Notas iniciais
HOHOHO! De natal, trago como presente o ultimo capitulo! Obrigada a todos que acompanharam!! Estou muito feliz de concluir essa história! Obrigada. Obrigada.

P.O.V Percy

Descemos da van mais parecendo uma daquelas famílias de um filme da Disney. É claro, se essa família estivesse fugindo de um dos maiores traficantes dos EUA. Coloquei Jason embaixo do braço, Annabeth foi entre Leo e Thalia, enquanto Tequila abria o caminho com Whisky. “ Merda, Merda, Merda. “

Uma mulher seminua, de salto e com uma plumagem de Piterodacitos, passou por nós, desfilando em um salto alto gigantesco. “ Bom, pelo menos vamos ver um desfile de nudismo antes de vocês sabem: A gente morrer! “ Leo enfatizou.

“Ninguém...vai...morrer. “ Disse enquanto desviava por entre a multidão, Manobrando Jason de um lado para o outro. “ Escutem. “ Disse assim que chegamos a um ponto menos movimentado da avenida. “ Octavian está atrás de mim. “

“ Que perceptivo. “ Disse a ex punk.

“ Hahaha. “ Ri sem graça. “ Se você não tem no mínimo três anos na tranbicagem não tem direito de fala. “ Thalia revirou os olhos em resposta.

“ Quer parar de dar uma de apresentador de Tv e falar logo o plano, cabeça de alga? “ Annabeth perguntou, engolindo em seco, os lábios tremendo pela adrenalina.

Não por medo.

Não quero pensar que esteja com medo, por ela, pelas crianças, por mim.

“ Bom, eu acho que essa parte é comigo. “

Olhei institivamente para trás, só para ter certeza de que ele estava realmente ali. A barba rala estava por fazer, os cabelos uma vez pretos, estavam mais claros, e os olhos verdes tinham algumas linhas de expressão, mas meu pai até que tinha mantido o físico, para suas quase cinco décadas.

“ Poseidon? “ Annabeth engasgou com o ar.

“ Pai. “ Confirmei.

“ Vovô. “ Leo disse jogando os braços ao redor dele, de um jeito totalmente descoordenado.

“ Leo. “ Thalia o repreendeu, o puxando pela camisa.

“ Pinto. “ Jason gritou, sacolejando as mãozinhas gordinhas no ar, para o que parecia ser – e na realidade, era – um vibrador preso por uma corrente de plástico no pescoço do meu pai.

“ Hm. “ Poseidon empurrou os ombros de Leo para baixo, se desvinlhinchando dele. “ Percy, quer me explicar o que está acontecendo? Não entendi bem sua mensagem de voz, alguma coisa sobre Tequila e Vodka...” Tequila latiu ao escutar seu nome e já foi tratando de se abanar para agradar o pinto...quer dizer, meu pai.

“ Pai, porque tem um pinto no seu pescoço? “ Perguntei, ignorando sua pergunta. Afinal de contas, era um pinto bem grande, e só para constar estava no pescoço do meu pai, que apesar da idade, ainda era um homem bem grande.

Parecendo envergonhado, ele passou o cordão de plástico pela cabeça e o jogou de lado. “ Sabe que eu gosto de apoiar todas as causas, afinal de contas, seu Tio Apolo disse que era um bom jeito de conhecer garotas. “ Deu de ombros.

“ Numa parada gay? “ Thalia perguntou, enrugando a testa.

“ Não acredito que colocou seu pai nisso, Percy. “

Olhei para Annabeth com a minha maior cara de: o que queria que eu fizesse?

“ Me colocar no....Tem um pássaro na minha cabeça. “ Ele parou, subitamente, travando a coluna e os braços no corpo.

