Notas iniciais
Depois de literalmente quatro anos, eu renasci das cinzas, e vim terminar essa história. Agora sim, faltam só dois capitulos!!

P.O.V Percy

—Tá louca, mulher? Você não saí daqui assim, nem a pau. –Digo confiante, e esperando que ela concorde comigo. Mas convenhamos, é Annabeth. E ninguém diz a ela o que fazer, pelo menos, não tão explicitamente.

Como o biquíni indecente que ela está insistindo em usar!

Fazia menos de dez minutos que estávamos em solo Brasileiro, e Annabeth tinha escolhido a pior hora para incorporar seu espirito tropical. Tinhamos nos livrados dos Adams....quer dizer, Di Angelos, e a garotinha abusada, tudo estava entrando nos eixos, Octavian tinha parado de me encher o saco e até Leo e Thalia tinham parado de brigar. Tudo estava indo bem, até que ela apareceu com aquele trapo, que insinuou de chamar biquíni e disse que ia pegar um bronze. Há! Até parece! Só por cima do meu cadáver!

—Percy, saí da frente. –Ela deu um passo à frente, mas a bloqueei.

—Você nem gosta de praia! –Tentei argumentar.

—Agora, eu gosto. –Disse firme, empinando o nariz, toda pomposa. –Quero pegar um bronze.

—Que negócio de bronze, o que! –A segurei pelos ombros. –Você só pega dois tipos de bronze: O vermelho e o muito vermelho. –Ela esticou a mão e deu um peteleco no meu nariz. –Aaai. –Resmunguei. –Porra, Annabeth! Isso dói.

Massageei a ponta do nariz com a mão.

—Praia! –Jason soltou um gritinho fino, e levantou as mãos para cima. Fiz uma careta em resposta, não gosto de criança gritando. –Wiki. –O papagaio passou rebolando no som e fazendo um barulho festeiro, balançando a cabeça.

—Sim, Jay! –Annabeth o pegou no colo, e ele riu. –Vamos à praia! Whisky pode vir também.

—Que história é essa? –Resmunguei, cruzando os braços. –A criança, você e a ave vão pegar insolação. Não! Viemos aqui pegar o carregamento, nada de ficar mostrando as partes aí pros Brasileiros, o povo daqui é descarado.

—Deixa de história. –Ela riu, provavelmente se divertindo com sua tortura. –Você nunca veio ao Brasil! Como é que sabe que as pessoas aqui são assim?

—É só olhar pro tamanho desse trapo, que eu já sei que o pessoal aqui não bate bem da cabeça. –Apontei para a peça preta, de tiras finas em seu busto e quadril. –Não dá pra ver onde começa e onde termina esse negócio, de tão pouco que tem em você. –Whisky bateu as asas, e rebolou até mim. –No fim das contas, Whisky é o único sensato. –Me abaixei, o erguendo em mãos.

Annabeth mordeu as bochechas para não rir.

—Está fazendo isso só para me provocar, não é? –Perguntei, quase sem mexer os lábios.

E eestaá funcionaandoo.—Ela cantarolou, roubando um beijo rápido de mim.

A pequena divisória entre o corredor e o quarto foi aberta, Thalia passou com uma blusa florida, grande demais para seu corpo, um óculos de praia e um chapéu que cobria metade do seu rosto, andando de um jeito estranho, uma perna passando na frente da outra, de suas costas tirou uma coisa circular e a chacoalhou no ar fazendo barulho, Whisky balançou as penas, e Tequila latiu.

—Brasil! –Ela gritou, me dando enxaqueca, e então balançou a coisa na minha cara.

—Para de balançar esse troço. –Disse tentando pega-lo, mais ela foi mais rápida e o escondeu atrás das costas.

—É um pan-dei-ro.—Ela soletrou, me dando língua no fim. –As pessoas usam aqui no Brasil pra fazer festas.

—Quantas vezes vou dizer? Não estamos de férias! Viemos aqui para...

Luz! Da passarela é ela!—Leo berrou, balançando os braços de um jeito espalhafatoso. –Já estou com a melhor playlist do spotfy. –Disse, tirando um dos fones do ouvido. –Annabeth, podemos parar numa loja de conveniências e comprar um cartão postal? Quero guardar de lembrança…porque está de biquíni? –Seu rosto de iluminou. –Nós vamos à praia?! Vou pegar minha sunga.

Puta.que.pariu.—Xinguei, abrindo meus braços sobre a porta, impedindo que qualquer um passase. –Ninguém vai sair desse trailer, de biquíni, com uma criança, tocando pandeiro ou fazendo a conga! Octavian me enviou o endereço pro embarque, nós vamos dirigir até lá, pegar o que temos que pegar e voltar para Nova York, com a mesma cautela que tivemos e....Leo, está escutando?

