We Are Young
4 Capítulo 3
Notas iniciais
POV Katherine
— Mãe, você que deixou esse colar de coruja aqui? — perguntei, olhando para o objeto não conhecido sobre minha escrivaninha.
— Que colar de coruja, Kate? — ela questionou, entrando no quarto. Mamãe ainda vestia suas roupas brancas de médica, e seus cabelos estavam presos em um coque. Mesmo com as roupas que a deixavam séria e madura, mamãe parecia jovem, e eu não lhe daria mais do que 25 anos. Ficava me perguntando se eu teria a mesma aparência quando chegasse à idade dela.
Mostrei-lhe o colar, e ela o tirou da minha mão.
— Não fui eu... Será que não foi presente do seu pai? É de ouro, 18 quilates, aparentemente. E essa pedra azul aqui no meio parece ser um topázio... É bem a cara do seu pai dar presentes de surpresa.
Ouvi a porta ser aberta, e o cabelo loiro escuro e os olhos do meu pai surgiram, e ele entrou no quarto. Papai também parecia um imortal. Seu sorriso era radiante, mostrando dentes esplendorosamente brancos. Seu rosto era lisinho, sem indícios de rugas, e seu corpo também não era nada mal.
— Estão falando de mim? — ele perguntou, sorrindo.
— Estava nos ouvindo atrás da porta, pai?
— Basicamente... de que colar estão falando? Eu comprei um sim, mas de presente de aniversário, e seu aniversário ainda não chegou...
— Então quem deixou esse colar aqui? — indaguei.
Mamãe e papai se entreolharam, em uma conversa silenciosa. Tantos anos juntos, aparentemente, tinham acabado nisso: os dois não precisavam trocar palavras para se entender. Eles precisavam apenas olhar um para o outro.
— Use o colar, foi presente da sua avó. — Mamãe falou, subitamente, e papai assentiu com a cabeça.
— Vovó? Mas...
— Lembre-se das histórias que eu lhe contei no natal, há seis anos. Eu e seu pai precisamos conversar. — e saíram do quarto.
Coloquei o colar e ele era mais leve do que aparentava. A pedra azul brilhava mais do que qualquer outro topázio que eu já vira na minha vida. Fiquei olhando para ele em meu pescoço pelo espelho do quarto, até Better Than Revenge começar a tocar. Com certeza alguma de minhas amigas estava ligando.
Peguei o celular e vi o nome de Megan no visor, e atendi rapidamente.
— Kate!!! — ela gritou, fazendo com que eu afastasse o celular do ouvido por um instante.
— Oi pra você também, Meg. — falei.
— Que fantasia você vai usar na festa da Thamiris amanhã? — ela perguntou, rindo. Eu ainda não acreditava que ela tinha nos convidado para a festa à fantasia que iria fazer no dia seguinte, sem um motivo aparente.
— Sinceramente? Acho que vou escolher a fantasia hoje. Quer ir à loja comigo?
— Claro. Que fantasia será que a Thamiris vai usar? De dragão?
— Quanta maldade, Meg... Ela não precisa de fantasia pra isso. — eu estava rindo muito. — Mas se ela usar alguma das roupas que a mãe dela desenha, ela pode ir fantasiada de botijão de gás sem problema nenhum.
— Exatamente por isso que eu não frequento estilistas em Inwood. As do Upper East Side são milhões de vezes melhores.
— Exatamente por isso que eu não frequento Inwood. Vai que encontro alguma sósia da Thamiris por lá?
— Bom, amanhã nós vamos lá. Quero só vê-la dar em cima do Adrian durante toda a festa. Isto é... Se ele for.
— Ele vai, por ter certeza. Ele não perde a chance de ver garotas com fantasias coladas.
— Em que loja você quer ir? — ela questionou, assim que parou de rir.
— Que tal a Michaels? A variedade é ótima, e a qualidade também.
— Claro. Acho que eu vou comprar uma fantasia de mulher maravilha...
— Que coincidência. — ri. — O Adrian vai usar uma fantasia de Super-homem.
— Sem piadinhas...
— Acho que vou comprar uma fantasia de Mulher-gato. Vou à sua casa daqui a pouco, daí iremos à Michaels. — falei, e desliguei.
