We Are Young
5 Capítulo 4
Notas iniciais
POV Louise
Olhei em direção ao local em que Adrian estava sentado anteriormente, mesmo sabendo que ele não estaria mais lá. Havia poucos minutos, ele tinha levado Megan para um outro lado do salão, e meu coração se apertou. Lembrei das palavras da minha mãe: "Siga o seu coração", porém, se eu fizesse isso, ele me levaria para um beco sem saída, e eu acabaria batendo de cara em uma parede.
Seguir o meu coração não era algo fácil. Por mais que eu tentasse, nunca funcionava. Era como um labirinto, que me confundia e nunca deixava que eu chegasse a qualquer lugar.
– Você deveria se animar um pouco, Lou. — Ruby sentou-se ao meu lado. — Eu sei que toda essa história do Adrian te deixa mal, mas...
– Eu sei, eu sei. Mas o meu coração é incapaz de entender.
– Seu coração ou...?
– Ruby, se dependesse da minha mente, eu já teria partido para outra. Talvez simplesmente mergulhasse em meus livros e vivesse lá, até o meu príncipe encantado chegar. Mas eu sei que isso não vai acontecer. Eu não posso impedir que o meu coração acelere a cada vez que penso nele. Não posso impedir que minhas pernas tremam a cada vez que o vejo. E nem mesmo impedir as falhas em minha voz quando converso com ele. Sentimentos são uma coisa bem estranha, não? Por mais que você não queira senti-los, o seu inconsciente insiste em te arrastar para cada vez mais perto do perigo.
– Lou, eu sei que sentimentos são incontroláveis. Afinal, se não fossem, você poderia torcer o braço e dizer a si mesma que ali não existe dor. Mas você certamente sentiria essa dor. Você pode bater o joelho em um móvel mil vezes, mas você nunca estará acostumada com a dor. Você não deixaria de senti-la só pelo fato de ela estar se repetindo. Eu sei que você não pode simplesmente dizer a si mesma que não está apaixonada por ele e seguir a sua vida. Mas nada te impede de você se divertir, mesmo que ele esteja agindo de uma forma que, no seu coração, é errada. Uma paixão não pode ser o centro da sua vida, Louise.
– Ruby...?
– Diga.
– Como você sabe tanto? Eu achei que você nunca tivesse se apaixonado.
– Realmente eu nunca me apaixonei. Sempre preferi brincar um pouco e depois dar um fora. Mas eu acho que é mais fácil entender alguma coisa quando se observa de fora. Quando você está apaixonada, você está embriagada pelo sentimento, ou seja: Sua visão no mundo fica distorcida, você acaba fazendo coisas que não deveria fazer. Que você sabe que é errado, mas que faz por impulso. Um dia talvez você possa enxergar isso. Mas que tal você aproveitar que está tocando uma música boa e chamar o seu irmão para dançar e esquecer os seus problemas um pouco?
Levantei-me na intenção de chamar o meu irmão, mas percebi que um rapaz loiro e, devo dizer, muito bonito, estava vindo em minha direção.
– Está triste, princesa? — ouvi sua voz, e percebi que a pergunta era direcionada a mim.
– Eu...
– Não precisa responder. Quer me dar a honra de dançar comigo? — questionou. Fiquei feliz que tinha recém começado uma coletânea de músicas boas e, no momento, tocava Total Eclipse of the Heart, na versão do Glee.
– Eu... sou uma péssima dançarina...
– Isso não é problema nenhum. Eu te ensino. — ele piscou pra mim, e então sorriu. — Vamos?
Dei de ombros e aceitei a mão que ele tinha acabado de estender para mim.
Ele definitivamente dançava muito bem, e chamou atenção de toda a festa. Em menos de cinco minutos Thamiris já estava de olho no coitado. O vi piscar para ela e bufei, garotos...
A garota foi vindo em nossa direção, e eu comecei a ficar inquieta.
– Não me lembro de ter te visto antes — ela se dirigiu a ele, embora eu não duvidasse de que ela também não se lembrava de mim.
