We Are Stars
14 ☆ 13. Desempregada.
Notas iniciais
We Are Stars — Capítulo 13
Lucy Heartfilia.
A madrugada estava fria. Havia acordado em exatas quatro da manhã, e sentia que minha cabeça iria explodir. De repente, lembranças da noite surgiram em minha mente, mas somente uma chamara a atenção: Natsu chorando. Ele chorava pela sua irmã? Não fazia ideia. Virei para o lado e percebi que ele estava dormindo em minha cama. Não me recordava de quando tinha adormecido. Nem se tínhamos dito algo após ele parar de chorar. Bem, não importava, certo?
De repente, ideias surgiram em minha mente num jato de luz. Era incrível como, em todas as noites, eu tinha um surto de criatividade e não conseguia dormir até colocar os projetos no papel.
Levantei e caminhei em direção à minha mesa. Em minutos, comecei a escrever.
“Suas pernas não foram fortes o suficiente para aguentar o peso de seu corpo.
Estava cansado.
E então, caiu no abismo.”
[...]
Acordei com o som de uma conversa.
Estava em minha cama, dessa vez, sozinha. Jurava que havia dormido em cima da mesa novamente enquanto escrevia. Não fazia ideia de que horas eram, se estava atrasada ou não. Na verdade, o que mais importava para mim no momento era “Onde está Natsu?”.
Fiquei deitada por alguns minutos tentando reconhecer as vozes, todavia, não consegui. No fim, levantei da cama, sentindo o frio congelar meus braços e pernas. A mudança constante de clima em Los Angeles era horrível. E agora que o verão estava indo embora dando seu lugar para o inverno, as coisas iriam piorar.
Coloquei um casaco que estava caído no chão por cima do pijama e saí do meu quarto, ainda com frio. As risadas ficavam cada vez mais altas e minha curiosidade mais aguçada. Caminhei até a cozinha.
Levy tomava um café sentada na mesa e Natsu estava encostado no balcão, enquanto comia um pedaço de croissant. A pequena televisão estava ligada mas os dois não pareciam dar a mínima para o jornal da manhã.
— E então, o Gray saiu correndo, sem roupas, mas acabou que alguém derrubou ele na piscina e-... —
— Bom dia — cortei a história de Natsu com a minha voz rouca e baixa da manhã.
— Ah, oi, Lucy! — Levy disse, abrindo um sorriso em seu rosto. — Quer tomar café?
Fitei a mesa que estava cheia de ingredientes para um café da manhã completo. Estava sem fome. Na verdade, sentia que iria vomitar a qualquer momento, por causa da ansiedade. Nessa terça feira eu iria me demitir de um dos melhores empregos que eu tive.
Trabalhar numa biblioteca tem seu bom lado, todavia, não ganhava o suficiente. Agora que a empresa de meu pai estava falindo, precisava economizar o máximo possível. Além de procurar uma ocupação que pudesse, ao menos, financiar o meu apartamento. E esse era um dos motivos de eu ter trancado a matrícula na faculdade.
— Não, obrigada — sentei-me em uma das cadeiras, aconchegando-me mais no casaco preto. Era confortável e cheiroso. — Frio hoje, não?
Natsu e Levy se entreolharam.
— Sim. Realmente, está mais frio que o normal. — A baixinha falou, segurando uma risada. Natsu sorria. — De onde tirou esse casaco? É bem maior que você.
— Não sei, encontrei no chão do meu quarto. Por que?
— Ah, então foi lá que eu deixei ele — o rosado disse, fingindo espanto, escondendo um sorriso.
Senti meu rosto avermelhar. Ah, sim. Noite passada Natsu usava um casaco, e provavelmente jogara no chão do meu quarto. Não sabia se brigava com ele por bagunçar meu quarto desse jeito ou pedir perdão por usar algo dele sem querer. Acabei dizendo nada, apenas retirei o casaco e o pendurei na cadeira.
— Enfim, vou me arrumar.
— Certo, a biblioteca — Levy acrescentou, como se tivesse esquecido. — Bem, bom trabalho, então!
[...]
As ruas estavam calmas nessa terça feira de outono. Algumas pessoas usavam agasalhos, outras pareciam nem sentir o frio e andavam com roupas curtas. Me surpreendia com a falta de vergonha na cara dos que faziam isso.
