We Are Broken
2 Stay, please.
Notas iniciais
(Música)
Thalia corria, ela não sabia para onde. Seu coração doía, uma dor que fazia seu corpo inteiro tremer e a fazia soar frio. Mesmo assim, movida á adrenalina, ela corria sem perceber para onde ia, confiando em seus instintos.
Como Luke pôde trai-la daquele jeito? Como ela pôde ser tão burra ao acreditar que o amor realmente existia? Desde que seus pais tinham se separado, ela tinha jurado que o amor não existia, tinha prometido á si mesma que ficaria longe dele, e olhe só, resolveu ignorar suas promessas e juramentos e acabou ali, correndo e tremendo enquanto lágrimas salgadas caiam por toda sua face. Seu celular tocava uma melodia diferente para cada mensagem que ela recebia — cada uma para uma pessoa que lhe mandava mensagens — mas ela ignorava-as. Primeiro Luke, depois Annabeth, Silena, Katie... ignorava a todos. Só parou de correr quando ouviu o toque dele. Nico.
Pegou o celular, e ignorando as mensagens de seus amigos e de seu ex-namorado, abriu diretamente na dele.
"Talvez nos ajustemos para a situação que é mais confortável."
Era tudo que ele tinha escrito, e mesmo que pouco e sem sentido para alguns, aquilo acalmou Thalia. Ela entendia perfeitamente bem aquilo, ele sabia o que ela estava pensando, o que ela estava sentindo, e disse a única frase que poderia fazê-la sentir-se melhor.
O celular tocou, outra mensagem dele.
"Apenas deixe que a brisa leve o que você não precisa, e se quiser, pode chorar pelo que foi levado, porque nada é facilmente desapegado."
Outra frase que se encaixava perfeitamente no que ela estava pensando. Ás vezes, Thalia pensava que Nico lia sua mente, já que sempre sabia o que ela estava pensando. Como por exemplo, quando ela estava com vontade de comer algo e ele lhe dava exatamente aquilo. Era como mágica.
"Eu sei o que devo fazer, mas dói."
Ela lhe respondeu. Então olhou em volta, Thalia estava em um parque, no parque que ela e Nico se conheceram. Sentou-se na grama e olhou para o céu, ele lhe lembrava seu pai, já que ele tinha o mesmo nome do deus dos deuses.
– Doeu tanto assim quando ela foi embora, pai? — Ela perguntou. Seu celular tocou novamente.
"Procure seu remédio nas pessoas."
Ele disse novamente. Thalia pensou um pouco sobre isso, se ele estivesse ali ela estaria melhor.
"Talvez eu precise de ajuda com isso."
Ela disse. Não se passou nem um minuto até a resposta dele.
"Posso sentir onde você está, mas talvez, a insegurança de piorar tudo atrapalhe."
Nico estava inseguro de ir até ela? Está certo, Nico nunca gostou do namoro de Thalia com Luke, ele a conheceu quando eles dois já eram namorados e conhecia Luke há muito tempo. Ele disse que Luke nunca tinha sido de uma garota só, e disse que ela iria se machucar. E ele estava certo, como sempre.
"Como uma coisa tão linda, que apenas me faz ter sentimentos bons pode piorar algo?"
Ela perguntou. Só de conversar com Nico, Thalia já estava mais calma e suas lágrimas já tinham parado de cair.
"Ah, minha rosa, apenas espere que o vento me leve até ti."
Ele respondeu, e ela sabia o que significava. Ele estava indo até ela. Esse pensamento a alegrou de tal forma que Thalia sorriu, ela podia ter perdido Luke, mas Nico estava certo, as coisas são levadas com um propósito, ela teria apenas que esperar, e tinha todo o direito de se sentir como quisesse.
Annabeth lhe dizia que a ligação de Nico e Thalia era algo inexplicável até para ela, Katie dizia que os dois estavam ligados á acontecimentos do passado, talvez de outras vidas, e Silena, bem, a garota sempre dizia que Nico e Thalia estavam destinados um ao outros.