“ Ah, Whisky gostou de você. “ Leo afirmou. Agora oferecendo o dedo para a Ave se apoiar. “ Ooops. “ Riu um pouco sem graça. “ Acho que ele confundiu seu cabelo com o carpete do trailer, foi mal aí, Vovô. “

“ Mais que.. “ Poseidon mexeu a cabeça e fez uma careta em resposta. “ A ave cagou em mim, Perseu. “ Disse com aquela voz séria de pai, a raiva quase cortando as cordas vocais. “ E a ave se chama Whisky, então eu sugiro que comece a explicar o que está acontecendo, e porque esse moleque metido fica me chamando de vovô. “

Olhei de relance para Annabeth, que esticou os braços para pegar Jason. Meu pai seguiu meu olhar, e algo no jeito que seus olhos brilharam me deixaram com medo. Como quando vendi sua coleção de discos do Elvis Presley, achando que eram só cópias, ou quando comprei um Dodge antigo com o dinheiro que consegui vendendo distintivos falsos para uns calouros na faculdade.

“ Tem tempo para uma bebida? “

Ele assentiu, cruzando os braços sobre o corpo. “ Vamos para casa, então. “

(...)

Meus pais se separaram quando eu era pequeno. Então, eu sempre fui acostumado a ver decepção no rosto das pessoas quando eu dizia: “Ah, não, meus pais não são mais casados. ” Eu sempre tive dois natais, dois anos novos, duas pascoas e duas ações de graça, a coisa dos aniversários eram em conjunto, eles ainda queriam manter uma certa familiaridade do que já fomos.

Então, eu sabia que assim que contasse para meu pai dos meus esquemas corruptos e ilícitos, ele não ia ficar muito feliz. Muito menos em saber que ele era o único que podia me ajudar naquele momento.

“ Está me dizendo que durante esses seis anos que você deveria estar trabalhando como gerente em uma sorveteria, na realidade, estava traficando drogas de um cara multimilionário, que na realidade, te mandou até o Brasil pra pegar uma carga obscena de maconha por vinte e cinco mil dólares... “

“ Na realidade, ele nunca ia me dar o dinheiro. “ Suspirei alto, apertando as mãos. “ Acho que Octavian armou para mim, de algum jeito. O cara é um babaca. “

“ Não me diga. “

“ Pai, por favor, não faça eu me arrepender de ter te pedido ajuda. “ Pedi, apertando os olhos com força.

“ Bem, Percy. “ Ele puxou o ar com força, e o soltou. “ Sinceramente, não sei o que quer que eu faça. “

Olhei para ele, cético. “ Não é obvio? “ Disse com desdém. “ Prende o cara. “

“ Ah, prender Octavian State? Era só isso? “ Perguntou, suavizando seu tom de voz. “ Para você, meu filho de ouro, qualquer coisa! “ Ele deu um tapinha no balcão, de seu escritório. Olhei para ele de soslaio, enquanto bebia meu último gole de cerveja. A história toda demorou uns vinte minutos, com algumas interrupções de Jason e Tequila correndo e latindo pelo corredor.

“ Olha, eu sei que eu fiz merda... “

“ Que perceptivo. “ Fez um gesto levando a bebida até a boca, e coçando a nuca em seguida. “ E em qual momento você planejou meter a sua prima nessa confusão? Ainda mais, dois adolescentes e um infante? “

“ Olha aqui, Jason é uma criança estranha, mais não precisa esculachar o fedelho. “ Me alterei, agora me pondo de pé, totalmente irado. “ Eu sei que fiz merda, sei que foi errado meter todo mundo nessa merda de acordo furado. “

“ É engraçado que você continua repetindo isso, como se de alguma maneira, fosse mudar as coisas. “

Parei der repente, olhando para ele fixamente. Fazia quase seis anos que não nos víamos pessoalmente. E agora, estávamos brigando. Bom, no caso: ele estava brigando comigo.

