We Are Stars

9 ★ 08. Decisões importantes.


Notas iniciais
Olá meus amores! ♥ Estou postando mais cedo porque quinta foi meu aniversário, e o presente é pra vocês awioefjçklaew Talvez eu poste mais um capítulo no domingo, mas se pá não, perdão :C Muito obrigada pelos reviews no capítulo passado, vocês são uns amores ♥ Bem, não vou enrolá-los! Eu gostei muito desse capítulo, espero que vocês gostem também~!

We Are Stars — Capítulo 08

Lucy Heartfilia.

As madrugadas passaram a se tornar insuportáveis. Todas as noites eu acordava no pior dos horários – duas ou três da manhã –, e só conseguia dormir novamente após escrever os sonhos que tinha.

Desde garotinha, sempre fui fã de histórias fictícias. Magia, dragões, lutas, tudo me fascinava. Talvez eu tivesse a maior coleção de livros sobre esse tema da história, mas infelizmente tive que vendê-los. De qualquer forma, meu sonho era escrever um livro de um mundo que vivia em torno de magos, e foi esse o impulso para que eu começasse a treinar minha escrita.

Já tinha esquecido sobre esse sonho bobo, no entanto, continuei a escrever pequenos contos. E, minha última semana foi resumida em sonhos estranhos sobre um mundo mágico.

“[...] O mago chutou a garota, que grunhiu de dor.

A torre era extremamente alta, e ela não tinha para onde fugir.

Todavia, uma ideia louca passou por sua cabeça.”

Suspirei e larguei o lápis sobre a mesa. Tomei um gole do café que havia preparado e consultei o relógio – Duas e seis da manhã. Não importava muito, na verdade, já que era sábado. Ouvi o barulho do meu celular vibrando, e peguei-o rapidamente, torcendo internamente para que fosse mensagem dele.

“Prezado cliente...” Droga de operadora.

Fazia uma semana que não conversava com Natsu, estava um pouco desconfortável com isso. Ele e eu nos tornamos amigos rápido demais, e isso resultou em vários SMS’s desnecessários como “Bom dia”, ou “Cara, minha aula foi horrível. Sabia que anatomia é mais chato do que imagina?”, coisas do gênero.

Sim, eu estava me desesperando à toa. Além do mais, ele não era obrigado a nada.

Depositei o celular sobre a mesa e levantei, andando em direção ao sofá. Me joguei sobre ele e não contei os minutos até dormir. Considerando que a última coisa que lembrava era do fim do programa da madrugada na TV, não tinha demorado tanto para adormecer.

[...]

Casamentos. Bolo, convidados, recordações memoráveis e inesquecíveis. O sonho de qualquer garota, provavelmente, é estar dentro daquele lindo vestido de renda branco, com o véu acompanhando. Além de estar realizando uma grande conquista: Ficar ao lado de um homem pelo o resto da sua vida (Soa um pouco aterrorizante, mas com certeza não deixa de ser bom).

Sim, é perfeito: Tudo é perfeito. Mas, por detrás das cortinas, um casamento é o verdadeiro inferno.

Mesmo sendo madrinha de Mirajane, eu não deixei de receber meio terço da ocupação da noiva. Eu e Erza acompanhávamos ela por todos os cantos que ela ia. Encomendar flores, banquete, procurar vestido, confirmar coisas. Um completo tédio.

— O que acha, Lucy? — A albina indagou.

Olhei-a da cabeça aos pés. Estávamos numa daquelas lojas de noiva que tem cheiro de camomila provando vestidos. Vários conjuntos se encontravam pousados em meus braços. Balancei a cabeça e olhei a albina dos pés à cabeça.

— Está fantástica — falei, depois de segundos. Ela sorriu para mim e perguntou animada para Erza, que estava em seu lado segurando uma revista de moda.

A moça da loja pulava com euforia, batendo as palmas. Eu não conseguia distinguir se ela estava impressionada com a beleza de Mirajane, ou contente por esse ser um dos vestidos mais caros da loja.

— Será este, então?

A albina olhou para a mulher e assentiu que sim com a cabeça. Larguei as peças de roupas sobre o sofá branco, enquanto a vendedora saía depressa, já perguntando a forma de pagamento.

— E, com isso, terminamos com a lista de afazeres de hoje. — Falei, anotando numa prancheta e suspirando em seguida. Finalmente estava livre daquela tortura.

Mirajane andou até mim e me abraçou, apalpando meus cabelos.

— Muito obrigada por tudo que você está fazendo, Lucy — disse no meu ouvido. Não pude deixar de sorrir.

— Sem problemas.

Me despedi da ruiva e de Mira, e saí da loja, andando pela calçada. Fitei meu relógio de pulso e notei que era oito da noite ainda, mas precisava estudar para as últimas provas do ano. O caminho até meu apartamento demorou mais do que eu imaginava, por mais perto que fosse a distância. Entrei no prédio e cumprimentei o porteiro.