Abri meu closet e procurei por algo para vestir. Encontrei um shorts social preto de cintura alta e uma blusa azul que combinasse. Calcei uma sapatilha dourada e prendi o cabelo, deixando os cachos razoavelmente destacados. Fiz uma maquiagem leve com tons de marrom e dourado e peguei o tablet, para olhar minha lista de compras. Fantasia, maquiagens novas, uma bota... ouvi a campainha e joguei o tablet sobre a cama. Peguei o cartão de crédito e fui atender.
Megan vestia uma calça jeans escura, All Star preto e uma camiseta do Batman. Esse era o normal dela. Seus cabelos estavam soltos e caíam sobre os ombros, e seus olhos estavam marcados com delineador preto.
POV Ruby
Olhei para o livro alemão e percebi que faltava apenas um capítulo. Antes de terminar, resolvi ir até a cozinha pedir para a cozinheira fazer brigadeiro.
— Judith, você pode fazer brigadeiro para mim, por favor? — questionei.
— Claro, Ruby. Eu levo no seu quarto quando estiver pronto.
— Obrigada. — voltei para o quarto, pensando em colocar alguma música agitada para aliviar a cabeça, afinal, ler Harry Potter und die Kammer des Schreckens era cansativo, por mais que a história fosse ótima e eu já tivesse lido em inglês. Entrei no quarto, e, quando percebi, um grito seco irrompeu pela minha boca.
— Quem é você? Quem... o que está fazendo no meu quarto? — gritei, arfando.
— Acalme-se, Ruby. Eu teria tocado a campainha, mas não queria correr o risco de algum empregado atender. — o homem falou, esticando as pernas por sobre a cama. Ele era muito bonito, por sinal... Xiu, Ruby. Cale os pensamentos. Esse cara está invadindo o seu quarto. Você não tem ideia de quem ele seja.
— Quem é você? — repeti, enquanto pegava o celular de cima da cômoda e digitava o número do papai.
— Ruby, Ruby... não adianta ligar pro seu pai... Ah, olha só quem anda lendo em alemão... — ele pegou o livro que estava em cima da cama. — Você realmente parece com o seu pai. Fora o fato de que ele não gosta muito de ler...
— Você conhece o meu pai?
— Claro que eu conheço. Na verdade, eu sou seu avô.
Não aguentei e soltei uma gargalhada.
— Avô? Tá mais pra tio mais novo. Fora o fato de que meu pai não tem irmãos.
— Ligue para o seu pai, então. Se você não vai me deixar explicar a história...
POV Louise
Ninguém nasce preparado para o amor. Especialmente para um amor não correspondido. Você poderia me dizer: mas todos nascem sabendo amar os pais. Sim, isso é verdade. Mas esse é outro tipo de amor. Com este, você não terá preocupações. Está gravado na parte mais superficial do seu coração que eles te amarão, irremediavelmente, independentemente do que acontecer, não importa o que você faça. Porém, o amor romântico é outra coisa. Ninguém nasce pronto para a sensação de ter o coração quebrado por causa do amor.
— Louise, você vai ficar divagando pro resto do dia? Tem a festa da Thami amanhã, não vai comprar fantasia? — Harry chamou, interrompendo a minha tese mental.
— Thami? Really? — comecei a rir, olhando pra ele. — Pensei que não gostasse dela.
— Ora, ela pode ser chata, mas é gostosa. — revirei os olhos.
— Quantas vezes eu vou ter que repetir que mulher não é comida para você chamar de gostosa?
— Lou, me deixa viver?
— Você só não está pior do que o papai porque ele era fogo... — comentei.
— Maninha, se você me deixar em paz, eu arrumo o Adrian pra você.
— Em primeiro lugar: eu quem tenho que te deixar em paz? E, em segundo lugar: o Adrian é apaixonado pela Megan. E sabe muito bem que eu gosto dele. E me trata como a irmãzinha mais nova...
— Tudo bem, mas você vai à festa, certo?
— Papai não tem show amanhã?
— Por milagre, não. Bom, vou pro meu quarto, depois a gente se fala. — e saiu, batendo a porta.