Estava ansiosa. Imaginava como Mirajane iria reagir. Não queria que ela ficasse triste, eu era a companhia dela da manhã, agora ela ficaria sozinha? Talvez contratasse outra pessoa. De qualquer forma, continuaríamos amigas, isso era um fato. No fim das contas, eu era a madrinha de casamento dela, ficaria grudada em Mirajane por muito mais tempo do que eu esperava.
Dentro desses devaneios, indaguei a mim mesma quanto tempo meu pai ainda tinha. Nenhum médico ou enfermeira indicara exatamente os meses que ele tinha de vida. Isso era como uma luz no fim do túnel para mim. Talvez Jude ainda tivesse chances. Talvez um dia ele voltaria para casa. Quiçá até me tratasse melhor.
E por mais que meu cérebro cogite a ideia de que tudo isso vá acontecer, me nego em aceitar que as coisas vão mudar. Meu pai vai continuar internado e mofando naquele hospital até o dia em que morrer.
Um pensamento triste, porém, era a verdade.
De repente, a visão de Natsu chorando voltou em minha mente pela trigésima vez naquele mesmo dia. Era a segunda vez que eu o via chorar, e talvez até pelo o mesmo motivo: sua irmã. Eu não tinha muitos detalhes sobre ela, mal sabia sua aparência ou seu nome, no entanto, tinha a vontade de querer conhecê-la.
Meus pensamentos foram cortados ao perceber que eu tinha chego no meu destino: a biblioteca principal, que não ficava muito longe do meu apartamento, na verdade.
Subi os degraus até chegar na porta e suspirar ao encostar a mão na maçaneta. Tinha ensaiado o que iria dizer muitas vezes enquanto saía de casa, mas o famoso branco tomou conta da minha mente. Mesmo assim, abri a porta.
— Bom dia, Lucy! Está atrasada, de novo — Mirajane disse, com um sorriso. Ela folheava uma revista de noivas. — Estou escolhendo a decoração do meu casamento!
Ela estava radiante, como todas as manhãs. Me sentia culpada. Mas o que precisava ser feito, deveria ser feito. Inspirei o ar e soltei de uma vez só.
— Mira, estou me demitindo.
A albina não desgrudou os olhos das páginas, que, por sinal, estavam arregalados. Parecia estar em choque.
Virou seu rosto e me encarou, soltando um sorriso triste.
— Certo — concordou, com a voz menos animada.
— Me desculpe mesmo! Eu não queria, mas a empresa do meu pai está falindo e eu preciso de um emprego que me dê mais dinheiro, senão eu vou acabar na rua! — Exclamei, um pouco arrependida.
Seus olhos azuis ganharam um brilho de uma hora para a outra.
— Entendo, Lucy — falou. — Agora, venha! Estou indecisa sobre as flores.
Não sabia exatamente se Mirajane estava triste ou se, talvez, tivesse entendido minha situação. E eu estava feliz em saber que ela não se importava.
No fim, a manhã tinha sido como minha rotina normal. Ficar ao lado da albina na biblioteca, planejando coisas do casamento. Ela estava realmente pirando por causa disso, e também tendo crises desnecessárias.
— Você acha que o Laxus vai me abandonar? — Indagou, fitando a revista.
— O quê?
— Sabe, existem vários casos de casamentos que não deram certo...
E então, ela fazia um discurso depressivo sobre as possibilidades de ser abandonada no altar ou eles brigarem logo na lua de mel. Casos que eu esperava que não acontecessem, já que ela e o loiro não tinham o costume de brigar — só de vez em quando, coisa normal. Eram, provavelmente, um dos casais mais perfeitos que poderiam existir.
E, como sua madrinha, eu tinha que alegrá-la.
O tempo passou rápido — mais do que eu esperava —, e acabei me despedindo dela, voltando para meu apartamento.
Era estranho estar desempregada. Principalmente por causa da insegurança. Yukino disse que iria falar com o seu namorado, mas até agora não tinha entrado em contato. Claro, a albina tinha dito isso há um dia, no entanto, eu não deixava de ficar negativa e pensar que tudo sairia errado no final. Essa era, praticamente, minha vida resumida.
Após quase uma hora de caminhada, tinha chego ao meu apartamento.
Abri a porta e me deparei com duas pessoas jogadas no meu sofá.
— Vocês não tem casa, não?
Levy estava sentada em uma posição que não parecia muito confortável na minha poltrona. E Natsu se encontrava deitado no sofá, quase caindo no chão, usando todas as almofadas como travesseiro.
— Não estou afim de ouvir discurso dos meus pais hoje — a baixinha disse, mordendo um pedaço de bolacha e trocando o canal da televisão.