– Receio que não — o garoto que eu esqueci de perguntar o nome respondeu — Isto é um problema?
– Não — ela sorriu me empurrando um pouco para o lado. Tá, entendi.
– Dança comigo? — Ele perguntou. Ah, então é assim? Ele faz isso com todas?
Comecei a retirar quando o vi piscar para mim, com um sorriso travesso na cara. Não sei quem ele era, ou o queria, só sei que alguma coisa ele iria fazer.
Thamiris grudou em seu pescoço e ele segurou sua cintura, e começaram a dançar A Thousand Years. Comecei a achar que nada aconteceria, e já estava me cogitando a ideia de voltar para os meus amigos, quando o vestido da garota começou a pegar fogo. Olhei para ele que estava rindo. Gargalhei. Esse era um truque que eu precisava aprender.
– O QUE RAIOS VOCÊ FEZ? — a garota gritou desesperada enquanto tentava, em vão, apagar o fogo do vestido.
– Ué — ele riu — Você disse que eu "era quente" — ele fez aspas com os dedos — E isso subiu meu ego, então fiquei mais quente ainda — ele piscou para mim.
– Você... Você... — ela não conseguiu terminar a frase, e soltou um berro estridente, que fez com que meus ouvidos parassem de funcionar por alguns segundos.
Eu estava rindo, e o garoto gargalhava, como se o desespero dela fosse a melhor piada do universo.
Por mais incrível que parecesse, quase ninguém tinha notado a cena à nossa frente. Aliás, todos continuavam dançando e se divertindo normalmente.
Menos o meu irmão.
Percebi que ele se aproximou, e pensei que fosse gritar pela cena em sua frente, mas então olhei para o que ele tinha entre suas mãos: Uma travessa de plástico transparente com o ponche barato e ruim dentro.
Quando eu menos esperava, ele despejou todo o líquido sobre a cabeça da garota.
– Ah, estava na hora de você esfriar um pouco a cabeça, Thamiris. — ele murmurou, enquanto ria. O que eu mais queria era empurrá-la dentro da piscina, mas não era tão perto quanto eu queria que fosse...
– Vocês... ISSO É UM MOTIN? VOCÊS ARMARAM TUDO ISSO? — Thamiris gritou, assim que voltou a si.
– Na verdade, foi tudo improvisado... — o garoto loiro cochichou para Harry, e eu estava perto o bastante para ouvir.
Então ouviu-se um estralo e uma criatura horripilante entrou porta adentro. Mas apenas nós parecíamos ter notado. Thamiris havia saído correndo para trocar de vestido e os outros continuaram dançando normalmente.
POV Megan
Droga. Droga. Droga.
O problema é que ele estava tão bonito hoje, e a luz da lua que entrava pela janela refletia em seu rosto não estava me ajudando muito. Eu estava tão envolvida reparando nos detalhes de seu rosto, a maneira como uma ruga se formava levemente acima de suas sobrancelhas quando ele estava aflito, que não percebi quando ele se aproximou. Perto demais. Por tempo demais.
Quando nós nos separamos eu não consegui pronunciar uma palavra sequer. E talvez tenha sido melhor assim, porque eu acabaria falando merda.
– Meggie — ele segurou meu queixo me fazendo olhar para ele.
– Adrian, eu... — então um barulho enorme veio do salão. Nos entreolhamos e corremos, juntos. A conversa teria que esperar.
– MAS QUE PORRA É ESSA? — ouvi Katherine gritar, enquanto olhava para um ser que, aparentemente, não conhecia uma coisa chamada sabonete e nem uma outra chamada shampoo. O garoto que estava com ela, o tal Henri, tinha desaparecido, e a irmã, Adara, também não estava à vista.
Um garoto loiro, que eu nunca tinha visto antes, segurava um arco-e-flecha, e eu tinha certeza de que aquilo não era de brinquedo...
Ele atirava uma saraivada de flechas em direção ao Senhor-fedorento, mas ele simplesmente não morria. Algumas das flechas ricocheteavam, outras se fincavam na pele...
