Notas iniciais
Olá! Muito obrigada Carol Marques e NaruShibuya por comentarem ♥ Espero que gostem do capítulo de hoje. Bjs *.*

"Fico um pouco estressado quando penso em você. Fico um pouco animado quando penso em você.

—Shawn Mendes



Estou apaixonada por Sebastian Foster. Exatamente isso. Pela segunda vez em minha vida. Como eu sou idiota! Eu quase fico com raiva de mim mesma por causa disso. Isso é terrível. Não que Bash seja uma pessoa ruim. Ele não é tão desagradável assim, tenho que admitir. Ele é inteligente, bonito, tem um sorriso bem charmoso e… Por que diabos eu estou pensando nisso? Eu não posso estar apaixonada pelo Bash simplesmente porque eu não quero. Simples assim. E, por que não? A verdade é que eu não consigo encontrar nenhum motivo racional para não querer estar apaixonada por ele, além do fato de já estar apaixonada pelo Noah. Tudo que eu consigo pensar é que não vou alimentar esse sentimento. Se dizem que o amor é como uma planta que precisa ser regada e cuidada diariamente, isso significa que se eu ignorar, essa planta simplesmente vai morrer. Isso deve funcionar para paixões também. É o que eu espero.

Puxo meu cobertor mais para cima. Estou morrendo de frio depois de ter passado mais de uma hora debaixo do chuveiro tentando tirar toda aquela tinta. Por sorte, consegui fazer isso antes dos meus pais chegarem em casa. Seria trabalhoso ter que explicar tudo o que aconteceu à eles. Eu mal consegui jantar essa noite. Não estou com fome. Mas, não estou com sono, tampouco. Algo perturbador parece estar tirando o meu sonho e revirando as minhas entranhas. Me viro de um lado para o outro e pego meu celular. Vejo que tem uma mensagem nova, não lida. É de Noah. Por um momento, quase me esqueci dele.

"Podemos sair para um picnic amanhã no parque?"

Encaro a tela do meu celular. Por que não? Não há nada que me impeça, não é? Até porque é dele que eu gosto. O inalcançável Noah. Alguém que nunca será alcançável para mim. Por que isso mudaria agora? Eu já tenho a aprovação de Rosie de qualquer forma e preciso testar a nossa teoria. Se Rosie estiver certa, cada encontro nosso fará a roda do amor girar um ponto. Preciso da minha vida de volta. Preciso que tudo volte ao normal.

"Tudo bem."

Envio a mensagem. Não demora muito e eu recebo uma resposta.

"Ótimo. Encontro você amanhã à tarde no parque da cidade."

Dou um longo suspiro. Mal coloco meu celular de lado e ele toca. Atendo imediatamente já sabendo que é o Henry.

—O que foi?— Pergunto de uma vez só.

— Abra as cortinas. — Pede.

—Por que?— Franzo o cenho.

—Quero ver sua cara se estiver mentindo.

Reviro os olhos e me levanto. Abro as cortinas da minha janela. Avisto Henry no celular em seu quarto. Ele me encara.

—Certo. Agora, me conte o que aconteceu. Estou morrendo de curiosidade.

—Não aconteceu nada.— Dou de ombros. Posso vê-lo fazendo uma careta da sua janela.

—Mentirosa. O que aconteceu?

Dou um longo suspiro. Henry não vai me deixar em paz até que eu conte tudo o que aconteceu. Ou pelo menos, parte do que aconteceu.

—Nós passamos a tarde fazendo o nosso trabalho de literatura e acabaram nos esquecendo lá.— Conto. Henry murmura um "hm". — Ficamos presos na biblioteca e depois na sala de artes. Houve um…— Quase gaguejo. — Acidente. E acabamos derrubando algumas latas de tinta, por isso a bagunça.— Silêncio.

— Não era bem isso que eu queria saber.— Responde desapontado. — Eu quero saber do quase beijo de vocês.

—Não foi um quase beijo.— Blefo.

—Liv, eu sou retardado, não burro.— Responde me olhando. — Eu sei muito bem quando um clima está rolando.— Fico em silêncio e o vejo sorrir. — Você está apaixonada pelo Bash!— Conclui.

—O que? Claro que não!

— Está sim!— Diz animado. — Você gosta dele, é claro! O jeito que você fica irritada só de ouvir o nome dele…

—Isso é aversão!

Não! Isso é paixão! Paixão embustida.— Ri. Reviro os olhos, mesmo sabendo que Henry não pode ver minha expressão direito.

Eu não gosto do Bash. E, além do mais, amanhã tenho um encontro com o Noah. Um picnic no parque. Não é romântico?

Brownie fica em silêncio por alguns segundos até que solta uma risada.

Você está apaixonada pelo Bash! Agora eu tenho certeza!

—O que?— Eu quase grito, irritada. — Você ouviu o que eu acabei de dizer? Eu tenho um encontro com o Noah!— Henry suspira.

Sim. Mas, até dois dias atrás, a ideia de sair com o Noah te deixava apavorada, não lembra?— Franzo o cenho. — Agora, você parece querer isso. Sabe por que? Porque você quer fugir do que você realmente sente. Você gosta do Bash!

Fecho as cortinas irritada. Não quero ver a cara de Henry nesse momento.

