Notas iniciais
Olá! Muito obrigada Shalashaska por comentar ♥ Mais um cap. Espero que gostem. Bjs *.*

Reconhece-se o amigo certo numa situação incerta.”

—Cícero

—Você está me dizendo que o Noah e o Bash estão apaixonados por você por causa de um colar? — Pergunta Rosie baixo, enquanto segura um urso de pelúcia que sempre fica em minha cama. Nós viemos para minha casa para conversarmos melhor e eu passei os últimos trinta minutos explicando tudo o que aconteceu para a minha amiga. Eu apenas assinto com a cabeça, observando sua reação. Não consigo parar de andar de um lado para o outro, freneticamente. Ela não vai acreditar numa história absurda dessas. Porque, no lugar dela, eu não sei se eu acreditaria.

—Você não acredita, não é?

Ela fica em silêncio, apenas me encarando, até que dá um longo suspiro.

— Eu acredito em você, Liv. — Responde por fim. Franzo a testa, surpresa.

—Acredita? — Sorrio.

—Claro! — Ela esboça um sorriso fraco. — Você é minha melhor amiga e sei que jamais mentiria para mim. Principalmente sobre algo assim.

—Então?

Ela se levanta de minha cama.

—Então, vamos encontrar essa mulher e fazer tudo voltar ao normal. — Diz decidida. — Eu vou te ajudar, Liv.

—Obrigada, Rosie.

— Não é para isso que os amigos servem? — Dou um sorriso fraco.

—Mas como vamos encontrá-la?

— Não sei. — Ela estreita os lábios, tentando pensar em algo. — Vamos encontrá-la, eu vou conseguir meu namorado de volta e você vai poder viver em paz. — Acrescenta. Ela fica em silêncio, séria, e esboça um sorriso largo logo depois. — Acho que tenho uma ideia de como podemos achá-la! — Sorri.

ஐﻬﻬஐ

— Acho que isso não vai dar certo. — Digo nervosa, roendo o que sobrou das minhas unhas. Meus dedos estão quase em carne viva, mas eu não consigo evitar. Quando estou nervosa, eu roo as unhas e não há nada que me faça parar.

Já são mais de dez horas da noite e eu e Rosie estamos escondidas atrás de uma árvore em frente à minha casa, vigiando a rua. Essa é a ideia de minha amiga — ficar de vigília até que a mulher apareça. Não acredito realmente que isso vá funcionar, mas eu preciso encontrar aquela senhora antes que o Noah e o Bash me deixem maluca. Não que eu já não seja um pouco, é claro.

— Você a encontrou durante a noite. — Responde Rosie em sussurros. — É bem mais provável que nós a encontramos durante a noite.

—Mas eu estou com um pouquinho de medo. — Confesso.

—Relaxa. Você quer ou não encontrar essa mulher? — Assinto rápido com a cabeça. — Então… Silêncio! Vem vindo alguém. — Ela cochicha e nós nos encolhemos para quem é que esteja se aproximando não nos veja.

Forço minha visão para tentar ver o que está acontecendo, mas não vejo ninguém. O barulho de passos também parou.

—Me procurando? — Uma voz atrás de nós nos faz soltar um grito agudo. A mulher solta uma risadinha, cobrindo a boca com uma mão. Seus cabelos ainda estão bem presos numa trança bem feita e suas roupas coloridas reluzem sob a luz da lua. É a mulher misteriosa. Arregalo meus olhos, quase em choque. De onde ela surgiu?

—É ela! — Sussurro para Rosie. — Ela que me deu o colar.

—A senhora! — Rosie aponta para a mulher que tem um sorriso nos lábios. — Foi a senhora que fez nossas vidas virarem de pernas pro ar. Faça voltar ao normal. — A misteriosa mulher franze o cenho.

— Eu não fiz nada. — Responde tranquilamente. Eu e Rosie nos entreolhamos rapidamente. O que?

—A senhora não vai se fazer de desentendida, vai? — Rosie fala baixo, apesar de saber que ela está começando a ficar nervosa. — Minha amiga me contou tudo e eu acredito nela. — Completou. A mulher balança a cabeça.

—Talvez aqui não seja o melhor lugar para conversar. — Ela responde calmamente. — Podemos ir até a minha casa aqui perto? — Sugere. Aperto o braço de minha amiga, um pouco amedrontada.

—Tudo bem. — Concorda Rosie de uma vez só.

— Então, por favor, me sigam. — Ela pede, dando as costas para nós, seguindo em frente em passos medianos. Rosie me puxa pelo braço, me fazendo segui-las. Eu encaro Rosie, dando um beliscão de leve em seu braço para chamar sua atenção.

— Não podemos ir para a casa de uma estranha. É perigoso. — Sussurro.

— Não tenham medo. — A mulher responde sem nem olhar para trás. Não entendo como ela escutou o meu cochicho e sinto meu rosto pinicar de vergonha. — Podem confiar em mim. — Seu tom de voz é amigável.