Meus amigos estavam estáticos, sem saber o que fazer, enquanto o ser investia contra o garoto loiro.
Me belisquei, para ter certeza de que estava acordada e, nesse meio tempo, percebi a volta dos gêmeos, que investiram por trás e transformaram o ser em pó.
Nem tivemos tempo para respirar e mais um entrou pela porta. E cara, o Senhor-fedorento parecia um pato de pelúcia perto deste, completamente patético.
Que seja, estávamos enrascados. Então pela porta dos fundos entra... Espera, aquela é minha mãe? Papai? Tio Chace e todos os outros? Eu só podia estar sonhando.
Vi mamãe piscar para o garoto loiro, e papai rir para ele. Eles se conheciam? Meu dia não tinha como ficar mais estranho.
– Alguém pode fazer o favor de me explicar o que está acontecendo aqui? — supliquei.
– Mais tarde, filha. Estamos com um probleminha básico aqui. — papai falou, olhando para... espera! Aquilo no ombro da minha mãe era uma aljava? — Heitor, você ataca fogo daquele lado, e eu desse, enquanto a Isa atira as flechas explosivas dela. Os outros podem cuidar das arai e dracaenae que estão vindo logo atrás dessa criatura chata aqui.
Tia Julie correu e, percebi, ela segurava uma espada, que parecia feita de gelo. Mas... gelo não deveria derreter?
– Eu cuido dos cães! — exclamou ela, dando de cara com um pitbull em zoom de 1000%. Ele rosnou por um segundo, mas, assim que ela o tocou, ele virou-se contra algumas mulheres-cobra, e devorou-as em poucos segundos.
Tia Luisa lutava ao lado de Connor, contra o que pareciam ser tiazinhas-morcego muito feias. Ninguém nunca tinha dito pra elas que uma limpeza de pele fazia bem às vezes? Parecia que elas não tomavam banho há mil e quinhentos anos!
Connor segurava uma espada cor de bronze, mas ele não cortava os seres realmente, e eu só descobri o motivo para isso bem mais tarde. Ele apenas afastava-as, enquanto Luisa ficava de olhos fechados, e, de pouco em pouco, uma chuva de poeira dourada caia sobre eles, como se o monstro simplesmente explodisse.
– Lui, tem certeza de que você não vai gastar muita energia com isso? — ouvi Connor perguntar, enquanto afastava duas criaturas.
– É melhor do que qualquer um de nós morrer por conta de alguma maldição. E você sabe que nós temos muitas especialmente para nós.
Ele assentiu, e continuaram lutando.
Tio Malcolm cortava a cabeça de algumas mulheres-cobra, enquanto Julie congelava outras e incitava mais cães a atacar os monstros.
Mamãe atirava flechas explosivas, e tio Chace e o garoto loiro faziam o mesmo. Tia Evellyn e tia Alawara faziam ondas com a água da piscina, o que fazia com que os seres fossem envoltos por água e se "diluíssem", e simplesmente desapareciam.
Parecia que eles faziam aquilo a vida inteira.
E talvez realmente fizessem.
Não pude deixar de pensar que, enquanto eu estava na escola, meus pais pudessem estar lutando contra monstros mitológicos, como agora.
Em menos de 15 minutos o exército fora dizimado. Mamãe correu para o garoto loiro e ele a pegou, em seguida girando-a no ar. Acredite em mim, se você acha que já teve algum dia minimamente estranho, você está completamente enganado.
– PAAI — mamãe gritou. Para alguém com seus trinta-e-alguma-coisa-anos ela se passaria muito bem por adolescente.
Espera, ela o chamou de pai? Ver sua mãe chamar um garoto da sua idade de pai não é muito animador, vai por mim.
Cruzei os braços, encostei na parede e pigarreei. Eles tinham muito o que explicar.
POV Chace
– Então, acho melhor irmos para casa, não é crianças? — Assentimos e entramos em nossos respectivos carros, nos dirigindo à minha casa.
