Notas iniciais
Bom diaaa! Desculpa o atraso para postar. Muito obrigada solenemente por favoritar ♥ Obrigada também à todos que comentaram. Espero que gostem.

"Vale à pena derreter por algumas pessoas"

— Olaf

A vida é mesmo uma caixinha de surpresas. Minha mãe vive dizendo isso (e um bocado de gente que eu não conheço também). É estranho e engraçado pensar em como a minha vida mudou nas últimas semanas. De alguém que tinha uma paixão platônica para alguém que está apaixonada de verdade. Alguém que está — palavra ainda complicada de pronunciar em voz alta — namorando. É esquisito. Mas num ótimo sentido.

Depois de contarmos toda a história para meus pais, tivemos que repetir tudo novamente para Rosie e Henry. Sim. Porque meu amigo fez questão de espalhar seu "plano infalível" aos quatro ventos, gabando-se de como ele é um ótimo cupido. Bash concordou. Eu não. E, antes que entrássemos numa discussão sem fim em que meu namorado defendia o meu amigo enquanto eu tentava estrangular o dito-cujo (não no sentido literal) por ter armado para mim e me feito correr debaixo de um temporal, Rosie acalmou os ânimos. Passei a hora seguinte sem falar com Henry. Mas a raiva realmente só durou uma hora, já que no mesmo dia estávamos tomando sorvete juntos. Afinal, eu sei que Henry está certo. Bash e eu não estaríamos juntos se não fosse por ele. Por mais que eu seja orgulhosa para admitir.

O final de semana passou como um raio. E o conto de fadas precisa voltar ao mundo real. O sinal da escola toca, anunciando que mais uma aula está para começar. Pego o livro no meu armário e fecho a porta.

—Será que eu mereço um beijo de boa aula? — Bash aparece do meu lado, me dando um susto.

—Bash! — Ralho, mas acabo sorrindo. Ele me rouba um beijo rápido e sorri.

—Senti sua falta. — Suspira.

—Mas nós nos vimos ontem. — Franzo o cenho. Ele faz uma careta.

—Nada romântica. — Sibila. Reviro os olhos. — Por que não tenta algo como "eu também senti sua falta, Bash"? — Sugere fingindo inocência. Ele esboça o mesmo sorriso fofo de sempre, me deixando derretida. Sorrio.

— Eu também senti sua falta, Bash. — Digo, sincera.

Ele suspira, me envolvendo num abraço.

—Ah, vocês são tão fofos juntos! — Rosie exclama, aparecendo atrás de nós. Minha amiga está acompanhada de Noah, que sorri para nós. Por alguma razão, o comentário de Rosie faz minhas bochechas esquentarem. — Sabe, agora nós podemos ter encontro de casais! — Diz, animada. Bash e eu nos entreolhamos. — O que você acha, amorzinho? — Ela encara Noah.

—Claro, docinho. — Noah sorri para ela, apaixonado. — Tudo que você quiser. — Rosie suspira e rouba um selinho do namorado. Uma situação esquisita e constrangedora, não consigo explicar. Talvez seja o excesso de uso do diminutivo. Ou a demonstração de carinho em público. Ou os dois. Bash me encara com um sorriso malicioso, controlando o riso.

—Não vamos ter que passar por isso, né? — Sussurra para mim, discretamente. — Essa coisa do diminutivo é constrangedora.

—Sim. Me faz querer sair correndo. — Respondo no mesmo tom.

—E então? — Rosie volta sua atenção para nós novamente e Bash morde o lábio inferior para não rir. — O que acham?

—Ótima ideia. — Respondo por fim. Bash me encara, cético, e eu o repreendo com o olhar.

—Maravilha! — Rosie sorri. — Não vejo a hora. Estou tão feliz por vocês dois. — Admite. — Parece que nasceram um para o outro.

—Nisso eu sou obrigado a concordar. — Bash responde passando um braço por meu ombro carinhosamente. Mordo o lábio inferior, contendo uma risada. Rosie e Noah riem também, como um casal feliz.

Parece um final feliz de um filme de romance, em que todos vivem felizes para sempre. No entanto, a presença repentina de alguém indesejável me faz lembrar que estou no mundo real e que nem tudo é perfeito. Jaden e mais dois amigos, ambos cúmplices de suas maldades, caminham pelos corredores, rindo. Eles estão próximos de nós, conversando entre si. Automaticamente, meu corpo se contrai de tensão. É algo involuntário e que eu não consigo controlar. Apesar de Rosie e Noah não perceberem o meu estresse repentino por estarem distraídos, Bash sente de imediato. Ele me encara com um vindo de preocupação na testa, ainda com o braço apoiado em meu ombro.

— Está tudo bem? — Sussurra. Respiro fundo e forço um sorriso.

— Sim. — Dou de ombros. — Não é nada. — Bash arqueia a sobrancelha, nem um pouco convencido.