Rosie e eu apenas a seguimos, em silêncio, pela rua. Sinto uma friagem e puxo as mangas da minha blusa para aquecer minhas mãos. A casa da senhora misteriosa não é muito distante e em pouco tempo chegamos. A pequena casa azul claro é cheia de penduricalhos de plástico na porta. Apesar de morar na mesma rua desde sempre, eu não me lembro de ter reparado nesta casa alguma vez. A mulher bate os pés no tapete da porta para tirar a poeira e a abre. Ela faz um sinal com os braços, nos convidando para entrar. Respiro fundo antes de entrar no lugar.

O interior da casa é aconchegante e quentinho, além de cheirar a lírios. Uma lareira está acesa na sala e o chão é coberto por um tapete colorido. Os sofás parecem mais almofadas gigantes e há alguns pequenos objetos de decoração espalhados por todo o lugar. No meio do corredor, há uma cortina de pedrinhas azuis que combinam perfeitamente com toda a decoração.

— Eu nem me apresentei. — Ela solta uma risadinha. — Meu nome é Lucinda. Por favor, sentem-se. — Ela pede.

Eu e Rosie nos sentamos no sofá fofo. Lucinda caminha até o bule de chá que está em cima da mesinha e serve três xícaras. Ela nos serve cada uma com uma e pega a que sobrou para si, antes de se sentar no outro sofá, de frente para nós. O chá está incrivelmente quente e eu reconheço pelo cheiro — é de camomila. Por via das dúvidas, espero a anfitriã dar o primeiro gole.

— Então, a senhora pode explicar o que fez? — Pergunta Rosie ao tomar um gole de chá.

—Como eu disse, eu não fiz nada. — Lucinda me encara. — Olivia fez. — Eu quase levanto do sofá, diante de tal acusação. Eu? Abro a boca, incapaz de dizer algo e ela começa a se explicar. — Foi Olivia quem virou a roda do amor. — Rosie me encara. Tiro o colar de dentro de minha blusa, o fitando. Como um objeto desse pode fazer isso tudo?

—Mas foi sem querer. — Choramingo. Lucinda sorri, balançando a cabeça.

—Nada é por acaso, menininha. — Responde por fim. — Se você girou o artefato foi porque ele o atraiu para assim o fizesse.

—O que? — Rosie interrompe. — Será que a senhora poderia ser um pouco mais clara? Eu não estou entendendo nada. — Lucinda se serve com mais um pouco de chá.

—Acho que não conhecem a história da princesa Chiara, não é? — Nós duas negamos com a cabeça. — Pois bem, Chiara era princesa de um reino mágico e foi forçada a se casar com alguém que odiava. Como forma de presente aos outros, usou toda a magia de seu corpo para criar esse cordão. — Ela aponta para o colar em meu pescoço. — Esse cordão é cheio de magia. Ele escolhe quem vai ajudar. E, só ajuda alguém que precisa.

—Espera aí, está dizendo que isso é um cordão mágico? — Rosie solta uma risada, incrédula.

— Sim. É a mais pura verdade. — Responde séria.

—E como fazemos ele desvirar? — Pergunto. Ela dá um sorriso.

—Vai ter que dar uma chance ao amor, Olivia. — Ela responde como pudesse ler dentro de minha alma. Como se conhecesse cada pensamento que preenche a minha mente. — Quando fizer isso, o ponteiro do cordão vai girar.

Dou um suspiro fraco. Dar uma chance ao amor. Eu, sinceramente, não sei se sou capaz de conseguir algo assim. Não na vida real. Isso parece bem mais fácil na ficção e em minhas fantasias e imaginações.

—Entendi, entendi. — Rosie responde. — Quanto tempo isso demora? — Pergunta um pouco impaciente.

—Bem, isso eu não tenho como saber. — Suspira. Tomo um gole de chá. E que isso não demore muito.

ஐﻬﻬஐ

Eu passei a noite inteira pensando na conversa com Lucinda. Dar uma chance ao amor? Meu estômago parece estar repleto de borboletas só de pensar em tal coisa. Eu, definitivamente, não sou uma pessoa que nasceu para tal façanha. Eu acordo cedo pela manhã e me arrumo rapidamente. Penteio meus cabelos e coloco a tal roda do amor no meu pescoço. Desço para tomar café da manhã e encontro meu pai, terminando de engolir o último gole de café na cozinha. Minha mãe já saiu, mais cedo de que de costume e meu pai provavelmente precisa sair também. É assim na maior parte do tempo. Sinto falta dos meus pais. Mas, sei que eles se esforçam por mim também e não posso reclamar.

—Bom dia, pai. — Falo por mim.

—Bom dia, Liv. — Ele dá um beijo na minha testa de forma apressada. — Você não se incomoda de tomar café sozinha, né? — Nego com a cabeça. — Tudo bem. — Ele pega sua pasta que está apoiada em uma cadeira. — Vejo você mais tarde, está bem? — Apenas assinto. — Boa aula, querida. — Ele sai apressado antes que eu consiga responder.

Tomo meu café rápido e saio no horário de costume. Henry está me esperando na porta de casa como sempre e acena quando me vê. Entro no carro e ele dá um sorrisinho antes de dar partida.

— Eu e a Rosie encontramos a mulher misteriosa. — Conto. Ele arqueia uma sobrancelha, desviando a atenção do trânsito.