Papai foi no carro da Isa, e, logo que chegamos, ele virou para a minha irmã e disse:
– Sabe, acho que o seu marido não foi tão inútil assim.
Eu não pude segurar o riso, apenas observei que Leo fechou a cara, e resolvi interromper, antes que acabasse em alguma briga ou coisa do gênero.
– Vamos para a sala de estar, lá conversamos.
Fui na frente e, quando todos estavam sentados, Megan, com todo o seu temperamento calmo, gritou:
– ALGUÉM FAZ O FAVOR DE ME EXPLICAR O QUE, RAIOS, ESTÁ ACONTECENDO AQUI?
– Meg, dá pra se acalmar?
– Tá bom. Alguém pode me explicar o que, raios, está acontecendo aqui?
Isabella suspirou e revirou os olhos.
– Filha, esse aqui é Apolo, seu avô.
– Apolo? Como o deus do Sol na mitologia grega? — Adrian perguntou, e eu ouvi Megan sussurrar "nerd" para ele, que nem se importou.
– Do Sol, das artes, do tiro com arco, da beleza masculina... Ah, por favor, sou um deus multitarefas.
– Pai, menos, bem menos... — murmurei.
– Enfim... É, Adrian. Exatamente esse Apolo. — Luisa falou, tirando um... — aquilo era um livro sobre mitologia grega? — de uma mochila que, só então, percebi que estava ali. — Poxa, crianças, para que eu contei todas aquelas histórias durante a infância de vocês?
– Porque você sempre foi boa em criar histórias? — Katherine perguntou. — Mãe, por favor... Você já publicou trocentos livros, é de se esperar que você saiba inventar histórias, e não que só conte a verdade.
– Filha, chega. — Connor olhou torto para a filha.
– Então é... tudo real? — Louise questionou. Percebi que seu olhar desviava de Adrian a cada vez que ela olhava ao redor. Teríamos que conversar sobre isso mais tarde.
Antes que alguém pudesse responder qualquer coisa, ouvi o som da campainha, e corri para a janela, para ver quem era. Abri o portão e a porta de entrada assim que vi o que o garoto usava no pescoço.
– Entre. — chamei. Ele se aproximou, e parecia envergonhado por todos os olhares que se desviaram para ele.
– Olá, senhor. Meu nome é Henri. Quíron me mandou. Desculpe o atraso, tive que matar mais algumas dracaenae antes de chegar aqui...
Olhei para trás e percebi que as feições de Adrian se endureceram, e que Katherine desviou o olhar. O que tinha acontecido com os Kirsten-Stoll, eu teria que descobrir mais tarde.
– Bom, então crianças... — Comecei — Realmente não sei por onde eu começo.
– Comece pelo início — Megan pediu.
– Tá! No princípio, tudo era o Caos, depois surgiu Gaia e...
– Não tão do início, Chace — Isa disse rindo. — Ah, deixa que eu conto. Desde sempre, os deuses tinham filhos com mortais, este chamados de semideuses, e vocês são grandinhos o suficiente para que eu não precise explicar a palavra. — ela riu um pouco — Bom, para esses garotos -e garotas- existe o Acampamento Meio Sangue, e eu acho que também não preciso explicar esse termo, que é coordenado por um centauro chamado Quíron, e é um lugar incrível. Falando em incrível, todas as criaturas mitológicas imagináveis existem. Bom... Prossiga Lui, que eu estou com preguiça.
– Bom, há vááários anos atrás, Afrodite resolveu brincar com os filhos dos deuses que nasceram naquela época... — Luisa falou, rindo, lançando um sorriso torto para Connor. — Enfim, na nossa adolescência, o mundo em que estamos se tornou um lugar perigoso e nós fomos levados para esse tal Acampamento. Lá nos conhecemos e acabamos desenvolvendo uma forte amizade... E também o amor. Acho que isso eu não preciso explicar, certo? E então vocês chegaram. Crianças filhas de semideuses. Nós usamos magia o bastante para tentar mantê-los à salvo, e não imaginamos que vocês teriam um sangue divino forte o bastante para atrair monstros... Mas acabamos de perceber o nosso erro.