Elas achavam estranho o jeito que eles conversavam por mensagens, como se estivessem recitando um verso de um poema que se encaixasse na situação que estavam, e nem Thalia nem Nico conseguiam explicar o porque de conversarem daquela maneira, apenas escreviam o que lhes vinha á cabeça.
Minutos mais tarde, Nico apareceu na entrada do parque. Usava uma camiseta larga preta com alguns escritos, uma calça jeans escura, all stars pretos e um gorro também preto, quase invisível em seus cabelos negros. Ele não usava sua habitual jaqueta de couro, também preta, porque quem a usava agora era Thalia.
Ele andou até ela, que se levantara assim que o viu entrando no parque, e tudo o que ele fez foi passar seus braços na garota, praticamente escondendo-a do mundo, deixando-a enterrar a cabeça no peito dele. Ela se sentia protegida ali.
Quase como se tivessem torres em volta dela, como uma fortaleza.
Ficaram assim por diversos minutos, não precisou de palavras para que ele a fizesse se sentir melhor. Depois do que pareceram décadas, os dois se separaram e se sentaram, ainda sem dizer nenhuma palavra. Nico se deitou na grama, Thalia ao seu lado.
– As nuvens são coisas tão inexplicáveis. — Nico disse. — Tão fascinantes.
Thalia concordou, quase em transe. Porque Nico tinha aquele efito anestésico nela, como se tudo o mais não importasse?
– Nico. — Thalia o chamou depois do ilêncio confortável que ficaram.
– Hum? — Ele respondeu, sem tirar os olhos das nuvens.
– Porque? — Ela perguntou. Nico olhou confuso para ela, mas logo sua expressão se suavizou.
– As engrenagens giram bem na nossa frente, precisamos apenas enxergá-las antes que elas parem de girar. — Ele respondeu. — Um exemplo era você e Luke. Ele não sabia absolutamente nada sobre você! Eu te conheço há muito menos tempo que ele e sei muito mais coisas sobre você!
– Eu sei disso Nico, eu estava apenas cega tentando me segurar no pequeno fio de felicidade que me restava! — Ela praticamente gritou.
– Você pode ser feliz sem aquele babaca! — Ele disse praticamente no mesmo tom de voz dela. — Você tem á Annabeth, Silena, Katie, os Stoll's. Você tem a mim Thalia!
Thalia se silenciou de novo. Nico estava certo. Uma lágrima caiu de seu olho, ela odiava fazê-lo gritar, já que Nico era sempre controlado.
– Me desculpe. — Ela disse como uma criança que leva uma bronca dos pais. Não sabia porque se sentia assim, era como quando você faz de tudo para impressionar uma pessoa que admira e acaba fazendo-a ficar chateada.
Na verdade, era exatamente aquilo. Thalia admirava Nico.
Admirava o auto-controle que o garoto tinha, o quanto ele era calmo, o quanto ele era inteligente, o quanto ele conseguia fazer todos á sua volta se sentir bem...
Nico se sentou ao lado de Thalia e passou um de seus braços pelos ombros da garota, secando uma das lágrimas dela com as costas da mão.
– Eu não queria fazê-la chorar. — Ele disse. — Eu só não entendo. Porquê, Lia, você estava com aquele babaca que nem mesmo sabia que você odeia margaridas?
Thalia riu á essa menção. Era verdade, Thalia nunca gostou de margaridas, mesmo assim, Luke sempre dava uma margarida para ela em seus encontros, e ela nunca dizia á ele que não gostava das flores.
– Eu não disse que faria tudo piorar? — Ele murmurou se levantando. Thalia segurou o braço dele.
– Não vá. — Pediu. — Por favor.
– Eu a fiz chorar, Lia. — Ele disse isso como se estivesse com nojo de si mesmo.
– Está tudo bem. — Ela disse num fio de voz. — Fique, por favor.
Nico se virou e olhou para a garota, decidiu então aceitar o pedido dela.
– Você precisa se distrair. — Ele disse. — Vamos ao cinema.
Thalia riu ao lembrar-se que foi basicamente isso que disse ao seu pai quando a mãe dela o deixou. Segurou a mão de Nico como apoio e os dois foram, andando lado a lado, em direção ao primeiro shopping que achassem.
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