“ Percy, eu sinceramente não sei o que espera que eu faça filho. “ Disse empurrando as costas contra o balão. “ Você sabe que se meteu numa encrenca muito grande, não é? E eu sou Sargento do Seiscentésimo distrito aqui no Rio de Janeiro, já vi muita encrenca da grande, meu filho! Sabe que se eu prender Octavian, também vou ter que prender você. Não sabe? “

Respirei fundo, soltando o ar de vagar entre os dentes. “ Sim, eu sei. “

Poseidon olhou para mim como se eu tivesse dito que tem mais sal do que água no mar. “ Não acredito. “

“ É o único jeito. “ Dou de ombros. E agora olho para a lata vazia em minhas mãos. “ Sei que é loucura, mas aqueles lá fora, são minha família. “ Inclino o queixo para trás, na direção da porta, e meu pai segue meu olhar, mesmo sabendo que não tem ninguém especifico ali. “ E eu falhei com eles, com você também pai. “

“ Percy... “ El começou levando as mãos a boca. “ Não sei o que dizer... eu...”

“ Só preciso que dê a sua palavra de que nada vai acontecer a eles. “ Pigarriei, sentindo minha voz embargar. “ Eu, hm, me apeguei aos moleques e hm, Annabeth... “

“ Você a ama. “ Ele concordou, admirado. “ Sempre a amou. “

“ Anh, essa coisa de compartilhar os sentimentos é estranho. “ Funguei, jogando a latinha no lixo. “ Vou tomar uma ducha, dizem que a água na prisão não é encanada... “

“ Espere, Perseu... “

Mas eu já tinha ido. Era outra coisa que eu já estava acostumado. Quando as coisas ficavam muito sérias, eu ia embora. E Poseidon sabia disso.

(...)

Dentro do banheiro, tratei de ficar embaixo da água pelo maior tempo que consegui, o cheiro familiar do sabonete de lavando me ajudou a acalmar um pouco os nervos. A água caia livre atrás da minha cabeça, descendo pelas costas e aliviando o inferno de tensão que estava meu corpo.

A idéia de passar uns bons anos apodrecendo na cadeia, quase superava meu medo de não conseguir mais tocar Annabeth, ou de alguma coisa ruim acontecer com Leo, Thalia e Jason. Merda, até o cachorro e a ave me vinham a cabeça agora! O jeito que meu pai olhou para mim... a decepção. A surpresa.

O barulho do trinco da porta girando me distraiu um pouco, inclinei a cabeça para trás só para ver Annabeth se esgueirando pelo box, como uma batedora de carteiras. E é estranho dizer, mas aquilo era sexy pra caralho!

“ O que está fazendo aqui? “ Perguntei, apesar de a resposta ser obvia, já que a loira começou a tirar o vestido de tecido fino, revelando as peças minúsculas do biquíni infernal.

“ Minha adrenalina está baixando, e se eu ficar sã, posso eu mesma te matar. “

Dei espeço para o lado, assim que ela entrou.

“ Não precisa arranjar desculpas pra me ver nu, sabidinha. “ Sorri de lado.

Annabeth entreabriu a boca, e por um instante pareceu desconcertada.

Porra, como eu amo ela.

“ Eu já disse que preciso de um banho. “

“ E eu, preciso de você. “ Dito isso, minhas mãos foram institivamente para sua nuca e seu quadril se juntou ao meu, minha boca pressionou sobre a sua.

Seus olhos acinzentados estavam claros como um dia levemente nublado, ela me trazia uma calmaria naquele momento que nem eu sabia explicar.

“ Agora quem está arranjando desculpas, para beijar quem, hein? “ Ele sorriu de canto de boca, e meu coração poderia derreter logo ali. Annabeth, seminua no banheiro comigo, era tudo o que eu precisava para melhorar meu dia, afinal.

Olhei para ela, realmente olhei. Acho que ela sentiu, porque seu sorriso se desmanchou, e ela afrouxou um pouco em meus braços. “ Sabe o que eu preciso fazer. “ Disse, apoiando minha testa sobre a sua, cinza no verde.