Me interrompi quando vi, que ele começara a divagar balançando a cabeça. O animal tinha colocado os fones de ouvido de novo, ótimo, vou matar ele!

—Percy! –Annabeth gritou, prevendo minhas ações e Thalia se jogou entre nós dois.

Aaai. –Leo resmungou, sendo arremessado no banco da mesa. –O que foi?!

Tentei acerta-lo com um pano de prato, mas Thalia me empurrou com o quadril. –Não sejam amadores, a gente veio até aqui por um motivo! Não podemos pisar na bola agora. –Esbravejei, vendo que agora tinha a atenção de todos. –Eu vou descer, vocês ficam aqui dentro, e se trancam no quarto com Annabeth, eu não conheço essa gente. Toda precaução é bem-vinda, agora.

Meu celular vibrou. Annabeth se esgueirou por cima de meu ombro, lendo o nome de Octavian. –Odeio esse cara. –Diz apertando Jason em seus braços, que agora, estava dormindo como o de costume.

Desbloqueei a tela, lendo a mensagem em voz alta. –Bom Retiro.

—Não gostei do duplo sentido. –Leo se queixou.

—Nós vamos morrer. –Thalia suspirou em seguida.

[...]

A verdade, era que Thalia estava certa. Durante todo o caminho até o bendito “Bom Retiro”, o trailer chacolejou na estrada de terra, porque adivinha só?! Outra coisa que o bendito Brasil não fez bem foi asfaltar melhor as ruas!

—Se essa porra não virar, olê olê olá, eu chego lá. –Resmunguei baixinho.

—Percy, Leo quebrou um dos fones dois buracos atrás. –A loira disse, se segurando nos assentos, se inclinando para mim. –Eu perdi meu senso de orientação a cinco minutos, meu coração está batendo nos meus ouvidos.

—Agora você já pode imaginar aonde o meu está batendo. –Digo olhando rapidamente para ela, enquanto tento desviar de outro buraco. –Porra.

—O que? –Ela se alarmou, olhando em volta.

—Ainda tá com esse biquíni? Porque você não se trocou?

—Com todo esse sacolejo, é capaz de um dos peitos voarem pela janela. –Explicou.

—Seria uma pena. –Suspirei, rindo um pouco de lado. –Adoro seus peitos.

Logo à frente, dois caras altos e morenos, naquele estilo força militar especial fizeram um sinal com a mão para a esquerda, me pedindo para estacionar.

—Vá para o quarto com as crianças, não saiam até eu mandar. –Eu peço.

Annabeth me olhou de um jeito intenso, consegui ver que engolia em seco.

—Percy....

—Eu sei. –Assenti, a puxando para um beijo rápido. Tão rápido que o gosto da sua boca não ficou na minha. –Agora, vai. –Pedi, dessa vez vendo-a sorrir.

Segui para a esquerda, estacionando no lugar indicado. Puxei o freio de mão e estacionei na frente dos dois. Eles deram a volta e me encontraram na porta, assim que a abri.

—Bom dia, Hermano. –Um deles disse, cruzando os braços, que mais pareciam muralhas. –Quem é usted?

Colombianos no Brasil?!

—Meu irmão fez uma pergunta. –Disse o outro, tirando uma arma das costas, e apontando em minha direção, esse tinha um sotaque mais americano.

—Calma. –Disse levantando as mãos em sinal de paz. –Vim pegar o carregamento de Octavian, Sou Percy Jackson, olha aqui. –Fiz um sinal de que ia pegar alguma coisa no bolso, só para não levar um tiro de graça.

Puxei o papel que Octavian tinha me dado, estava em um envelope lacrado, daqueles bem caros e extravagantes.

O colombiano pegou o envelope e rasgou o lacre de qualquer jeito. –Hm. –Fez uma careta enquanto lia as linhas rapidamente, seus olhos escuros encaram o irmão lhe passando o papel.

—O que? O que foi? –Perguntei, me esticando para a frente, tentando ler o papel. Um deles, não sei qual, porque eles se mexeram, e acho que trocaram de lugar. –Divide a informação aí, amigo. –Pedi, rindo um pouco sem jeito.

O que estava sem arma, gritou balançando a folha para cima. Certo, não sou bem em entender línguas, mas sei linguagem de expressão, e aquilo significava que: ele estava puto, e eu provavelmente iria morrer. –Absurdo!

Os dois apontaram as armas para mim, eu pulei por puro instinto. –Calmita, Calmita amiguitos, não percamos as cabecitas, americano ser amiguito.

Arrisquei no meu espanhol fajuto, o mínimo que eu podia fazer era ofender a cultura deles, e levar dois tiros.

—Por isso não confiar em americanos! –Um deles esbravejou. –Eles sempre ter piadinhas!

