We Are Meant To Be

2 When I'm alone I feel so much better


Algo não está certo eu posso sentir isto dentro de mim. A verdade não está distante, você não pode negar. Quando eu apago as luzes e fecho meus olhos a realidade me vence: Eu estou vivendo uma mentira. Quando eu estou sozinho eu me sinto tão melhor...


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O fim de tarde chegara rapidamente naquele dia, na verdade naquele último mês. Não que eu fosse muito apegado a ele, eu não era, não desde os dez anos, mas nem por isso eu queria que ele morresse, meu pai continuava sendo meu herói, mesmo depois de todas as burradas que cometera. O céu começava a tomar seu tom azul escuro, algumas estrelas queimando no espaço já podiam ser vistas, sinal de que logo a noite enfim chegaria, desde o fim das aulas as coisas se tornaram difíceis, minha mãe chorava toda noite, eu podia a ouvir de meu quarto, ela o amava de verdade, mesmo depois das drogas ela continuou o apoiando.

Não conseguia mais ficar naquela casa, tudo lembrava ele à nós dois, eu tinha que ser forte, tinha que ser forte por minha mãe. Vestido de uma simples camisa branca, uma suéter azul e uma calça jeans, acabei cruzando o portal de ferro, passando do jardim da casa para a rua suja e silenciosa. A maioria das pessoas haviam viajado, como era de se esperar nas férias. A neve caía lentamente, como se quisesse evitar as pedras do chão, mesmo não o conseguindo. O vento batia contra meu rosto, tirando os cabelos de minha testa e os “puxando” para trás enquanto o frio fazia meu rosto queimar, deixando minhas bochechas mais vermelhas do que o normal. Os barulhos de meus passos eram abafados pela pequena camada de neve que cobria o chão, meu caminho era incerto, minhas mãos se aqueciam nos bolsos de meu jeans enquanto caminhava. Enfim podia-se ouvir algum barulho, era um cachorro de rua saindo dos arbustos de uma praça. O animal começava a seguir meus passos, andando lado à lado comigo.

– Com fome? – Havia gostado do cachorro, mesmo sabendo que ele logo iria procurar um abrigo quente. Tira uma mão do bolso, segurava uma barra de chocolate que sempre trago comigo. – Dois tabletes pra cada. – Disse ao colocar no chão o pedaço de chocolate que havia separado para ele, que comeu com certa pressa. – Agora vá se abrigar, amigo, está frio demais para você aqui. – Apontei para o arbusto de onde ele havia saído, o que ele entendeu rapidamente e voltou a se abrigar, deixando-me sozinho mais uma vez.

Logo avistei um campo, era o campo em que as crianças do bairro jogavam futebol e passavam as tardes sem se preocuparem com o tempo. Podia se ver pouco da grama, a neve não deixava. Andei até uma pedra do outro lado do campo. Não fora difícil subir, ela tinha metade da minha altura. Sentia minhas calças começarem a ficar geladas e por fim minhas pernas, mas não me incomodava, logo aquilo passaria e eu me acostumaria com aquela sensação em minha pele.

Não demorou muito e meus pensamentos estavam em minha mãe, em como ela se sentia. Foi inevitável não pensar em meu pai. A imagem dele dentro daquele caixão invadira minha mente mais uma vez, a dor que eu senti ao saber que nunca mais veria ele e minha mão juntos de novo. Lágrimas caíram de meus olhos, escorrendo geladas por meu rosto, elas simplesmente não cessavam mais.

– Redden!? – Ouvi uma voz masculina soando atrás de mim e acabei levando um susto ao ver Alec parado atrás de mim, seu típico sorriso de canto em seus lábios. – O que você faz aqui nesse frio? – Ele perguntou de forma calma enquanto se aproximava de mim. Olhei para a frente e fechei os olhos para as lágrimas pararem de escorrer, não queria que ninguém me visse chorando.

– Estou pensando. – As palavras saíram ríspidas de meus lábios, deixando-o talvez um pouco constrangido. – E se está tanto frio porque veio fazer aqui? – Mais uma vez fui grosso com o garoto sem ele ao menos me fazer nada. Ele abriu ainda mais seu sorriso enquanto arrumava seus óculos de armação quadrada.

Observei-o por um tempo, seus cabelos caiam em sua testa de forma delicada, dando-o um ar de garoto, deixando-o mais novo do que ele era. Alec tinha os cabelos longos e loiros caindo de sua cabeça, quase chegando em seus ombros fortes. Ele era do time de futebol da escola, sempre estudamos juntos e passamos a nos ver com menos freqüência quando ele entrou para o futebol e eu para a natação. Éramos amigos de infância, jogávamos naquele mesmo campo que estávamos agora, mas essa amizade esfriou ao entrarmos no colegial. Eu era o contrário dele, meus cabelos eram negros, assim como meus olhos, eu tinha o costume de deixar o cabelo curto, porém caídos em minha testa, isso quando não estava todo desgrenhado. Eu não sorria muito, era como se meus lábios tivessem esquecido como o fazia, ou talvez até nunca aprendido a fazê-lo.

Via-o agora sentado na mesma pedra que eu, um espaço grande entre nós dois, ele me olhava e eu retribuía o olhar de forma rude. Até que ele acabou se despedindo, teria que ir jantar. Fiquei a observá-lo sair do campo calmamente e ir para sua casa, eu deveria fazer o mesmo, eu deveria viajar, me distrair, mas eu não queria. Essa era a verdade, eu queria ficar em casa e me afundar em meu quarto e não sair de lá por um bom tempo, mas queria também sair, me rebelar, sumir.

Obriguei meus pés a tomarem o rumo de casa, o vento batendo em minhas costas, me deixando com mais frio ainda. Minha mãe dormia quando cheguei, não iria a acordar, ela merecia descansar. Subi para meu quarto e acabei desabando em minha cama, ficando o resto da noite olhando o teto.


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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.