Isso não é verdade!

—É sim! — Responde quase eufórico — E você está furiosa agora porque eu estou certo e você não quer admitir!— Bufo.

—Adeus, Henry!— Desligo o celular, irritada e me jogo na cama. Por que Henry tinha que me conhecer tão bem? No entanto, ele está errado em algo. Não estou tentando apagar o Bash, saindo com o Noah. Bem, talvez um pouquinho.

Meu celular vibra e vejo que é uma mensagem de Henry.

"Você pode até fugir de mim, mas não pode fugir dos seus sentimentos."

Solto um grunhido baixo e enterro meu rosto no travesseiro. Eu tenho que dormir. Amanhã será um longo dia.



ஐﻬﻬஐ

O meu dia na escola passa rápido. Tão rápido que mal consigo perceber. Eu estive um tanto aérea na aula hoje. Não consigo parar de pensar no que Henry me disse. E, também não consigo parar de pensar no meu quase-segundo-beijo com Bash. Mas, preciso me concentrar no meu picnic com Noah. Sinto-me irritada por não estar conseguindo focar nisso, pelo simples fato irritante de Bash não sair da minha cabeça. Como eu gostaria de arrancá-lo de lá.

Quando contei à Rosie sobre o meu picnic ela pareceu ficar mais animada do que eu. Já Henry, não tirou a expressão emburrada do rosto desde então e não parou de jogar indiretas para mim, sobre o Bash. Eu ignorei todas as provocações de Brownie, mesmo sabendo que, bem no fundo, ele poderia estar certo.

Quando chego em casa, me arrumo para o passeio. Pego uma cesta pequena com alguns sanduíches e algumas frutas. Confiro a hora no relógio antes de sair de casa. Vou caminhando em passos preguiçosos pelas calçadas, observando as pessoas na rua e o céu. Há um pouco de sol hoje, apesar de, nas sombras, o vento estar frio como de costume. O parque da cidade não é muito longe da minha casa e não demoro a chegar. Logo que entro no lugar, avisto Noah, sentado ao pé de uma árvore, com uma toalha xadrez vermelha na grama e uma cesta do tamanho da minha. Ele sorri quando me vê. Respiro fundo, torcendo para que tudo dê certo desta vez. Faço tantas notas mentais enquanto caminho em sua direção, que não tenho certeza se vou me lembrar de todas.

Primeira coisa. Repito mentalmente. Noah só está apaixonado por mim por causa do colar. Ele gosta da Rosie.

Segunda coisa: preciso fazer isso por minha amiga e por mim. Preciso que nossas vidas voltem ao normal.

Terceira coisa: tenho que manter o beijoqueiro o mais distante de mim possível. Não posso beijá-lo, por mais tentada que eu me sinta.

Quarta coisa: tenho que tentar aproveitar o encontro para fazer a roda do amor girar.

Quinta coisa: preciso parar de fugir.

Sexta coisa: TENHO que parar de pensar no Bash enquanto estou indo num encontro com o Noah.

—Olá, Liv. — Noah interrompe meus pensamentos. Só então percebo que já estou perto o bastante dele.

—Oi. — Dou um sorriso tímido e me sento à uma certa distância.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, sem saber o que dizer. Por algum motivo, é sempre assim com Noah. Nunca temos assunto. Nunca sabemos o que dizer. Isso me deixa mais nervosa ainda e meu estômago revira. Não consigo me sentir à vontade com Noah, por mais gentil que ele seja. No entanto, ele parece bem animado com o nosso encontro.

—Trouxe algo? — Ele quebra o silêncio.

—Ah, sim. — Forço um sorriso. — Trouxe sanduíches e algumas frutas. — Dou de ombros. Ele sorri.

—Também trouxe sanduíches.

Mais silêncio. Nos encaramos. Seus olhos azuis brilham sob a luz do sol. Ele continua incrivelmente bonito. Bonito de tirar o fôlego.

—Então vamos comer? — Sugiro. Ele assente.

Comemos alguns sanduíches e bebemos um pouco de suco de laranja. Não demora muito, pela falta de assunto, e Noah começa a tagarelar sobre o hóquei. Tento prestar a atenção no que ele fala, mas não tenho a menor ideia de suas explicações. Não conheço nada sobre o esporte. Ele fala, animadamente, sobre como derrubou um garoto e como fez uma marcação perfeita. Apenas balanço a cabeça positivamente e forço um sorriso enquanto ele fala. Por um momento sinto pena. Ele parece tão feliz. Entretanto, eu nunca desejei tanto que um encontro acabasse como eu estou desejando agora. E, este é só o meu segundo encontro na vida. Eu apenas gostaria que algo me tirasse daqui. Qualquer coisa.

Noah continua falando por minutos e minutos. A hora parece não passar. Depois de tanto tagarelar, ele simplesmente para, soltando um resmungo assustado.

—O que foi? — Franzo o cenho.

— Eu fui picado por uma abelha. — Ele se levanta rapidamente, com os olhos arregalados. — Eu sou alérgico! — Dou um pulo, alarmada.

— Você… — Digo nervosa. — Precisa ir para o hospital! — Ele concorda. Seu rosto começa a ficar vermelho e eu começo a entrar em pânico. O que nós vamos fazer?