—E o que aconteceu? — Pergunta eufórico, tentando se concentrar no volante.

— Ela disse que para fazer a roda girar de novo eu tenho que dar uma chance ao amor. — Respondo desanimada. Brownie solta uma risada. Ele me conhece muito bem.

—E o que você pretende fazer?

—Primeiro, eu preciso contar ao Noah e ao Bash a verdade.

—Acha que eles vão acreditar?

—Não sei. Mas eu preciso tentar.

— Boa sorte com isso. — Ele solta uma risada anasalada. — Você vai precisar.

Passamos o resto do caminho até a escola em silêncio. E, quando chegamos, Henry segue direto para a sua aula. Confiro no relógio. Eu ainda tenho tempo de ter uma conversa com Noah e Bash antes das minhas aulas começarem. Respiro fundo e começo a procurar pelos dois, mesmo morrendo de vergonha. Por sorte, encontro Rosie antes.

—Sabe o que vai fazer? — Ela pergunta preocupada.

—Preciso contar a eles.

— Você precisa de ajuda? — Oferece.

—Não. — Respiro fundo, tentando amenizar minha ansiedade e falhando miseravelmente nisso. — Eu preciso fazer isso sozinha. — Completo. Ela assinte.

— Se precisar de mim, estarei por perto. — Balanço a cabeça em concordância.

Volto a procurar pelos dois e avisto Noah, com os jogadores do time de hóquei. Eles estão conversando, animados. Engulo seco. Droga! Eu deveria ter chamado Henry ou Noah para vir comigo. Eu morro de vergonha de falar com pessoas que eu não conheço muito bem, principalmente um grupo cheio de garotos populares da Toronto South High School. Meus pés quase grudam no chão e começo a sentir que não vou conseguir. Mas, eu preciso. Fecho os olhos e conto até três. Abro os olhos novamente, quase pensando em desistir. Decido engolir um dos meus maiores medos e me aproximo do grupo devagar. Um dos jogadores percebe que me aproximei e faz um sinal com a cabeça na minha direção. Noah se vira e abre um sorriso quando me vê.

Percebo que Jaden está no grupo e ele dá um sorrisinho malicioso para mim. Jaden é desprezível. Nos piores sentidos. Seu maior passatempo é fazer da vida dos mais quietos um inferno. Sei que ele não hesitaria em me prender dentro do armário da escola, mas isso poderia trazer problemas mais sérios para ele. Encolho os ombros diante de tantos olhares.

— A gente se vê depois, Noah. — Diz outro jogador e arrasta todo o grupo junto com ele, deixando apenas Noah para trás.

— Preciso falar com você. — Digo sem jeito.

—Sim? — Sorri.

Respiro fundo e conto a ele tudo o que aconteceu, principalmente o porquê dele estar apaixonado por mim. Noah não fala nada durante todo o momento e apenas me encara com o cenho franzido. Termino de falar e ele ainda está em silêncio. Parece estar processando tanta informação.

—Então? — Pergunto sem jeito.

—Acho que não faz o menor sentido. — Confessa. — Um colar não faria eu me apaixonar por você. — Ele dá um sorriso fraco. — Você deve estar confusa, eu entendo. Eu também fiquei. Mas, isso vai passar. — Ele parece estar tentando me acalmar. — Você pode me dar uma chance e…

—Noah, você precisa me esquecer! — Eu quase grito. Alguns alunos que passavam perto nos encaram por causa disso. Noah me olha assustado.

— Eu vou deixar você pensar um pouco mais. — Ele suspira e acena com a cabeça antes de se afastar.

Parece que a minha conversa com Noah não deu muito certo. Mas, eu já deveria estar esperando por isso, afinal. Dou um suspiro fraco e saio à procura de Bash. Não é difícil de encontrá-lo e eu me aproximo dele, que está perto dos armários. Bash arqueia uma sobrancelha quando me vê, surpreso.

—Bash, será que a gente pode conversar? — Pergunto de uma vez. Ele assente com a cabeça, desconfiado.

E então, como se eu estivesse num loop, completamente sem fim, explico a história toda de novo para Bash. Ele solta uma risada anasalada quando termino.

—O que? — Ele franze o cenho. — Você acha que eu estou apaixonado por você por causa de de um colar? — Ele balança a cabeça. — Isso é loucura!

—Sabe o que é loucura? — Rebato. — Você estar apaixonado por mim. E o Noah também! — Completo, quase histérica. Bash fica sério. — Você sempre amou a Rosie. E da noite para o dia… — Eu não completo a frase.

—Vendo por esse lado… — Ele pondera. — Foi bem esquisito mesmo o jeito que aconteceu. Parecia que alguém tinha pregado o seu nome na minha mente. — Ele sorri, perdido em pensamentos. — E, considerando o fato de que você é bem irritante de vez em quando…

Fecho a cara numa carranca.

— Eu não sou irritante!

—Uhum. Tá. — Ele diz irônico. — De qualquer forma, acho que isso tudo não faz muito sentido. — Dou um suspiro fraco. Vai ser difícil. Muito mais do que eu poderia imaginar.