Nossos olhares diziam um milhão e meio de coisas por segundo. “ Eu sei. “

“ Eu amo você, Annabeth. Sempre amei. “

Seu lábio tremeu, quando ela suspirou. “ Amo você, Percy. “ Uma mecha de cabelo sua, cobriu parcialmente seu rosto. “ Não sei o que fazer com isso que estou sentindo. É como se meu corpo inteiro estivesse falhando. “

“ Eu sei. “ Puxei seu corpo para mais perto de mim, meus polegares massagearam seu rosto. “ As pessoas sempre nos ensinam a nos importar com as coisas, que somos biologicamente programados para sentir dor. “

Annabeth se enroscou em meu pescoço e eu a abracei pela cintura. Ficamos um tempo assim, deixando que a estranheza do abraço fosse passando, que nossos corpos fossem se reacostumando um com o outro e que nossos corações, batessem no mesmo ritmo.

“ Queria te visse outro jeito. “ Ela sussurrou próximo a meu ouvido.

Eu também.

(...)

Na sala, Thalia e Leo estavam assistindo um filme de...bem, algo morto e muito feio, que ela logo disse ser: Um alterego da minha possível morte.

“ Crianças. “ Engoli em seco, tentando não desmanchar a pose. “ Um poço de morbidez. “

“ Pipoca. “ Jason resmungou perto de mim. Veio todo murchinho como um daqueles porcos espinhos bebês…Certo. Preciso parar de assistir o Animal Planet. “ Cabou, Pipoca? “ Seus olhos azuis brilharam, se enchendo de água.

“ Calma aí, carinha. “ Disse o pegando no colo, e indo em direção ao balcão da cozinha. “ Sabe, tem outras coisas na vida além de pipoca. “ Abri um dos armários e puxei uma caixa de Cheerios. “ Isso é cereal. “ Levei um a boca e fiz uma careta engraçada que o fez rir. “ Viu? É divertido! Cheerios! Agora, você. “

Jason apertou dois de seus dedos como uma pinça e puxou uma rodinha da minha mão. Olhou para mim, sem graça e levou a mãozinha até a boca.

Me inclinei um pouco para trás, pensando que ele provavelmente iria cuspir em mim, mas não é que o moleque mastigou e engoliu, tudinho?

Cheerus. “ Ele bateu palmas e apontou o dedo para mim. “ Gora, você. “

“ Meu deus Percy, que porcaria é essa que você está dando para a criança, meu filho. “ Meu pai chegou por trás, daquele jeito que só os pais sabem fazer e já vem acusando a gente. Saco! “ Essa criança deveria estar comendo frutas.”

“ Que negócio é esse? Você sempre me entupia de porcaria quando eu era pequeno. “ Revidei, totalmente na defensiva.

“ Bom, você é meu filho, eu era responsável pela sua péssima saúde. “

Olhei para ele, cético.

“ Não sei se o senhor entendeu, mas vou só frisar: Os pirralhos são meus filhos. ” Fiz um gesto englobando Leo e Thalia que agora brigavam por um saco de batatinhas. “ E que negócio é esse? Desde quando está interessado em me ajudar? “ Ele olhou para mim por alguns segundos, mudando a posição dos braços. “ Nem me prender você quer. “ Disse mais baixo, por cima da cabeça de Jason.

“ Só acho que existem outros jeitos de você conseguir sair dessa situação filho.”

Suspirei, cansado. “ Pai, se tivesse outro jeito, acredite. Eu seria o primeiro a...”

“ Descobri um jeito. “ Annabeth disse, surgindo do nada, vestindo o que parecia ser um saco de batatas. Mas que poderia ser uma blusa feia e desbotada da minha mãe. “ Hm, Oi Tio Poseidon. “ Poseidon olhou para ela com uma cara de poucos amigos. Acho que finalmente percebendo que Annie estava ali. “ Alguma chance de o senhor deixar isso de fora das reuniões de família? “

Poseidon inflou a barriga, o que no caso dele, não era muito difícil, já que vinha acumulando cerveja lá desde 2005. “ Bom, depende do que tem a dizer agora, Annabeth Mülyn Chase. “

A loira apertou a boca, repreendendo o segundo nome.

“ Haha, o segundo nome da Annabeth é Mula. “ Leo gritou do outro lado da sala.

Não consegui conter o riso, podia ser também porque todos nós estávamos a ponto beira do abismo. Mas lembrei que quando eramos pequenos, eu inventava todo tipo de apelido para irritar a loira. Mulinha e Muquetrefe eram os meus favoritos.

