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1 É uma Rosa.
Notas iniciais

No Hospital St Mungus, Rony acompanhou o sono calmo de Hermione na cama ao lado, nervoso e sem saber ao certo que fazer. Ao lado da cama da esposa, havia um berço em que uma garotinha recém-nascida dormia.
Nem possuía nome ainda, pensou.
Até aquele momento, Rony ainda não a pegara no colo. Fosse por medo, insegurança ou nervosismo, não sabia dizer. Porém, ainda não falara com a sua própria filha. Isso o fazia sentir estúpido e covarde, afinal, era só um bebê.
Paralelamente, Rony pensava que, talvez, quando Hermione acordasse, ele pudesse segurar a filha, ou pelo menos tentar.
Não agora, é claro. Hermione estava tão cansada... Seus olhos estavam fundos e ela respirava pesadamente, era quase um insulto pensar em acordá-la.
Então, no berço, o grunhindo fino espalhou-se pelo quarto, assustando Rony.
Ah, não, não, não, não – resmungou para si mesmo, quando entendeu o que era aquele barulhinho.
Aproximou-se do berço, o bebê remexia-se, com lágrimas brilhando nos olhinhos minúsculos. Quando viu a cabeleira vermelha de Rony, seus olhos se esbugalharam, encarando o ser estranho que retribuía o olhar com o mesmo terror.
— Ei – disse Rony. – Ei garotinha, tá tudo bem aí?
Silêncio.
— Olha, a mamãe ainda está dormindo, okay? Então vamos ficar caladinhos, tá? – continuou Rony. – Dorme um pouquinho mais. Se tiver com fome, quando ela acordar, eu peço para ela te alimentar, tudo bem? Só fica caladinha por enquanto...
A criança enrugou o rosto, como se o desafiasse, mas apenas começou a chorar novamente.
— Não, não, não – pediu o pai, nervoso. – Pelas calças de Merlin!
Ansioso em calar a filha, Rony colocou as mãos dentro do berço, coçando a barriga dela. Tentou persuadir, segurou a mãozinha dela, apertou de leve o narizinho e colocou a mão sobre a boca dela, mas isso só intensificou o choro.
Hermione ainda dormia sofregamente na cama, então era o dever de Rony amparar sua filhinha recém-nascida, mesmo que ele não tivesse a mínima ideia de como fazê-la parar de chorar.
Decidido, agarrou a criança pela cintura e a levantou.
O bebê, vermelho e molhado de lágrimas, o encarou, fungando.
— Isso – ele disse. – Já passou – balançou-a no ar.
Sorriu, feliz por ter conseguido, mesmo aos poucos, diminuir o choro.
— O que está fazendo? – a voz da enfermeira atravessou o quarto.
— Ah, graças a Merlin – disse Rony. – Aqui, segure-a, acredito que ela precise de alimento. Ofereça-a um suco de abóbora ou sei lá. Mas a faça parar de vez, senão a Mione vai acordar.
A enfermeira, visivelmente confusa, aproximou-se.
— Está segurando errado, senhor – ela disse. – Olha, coloca a cabeça dela assim, isso, cuidado! – empurrando o bebê, a enfermeira a posicionou nos braços de Rony na forma correta.
— Tem certeza disso? – perguntou Rony, ao ouvir as fungadas do bebê. – Ela não me parece muito feliz...
— Ora, vamos, vai ter que segurá-la uma hora. – respondeu. – Balance-a um pouco, tenho que fazer uma ronda, mas volto logo.
— O quê? Não, espere – mas ela já tinha ido.
A garotinha diminuía os chiados aos poucos, enquanto era balançada pelo pai. Os olhinhos molhados desfocados e, aos poucos, encarando Rony com curiosidade.
— Oi – disse aos sussurros. – Oi, bebê. Sou eu, seu papai. Lembra-se de mim? Mione disse que você me ouvia lá de dentro, é verdade? Bem, me desculpe então pelo desespero que tive quando você estava querendo sair. Foi uma coisa nova, sabe?
A pequena parecia atenta às palavras do pai.