— Senhora Lucy, há um rapaz lhe esperando. — Informou, mantendo um sorriso no rosto.

Como?

— Me esperando? — Perguntei, para ter certeza de que tinha ouvido direito.

— Sim. Um garoto bem simpático disse que precisava urgentemente falar contigo — explicou. Indaguei sobre sua aparência e o senhor botou sua mão no próprio queixo. — Bem, ele tinha cabelos bastante bagunçados.

Senti minha visão clarear e um sorriso surgir em meus lábios. Cabelo bagunçado, seguindo uma lógica meio louca, provavelmente Natsu poderia estar me esperando na porta do meu apartamento.

Agradeci e me despedi do porteiro, entrando no elevador. Senti minha mão tremer um pouco, por que me sentia assim? Admito que estava animada pelo o fato de ele vir me ver, depois de não conversar comigo por uma semana inteira.

A porta abriu e caminhei em direção do meu apartamento. Não conseguia deixar de sorrir. Todavia, o sorriso se desfez quando percebi que quem me aguardava não era Natsu.

— Loki? — Exclamei, aproximando do rapaz.

Ele usava um terno social e ajeitou os óculos em seu rosto. Seu cabelo ruivo estava tão bagunçado como na última vez que nos vimos.

— Olá, Lucy — acenou, sorrindo.

Fazia um bom tempo que eu não o via. Loki era um dos empresários da Agencia de Seguros que meu pai era dono. Éramos conhecidos, ele tinha minha idade, mas fazia bastante tempo que não nos víamos.

— Quer entrar? — Indaguei, apontando para a minha própria porta trancada. Ele negou com a cabeça e adquiriu uma postura séria. Estranhei.

— Precisamos conversar. — Alertou, olhando para mim. Fiquei em silêncio, indicando que falasse. — Eu serei rápido, já que tenho pouco tempo, certo? — Acenei que sim e ele suspirou. O suspense estava me matando. — A empresa do seu pai está falindo.

Fiquei estática e arregalei os olhos.

— Como? — Loki me encarou, tristonho.

— Sem a administração de Jude, o gerenciamento da empresa acabou decaindo para um número próximo de 0%. Está uma loucura.

Fitei o chão, preocupada. O negócio que meu pai levou anos para que pudesse dar certo estava chegando em seu fim, e ele nem sabia disso. Lembrava de quando ele nem voltava para casa, e ao invés disso, trabalhava. Deixou de fazer muitas coisas para dar de tudo do melhor para mim e minha mãe. Eu precisava fazer alguma coisa para compensar seu esforço.

— O que eu posso fazer? — Perguntei.

— Duas opções: Fechar o negócio. Rápido e fácil. Ou...

— Ou o que? — Segurei forte a prancheta que tinha em mãos.

— Você pode vender a empresa para a minha família.

Ergui a sobrancelha e me segurei para não lhe dar um tapa ali mesmo.

— Você está loco, Loki? Meu pai demorou anos para fazer a empresa ir pra frente e ganhar muito dinheiro! — Exclamei. — Acha que vou deixar todo o trabalho dele ser jogado no lixo para qualquer um?

— Lucy, querida, sempre fui considerado o braço direito de Jude, acredito que ele concordaria em deixar a empresa em meu nome. — Falou, tão calmo como antes. Ele não parecia ter qualquer alteração de humor desde que iniciamos a conversa.

Suspirei e fitei o teto. Loki estava certo, meu pai comentava muito sobre ele quando estava em casa. Principalmente de como ele era um menino prodígio e que desejava ter um filho como ele.

— Vou pensar no caso. Logo te darei a resposta. — Declarei, por fim. O ruivo colocou as mãos no bolso, já andando na direção oposta do meu apartamento.

— Lembre-se, Lucy: Seu pai vai morrer de qualquer maneira.

As palavras foram como tiros em minha garganta. Senti a necessidade de me jogar ali mesmo no corredor, e me segurei para não chorar. Quando percebi, ele já tinha ido embora.

Entrei no meu apartamento, e o tranquei novamente. Confirmei o horário: Quase nove da noite. Coloquei as mãos em meu rosto, na tentativa falha de amenizar a dor de cabeça que sentia. Já estava com problemas com dinheiro, e agora os problemas não deixavam de vir para me atormentar.

Desisti da ideia de estudar. Acabei tomando um remédio e dormi.

[...]

Duas da manhã e lá estava eu, novamente, escrevendo.

“[...]A maga caiu da torre, gritando o nome de seu herói.

Que apareceu, salvando-a, num passe de mágica.”