“ E então, qual é o plano sabidinha? “ Perguntei enquanto colocava Jason no chão. Annabeth me olhou como se estivesse prestes a me fazer saltar de um prédio.

Na realidade, o plano era bem pior que isso.

(...)

O tempo inteiro em que estou dirigindo a caminhonete estou pensando:

“ Não consigo fazer isso, não consigo fazer isso. “

E é claro que para me ajudar com aquilo, Leo também não consegue parar de repetir:

“ Você não vai consegui, não vai conseguir. “

Então, vejam só a minha surpresa, quando mal andamos quatro quilômetros em plena avenida, e eu vejo que uma parte da rua está fechada por carros. Bem na frente, embaixo de um enorme guarda-chuva preto, está Octavian.

“ Não saia daqui. “ Digo para Leo, assim que paro o carro. “ É sério, Valdez. “

“ Mas, Percy, e o plano...”

Ele concorda, e acho que dessa vez, pretende cumprir, já que a última experiência não tinha sido a melhor de toda a viagem.

Tirando, tudo o que deu errado, é claro.

“ Aí está ele... “ Octavian disse, deixando o restante da frase no ar.

“ Percy Jackson. “

“ Jackson. “ Ele levou as mãos ao queixo de um jeito totalmente teatral. “ É claro. O idiota do ano. “ O jeito que sua voz autoritária sai, faz todos os outros rirem, não porque é engraçado, mas porque é o que eles têm de fazer.

“ Desculpe, mas esse seria você. “ Levantei as mãos em sinal de paz, enquanto me aproximava. O Idiota não ficou nada feliz, mas decidiu bufar com a força de três narizes, como um asno faria.

“ E ainda assim, eu sou o que tem a vantagem. “ Octavian sorriu, fazendo um gesto com as mãos. Cada um dos seus capangas, levantou uma arma em minha direção. Engoli em seco, agora parando a pouco metros dele. “ Hm. “

“ É. “ Sorri meio que de lado. “ Eu estava esperando por isso. “ Concordei.

“ Sabe Jackson, não é nada contra você. “ Ele riu, convencido. “ É só que, quando está nesse ramo a muito tempo, e aparecem provações, como digamos: Alguém que se sai melhor que você, ou algum espertino que acha que merece mais que os outros... “

“ Espera aí. Armou pra cima de mim porque eu vendia mais que os outros? “ Perguntei, confuso. “ Você tem noção que eu vendia pra você, e boa parte do dinheiro ficava com você, não é? “

Octavian perdeu a pose por alguns segundos, e seu rosto se contorceu em raiva e indignação. “ Você, seu merdinha! Você estava indo bem demais. “

“ Armou pra mim porque eu estava indo bem demais? “

“ Bem demais, Jackson. “ Ele gargalhou de um jeito bem louco. O cara poderia muito bem interpretar alguém indo para a reabilitação, porque de perto, ele parecia estar drogado. “ Bem o bastante para clientes como o Milenium, quererem fazer negócios, especificamente com você. “ Ali estava. A explicação.

Eu já tinha feito negócios com muita gente em nome de Octavian, gente direita e gente da pesada, Milenium, era um cara que na realidade se chamava Regis, e comandava metade do submundo em Nova York. Se Octavian era o chefe, Milenium era o Dono. Boa parte dos acordos do State, só aconteciam se passassem primeiro pela vista de Regis. Fazia sentido. Tirando o fato de não fazer sentido algum! O babaca armou pra mim de graça! Que filho da puta do cacete!

“ Era só uma questão de tempo até ele convocar você para trabalhar para ele, e depois te colocar no meu lugar! “ Ele deu alguns passos a frente, pegando uma arma de um de seus capangas musculosos. “ Eu tinha que me livrar de você, então eu pensei: Vou tirar ele de NY, vou armar uma cama. “ Engatilhando a arma, ele a passou de uma mão para a outra. “ Eu só precisava de uma desculpa e um motivo. Não é sempre assim que essas coisas acontecem Jackson? “

“ Você nunca ia me dar o dinheiro. “ Afirmei.