Ele estendeu o papel para mim, onde tinha duas palavras grandes e em negrito: Há! Há!

—Aqui no Brasil, a gente não trabalha com gracinhas não! –Consegui identificar o americano agora. –Cadê o resto do dinheiro, Jackson?!

Putaquepariu. Não acredito que Octavian fez isso! Todo mundo sabia que com tráfico internacional a transação tinha que ser feita antes ou na hora de se pegar a encomenda! Não...Não! Aquele filho da puta! Ele sabia disso! Não, não Jackson! Você deveria ser o esperto! Você sempre é o esperto, e mesmo assim o panaca do Octavian armou pra você! Armou para vocês! Annabeth.

“ Você sabe que é muito arriscado. Então precisa de um disfarce. ”

“Não gosto de Octavian, sua arrogância é desconfortável. ”

—Olha, acho que houve um engano...

O barulho de alguma coisa se chocando contra a porta, e um grito de Thalia chamou minha atenção. Antes que eu pudesse impedi-lo, Leo se jogou por cima de mim. –Por favor, não atirem nele! –O idiota gritou, balançando as mãos no alto como um daqueles lanterninhas que ficam na pista de pouso.

—Leo! –Tentei puxa-lo para trás, mas o garoto resistiu. –O que está fazendo?

—Parados! –Outros dois, se juntaram a eles. –Quem se mexer, vai perder a cabeça!

Olhei para trás. Thalia estava sem ar, com um abajur em mãos e Annabeth segurando uma frigideira, pelo menos ela estava vestida com uma jardineira longa! –Ótimo. –Resmunguei, revirando os olhos. –Detidos no Bom Retiro.

[...]

—Você quer um docinho, querida? –Disse uma senhorinha, tão antiga quanto o solo terroso que estávamos amarrados. Sim, amarrados, e nem eram cordas de boa qualidade!

—Ah, não senhora, obrig.... –Annabeth começou jogando a cabeça para trás tentando tirar o cabelo do rosto.

—Ela vai querer sim, senhora. –Leo interveio, jogando o corpo para frente. –Que é isso Annabeth, não se pode recusar comida, muito menos dos seus sequestradores.

A senhorinha sorriu e deixou a bandeija perto de nós, Leo tentou mexer as mãos amarradas entre as pernas, mas não deu muito certo. Ele resmungou.

—Hm, senhora, pode empurrar a bandeja só um pouquinho...

—Ela foi embora, Leo. –Thalia resmungou, jogando a cabeça para trás, batendo de leve no meu ombro. –Percy, quanto tempo vamos ficar presos aqui?

Suspirei, puxando os braços para cima, sentindo a corda arranhar meu pulso.

Povinho sujo!

—Eu não sei. –Resmunguei, olhando para ela. –Octavian não cumpriu direito o acordo, ele... –Neguei, bufando em seguida. Como dizer que estávamos ferrados? Que a gente tinha se fodido legal? –Ele armou pra mim, Thals.

Annabeth me olhou atenta, a minha frente, os olhos cinzas injetados. Conseguia ler sua expressão, estava preocupada e com medo.

—Mais que droga. –Ela xingou, batendo os pés com força no chão.

—Hm, Thalia. –Leo disse, aumentando um pouco o tom de voz em seguida. –Você está sujando meus docinhos com areia, será que dá pra chutar pra outro lado? –Perguntou, esticando os dedos e o corpo até os docinhos pretos que pareciam tudo, menos comida.

Thalia soltou algo parecido com um rugido quando abriu a boca. –Eu vou chutar é a sua cara garoto!

—Ei, Ei. Ei. –Annabeth a censurou arrastando a bunda no chão se aproximando mais de nós. –Ninguém vai chutar ninguém, precisamos pensar em um jeito de sair daqui...

Meu deus!—Gritei, sentindo todas as veias do meu corpo inflarem com esse movimento. –Será que não perceberam que acabou? Estamos a um passo do xilindró, a gente se ferrou, eu... –Engoli em seco, vendo todos me encararem como se eu fosse uma daquelas obras de arte estranha e moderna. –Porra.

Relaxei o corpo, meneando um pouco a cabeça para o lado. Não queria chorar, e nem soar piegas, mas sentia que estava a ponto de fazer isso, porque adivinha só? Era frustrante tentar contrabandear uma quantidade obscena de droga, e no fim, acabar amarrado com uma corda maltrapilha na merda de um morro chamado Bom Retiro.

—Percy. –Annabeth me chamou, esticando as pontas dos dedos, que tocaram os meus calcanhares. –Desculpa. –Pediu ela, apertando os lábios em seguida.

