We Found Love
1 hm
Chapter 1
–Vai-te foder!
–Caramba Effy, só vim buscar a bola.
–Às vezes parece que fazes de propósito para me irritar Styles, já tens a bola agora sai de minha casa!
–É, uma pessoa sabe quando é mal-vinda numa casa –Ele olhou-me com raiva e saiu batendo com a porta.
Esse player... só não o odeio porque para chegar a essa conclusão tinha de gastar o meu tempo a pensar nele, e ele nem merece isso. A campainha tocou e eu fui abrir a porta, era ele de novo.
–Antes de te passares por eu estar... – Começou ele.
–STYLES? DEIXA-ME ADIVINHAR, MANDASTE A BOLA PARA O MEU JARDIM OUTRA VEZ NÃO FOI? EU JURO QUE VOU BUSCAR A PUTA DA BOLA E VOU QUEIMÁ-LA SEU OTÁRIO DE..
–TU ALGUMA VEZ TE CALAS? Porra só deixei aqui as chaves do carro e vim buscá-las!
–Para que é que tu trousseste as chaves do carro se moras mesmo aqui ao lado?
–Porque tenho mais cenas combinadas fodasse...
–Hm, vais ter com uma das tuas putinhas de novo? –Fiz um riso de troça e acendi um cigarro, encarando-o bem nos olhos. (http://24.media.tumblr.com/02de25fc3a43952b403630bc47eeff7e/tumblr_mo5v01FjJt1qjihzxo1_500.gif)
–Porra Effy qual é o teu problema? Tens inveja? – O seu olhar estava mudado, Harry respirava muito depressa e ao dizer isto deu um passo na minha direção.
–Inveja? Quem saiba fui eu que te rejeitei viadinho.
Ele ia começar a gritar mas de repente todo o som foi abafado, tudo começou a tremer violentamente o que nos deitou aos dois de imediato ao chão. Estava confusa e dorida, mas num impulso virei a cabeça para cima a tempo de ver o teto a começar a rachar. O Harry estava na outra ponta da sala e não respondia, pensei que estivesse inconsciente, mas a verdade é que nem eu me ouvia a gritar. A adrenalina do momento começou a correr nas minhas veias, consegui arrastar-me até Harry e dei-lhe uma chapada com todas as minhas forças. Olhei de novo para o teto e rachava cada vez mais. Fechei os olhos e apaguei.
Estava meio atordoada e não consegui abrir os olhos de princípio. Passei a mão pela minha cabeça e senti sangue, o que me assustou e me fez levantar de repente. A dor era insuportável, não consegui resistir ao impulso de gritar.
–Effy? – A primeira coisa que vi foram os seus olhos verdes a olharem diretamente para mim.
–Mas que porra...
–Fico contente por ver que estás bem – Eu ri de lado e levantei-me mais um pouco. – Não devias fazer muitos esforços...
–Mas agora és o meu médico ou quê? Passa-me um cigarro vá.
–Eu não fumo — Olhei para ele com aprovação, era estranho alguém que eu conheço não fumar.
–Ok... Que merda aconteceu?
–Olha à tua volta... Está tudo destruído, houve várias réplicas e ainda não encontrei ninguém vivo na rua – Fiquei aterrorizada com aquilo que ele tinha acabado de dizer, mas não o demonstrei. Não podia. Tinha de ser forte.
– Se calhar o mundo está a acabar.
– Se calhar.
Voltei a deitar-me e depois ele explicou-me como me tinha tirado de casa; a chapada acordou-o e depois disso ele carregou-me o mais longe que podia. Não fazia ideia de onde estávamos mas parecia ser seguro, não tinha casas por perto, ou pelo menos que se pudessem ver, e tinha um rio a um kilómetro dali. Mesmo assim tínhamos de continuar a andar. Eu estive apagada por mais ou menos 18h. Ele estava exausto.
– Harry, vamos ficar aqui por mais um dia ou dois pode ser? A minha cabeça ainda doi muito, não sei se consigo andar.
– Eu posso carregar-te.
– Não, tu estás exausto, se continuares assim ainda morres de cansaço, e depois? – Ele assentiu com a cabeça.