Ele está prestes a dizer algo quando avisto Henry, vindo do final do corredor. A forma pesada e apressada que meu amigo caminha chama a atenção de todos no corredor. Não é algo muito difícil, entretanto. Alguém da altura de Brownie e sério como ele está chamaria a atenção de qualquer forma. Até mesmo Rosie e Noah param para observá-lo. Henry tem uma folha de papel na mão, balançando-a conforme ele anda. Seus olhos não estão fixos em mim. Muito menos em meus amigos ou em Bash. Ele passa reto por nós, parando bem na frente de Jaden, que o encara. Sua respiração ofegante e suas sobrancelhas unidas indicam que nada bom está para acontecer.

— É o fim da linha para você, Jaden! — Brownie praticamente cospe as palavras. Jaden franze o cenho e solta uma gargalhada, sendo acompanhado por seus amigos.

— Você enlouqueceu, Brown? — Debocha. Meu amigo sorri com vontade. Alguns alunos, inclusive eu, Bash, Rosie e Noah, nos aproximamos dele, curiosos.

— Henry, o que está acontecendo? — Me aproximo de Brownie, cautelosa, e Bash me segue.

— Veja só! Eu tenho provas de que foi o Jaden quem fez aquele vídeo maldoso! — Henry diz em alto e bom som. No mesmo instante, um burburinho começa. A expressão de Jaden é de pura surpresa e tensão. Seus amigos parecem confusos e surpresos com a acusação. Meu coração acelera de ansiedade e Bash segura a minha mão. Mas, ele não parece estar tentando me acalmar e sim acalmar a si próprio.

— Espera, está dizendo que foi ele que fez o vídeo? — Bash pergunta sério. Henry assente. Bash cerra o punho, respirando fundo, enquanto Rosie e Noah se entreolham.

— Foi ele!

— Isso é uma mentira! — Jaden solta uma risada. Henry esboça um sorriso vitorioso.

— Eu tenho provas! — Rebate. — Você foi tão estúpido, Jaden, que não se deu nem ao trabalho de usar um celular diferente para fazer as ameças. — Zomba, desdenhoso. Jaden trinca o maxilar, mas não recua.

— Não sei do que está falando! — Blefa. Henry praticamente joga o papel que estava em suas mãos no rosto de Jaden.

— As provas. — Sorri com vontade. — Contratei um especialista em quebrar códigos de celulares e computadores. Está aí a prova de que foi você. E não se preocupe, é só uma cópia. O diretor deve estar lendo uma igual agora mesmo. — Conta. Jaden engole seco, incapaz de reagir. — Eu disse que você ia pagar pelo que fez, Jaden. Eu sempre cumpro com as minhas promessas.

O burburinho só aumenta e o meu coração acelera ainda mais.

— Seu idiota! — Noah avança na direção de Jaden, furioso. — Como teve coragem? — Pergunta entre dentes. Bash passa seus braços ao meu redor, me envolvendo num abraço, como se pudesse me deixar fora da confusão com isso. Jaden não responde.

— Essa nerd teve o que merecia. — Responde com desdém e me lança um olhar malicioso. O corpo de Bash se enrijesse, mas ele não se mexe. Sua expressão mantém-se fria e indecifrável. Noah fecha os dois punhos, respirando pesado. Ele fecha a cara, furioso, mas se controla para não acertar um soco no rosto do colega de time.

— Você é nojento! — Diz seco. — Prejudicou duas pessoas por puro despeito! Alguém como você não honra um time. — Acrescenta, enojado. — Você está fora do time de hóquei! — Jaden fecha a cara.

— Você não pode me expulsar!

— Depois do que você fez, eu posso. — Responde firme. Nunca vi Noah tão furioso quanto agora, o que me surpreende. — Além do mais, eu sou o capitão. — Completa com um sorriso. Jaden tenta avançar na direção de Noah, pronto para diferir um soco em seu rosto, mas seus amigos o impedem. — Espero que nunca mais jogue na sua vida!

Sendo segurado por seus amigos, Jaden é incapaz de reagir. Um segundo depois, o diretor aparece no corredor, passando por entre os diversos alunos que estão assistindo a confusão. Ele para de frente para Jaden, sério. Ele já sabe de tudo. E, num instante, meu coração se alegra. Acabou. Jaden nunca mais poderá me atingir. Ele pagará pelo que fez.

— Sr. Mitchell, preciso que me acompanhe até a minha sala imediatamente. — Exige. Jaden nos lança olhares ameaçadores, mas segue o diretor, junto com seus dois fiéis amigos. — E vocês, já para a aula! — Diz aos outros alunos, que se espalham rapidamente. Henry esboça um sorriso, satisfeito. Bash relaxa os ombros e beija a minha testa. Rosie, entretanto, está séria.