– Ou seja: Vocês estão livres das provas finais. — Connor brincou. — Amanhã eu vou conversar com a diretora e explicar que houve um imprevisto e que vocês precisaram viajar. Ela vai entender... — ele piscou para Luisa, que riu.
– O que o Connor quis dizer é que vocês irão para o Acampamento agora. — Alawara falou. — Ou seja: Vocês têm uma hora para arrumar suas malas, que nós os levaremos até lá.
POV Katherine
– UMA HORA? — gritei. — Como vocês acham que eu vou arrumar as minhas coisas em UMA HORA?
– Katherine, se você não for capaz de arrumar suas malas em uma hora, você não está sequer preparada para viver, então se vira. — Adrian falou, saindo da casa do tio Chace.
– Eu posso te ajudar, Katherine. — Henri falou, segurando meu ombro. Aquele garoto não era capaz de me deixar em paz mesmo?
– Obrigada, mas não preciso da SUA ajuda. — falei, empinando o nariz. Talvez fosse um gesto infantil, mas quem ligava? — Mãe, me ajuda?
– Kate, eu não vou estar lá para te ajudar o tempo inteiro, ok? — ela comentou, tirando uma espada de não sei aonde. Estremeci. — Adara está em perigo, vou ajudá-la. Connor, venha. — e então ela saiu.
– Aceita minha ajuda agora? — o loiro perguntou.
– Por que você não vai ajudar a sua irmã? — questionei.
– Porque minha missão é outra. — revirei os olhos. Missão? Tá bom...
– Então vamos.
[...]
Chegamos à minha casa e corri até meu quarto, pegando as imensas malas cor-de-rosa dentro do meu closet. Olhei para aquele festival de cores à minha frente, formado pelas minhas roupas, e suspirei.
Me aproximei de um cabide e peguei um vestido salmão com um cinto finíssimo e coloquei em uma mala.
– Por favor, não me diga que você vai levar um vestido de marca para um acampamento de verão... — percebi que Henri estava parado ao meu lado.
– Qual o problema? Não tem festas lá?
– Tem, claro. Mas leve só uns dois vestidos, ok? Onde estão suas calças jeans? — questionou, e eu apontei para uma prateleira, com calças de todas as cores e modelos. Ele pegou um monte com umas dez calças jeans e praticamente jogou dentro da mala. — E shorts?
Encarei-o.
– O que foi? Você vai precisar de coisas confortáveis. — assenti, e então apontei para uma prateleira sobre a anterior. Ele pegou mais um monte e colocou na mala. — Agora... Algumas camisetas.
– Hã... Camisetas?
– É, você não tem nenhuma camiseta normal? — neguei. — Vai pegando alguns calçados, vou vasculhar seu closet. Você tem sorte que eu apareci.
Fui até o armário de calçados e olhei o monte de sapatos Prada que ali se encontravam. Peguei alguns e percebi o olhar de Henri.
– VOCÊ ESTÁ LOUCA? SAPATO DE SALTO? QUAL É O SEU PROBLEMA, GAROTA? — ele tirou os sapatos da minha mão e os guardou no armário mais rápido do que eu achava ser humanamente possível. — Onde estão seus tênis? Botas?
– Hã...
– Por acaso você calça o mesmo número que a sua mãe? — questionou.
– Sim... — franzi a testa. — Por que?
– Porque eu vou ter que pegar alguns sapatos dela emprestados.
– Você realmente acha que ela tem tênis?
– Acho que sim. — e correu para o quarto dos meus pais, como se soubesse exatamente onde era. Entrou no closet e foi até o local mais ao longe. Abriu um armário e me sorriu, como se dissesse "Eu não falei?". Olhei para dentro do armário e não acreditei. Tinha All Star de TODAS as cores que eu poderia imaginar. Alguns pareciam meio gastos, como se tivessem sido usados por vários anos. Outros pareciam novos. Me aproximei mais e Henri começou a tirá-los do armário. Um preto, um cinza, um vermelho, um branco... Primeiro as cores clássicas, era isso? E então um salmão, um rosa, um amarelo, um azul-marinho, um verde-água... — Eu falei que ela teria. Acho que já está bom. Coloque na mala de calçados. Vou pegar dois pares de botas.