Ele sentou-se a meu lado e limpou-me o sangue da cabeça. Eu fingi que tinha adormecido, pois não tinha as forças nem a vontade de o afastar, mas se tivesse ‘consciente’ teria de o fazer para não me mostrar fraca nem fácil. Não confio nele, um playboy com a mania, já pegou tantas e no meio tentou pegar-me a mim, a diferença das outras é que eu não deixei. É impressionante como todas levantam a saia para os gajos populares. Eu salvei-lhe a vida e ele salvou-me a minha, portanto estamos kites, não vale a pena agradecer. Assim que estiver recuperada faço-me à estrada sem ele, até é mais provável eu sobreviver sozinha do que se tiver de andar a cuidar dele e ele de mim. Nesta sequência de pensamentos acabei por adormecer.
Acordei atordoada de novo, desta vez porque sentia o chão por baixo de mim a tremer. Gritei pelo Harry, e ele acordou, e ficou petrificado a olhar para a frente. Eu virei a cabeça e vi algo que me gelou da cabeça aos pés. O rio. Estava a acontecer tudo de novo, agora vinha na nossa direção um mega tsunami e tudo o que ele conseguia fazer era olhar para aquilo. E eu não conseguia pensar.
–Harry! – Gritei.
Ele hesitou mas depois olhou para mim. O que foram apenas uns nanossegundos pareceram-se horas. Começou a correr para uma àrvore na esperança que eu o seguisse, e foi isso que eu fiz. As hipóteses de sobrevivermos eram remotas e ambos sabíamos isso. Eu caí quando ele já estava quase lá em cima. Fodasse. Tentei levantar-me mas estava demasiado tonta para fazer isso. Eu ia morrer. Todos os meus amigos já tinham morrido. E a água vinha em menos de segundos, eu sabia disso. Tirei a vodka do bolso e bebi um gole. De repente oiço-o a gritar por mim ao longe e deito-me costas para trás, ele iria perceber que era demasiado tarde. Mas o otário não percebeu. Ele voltou atrás por mim, eu gritei-lhe para que não viesse, mas ele continuou. Merda, vamos morrer os dois. Ele agarrou-me e pôs-me às suas costas. Perdi toda a esperança, pensava que não conseguiríamos chegar à árvore a tempo e não parava de lhe pedir desculpa. Estava perto de começar a chorar quando finalmente alcançámos o seu topo.
A água do rio veio com tanta força.. Tinha tanto medo de cair, ou de que a árvore cedesse. Aquilo era um pesadelo. Aquilo não podia ser real. O Harry estava a respirar muito alto, ofegante, e eu pedi-lhe desculpa de novo. Ele olhou para mim com muita raiva durante uns segundos e finalmente disse:
–Fodasse.
E depois virou-se para outro lado. Não percebi aquele olhar, juro. Num minuto quase se mata a salvar-me a vida e no outro olha para mim como se estivesse a ameaçar-me de morte. Vá-se entender.
Não dissemos mais nada naquela noite. Ele adormeceu mas eu não tinha sono nenhum. Estava assustada. Tinha medo de morrer. E isso fez-me feliz. Não me lembrava há quanto tempo me sentia tão viva, pois sempre desprezei a vida. Bem, não foi desde sempre, mas desde de há muito tempo para cá para ser honesta. Ultimamente sentia-me sempre tão triste, tão... sem propósito. Mas agora já não, o caos em que vivia, o caos em que o planeta se tinha tornado deu-me forças para sobreviver. E gostava de poder agradecer ao Harry por me ter salvo a vida.
Chapter 2
Acordei de manhã com ele a beber a minha garrafa de vodka.
–Que estás a fazer? – Perguntei.
–Olha a bela adormecida! Bom dia lindinha.
–Dá-me essa merda Harry.
–Porquê? – Ele riu-se.
–Olha para nós. Estamos no topo de uma árvore, com não sei quantos metros de água por baixo de nós. Pode haver outro terramoto e outro tsunami a qualquer momento, preciso de ti sóbrio.
–Para salvar a menina? – Ele perguntou com ironia e deu outro gole.
–É por isso? Então mais valia teres me deixado lá em baixo! Não te pedi nada, não te pedi para me salvares! — Disse, irritada, olhando-o nos olhos que ele tanto queria evitar.
–Porque é que não te levantaste? Porque é que nem sequer tentaste? Por que porra é que decidiste que era melhor deitares-te a beber vodka e fazeres-me ver-te morrer? ÉS UMA CABRA EGOÍSTA! – Conseguia ver os olhos dele a encherem-se de lágrimas, que ele não deixava cair.
–Eu estava tonta – Respondi. Foi o melhor que consegui dizer, o melhor que podia dizer. – Agora dá-me a garrafa.
Ele deu-me a garrafa sem me olhar nos olhos. Eu queria dar um gole mas sabia que não podia. Sou tão hipócrita.