“ Não, de mim, você já ia tirar tudo. Meu dinheiro também não. “ Ele apontou a arma para mim. E eu senti meu coração saltar, o chão tremeu, como se fosse se desfazer e eu fosse cair. “ Como eu disse, não é nada pessoal. “ Sorriu.

“ Tirando o fato de que é. “

Abaixei a cabeça, negando em seguida.

“ Já aceitou? “ Sua voz subiu mais algumas oitavas. “ Pensei que ao menos teria o bom senso de implorar pela sua vida. “ Levantei a cabeça, olhando para ele, agora mais de perto, consegui ver que seus olhos estavam injetados de raiva...e maconha. “ O que está esperando?! ‘ Ele gritou. “ Implore! Implore! “

“ Sabe de uma coisa, cara? Piper Mc Lean estava certa. “ Ao ouvir o nome da morena, ele desarmou um pouco o braço. “ Sua arrogância é desconfortável. “

“ O que...” Octavian firmou o braço, pronto para atirar, por instinto, fechei os olhos. O barulho estalou atrás dos meus ouvidos, quando espiei, vi o corpo de Octavian vir em direção ao meu, e então nós dois rolamos para o lado.

Foi aí que o chão realmente tremeu.

Acima de nós, dois helicópteros soaram com as hélices, de cada um três policiais apontaram as armas em nossa direção. “Seiscentésimo distrito do Rio de Janeiro. Abaixem as armas! “ Alguém gritou em um dos megafones.

Levei a mão ao peito, procurando por um furo que eu não tinha, chequei todas as partes vitais, até o Percy Jr. E suspirei de alívio quando vi que estava intacto.

“ Argh. “ Octavian gemeu ao meu lado, as mãos pressionando a perna esquerda sobre o terno, o sangue é claro, ainda conseguia escapar.

“ Octavian State. “ A voz de meu pai, soou em um dos megafones, atrás de nós, duas viaturas estavam paradas fechando a rua atrás de mim. “ Você está preso por porte de arma em meio a um evento público e desobstrução pública.”

“ Jackson. “ Ele urrou. “ O que você fez? “

Sorri, me apoiando sobre as mãos. “ Eu inventei uma desculpa, filho da puta.”

O cara dobrou a cabeça para trás e começou a rir. Não sei a que nível psicologicamente alterado ele estava, mas decidi que já não me importava, não era mais problema meu, então, me afastei. Vendo alguns policiais se aproximarem e renderem os outros, meu pai veio andando até mim, com a arma em mãos e o megafone na outra, o sorriso debochado me dizia que eu ficaria devendo muito mais que minha vida a ele.

“ Se eu revistar aquela van na avenida vou encontrar uma quantidade obscena de drogas? “ Perguntou ele, e eu assenti. “ Bem, bem. “ Concordou. “ Percy Jackson, você está agora sobre a proteção do estado no programa de testemunhas. “ Olhei para ele, entreabrindo os lábios com surpresa.

“ O que? “

“ Você está sob a proteção do governo, garoto. “ Ele falou, só que dessa vez no megafone, me deixando ainda mais desnorteado.

“ Ah, para com isso. “ Tomei o megafone dele, e o joguei no chão. “ Não vai me prender? “ Arqueei uma sobrancelha. “ Pai, eu cometi um crime. “ Expliquei, só para o caso de já estar ficando meio gagá e sem o entendimento das coisas.

Ele sorriu, mostrando as pequenas rugas perto do rosto. “ Todos cometem crimes Percy, o seu, foi achar para subir na vida, se deve encontrar atalhos. Eu estou disposto a lhe deixar passar dessa vez, porque sei que você é uma boa pessoa. Sei que não fui muito presente, e que talvez não tenha te ajudado a fazer as escolhas certas, mas agora eu pergunto: Você tem família? “

Pisquei, olhando em volta. Pessoas estavam começando a se aglomerar ao redor. Uma ambulância tinha parado, e se preparava para levar Octavian.