— Seus cabelinhos vão ser ruivos – ele disse, tocando a cabecinha quase careca da filha, exceto pelos ralos fiozinhos vermelhos alaranjados. – Como os meus, é claro. Veja – abaixou a cabeça e sentiu, rapidamente, que a mãozinha da filha tocava seus cabelos.
Rony sorriu.
— Você é tão inteligente – disse. – Como a Mione, eu espero. Não que eu não seja, mas ela é quase um gênio. Bem, na verdade, ela é um gênio. Todos aqueles livros, o que mais poderia?
Rony afastou a cabeça e viu que a pequena sorria, a boca sem dentes escancarada em um sorriso genuíno.
— Isso nem é tão difícil – Rony sorriu também, se gabando, então, sem perceber, deixou a mãos escorregar um pouco, mas não permitiu que a filha caísse, com sorte. Porém, o pequeno susto alarmou a criança que voltou a chorar. – Ah, não, não...
Nervoso, Rony se sentou na cadeira que estava desocupada ao lado da cama da esposa, ainda dormindo.
— O que eu faço para você parar de chorar, hm? — questionou. – Quer brincar, han? Que tal um pouco de mágica?
Pegou a varinha nas vestes e apontou para a filha, que encarou o objeto estranho, nervosa. Fez um minúsculo passarinho sair voando por cima de sua cabeça. A bebê fez uma careta, fungando.
— Tá, sem pássaros...
Então, fez uma pequena florzinha sem espinhos aparecer em cima da barriga da filha, coberta pelas roupinhas feitas por Molly Weasley.
A criança segurou o objeto.
— É uma rosa. Vermelho, está vendo? – disse Rony. – Igual aos seus cabelos.
A menina levou a pequena rosa vermelha à boca. Rony sorriu, quando notou que ela não chorava mais.
— Gosta de rosas, certo? Do que mais você irá gostar? – perguntou, sem esperar resposta. – Quadribol, sim? Ah, vamos, seria incrível. Faria o Harry engolir a língua por achar que James, seu primo, será um ótimo apanhador. Você pode ser uma grande goleira ou artilheira ou o que quiser. Não deixe a sua mãe saber disso, ela não entende nada de Quadribol.
Ainda com a flor nas mãos, ela balançou o objeto para o pai, sorrindo, como se concordasse.
— Desculpe por ter ficado nervoso, Rose – ele disse, sem perceber como chamara a filha, tocando seus dedinhos. – É que eu sempre fui meio assim, sabe, Harry já me disse que tenho esse problema na cabeça. Fiquei com um pouco de medo de estragar tudo e você não gostar de mim, sabe? Porque eu quero ser bom nisso, querida.
O bebê segurou o dedo de Rony e, antes que ele pudesse falar, ela o apertou com força. Claro que não significava alguma coisa, mas, para Ron, aquilo era muito. Era um ato de concordância e compreensão, algo que ele só poderia dividir com alguém como ela, uma parte dele.
Tão cedo ela entendia o que ele era, os seus problemas, medos e inseguranças. Ela entendia e o amaria mesmo assim, porque ele já a amava. Não precisava saber se ela jogaria Quadribol, seria a melhor da turma, teria cabelos ruivos ou adoraria rosas, Rony Weasley estava determinado a ser o melhor pai que podia para sua filhinha e amá-la acima de qualquer coisa.
— Rose? – a voz veio mais abaixo de Rony, da cama onde Hermione estava, agora acordada e com um simples sorriso maroto. – Já andou escolhendo o nome dela sem mim?
Surpreso por ela estar ouvindo sua conversa com a filha, Rony nem entendeu direito a pergunta.
— O quê?
— Eu ouvi quando a chamou de Rose – respondeu Hermione, sentando-se. – Não estou reclamando, se quer saber. Acho um nome maravilhoso.
Rony encarnou o bebê e depois sorriu para a esposa.
— Então será isso. Rose Weasley...
— Rose Granger-Weasley – corrigiu.
— É, tanto faz. Rose Granger-Weasley — a filhinha ainda segurava seu dedo. -, nossa pequena rosa.
E, olhando o olhar apaixonado de Rony para a filha, Hermione só conseguiu concordar e sorrir.
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