–Nós os dois... Nós vamos morrer. Mais tarde ou mais cedo. E eu sei que tu sabes disso. – Eu disse calmamente.
–Então mas não temos de morrer assim tão facilmente. Ao menos damos luta, não? Como consegues desistir tão facilmente?
–Mas eu não desisti facilmente Harry. Eu quero sobreviver a isto, quero acabar a escola e ser alguém, ser feliz. Só temos 17 anos! Mas olha para baixo de nós! Estarão quantos metros de água aqui em baixo? E quantas mais merdas hão de vir? Terramotos que abrem a terra, tsunamis, a fome, a sede... Consegues sobreviver a isso? Os nossos pais e amigos estão mortos a esta hora! Eu... – Pensei durante algum tempo naquilo que diria a seguir – Fodasse Harry, simplesmente fodasse.
Ele começou a chorar pela primeira vez. E eu fui abraçá-lo. E ele deixou. E eu comecei a chorar também.
–Obrigada por me teres salvo a vida – Eu disse.
–De nada – Ele respondeu tão simples assim.
Ficámos a chorar durante horas na minha perceção de tempo, o que é um pouco relativo mas suficiente.
–O que é que tu querias ser Harry?
–Queria ser um cantor, dos bem sucedidos. Aliás, adorava estar numa banda. Hm, e as raparigas... – E aí ele sorriu e eu também.
–Canta para mim – pedi.
E aí ele cantou ‘’fall for you’’. E eu ri-me porque as primeiras letras da música são:
A melhor coisa desta noite
É que nós não estamos a discutir
Podíamos já ter sido assim antes?
E ele riu-se também, e depressa nos esquecemos das horas que estivémos a chorar antes, e concordámos em não falar mais sobre isso. Não acredito que chorei em frente ao Harry.
Adormecemos.
Chapter 3
O Harry acordou-me de manhã avisando-me de que a água já tinha descido o suficiente para a podermos atravessar. Não era o ideal, mas a verdade é que também precisavamos de encontrar comida. Ficarmos ali ditava a nossa morte.
Estivemos a caminhar durante algum tempo até deixarmos de andar por dentro água. Apanhámos uns peixes pelo caminho para comermos quando chegássemos a um sítio seguro. Entretanto estava tudo calmo, não tinham havido mais terramotos, apesar de a temperatura ter baixado muito. Quando estivéssemos totalmente recuperados e salvos de tudo o que tinha acontecido iríamos em busca de sobreviventes. O Harry fez-me prometer que iríamos. Andámos durante horas, e o sol já se estava a começar a pôr.
–Effy... – Ele apontou para cima – uma montanha. Podemos passar lá a noite.
–Só se quiseres morrer Harry. Se há uma réplica todas as rochas desabam.
–É a nossa melhor chance. Eu era escuteiro, e há abrigos seguros nas rochas para as pessoas que se perdem passarem a noite. Como está tão frio podemos acender uma fogueira e retirar água das plantas para beber. – Ele olhou para mim – Estás à espera de quê?
–Olha a minha sorte, um rapaz escuteiro – Eu ri.
–Vai à merda Effy, não precisas de vir se não quiseres, arranja-te sozinha se é assim que queres estar – Ele começou a subir a montanha enquanto o disse, sem sequer olhar para trás.
–Era uma piada! Harry eu vou contigo! Espera! – Eu gritei. Ele apenas parou.
–Ok.
–Achas mesmo isso? Que eu quero estar sozinha? – Eu peguei no braço dele e obriguei-o a olhar para mim.
Ele largou o seu braço à força e continuou a andar.
–Qual é o teu problema otário?! –Eu perguntei sem me mover do lugar. Ele virou-se e andou depressa na minha direção.
–O meu problema?! O meu problema és tu Effy!
–Queres que eu me vá embora? – Aproximei-me mais dele.
–Porra não! – Ele afastou o seu olhar.
–Então resolve as tuas cenas!
–Effy nós estamos sozinhos. Não há ninguém aqui, de todas as pessoas tinha de ficar contigo! O problema não és tu, quer dizer é, fodasse... nem sei o que dizer, é complicado.
–Qual é o teu problema comigo? – Procurei por cigarros no bolso, não os encontrei.
–Assim não tenho maneira de sobreviver. Porque tu só fazes merda e ainda vou morrer por causa de ti. – Ele continou sem me olhar nos olhos.