— Aqui é mais divertido que a minha casa — o rapaz respondeu, se espreguiçando em seguida. — É um lugar enorme, mas solitário. Sabe como é.
Revirei os olhos e joguei minha bolsa em cima da mesa de centro, caminhando até a cozinha e abrindo o armário para procurar algo pro almoço.
— Vocês já comeram? — Perguntei, alto.
— Estávamos esperando você para fazer justamente isso, nos alimentar — Levy gritou de volta. Suspirei, pensando em como conseguiam se sentir tão à vontade num lugar em que eles nem ao menos moravam.
— Você sabe que eu não sei cozinhar, Levy — comentei, voltando para a sala.
— Ah, verdade. Da última vez você queimou o arroz. E o fogão.
— Foi um acidente, ok?
Ela e Natsu riram.
— Fico feliz em não ter experimentado seus dons culinários, Lucy. — O rosado disse, sorrindo.
Mostrei o dedo do meio para os dois e peguei meu celular.
— Vou pedir uma pizza.
Ambos comemoraram.
[...]
Uma anotação mental: nunca dividir uma pizza com Natsu e Levy. Desperdício de dinheiro, principalmente porque não sobrava nenhum pedaço para mim. Levy estava naqueles dias, então comia tudo que via pela a frente.
Eu estava na mesma situação, mas quem disse que ela se importava?
No fim, às duas da tarde, os dois estavam novamente se aproveitando da minha casa para vagabundear e assistir televisão.
— Vocês dois, fora. Já. — Mandei, apontando para a porta. Se entreolharam.
— Lucy, desde quando está tão grossa? — Levy disse, fingindo se sentir ofendida.
— Você tá aqui há três dias. Não acha que eu mereço uma folga?
Ela suspirou.
— Ok, ok. — Se levantou. — Nos vemos amanhã, então.
A azulada pegou suas coisas e saiu do apartamento segurando sua bolsa e os tênis. Agora, éramos só eu e Natsu.
— Se isso aqui fosse um filme, estaríamos na sua cama nesse exato momento.
— Natsu, fora!
Ele soltou uma gargalhada e andou até chegar próximo de mim, depositando um beijo na minha bochecha. Senti que meu rosto iria explodir.
— Tchau, Lucy. — E saiu, fechando a porta.
Estava parada no meio da sala, finalmente em paz. Ainda tinha a sensação dos lábios quentes dele tocando na minha pele. E, de repente, não me pareceu uma má ideia ter virado meu rosto.
“O que estou pensando?!”
O resto da minha tarde havia sido somente eu, a caneta e o papel. Estava com um surto, assim como na madrugada passada. Ou melhor, como todas as madrugadas de cada dia, um seguido do outro. Estava estranhando minhas crises de criatividade, mas, agora, elas surgiam durante as tardes.
“A escuridão estava em frente dos seus olhos.
Mas algo segurou sua mão.
E o cheiro doce de seus cabelos loiros invadiu suas narinas.”
Plena terça feira e lá estava eu. Uma pessoa sem emprego, sem dinheiro, sem faculdade — praticamente, sem nada —, sentada no sofá assistindo televisão. Não só esperava quanto suplicava pela a ligação de Yukino, era a luz no fim do túnel.
Trocava os canais aleatoriamente. Já estava preparada para, no dia seguinte, procurar em algum jornal ofertas de emprego. E também tinha a proposta de Loke, que eu não havia como fugir. Precisava decidir sobre aquilo o mais rápido possível.
“O que meu pai deseja?”, pensei.
— Como vou saber o que aquele velho quer se ele nem fala comigo? — Indaguei para mim mesma.
E, de repente, meu celular tocou.
— Sim?
— Lucy! Falei com o meu namorado, o emprego é seu! — Yukino falou, no outro lado da linha.
Espera, o quê?!
— Sério?! — Exclamei.
— Sério! Eles precisam de vendedores, você de um trabalho, acho que é a combinação perfeita — explicou. — Acho que ninguém mais quer trabalhar em livrarias hoje em dia. Mas, bem, você vai ganhar muito mais do que antes, na biblioteca.
— Muito obrigada, Yukino! Obrigada mesmo!
Ela se despediu e desligou a ligação. Sentia que poderia pular de felicidade.
E foi exatamente o que eu fiz. Liguei a música no máximo e dancei no meio da sala.
Searching for meaning
But are we all lost stars
Trying to light up the dark
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