“ Você tem família, Rapaz? “

Por entre as viaturas, Annabeth surgiu com Jason nos braços, Ela sorriu para mim, os olhos vermelhos, visivelmente emocionada. Leo passou por trás dela e apoiou a mão em seu ombro, Thalia chegou logo depois. Olhei para meu Pai, e der repente, eu só sentia amor. É, soa piegas desse jeito mesmo! Meu pai atirou em alguém por mim, eu não ia para a cadeia, Todos os outros estavam sã e salvos. Então, sim. É engraçado como essas coisas de perdão e amor funcionam.

Não me importava mais com o passado.

“ Sim, senhor. “ Assenti, virando o rosto de lado tentando conter as lágrimas. “ Eu tenho família...senhor. “

“ Eles vão ter que ir com você, então, hm. “ Papai assentiu, colocando os óculos no rosto, tentando esconder sua emoção. “ O que está esperando? Pode ir. “

Comecei a andar, mas logo parei. “ Pai? “ Ele olhou para mim, enquanto guardava o revolver de volta no cinto. “ Obrigado por salvar minha família. ” Poseidon concordou. “ Sabe, hm, eu meio que...hm....você sabe. “

“ Sim. “ Sorriu. “ Eu sei, Filho. “ Ele pigarreou. “ Agora, vá. Pode ir. “

E então, eu fui.

Pecy. “ Jason acenou para mim, assim que me aproximei. Sorri o pegando nos braços. Annabeth se inclinou, e me beijou, alisando meu rosto. “ Pecy. “

“ Você está bem? “ Ela perguntou, e eu assenti. “ Meu deus, por um momento eu pensei... “

“ Eu também. “ Concordei. “ Pensei que conseguiríamos nos afastar mais do apartamento, mas Octavian foi rápido. “ Olhei para Thalia, que estava toda vermelha, soluçando como uma daquelas orcas tristonhas do Animal Planet.

“ Acabou? “ Ela perguntou.

“ Acabou, Punk. “ Estiquei o braço, a puxando para um abraço apertado.

“ Cara, que loucura. “ Leo disse se apoiando na cerca. “ É a primeira vez que a gente dá uma dentro. “ Annabeth riu ao seu lado. “ E agora? O que a gente faz? “

Olhei para eles. Realmente olhei. Tentando memorizar e cravar a fogo em meu peito a estranha sensação que aquele estranho grupo de pessoas dava em mim. “ Nós fazemos o que os Jackson fazem de melhor: Damos no pé. “

“ Bom, essa pode ser uma ótima oportunidade para dizer que eu perdi as chaves da van... “ Thalia começou, limpando os cantos dos olhos.

O que? Que porra é essa? A Chave estava com o Leo! “ Comecei.

“ Percy. “ Annabeth me repreendeu com o olhar.

“ Desculpe, saco de batatas, mas vegetais só caem bem nas vitrines, então, nem vem que não tem. “ Devolvi, arqueando os ombros enquanto passava pelas viaturas.

“ Acabou de me chamar de saco de batatas?! “ Annabeth gritou, logo atrás de mim.

“ Eu sabia, que você ia perder a chave! “ Leo se sobrepôs, nos seguindo. “ A única coisa que você não perde é esse seu... “

“ Cuidado com o que você vai falar Valdez. Quem fala demais, leva demais também! “ Thalia se defendeu.

Era isso que eu gostava nela. Que eu gostava em todos, na realidade. Podíamos ter nossos defeitos, mas nos defendíamos com unhas e dentes. Eramos fortes. Passamos por muita coisa. Tinhamos problemas. Toda família tem, não é mesmo? E era isso que eramos afinal, um grupo de estranhos que no fim, se entendiam em suas estranhezas. Um ex-traficante, Uma stripper, Um garoto extremamente metido, Uma garota parcialmente problemática...

Problemas. Isso sim, eu sei que ainda teríamos de sobra.

Mas tudo bem, estamos em família.

Fim.

Notas finais
E.... Fim.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!