Suspirei, me jogando na cama, pensando em dormir o resto do dia... mas não podia. Eu seria obrigada a ir à festa. E precisaria de uma fantasia... droga. Era nessas horas que eu odiava pertencer à "alta sociedade".
E o pior: teria que ver o Adrian flertando com a Megan, enquanto minha amiga não ligava a mínima para ele.
O amor talvez viesse nas piores horas. No meu caso, ele veio na pior hora e transformou todas as outras nas piores. Ser ignorada por alguém que mal se conhece talvez seja ruim o bastante. O meu caso era ainda pior: eu era ignorada por um quase irmão que eu amava. Minha vida inteira eu passei ao lado dele, e ele nunca gostou de mim de outra forma. Amar alguém que eu via todos os dias era algo realmente torturante.
Sabe quando você até tenta ignorar a pessoa, mas o seu interior faz com que seus olhos se desviem sempre para a direção em que ela está? É como se você fosse um pedaço de metal e ele um ímã, que te atrai inconscientemente.
Relacionamentos são coisas complicadas, às vezes você acaba se apaixonando por alguém que não conhece, às vezes conhece alguém pelo qual se apaixonou. Ver a pessoa que você ama correndo atrás de outra todos os dias é algo que acaba com seu psicológico, ainda mais quando as duas pessoas são próximas a você, e você acompanha toda a situação de perto.
Resolvi parar de paranoia e ir comprar alguma coisa, que era o melhor que eu podia fazer.
POV Harry
Me joguei em minha cama e observei a fantasia que estava pendurada na parede: Era perfeita! Essa noite seria o máximo, e o plano já estava todo armado. Gargalhei. Thamiris teria a melhor — ou pior — festa de todas.
Afinal, quem mandou ela dar um fora em mim? Ela realmente não sabia com quem estava se metendo.
Ah, você com certeza não sabe a história. Vou contá-la a você.
*flashback on*
Era festa do John, o garoto com o menor cérebro de toda a escola. Mas, por ser festa da alta sociedade, e como eu sabia que a minha medalha estaria mais próxima de mim, acabei comparecendo.
— Thamiris! — exclamei, assim que a vi. Ela usava um vestido extremamente provocativo, que, aliás, meu pai nunca deixaria a minha irmã usar, vermelho, com um salto muito alto preto, e maquiagem bem forte. Bom, eu não podia perder a chance.
— Você é... hã... aquele carinha idiota da escola que ACHA que sabe tocar guitarra e o diabo a quatro? — ela sugeriu, com a voz irradiando repulsa.
— Acontece que eu sei tocar. — murmurei, para mim mesmo. Eu não podia perder uma medalha por conta de uma provocação, certo? — Não, acho que não. Meu nome é Harry.
— Harry? Ai, que nome sem graça... — de repente, sua atenção se voltou para o copo de ponche em sua mão.
— Sem graça? — Perguntei — Docinho, a única coisa sem graça aqui é o fato da sua boca estar tão longe da minha.
A garota bufou e se retirou.
Bufei, essa não ia ficar barato
*flashback off*
Bom, claro que depois disso eu ainda peguei umas quatro, mas eu não deixaria exatamente essa passar, essa teria um troco e seria um troco bonito.
Claro que minha amada irmã diria que isso é sexismo, machismo, ou qualquer outro nome que ela daria para alguém que diminui as "minorias". E, é óbvio, eu nunca dava ouvidos a ela.
Por que daria? Oras, a garota feriu o meu ego. Completamente. E quem feria o meu ego nunca poderia ficar impune.
E a noite chegou...
POV Katherine
Noite da festa. Chegamos ao local com nossas fantasias lindíssimas (e caras) e, bom, não nos misturamos muito. A área de festas incluía uma piscina, na qual eu estava morrendo de vontade de empurrar a Thamiris, com sua fantasia quase transparente, e várias poltronas de couro preto e branco. Nos sentamos próximos à mesa de bebidas e pegamos um copo de ponche de uva sem álcool, que, diga-se de passagem, parecia ter sido feito com o suco mais barato que tinha no mercadinho da esquina.
— Isso está horrível! — reclamou Megan.