Não conseguia dizer-lhe ou gritar-lhe mais insultos, aquilo magoou-me mesmo, o que raramente me acontece. Apenas me virei para trás e caminhei na direção contrária, deixando-o sozinho. Não era preciso dizer nada.
–Effy espera.. Effy! Não foi isso que eu quis dizer – fingi que não ouvi. – O problema é que eu morreria por ti e não por mais ninguém.
Eu parei e virei-me, ele estava a olhar-me nos olhos e a caminhar na minha direção.
–Eu não estou a dizer que estou apaixonado por ti ou algo assim, mas eu conheço-te desde sempre e é difícil... Lembro-me da menina de 5 anos de cabelos castanhos e olhos azuis que brincava comigo na rua. Lembro-me da rapariga de 10 anos de cabelos castanhos escuro que era a valentona e afastava todos que lhe queriam roubar o lanche. E lembro-me da mulher de 15 anos que pintou o cabelo de preto e se vestia de preto, que não falava com ninguém, consumia drogas e embebedava-se até apagar. E talvez eu atirasse a bola tantas vezes para o teu jardim porque me preocupava.
Eu deixei-me cair ao chão porque as lágrimas já eram muitas e tapei a cara com as mãos. Ele veio a correr ter comigo e segurou-me bem perto. E eu não queria que aquele momento acabasse. Ele não disse nada, apenas me compreendeu em silêncio, e acho que nunca ninguém tinha feito isso antes. Mesmo sem parar de chorar, eu sabia que aquele era o tipo de tristeza que passa com o tempo, e que passaria ao lado de Harry.
A noite já estava quase cerrada então eu e o Harry procurámos abrigo. Acendemos uma fogueira e comemos. Foi o suficente para nos tirar a fome.
Chapter 4
O Harry dormiu a manhã inteira, e mesmo estando incomodada pela presença dele por vezes, também não gostava de me sentir sozinha e não ter ninguém com quem falar. Estava ainda mais frio do que na noite anterior, o que era fora do normal pois estávamos em maio. Acendi uma fogueira com dificuldade, normalmente o ‘escuteiro’ é que tratava disso.
–Bom dia – Ouvi por detrás de mim e sorri de lado imediatamente (http://25.media.tumblr.com/tumblr_lt47uaOr4O1qmhhdro1_500.gif ).
–Bom dia.
Ele sentou-se ao meu lado, e começou-se a rir espontaneamente ( http://www.onedirectiongifs.com/gifs/gifs/harry-styles/1d-harry-styles-48.gif ).
–o que foi? – perguntei. Ele talvez estivesse maluco.
–Há umas semanas atrás nunca me deixarias sentar-me ao teu lado. Muito menos responderias ao meu bom dia. E isso meio que me faz feliz.
–Até aqui me vens com coro? A sério? – não consegui esconder o meu desapontamento.
–Porque é que fazias as coisas que fazias? Que se pudesses neste momento ainda estarias a fazer... Porquê Effy?
–Estar a falar do quê? – Não entendi a sua pergunta.
–De te isolares, de não falares com ninguém sem que fosse necessário na escola. De ignorares tudo, fumares, te drogares, beberes. E eu sei que não foi das influências. Até porque eu sei que o teu grupo de amigos é que te incliu lá, mas tu raramente falas com alguém, apenas ouves e mostras indiferença. Porquê Effy?
–Tu não me conheces e nunca vais conhecer – Não olhei para ele.
–Mas eu quero.
Eu sorri ironicamente (http://media.tumblr.com/tumblr_m1owy2s0uG1r83779.gif ).
–Então e porque é que tu fazes as coisas que fazes? Porque é que te atiras a todas as raparigas? ainda não deve haver nenhuma que tu ainda não comeste. Porque é que finges estar interessado na merda que os rapazes populares falam e fazem? E porque é que mentes sobre tudo só para ir para a cama com uma? Tu não eras assim, nunca foste, e o que eu mais desprezo é pessoas tentarem ser o que elas não são.
Ele não respondeu e eu também não insisti mais. Fui buscar mais comida e quando me sentei obtive a resposta dele.
–Porque eu amei uma mulher e ela partiu-me o coração.
–Histórias como essas há imensas. O que é que ela fez, traiu-te? O amor não existe, são apenas palavras para teres o que queres, tu de todas as pessoas sabes isso muito bem.