O lápis deslizava pela a folha, formando belas palavras. Eu sentia que meu cérebro conseguia funcionar melhor durante a madrugada. De novo, mais um sonho estranho sobre uma história estranha. Não sabia exatamente sobre o que eu escrevia, no entanto, tinha a sensação de que era uma ótima história.

“Pelo visto, vou acordar tarde hoje.” Pensei. “É domingo mesmo, então foda-se.”

E assim foi feito, acabei dormindo cinco da manhã e acordando cinco da tarde.

[...]

Me olhei no espelho e vi a visão do inferno: olheiras profundas, cabelo extremamente bagunçado e meu pijama estava completamente amassado. Tinha marca de lápis em minhas mãos e estava com dores no braço direito.

Optei por ficar naquele estado deplorável e almoçar. Bocejei enquanto caminhava pelo o apartamento. Olhei para o relógio, que marcava dia primeiro de outubro. “Já?” Pensei.

Senti o meu estômago roncar violentamente e andei até a cozinha. Abri o armário e preparei um dos últimos macarrões instantâneos que sobrava. Infelizmente, acabei por queimá-lo, e desisti de comer.

Me acomodei no sofá da sala e liguei a televisão, todavia, não passava nada de bom. Na internet também não acontecia nada. Levy provavelmente estaria dormindo, então preferi nem incomodá-la mandando uma mensagem ou ligando para a azulada.

Tédio.

Ouvi o som da campainha e levantei, andando em direção à porta. Imaginei que fosse Mirajane ou Erza, vindo falar sobre os preparativos do casamento. Depois pensei que pudesse ser Loki, cobrando por uma resposta plausível sobre a empresa. Quando abri a porta, meu coração pulou para a minha garganta.

— Natsu? — Exclamei.

Ele usava uma camisa branca e jeans escuras, e envolta de seu pescoço tinha um cachecol branco. Suas mãos estavam nos bolsos da calça e, quando me viu, Natsu sorriu.

— Faz quanto tempo que você tá acordada? — Perguntou, rindo. Foi quando me toquei que fazia menos de uma hora que tinha levantado, e nem ao menos tomara um banho. Senti meu rosto esquentar.

— Quase uma hora... — Respondi, e ele gargalhou novamente. Indagava a mim mesma o porquê de ele usar um cachecol em um dia tão quente. — O que veio fazer aqui?

— Te convidar para tomar um sorvete — propôs, indiretamente. — Topa?

Pensei sobre o convite. Certo, estava devendo para ele, já que tinha recusado no domingo passado, mas Natsu ficou quase uma semana sem manter nenhum contato comigo, estava nervosa com isso.

Se bem que era uma ótima forma de conversar com o rosado e conseguir as respostas que queria sobre sua irmã. Por razões desconhecidas, estava bastante curiosa sobre este fato.

— Ok, vamos sair — concordei, e ele sorriu novamente. — Só que você vai ter que esperar eu me arrumar. Quer entrar, enquanto isso? — Convidei, abrindo espaço para ele passar. Natsu não respondeu, apenas entrou, acenando que sim com a cabeça.

Vi ele se sentar no sofá e andei depressa até meu quarto, retirando aquelas roupas quentes. Vesti uma camisa sem mangas branca e coloquei uma saia preta com detalhes brancos. Calcei um sapato simples e escovei o cabelo rápido. Fui no banheiro que ficava ao lado do quarto e fiz minha higiene.

Tinha demorado menos de cinco minutos para me preparar. Um novo recorde. Andei até a sala e me aproximei do rapaz, que estava usando o seu celular.

— Vamos? — Perguntei, já com a bolsa em mãos.

Estava um pouco ansiosa. Meu objetivo era conseguir as respostas que tanto desejava, e estava certa de que iria recebe-las. Mesmo com essa ideia na cabeça, não conseguia parar de pensar sobre o que dizer para Loki. Ainda não tinha parado para raciocinar detalhadamente no assunto.

Tranquei a porta e fui em direção ao elevador com Natsu, que felizmente estava vazio. Mesmo alguns centímetros de distância, conseguia sentir o aroma do perfume dele. Recordei-me novamente sobre o sonho que havia tido na faculdade e me senti na necessidade de abraça-lo. Queria tocar seu rosto e sentir seus lábios. Ainda não reconhecia a mim mesma por pensar nesse tipo de coisa romântica.

Talvez eu estivesse mesmo começando a gostar dele.

"Eu te amo para amar-te e não para ser amado,pois nada me dá tanta felicidade como te ver feliz." — George Sand

Notas finais
Fim de mais um capítulo~! Esclarecendo questões: Caso não tenham notado, Lucy sonha com o mundo da Fairy Tail. E quem é fodão vai saber qual é o episódio/capítulo que ela sonhou ♥ Espero que tenham gostado! ♥