— Espera, é só isso? — Ela questiona, irritada. Rosie não espera resposta e parte atrás de Jaden e dos outros. Nós a seguimos imediatamente, tentando entender o que ela vai fazer. Em poucos instantes, Rosie alcança Jaden. — Hey! — Ela chama atenção do grupo.

Jaden mal se vira e minha amiga o acerta com um soco no meio do nariz. Jaden cambaleia para trás por causa do impacto e grita enquanto leva uma mão ao local atingido. Mal podemos conter o choque. Noah arregala os olhos enquanto Bash e Henry soltam risadas. Estou tão surpresa quanto eles. Até mesmo o diretor escancara a boca, pasmo. Jaden a xinga, mas não reage. Seus amigos se entreolham, contendo a vontade de rir.

—Srta. Evans! — O diretor a repreende, tão pasmo que nem parece estar bravo.

— Eu sei, eu sei! — Ela levanta os braços em forma de rendição. — Estou ferrada por causa disso. — Dá de ombros. — Mas, por meus amigos, vale à pena. — Rosie me lança um sorriso e uma piscadela. Sorrio de volta e sussurro um "obrigada".

— Então… — O diretor pigarreia, parecendo um tanto perdido. — Para a minha sala, srta. Evans! — Exige. O grupo, então, o segue, sumindo de nossas vistas.

ஐﻬﻬஐ

A tarde é ensolarada mas não muito quente. O céu claro não tem muitas nuvens. Um dia perfeito para sair com os amigos e tomar sorvete. Sem preocupações. Apenas um pouco de diversão.

Depois de ter uma longa conversa com o diretor, Rosie pegou uma detenção de três dias por ter batido em Jaden. Ela não parece nem um pouco preocupada com isso, entretanto. Segundo minha amiga, Jaden merecia aquele soco. Eu não discordo, apesar de saber que nunca teria coragem de fazer algo assim. Mas, agradeci minha amiga por isso.

Jaden também teve seu castigo. Ele e seus amigos pegaram uma detenção por tempo indeterminado, além de terem que cumprir serviços comunitários e tarefas extra-curriculares. Espero que eles aprendam a lição e nunca mais perturbem qualquer outra pessoa.

Henry quase se envolveu numa confusão também. Se não fosse por sr. Brown, meu amigo estaria numa encrenca, já que hackear o celular de alguém, mesmo com boas intenções, é crime. Por sorte, Brownie conseguiu se explicar para polícia e foi liberado logo em seguida.

Agora, na sorveteria do bairro, comemoramos que tudo tenha terminado bem. Levantamos nossos copos de milkshake e dizemos "saúde". Bash sorri para mim, ao meu lado, e Rosie dá um beijo na bochecha de Noah. É difícil de acreditar que, finalmente, tudo tenha se resolvido. Não há mais ameaças, nem roda do amor.

Passamos nossa tarde na sorveteria, rindo e nos empanturrando de milkshake. Na hora de ir embora, passo no banheiro antes. Paro em frente ao espelho e suspiro de alívio e felicidade. Toco o colar, que ainda está em meu pescoço, e o tiro. Observo-o por um longo tempo, incapaz de entendê-lo.

—Acho que não precisa mais dele, não é? — A voz familiar de Lucinda faz eu me virar. Ela tem um sorriso nos lábios e veste as mesmas roupas coloridas de sempre. Seus longos cabelos presos em uma trança bem feita.

—Você! — Respondo surpresa. Lucinda sorri ainda mais.

—Vejo que funcionou! — Ela aponta para o colar em minhas mãos.

— Eu não entendo. — Admito. — Mesmo depois de voltar ao normal, Bash continua apaixonado por mim. — Sussurro. Lucinda solta uma risada anasalada.

—Minha criança — Suspira. — você vê? — Ela aponta para o relógio em seu pulso. Apenas assinto, franzindo o cenho. — O ponteiro do relógio sempre passa pelo mesmo lugar, mas nunca é a mesma coisa. — Continua, perdida em pensamentos. — Porque o tempo nunca volta. — Me encara, sorrindo. — O mesmo acontece com a roda do amor.

Pisco diversas vezes, tentando compreender. Mas, tudo isso é complexo demais.

—Acho que é hora de devolver. — Decido, entendendo o colar para ela. Lucinda sorri e segura as minhas mãos, fechando-as em torno das minhas.

—Esse colar lhe pertence agora. Saberá a hora de passá-lo adiante quando o momento chegar.

Franzo o cenho.

—Boa sorte, querida. — Deseja.

Encaro o colar em minhas mãos. Quando levanto meus olhos novamente percebo que Lucinda desapareceu. Misteriosamente. Assim como apareceu. Olho para os lados à sua procura, mas não há sinal de sua presença. Ainda com o colar em minhas mãos, suspiro. Guardo-o na bolsa e volto para os meus amigos e meu namorado, mesmo não entendendo o que acabou de acontecer.