— O que acham de melhorarmos um pouco isso aqui? — Adrian levantou um pequeno frasco, abriu-o e batizou a bebida.
— Esse é o meu garoto. — Megan riu. — Agora torça para que ninguém mais tenha visto.
— Obrigado pelo otimismo, Meg. Também te amo.
— Você me ama que eu sei.
Quando os dois começavam a provocar um ao outro, eu preferia sair de perto. Então, nesse caso, resolvi andar pela área de festas, ouvindo a música brega que tocava. Diga-se de passagem, eu preferia ouvir as músicas que meus pais ouviam durante a adolescência do que coisas como essas. Só torcia para que depois as músicas melhorassem... Minha fantasia atraía olhares por todos os lugares pelos quais eu passava. Estava realmente me arrependendo de ter escolhido algo tão colado...
— Ora, ora, mulher-gato? Posso ser o seu Batman? — falou uma voz grave, que eu fui incapaz de reconhecer. Virei-me e me deparei com um sujeito alto, que parecia ser um pouco mais velho que eu, talvez dois ou três anos, vestindo uma fantasia do Batman.
— Cai fora, eu não sou dessas. — falei, um pouco alto, para que ele pudesse me ouvir com a música tocando. Enquanto isso, dei dois passos para trás. Dois passos até conseguir tropeçar em uma lata de cerveja amassada que alguém tinha deixado ali. Palmas para Katherine Stoll, por conseguir esse feito.
— Precisa de ajuda? — o mesmo sujeito perguntou, estendendo a mão. Eu recusei. — Fique calma, eu não sou nenhum estuprador. — revirei os olhos e me levantei, tentando limpar a fantasia.
— Não preciso da sua ajuda.
— Podemos ao menos conversar? — questionou.
— Olha só, garoto: Ou você me deixa em paz, ou eu chamo o meu irmão e meus primos para darem conta do recado. — virei as costas e saí, andando em direção aos meus amigos.
— Que foi, Kat? Parece tão irritada... — Adrian questionou, sentando pro canto da poltrona de dois lugares, para dar espaço para que eu sentasse entre ele e Megan.
— Um filho da puta dando em cima de mim. Eu devia ter dado um chute nas partes baixas dele.
— Katherine, você é bonita, não é como se nunca tivessem dado em cima de você em uma festa. — Jake falou, dando de ombros, enquanto tomava um gole do ponche batizado. Adrian lhe lançou um olhar mortal. — Que é isso, cara? Eu sei que é sua irmã, mas não é como se você não falasse coisas parecidas sobre a minha.
— Maninha, deixa que eu dou um jeito nele depois, ok? — eu sorri.
— Isso tem álcool? — perguntei, apontando pro copo plástico com líquido avermelhado que Adrian segurava. Ele me ofereceu.
— Pode tomar. — ele deu de ombros. Peguei o copo e tomei um gole. Continuava ruim, mas eu resolvi ignorar.
— Ora, ora, não é que vocês vieram? — perguntou uma irritante voz conhecida. Thamiris, que eu já tinha visto de relance, usava um vestido branco com muito glitter, cujo decote mostrava uma boa parte dos seios e era curtíssimo e bem colado. Asas de borboleta cor-de-rosa cobriam suas costas, o que me fez crer que ela estava fantasiada de borboleta. Uma borboleta bem vulgar, aliás. Ninguém avisara a ela que, quando se usa saia curta, não se pode usar decote? E que não se mistura as três características em uma só roupa?
— E perderíamos uma festa, darling? — Megan falou, ironicamente.
— Sei que não. Bom, eu gostaria de lhes apresentar meus primos. Possivelmente vocês se darão bem. Henri, Adara, venham aqui. — ela gritou, e os dois apareceram ao lado dela em poucos segundos. Não acreditei quando vi o tal Henri: o mesmo garoto de antes, com a fantasia do Batman.
— Henri, Adara, esses são Megan, Katherine, Adrian, Jake e... Bom, que seja. Vou voltar para meus convidados.
— Katherine, pardón... — ouvi-o dizer. — Não queria que pensasse mal de mim.
— É esse o cara? — Adrian perguntou, cerrando os punhos. Eu assenti.
— Por favor, não. Eu só queria pedir desculpas, não quero arrumar uma briga.