–Eu gostei muito de uma menina, e com o passar do tempo apaixonei-me pela rapariga em que ela se tornou, passei a amá-la em segredo durante anos, mas nunca lhe disse. E depois ela mandou tudo à merda e passou a odiar-me da primeira vez em que eu tentei ter algo com ela... Apenas tentei aproximar-me mais de ti Effy. Mas aí percebi que já estavas toda estragada, e que não eras mais aquilo com o que eu sonhava. E eu nunca percebi porque tu mudaste tanto. Mas acredita que eu te amei muito mesmo, foste o meu primeiro amor, e depois de ti vieram outras claro mas nunca foi a mesma coisa. Eu amei-te durante anos e tu nunca sequer soubeste.
–Mas o amor nunca acaba.
–‘’O amor não existe, são apenas palavras para teres o que queres’’, foi isso que disseste antes, certo? Mas quero que saibas que não te menti. E aí está a prova, eu nunca te disse nada, portanto estás errada, o amor não são apenas palavras para teres o que queres.
–Desculpa por tudo isso Harry.
–Eu também lamento. – Os seus olhos verdes e intensos estavam agora presos, fixos nos meus, e a sua mágoa estava ali, bem à vista. E eu desejei ter baixado os meus muros pelo menos uma vez, quem sabe onde eu estaria agora.
–Nunca pensei que alguém me pudesse amar.
–Também nunca pensei que te fosse amar. – E ambos rimos, e eu confiava nele agora, e eu não queria que o mundo acabasse.
Encostei a cabeça no peito dele e conversámos. Acerca de tudo, acerca de nada, mas ele fazia-me rir e eu gostava dessa sensação. Mas houve um momento... Talvez fosse dos olhos verdes doces dele, ou do seu sorriso perfeito, talvez até pela maneira como ele falava comigo. Isso fez-me sentir especial, pois agora sabia que não tinha sido apenas mais uma para ele, e sabia que o Harry que estava ali comigo era completamente ele próprio sem mudar por ninguém. E durante um momento, eu desejei que ele ainda estivesse apaixonado por mim.
–Já amaste alguém Effy?
–Não.
E desta vez o Harry sorriu de lado, o tipo de sorriso que sem mostrar os dentes mostra todas as suas emoções, e acho que por um momento ele também desejou que eu me apaixonasse por ele. ( http://25.media.tumblr.com/tumblr_m8qdfeHURZ1rzpi4to1_500.gif ).
Saímos do nosso ‘lugar seguro’ que não era assim tão seguro e fomos explorar pelos locais mais baixos da montanha. Ele tentou pegar-me ao colo mas eu não deixei, então ele fez beicinho e ambos rimos alto. Desafiei-o com o meu olhar sério e esperei que ele se desfizesse em risos. (http://data.whicdn.com/images/31970230/tumblr_m6lymhILr71qllj9oo2_500_large.gif )
–Tens o olhar mais bonito do mundo Effy Stonem.
–E tu tens o segundo olhar mais bonito do planeta Harry Styles.
Saltei para as costas dele e entralacei as pernas à volta da sua cintura. E ele ria tão intensamente, e eu também, ao ponto que tinhamos dificuldade em respirar. E tudo aquilo era tão bonito. E eu não tinha medo.
–Harry anda direito! Tiveste a beber? – Eu gozei. E aí ele caiu redondo no chão de tanto rir, e eu caí em cima dele. – Eu avisei-te Styles.
–Effy...
–Sim?
–Estás a tentar violar-me por detrás? –Ele perguntou com uma voz séria para depois se desmanchar em gargalhadas. – Por favor, sai detrás de mim, imploro-te Stonem – De seguida fingiu um grito de dor.
Eu fiz-lhe a vontade e deitei-me ao lado dele. Ele ficou a observar-me durante um minuto em silêncio e eu sorri.
–Tu és tão bonita e nem sequer o sabes, – Fixei os meus olhos nos dele e deixei-o continuar. – Para mim és a mulher mais bonita do mundo – A sua respiração estava agora lenta e ele falava baixinho, com a sua incrível voz rouca. – Desde a ponta dos teus pés... – Olhou-me de alto a baixo com ternura – Até à ponta do teu último cabelo. – Aproximou-se de mim e acariciou a minha cara, eu permaneci em silêncio. – Já alguma vez amaste alguém? – Ele perguntou de novo.
–Não sei... – respondi insegura.
–Posso beijar-te? – Ele perguntou com os seus olhos fixos nos meus.
–Não sei... – a verdade é que eu não sabia o que se passava dentro de mim. Ele inclinou-se na minha direção. A sua cabeça estava por cima da minha e os seus lábios estavam a menos de um centímetro dos meus.
