra e seus cabelos vão até o meio das costas, em cachos largos e levemente bagunçados. Ela tem um par de olhos cor de mel, um pouco esverdeados, e é a mais alta de todo o grupo. Rosalie já foi eleita duas vezes a garota mais bonita da escola, lista que eu nunca passei perto. Seguindo o clichê famoso, em que eu sou a nerd, protagonista da minha própria história, Rosalie deveria ser minha maior ameaça. No entanto, na realidade, Rosie é minha melhor amiga e somos inseparáveis.

Rosie se despede das outras meninas e se aproxima de nós, com um sorriso.

—Bom dia, meus raios de sol! — Ela me dá um abraço rápido e um beijo na bochecha de Bash.

—Bom dia! — Respondemos praticamente em coro.

— Como você está, Rosie? — Bash sorri. Um sorriso fofo, eu confesso. O que mais o deixa fofo é que ele sorri com os olhos também. Sabe, aquela apertadinha básica nos olhos enquanto sorri, o que dá a ele um ar quase infantil. Bash também é bonito. Cabelos castanhos e lisos com umas ondas nas pontas, que insistem em ficar desalinhadas. Olhos castanhos e umas pequenas sardinhas no nariz, quase imperceptíveis. Ele é um pouco mais baixo que Noah, e um pouco menos musculoso também. Bash não joga hóquei e é monitor do clube de artes. Ele não faz parte dos mais populares da escola. Não exatamente. Bash se encaixa mais no grupo dos “praticamente perfeitos”. Ele tem notas regulares e escapou do grupo dos “ totalmente nerds” por ser tão… Charmoso. Todas essas divisões sociais que acontecem na escola são uma asneira, na minha opinião e torna o ambiente extremamente tóxico. Eu já tive uma breve paixonite por Bash uma vez, antes de descobrir que ele é apaixonado por Rosie, é claro. Antes de descobrir o quanto ele é um chato. Antes de Noah também.

Desvio meu olhar rapidamente quando percebo que estou encarando de mais o Sebastian. Esse é um de meus problemas. Eu encaro de mais as pessoas, o que faz algumas pensarem que eu sou uma psicopata maluca, o que deixa a minha situação um pouquinho pior.

—Estou bem, Bash. — Rosie dá de ombros. — E, você, o que tem feito?

—Nada de novo. — Suspira. Ele mal consegue controlar suas emoções. Eu quase reviro os olhos.

—Cuidado para não babar, Sebastian. — Eu falo baixinho e ele me encara com uma carranca.

—Cala a boca, Olivia Marie! — Ele responde no mesmo tom. Arg! Eu não gosto nem um pouco quando falam meu nome completo e ele sabe disso.

Rosie contém um sorriso sem graça e me lança um olhar de repreensão.

— Rosie, vai ter uma festa na casa da Jessica esta semana. Imagino que você tenha sido convidada. — Ele diz um pouco sem jeito, colocando as mãos nos bolsos. — E, eu estava pensando se você não poderia ir comigo…Acho que seria bem legal.

—Ah, eu adoraria Bash. — Rosie responde. Não adoraria não. Eu a conheço muito bem para saber que ela está apenas dizendo isso para não magoá-lo. — Mas, eu não sei. — Ela troca um olhar rápido comigo.

—Liv, você vai? — Ela pergunta. Uma festa? Eu? Na casa de uma das líderes de torcida? Nem morta! Isso soa mais como um pesadelo para mim.

— Uma festa? Cheia de adolescentes, bebidas alcoólicas e música estourando os tímpanos? Tô fora! — Respondo um tanto sem jeito. — Sem contar que eu não fui convidada.

—Isso não é o problema. — Ela sorri. — Jess é líder de torcida e eu também. E, é óbvio que eu posso levar minha melhor amiga comigo. — Eu a encaro, perplexa. — Já sei! — Ela parece ter uma ideia. — Vocês dois podem ir juntos! Isso! Perfeito. Seria ótimo, não acham?

Eu sei muito bem o que ela está tentando fazer e não gosto nem um pouco. Está tentando me empurrar para o Sebastian, e ele também perceber isso. Eu semicerro os olhos, furiosa, e ela dá um sorrisinho.

— Não posso não.

—E, Liv, você precisa se divertir um pouco! — Ela acrescenta. Divertir? Por que as pessoas associam festas a algo tão divertido? Quero dizer, se você não gosta de bebidas, música extremamente alta e adolescentes, uma festa barulhenta de adolescentes bêbados não é o melhor lugar para se encontrar diversão. Eu considero muito mais divertido passar o dia inteiro assistindo Friends e me entupindo de porcarias, que provavelmente vão parar direto no meu sangue, me causando problemas futuros que eu prefiro ignorar.

— Não vai dar, eu tenho dever de casa! — Respondo. Eu poderia fazer outro dia, não é tão difícil, mas isso é apenas uma desculpa.

— Viu? Ela tem dever de casa. — Bash concorda rapidamente, visivelmente desconfortável com a situação.

— Você pode fazer depois! — Rosie insiste.

— Não dá. Ele é muito importante.

— Ela não pode. — Bash me apoia. — Não pode forçá-la, é errado!

Rosie suspira.

—E, então? — Bash olha para ela com os olhos cheios de esperança.

—Tudo bem, Bash. — Ela responde. Bash esboça um sorriso. — Bem, eu vou pra aula. Vejo você depois, Liv! E, você também, Bash. Não se matem, crianças! — Ela manda dois beijos no ar e vai para a aula.

— Não vamos nos matar. — Ele força um sorriso.

— Eu não teria tanta certeza assim. — Sibilo. Trocamos um olhar irritado e vou para a minha aula. É mais um dia normal começando.