— Devia ter pensado nisso antes de dar em cima da minha irmã. — Adrian falou, com dentes cerrados e desgosto preenchendo sua voz.
— Como se ninguém nunca tivesse feito isso — Megan revirou os olhos — Prazer, Meggie — disse cumprimentando os irmãos.
— Sou Jake — Valdez acompanhou sua irmã — E o esquentadinho ali é o Adrian, sua irmã, bem, acho que vocês já se conheceram.
— Não como gostaria — O garoto piscou, me deixando brevemente vermelha.
Adrian se levantou cerrando os punhos indo até o suposto Batman, Megan o puxou para seu lado o garoto que já estava xingando aos montes.
— Adrian, deixe. Não precisa. Se ele está se desculpando, talvez esteja mesmo arrependido. — falei, com a expressão dura.
Uma música do tempo do meu avô, literalmente, começou a tocar Finalmente as músicas estavam melhorando. Se não me engano, aquela música se chamava Time Of My Life e pertencia a um filme.
— A senhorita me concede essa dança? — perguntou, me estendendo a mão. Eu não sabia o que fazer. Uma parte de mim clamava para ir, e outra me dizia para ficar longe dele. Olhei para Megan, que assentiu. Adrian me puxou e sussurrou em meu ouvido "Qualquer coisa, nós estamos aqui. Talvez assim ele te deixe em paz."
— Oui, monsieur. — falei, e peguei a mão estendida. — Afinal, quem, exatamente, é você?
— Essa é uma pergunta muito subjetiva, senhorita Katherine. Quem, exatamente, é você?
— Eu perguntei primeiro.
— Responda, então eu responderei.
— Sou Katherine Kirsten Stoll, filha de Luisa Kirsten Stoll, uma famosa oncologista e engenheira biomédica, e Connor Stoll, gerente de sistemas de informação e computação.
— Viu como essa pergunta pode ser subjetiva? Eu esperava ouvi-la responder sobre você mesma, e não sobre seus pais, afinal, a profissão dos seus pais não lhe define. Isso não me informa sua cor favorita, os tipos de música que você gosta, se você está dançando essa música com algum conhecimento da coreografia ou se não sabe nada e está aqui só porque eu lhe chamei. Não posso saber se você tira notas altas ou se toca algum instrumento musical. Não me diz se você me despreza pelas primeiras palavras que ouviu de mim ou se me amará depois que saber que não sou esse monstro que você desenhou. Mas, se o que você quer saber de mim é nome e profissão dos meus pais, vou lhe dizer: Meu nome é Henri Elliot Valentin, filho de Charlotte Valentin, uma mulher que provavelmente já desenhou alguma das roupinhas que você gosta de usar.
— Agora me diga: o que você quer comigo? — perguntei, com uma expressão séria.
— Caramba, garota. Você é difícil. Eu te achei bonita, quero te conhecer. Não sei se te verei de novo, mas...
— Eu não sou garota de uma noite só. Então não me trate como uma.
— Você entendeu tudo errado. E, se você puxou esse gênio da sua mãe, eu realmente tenho pena do seu pai.
— Não fale da minha mãe. Você não a conhece.
— Talvez não. Mas eu não fiz nada além de um comentário.
POV Megan
— Meg, posso falar com você? — Adrian chamou.
— O que você quer, Adri? — perguntei. Adrian pegou minha mão e me puxou em direção a um lugar mais silencioso da casa.
— Megan, eu...
— Você... — falei, impaciente.
— Megan, você sabe que eu sempre gostei de você, não sabe? Você... Quer namorar comigo?
— Duas coisas, Adrian: Você certamente ainda está fora de si por causa da história com a sua irmã e está agindo por impulso. E eu até aceitaria, mas eu sei que isso estragaria a nossa amizade. Adrian, você é meu melhor amigo, e você merece alguém melhor que eu. E você vai achar. Desculpe, mas eu não posso.
— Megan, por favor... eu te amo. Sempre amei. E você é a única que eu quero. — ele se aproximou e, antes que eu percebesse, nossos lábios se tocaram. Uma atmosfera onírica me envolveu, por mais que eu quisesse evitá-la.
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