–És tão frágil e tão perfeita ao mesmo tempo... – Ele hesitou e olhou-me mais uma vez — Acho que acabei de me apaixonar outra vez. – Os seus lábios tocaram nos meus quando ele falou. Eu sentia-me tonta. A sensação de um calor ameno pairava sobre nós, como se uma canção estivesse a tocar e nós fossemos a banda sonora. Eu fechei os meus olhos e ele beijou-me. Não o tipo de beijo possessivo, mas aquele que é doce e nos faz sentir especiais. E eu sentia-me tão bem. ( http://24.media.tumblr.com/tumblr_ly65w2oV0S1qhtx36o1_500.gif )
Quando ele parou de me beijar, abri os olhos e olhei diretamente nos dele ( http://24.media.tumblr.com/c6e0a3a38e44059917a7157033ee314f/tumblr_mkyidnWIfc1s57xq9o1_500.gif ).
–Está tudo bem? –Perguntou Harry.
–Tu beijaste-me.
–Sim.
–Tu disseste-te que te apaixonaste por mim outra vez.
–Sim – Ele sorriu. – Da mais pura das maneiras.
–Eu tenho de ir. – Levantei-me e andei apressadamente em direção ao nosso abrigo.
–Effy... Effy! Pára! – Ele correu na minha direção e pôs-s à minha frente — Qual é o problema?
–O problema é que tu só fizeste isto porque vais morrer. Eu só fiz isto porque vou morrer. Tudo o que disseste é treta, tu não estás apaixonado por mim, tu nem sabes o que queres! Se eu fosse outra qualquer tinha sido a mesma merda e eu fui tão estúpida por beijar-te! – Gritei-lhe.
–É isso que tu achas? Eu não fiz isto só porque vamos morrer, nós conseguimos sobreviver a isto, eu sei que sim! Eu beijei-te porque era isso que eu queria, é a ti que eu quero, és tu Effy... Aqui e agora, só me interessas tu, e não vou falar do futuro porque sei que não vais acreditar, mas eu sou apaixonado por ti. – Ele estava tão triste que os seus olhos verdes o conseguiam refletir. – Se calhar tens razão, nunca te devia ter beijado porque poderias reagir assim, mas se fosse só eu a querer, beijava-te todos os dias, durante o resto da minha vida e nunca precisaria de mais ninguém. – Ele deixou de me conseguir encarar (http://data.whicdn.com/images/51608417/tumblr_inline_mhq336Nlfl1rdlz01_large.gif ) — Mas a escolha é tua.
–Desculpa. – Virei costas e corri. Eu estava triste, e não sabia porquê. E eu queria voltar para trás, mas a minha cabeça dizia que não. E eu queria que o Harry viesse atrás de mim mas ele não veio.
Parei de correr e olhei para o chão. De início não as reconheci mas depois a minha cara encheu-se de alegria com um sorriso verdadeiro.
–Pegadas! Não acredito, pegadas frescas! Tenho de contar-lhe. – Voltei para trás a correr e encontrei o Harry sentado no chão a atirar pedras para sítios incertos.
–Harry, oh meu Deus Harry, estamos salvos! – Ele ficou surpreso por me ver.
–De que estás a falar? – perguntou-me com indiferença à minha felicidade.
–Encontrei pegadas, pegadas frescas! Agora só temos de as seguir, rápido!
Ele levantou-se e eu encaminhei-o para o local onde começava o rasto. Fomos buscar o resto das nossas coisas e seguimos caminho de acordo com as marcas no chão. Durante todo o caminho ele não proferiu uma palavra.
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Chapter 5
- Onde estamos? – Foi a primeira coisa que ele disse. Corri para o abraçar, a alegria de ver os seus olhos verdes acinzentados superou todos os sentimentos que já tinha tido. Eu estava tão feliz, radiante… São aqueles momentos da vida que passam lentamente, tão lentamente que nunca podemos chegar a uma pessoa rápido o suficiente.
-Harry! – Fechei os olhos enquanto entrelaçava as mãos à volta do seu corpo num abraço apertado. Respirei o seu perfume com tanta intensidade que dificilmente restaria ainda algum no seu corpo.
-As minhas costas… — Ele gemeu e rapidamente me afastei.
-Desculpa… Como te sentes?
-Se todos os dias tivesse uma recepção assim, ótimo. – Harry ajeitou-se na cadeira e de seguida olhou para mim, lançando-me um sorriso sedutor ainda que forçado devido às suas dores.
*Flashback on*
-Estás tão calado Harry… – Estávamos a seguir o trilho das pegadas já há algum tempo e o silêncio tinha-se tornado insuportável.