—Desculpa? –Minha voz saiu um pouco esganiçada. Eu Pigarriei. –Gente, eu que deveria pedir desculpas. –Suspirei, empurrando de leve o ombro de Thalia, fazendo com que ela me encarasse. Seus olhos azuis se estreitaram um pouco quando ela sorriu. – Eu arrastei vocês nessa...minha confusão. Se alguém precisa pedir desculpas sou eu, porque, hm, meio que, gostodevocês.

—Quê? –Annabeth arqueou uma sobrancelha, me encarando confusa.

Eugostodevocêscara. –Disse rápido, meio que revirando os olhos no processo.

—Acabou de dizer que gosta da gente? –Leo fungou ao meu lado, não sei se porque estava emocionado com minha súbita declaração ou porque finalmente tinha conseguido pegar um dos docinhos. –Ah, Cara. –Ele levou um docinho até a boca, se curvando para frente. –Eu também gosto de vocês. –Disse, se jogando para o meu ombro, tentando me abraçar, mas como estávamos em uma meia lua, o máximo que conseguiu foi dar uma cabeçada no meu ombro.

—Percy, você finalmente disse. –Annabeth riu baixinho, seu rosto se iluminou de um jeito tão ridiculamente bonito, que por alguns segundos me esqueci que não podia beija-la. –Vocês são muito especiais para mim, de diferentes jeitos. –Ela olhou para cada um, por algum tempo antes de continuar. –Eu não queria vir nessa viagem para começo de conversa, e apesar de o dinheiro ter sido a primeira causa, eu não...eu não me importo. –Deu de ombros. –Nessas últimas semanas, vocês foram mais minha família, do que a minha própria....

—Argh, tudo bem. –Thalia a interrompeu, pulando um pouco para frente, se aproximando de mim. Seu rosto inteiro estava vermelho, e a maquiagem preta que usava tinha escorrido para baixo dos olhos. Porque adivinha só? A punk estava chorando! —Só vou dizer isso uma vez, então não se façam de doidos.

Olhei para Annabeth, agora confuso, ela não pareceu menos confusa que eu, Leo conseguiu pegar outro docinho.

—Minha família é cheia de merda já faz muito tempo, não estou dizendo que eu também não sou, só que boa parte das coisas que aconteceram comigo me deixaram meio mal, e fechada e todo esse jeito que eu sou. –Ela apertou a boca, tentando encontrar palavras no meio das lágrimas. –Mas eu sobrevivi.

Ela assentiu.

—Se eu sobrevivi toda aquela merda sem uma família, então nós vamos sobreviver a isso. –Ela fungou, limpando o nariz na calça jeans surrada. –Nós somos os Jacksons, somos família.

Porra! O discurso da garota me tocou o coração, Annabeth também fungou a minha frente, e em pequenos pulinhos se juntou a Thalia a abraçando com o corpo, não acredito que vou chegar a pensar nisso, mas queria abraçar todos.

Até o Leo!

—Droga de corda maltrapilha. –Xinguei, enquanto tentava me arrastar até as duas. –Eu disse que os brasileiros são loucos, já se viu amarrar as pessoas....

—Percy! –Annabeth gritou, os olhos saltaram em minha direção. –É isso! Você é um gênio, meu deus. –Olhei para trás tentando entender o que estava acontecendo, porque eu sinceramente, não achava que tinha feito nada.

—Hm, não tenho certeza se elevar o meu ego vai nos tirar daqui, mas pode continuar se quiser. –Disse inflando o peito e piscando para ela. –Hã.Hã.

—Cala a boca. –Thalia disse, toda mandona. –Você sempre começa a não fazer sentido depois de falar muito.

—Eles nos amarraram, precisamos de uma coisa pontuda, apesar de a corda ser forte, ela não parece ser muito grossa, podemos escapar ainda. –Annabeth explicou, balançando as mãos na corda, confirmando a sua teoria.

—Certo. –Thalia assentiu. –Precisamos de uma coisa afiada, então.

As duas começaram a olhar em volta do galpão. Nem era um galpão tão ruim assim, quer dizer, era de madeira, e tinha um teto, e feno, e o chão era sujo, mas tinha uma claraboia encima, de um vidro esverdeado, pelo sol, não fazia mais de uma hora que estávamos presos. Se conseguíssemos sair, podíamos arranjar um jeito de recuperar a chave do trailer e dar no pé.

—Droga. –Leo xingou. –Essas coisas são muito escorregadias.

Olhei para ele, e a bandeja no chão, ainda tinham bastante…seja lá o que fossem aquilo. Quando Leo esticou a mão para pegar mais um docinho da bandeja, vi que seu pulso deslizou um pouco na corda quando esfregou as mãos formando uma pequena concha para levar a comida a boca.

—Ou podemos usar algo escorregadio. –É o que eu me ouço dizendo.

Notas finais
E aí?? O que acharam?? Comentem!!