POV Henri
Eu não comentaria nada, mas, quando voltei ao quarto de Katherine, ela estava sentada em cima da mala, tentando fechá-la. Pensei que garotas fossem mais organizadas...
– Por acaso você já fez isso antes? — questionei, gesticulando para que ela saísse de cima da mala.
– Isso o que? Fechar a mala?
– Arrumar uma mala, para ser mais específico...
– Não. Minha mãe e a minha governanta fazem isso por mim.
– Então você realmente tem muito o que aprender no Acampamento, Katherine...
– Já entendi essa parte. Quanto tempo tenho pra isso? — perguntou.
– Exatos... seis minutos e trinta e dois segundos. — falei, olhando para o relógio.
– Tudo bem, senhor pontualidade, me ajude com isso.
POV Megan
Eu estava feliz por estar indo para um Acampamento de verão. Durante toda a minha infância eu pedi para ir, mas nunca podia. E agora eu entendia o motivo.
No Acampamento, eu não precisaria me preocupar com roupas. Não que eu realmente me preocupasse com isso, mas... Ah, às vezes eu tinha que honrar alguma coisa e blá blá blá... Bom, dane-se. Peguei minhas melhores camisetas (as de super-heróis, claro) e todos os shorts que pude encontrar, isso fora minha coleção de All Stars. Joguei tudo dentro das malas que estavam em cima da minha cama e resolvi levar uma mochila, bem confortável e leve, mas vazia. Senti que precisaria dela.
Peguei as chaves em cima da cômoda do quarto e as coloquei no bolso do short. Peguei as malas que eu tinha arrumado, a mochila, e uma mala tamanho extragrande que mamãe tinha arrumado para mim, e que preferi não espiar.
– Estou prontaaaaaaa — cantarolei, batendo na porta do quarto de Jake.
– Um segundo — ele pediu, destrancando a porta logo em seguida e aparecendo com a mesma quantidade de malas que eu. E pelo visto mamãe tinha preparado uma para ele também. — Vamos?
– Let's go to the camp, brother! — falei, rindo.
POV Ruby
– Você vai mesmo levar todos esses livros? — Amber questionou, vendo a pilha de livros que eu tinha colocado na mala.
– Qual é o problema?
– Nós estamos indo para um Acampamento de verão. Você realmente acha que vai ter tempo para ler por lá?
– Vai terminar de arrumar suas coisas, ok?
POV Marie
Eu não sabia se ficava feliz ou triste por ir para esse lugar. Jake estaria lá. Mas também teria muito mais gente lá... Gente que eu não conhecia, mas com quem eu teria que passar várias semanas...
Mamãe me dissera para ficar tranquila, que aquilo se tornaria minha segunda casa. E, deuses, como eu queria acreditar naquilo...
– Marie, você acha que eu levo o meu iPod branco ou o preto? — Ashley entrou no meu quarto, com um em cada mão.
– Leva o branco, tem músicas melhores... — murmurei, enquanto colocava alguns suéteres na minha mala.
– Estou ansiosa. Mamãe disse que existem garotos muito bonitos por lá. — ela me lançou um sorriso torto. — Quem sabe você até esqueça do Jake, hum?
– Ash, eu...
– Tá, não precisa responder. Vou terminar de arrumar minhas coisas. Até daqui a pouco.
POV Jake
– GAROTAAAAAAAAAAAAAAAS – gritei, animado, com Meggie rindo loucamente no banco do motorista, enquanto seguia o carro do tio Chace.
– Meus deuses, Jake, existem mais coisas além de garotas.
– Tipo? – perguntei, rindo alto.
– Tipo garotas de sutiã — ela riu — Mentira, tipo, sei lá, aventuras?
– Aventuras com garotas de sutiã? – perguntei.
– É, pode ser. – ela gargalhou.
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