-Queres que eu diga o quê? – Ele perguntou, seco e irónico, como o ‘Styles’ da nossa escola faria.
-Quero que me expliques o que aconteceu. Porque me beijaste? – Eu senti que me ia mandar à merda naquele preciso momento. E se ele o tivesse feito eu teria percebido.
-Eu não disse que te amava, disse que estava apaixonado por ti – Nós continuámos a andar e ele não olhava para mim.
-Qual é a diferença? – perguntei.
- É muita. Talvez um dia te explique.
-Ok.
-Não vais perguntar porquê? – Ajeitou o seu cabelo com as mãos.
-Não. Tu prometeste que me contavas um dia. Uma promessa é uma promessa.
-Eu disse talvez – Ele sorriu de lado timidamente. Eu parei e fixei os meus olhos nos dele. – Prometo que um dia te conto. – E continuámos a nossa viagem.
Estava mais frio a cada passo que dávamos, e o vento impedia-nos de ver o caminho. O Harry sugeriu pararmos e procurarmos abrigo mas eu estava decidida a encontrar outras pessoas. Queria ter esperança, saber que não estávamos sozinhos naquilo tudo. Era cada vez mais difícil ver o caminho e estávamos ambos exaustos.
-Temos de procurar abrigo, ou ainda vamos morrer aqui, cheguei ao meu limite.
-Pronto, como queiras. Tu vais procurar abrigo nos terrenos mais elevados e eu fico aqui a marcar o caminho para depois sabermos onde ficámos.
-Depois venho buscar-te Stonem – Abanei a cabeça em sinal positivo e ele partiu.
O Harry subiu atéàs grutas que se situavam num dos sítios mais altos da montanha e encontrou um abrigo. Ainda que fosse frio não apanhava vento pois era virado no sentido contrário. Foi quando se virou para me vir buscar que ele o viu. Grande, potente, cinzento e mortal. Ele correu na minha direcção, desesperado e sem saber o que mais fazer tentou gritar o meu nome mas foi abafado pelo vento. Caiu duas vezes a descer a colina mas isso não o demoveu. Ao longe finalmente ouvi uma voz.
-Effy!... Furacão!... Effy!
Eu virei-me e vi-o. Paralisei. Não pensei que conseguíssemos sair dali com vida. Olhei para o Harry, ele continuava a correr para mim e a gritar coisas que eu não conseguia perceber. Senti-o pegar na minha mão e fiz tudo o que ele me disse. Era tudo tão lento e incrivelmente rápido ao mesmo tempo… O Harry caiu. Ele não se levantou. Havia sangue no chão. Cada vez mais sangue. Ok, eu não podia bloquear, não agora. Peguei nele e levei-o em direção à gruta. Estava tanto vento, e eu estava tão cansada, que rapidamente me limitei a apenas arrastá-lo. Tudo o que eu pensava naquele momento era pelo menos ter a hipótese de lhe pedir desculpa. Pousei-o no chão encostado a uma das paredes da gruta e tirei-lhe a camisola.
As costas e um pouco da barriga dele tinham sido perfuradas por uma pedra que lhe tinha acertado ligeiramente antes das suas costelas. Usei a sua camisola para estancar o sangue atando-a à sua volta. Ele começou a tossir sangue e a tremer.
-Harry? – Eu estava em choque, essa foi a única razão para não começar a chorar compulsivamente.
-A ferida… é muito má? – Ele perguntou, olhando para a camisola ensanguentada à volta do seu torso.
-Eu… não sei. Queres ver? – Pus as mãos em cima da sua camisola mas fui impedida de continuar por ele.
-Não. É melhor eu não saber, assim podemos aproveitar… — Ele deu um gemido – Este momento melhor.
-O que queres dizer? – O seu olhar sério congelou cada centímetro da minha pele mais do que o frio podia ter feito. Eu finalmente sabia no que ele estava a pensar. – Não! Não… eu recuso-me a deixar-te morrer. Vou fazer uma fogueira para te manter quente.
-Effy… — Ele agarrou a minha mão.
-Não. – Eu não podia deixar aquilo acontecer. Não agora, não a ele, não quando a culpa era minha por ser estúpida.
Acendi a fogueira e dei-lhe água à boca para o manter hidratado. Ele estava a suar muito e a sua pele estava muito quente apesar da temperatura estar muito baixa.
-Effy, há uma coisa que eu te prometi e que preciso de te dizer – Eu olhei-o nos olhos e ele nos meus. E teria sido perfeito, se não houvesse um furacão a aproximar-se, se ele não estivesse a morrer e se eu conseguisse pensar.
-‘’Eu amo-te’’ significa limitar os nossos sentimentos. Toda a gente diz que o sentimento mas puro e sincero é o amor. E eu acho que eles estão errados. Isso é a definição de infinito. Mas o infinito significa ‘para sempre’ e isso é apenas treta. O sol não é para sempre, o planeta não é para sempre! – Ele interlaçou os nossos dedos e tossiu um pouco. Depois passou a minha mão pela sua cara, fechando os olhos – Por isso quando eu disse que estava apaixonado por ti, isso quer dizer tudo. Todos os sentimentos que já alguma vez senti por ti reunidos em quatro palavras – Ele parou durante um momento para apenas olhar nos meus olhos e retomou – Depois de tudo o que passámos Effy, eu sou completamente, totalmente e irreversivelmente apaixonado por ti. E confunde-me que tu não consigas ver em ti própria a tua beleza, a tua personalidade diferente, o teu sorriso único e tudo o que te apenas faz tu, e não te apaixonares por ti também.
-Por favor pára de falar como se fosses morrer Harry.
-Uma promessa é uma promessa – Ele disse com serenidade.
-Não se só a cumprires porque achas que vais morrer.
-Eu digo isto porque é exatamente o que eu sinto – O seu cabelo encaracolado suado estava colado à sua cabeça, e os seus olhos brilhavam à luz do fogo. E a única coisa que eu queria naquele momento era que ele sobrevivesse. Arranjei o seu cabelo e disse-lhe para ser forte, disse-lhe que nós íamos ultrapassar aquilo e pedi desculpa por o pôr naquela situação. Quando ele ia dizer algo, tapei-lhe a boca com o meu dedo e disse ‘shh’.
Olhei para ele mais uma vez e agi com o meu coração. Beijei-o intensamente. Foi o tipo de beijo desesperado que implorou para ele não morrer. Foi o tipo de beijo que damos a uma pessoa quando pensamos que é a última vez que a vamos ver. E aquele beijo preencheu-me. E eu quis de verdade aquele beijo. E eu estava tão triste e desesperada e ele estava tão feliz e tão frágil. Era tragicamente magnífico. (http://www.tumblr.com/reblog/59223859196/JL3EW0AR )
Já era de noite, e o furacão estava cada vez mais perto. O meu maior medo era que a gruta cedesse e que ficássemos subterrados. Assim não havia hipótese de salvá-lo. Eu estava aterrorizada, e gritava a cada barulho. O Harry estava tranquilo e conformado com tudo. Eu queria acalmar-me mas não conseguia.
-Vem cá. — Abracei-o e chorei ao seu peito. Já não conseguia aguentar mais nada. De repente ouviu-se um estrondo do lado de fora e eu agarrei-me com todas as forças a ele, ainda a chorar. Agora que penso nisso devo tê-lo magoado imenso, mas ele nunca se queixou. Harry passava a sua mão no meu cabelo e dizia que estava tudo bem e eu sabia que ele apenas estava a dizer isso para me reconfortar. Mas eu não me importava com isso. Eu queria realmente acreditar que estava tudo bem. E esse foi o último estrondo que ouvimos. Passado algum tempo afastei umas rochas para espreitar para fora e vi que o furacão tinha passado ao nosso lado. E eu comecei a chorar de alívio.
-Harry nós sobrevivemos! Já não perigo! – Virei-me para ele e não obtive qualquer resposta. – Não… Não! – Gritei. – Não morras aqui comigo!
Tive de parar de chorar porque a minha visão estava demasiado desfocada para continuar. Não o ia deixar morrer assim, sem dar luta. Tinha de encontrar pessoas rápido, ele tinha de sobreviver.
A partir desse momento não me lembro de muito, apenas que deixei a gruta e o carreguei durante kilómetros até encontrar civilização. Lá trataram dele. Eu queria estar ao lado dele o tempo todo mas acabei por desmaiar de exaustão então trataram de mim também. Quando acordei disseram-me que se ele estava estável e que se tivesse chegado 5 minutos mais tarde provavelmente não teria sobrevivido. Eu comecei a chorar de alegria. Aquilo não era um hospital, aquilo era um género de ‘campo de refugiados’ então foi difícil encontrá-lo, e quando o finalmente descobri ele ainda estava a dormir. Mas ao menos ele ainda estava ali, vivo e comigo.
*Flashback off*
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