Notas iniciais
quatro capítulos dentro de uma semana? pra quem não atualizava a fanfic há meses, até que não tá mal, né? esse capítulo é mais curtinho que os outros (que nem deveriam ser tão grandes), mas é mais focado na Bella e no Dean, quero mostrar os dois começando a desenvolver seu laço :3 eu tô mt gay hj :3 gostaram da capa nova? eu que fiz :P queria uma capa pra ilustrar o trisal que teremos futuramente ;)

A água quente começava a fazer minhas costas arderem.

Eu não sabia há quanto tempo estava debaixo daquele chuveiro, encarando o chão. As imagens se passavam em um loop na minha cabeça. Charlie e Renée, o facão perfurando James, o sangue em minhas mãos.

Se Charlie estivesse vivo para me ver fazendo uma coisa daquelas, certamente teria se desapontado.

Eu já não sabia quem eu era, mas sabia que não era a mesma garota que havia chegado em Forks meses antes. Eu não era a mesma garota que ficava enjoada e a ponto de desmaiar vendo sangue. Eu não era a mesma garota que entrava em choque em vez de me mover.

No que eu estava me transformando?

— Bella? – a voz de Alice me assustou, me tirando de meus pensamentos. – Tá tudo bem aí dentro?

Desliguei o chuveiro, respirando fundo e erguendo a cabeça.

— Tá, sim.

— Deixei uma troca de roupas para você em cima da cama. Estaremos no quarto ao lado.

— Tá legal.

E com isso, a ouvir fechar a porta do quarto de hotel. Me aproximei do espelho, limpando-o para poder enxergar meu reflexo.

Olheiras fundas em baixo de meus olhos, resultado de várias horas sem dormir. Quase um dia inteiro, acho. Eu não conseguia dormir, pois sabia que se eu por algum milagre fosse capaz de fechar meus olhos, teria pesadelos. Eu não queria assustar ninguém com os meus terrores noturnos.

Fora uma questão de dias desde que o trio aparecera no meu caminho e virara minha vida de cabeça para baixo. Estávamos, agora, em alguma cidadezinha californiana, em um motel de beira de estrada de uma rota esquecida por Deus. Ou ao menos foi assim que Dean a descreveu pra mim.

Os Cullens ainda estavam se dividindo e se revezando para caçar, se alimentar e cuidar da minha segurança. Mais uma vez eu estava atrapalhando a vida deles. Eu estava cansada de assistir tudo passivamente, cansada de ser protegida. Queria aprender a me defender sozinha, eu precisava.

Vesti as roupas limpas e saí, rumo ao quarto dos Winchesters. Bati à porta e esperei. Imaginei que talvez estivessem dormindo, deveriam estar exaustos depois de tudo aquilo.

Desisti, me virando para encontrar Alice no quarto ao lado do meu, mas então a porta se abriu.

— Bells? – ouvi Dean me chamar, no que me virei. Ele tinha o rosto com marcas do travesseiro.

— Desculpa ter te acordado. Falo com você depois.

— Não, espera um minutinho – ele voltou para dentro do quarto. Alguns instantes depois, saiu e sozinho. – Já comeu alguma coisa?

— Não.

— Beleza, vem comigo. Sei onde tem uma lanchonete boa por aqui.

Não era bem o meu plano, mas já era um começo. Acompanhei Dean até o Impala, incerta sobre onde deveria me sentar. No fim, fui na frente enquanto ele dirigia para fora do estacionamento.

— Conseguiu dormir? – ele me fitou brevemente antes de voltar a encarar a rua. Neguei com a cabeça. – Eu sei que não é fácil, mas se você não dormir, vai acabar desmaiando de exaustão.

— Como sabe que não é fácil?

Ele riu um pouco, parecendo desconfortável. Eu tinha cutucado uma ferida?

— Nós também perdemos os nossos pais, Bella – me olhou por um instante. – Então eu sei.

— Vampiros?

— Não. Demônios. Na verdade, só um demônio específico.

— Demônios existem? – arqueei as sobrancelhas.

— Demônios, vampiros, lobisomens, fantasmas, aparições... A lista é grande e vai longe.

— Sinto muito – baixei a cabeça.

— É, eu também – ele suspirou.

— Por que me deu o facão ontem?

Aquilo tinha o pegado de surpresa, a julgar pela cara que fez.

— Aquele foi um erro.

— Por que acha isso?

— Eu não deveria ter feito você sujar as mãos com aquele sanguessuga. Nós somos Caçadores, o dever é nosso, não seu.

— Por que está desviando do foco? – insisti.

— Bella...

— Você sabia o que eu queria. Sabe exatamente o que eu quero, não sabe?

Dean mordeu o lábio inferior, mantendo os olhos na rua.

— Não é o tipo de coisa que deveria querer. Essa vida é ingrata, injusta. Salvar pessoas, caçar coisas... É o negócio da família. Nosso pai morreu por isso. Eu quase morri uma vez e só de pensar que algo poderia acontecer ao Sammy... – ele engoliu a seco. – Você tem uma vida pela frente, e bons amigos pra te apoiar. Deveria se agarrar a isso e tocar a sua vida pra frente.

— Eu não posso voltar pra casa. Eu nunca mais poderei voltar para Forks, Dean. Como vou explicar o desaparecimento do Charlie aos outros? Acha que eu não serei tratada com suspeita? Os Cullens com certeza irão. Eu sei que eles sairão da cidade, assumirão outras identidades. Eles não podem agir como meus seguranças particulares para sempre e nem vocês. Eu preciso aprender a me defender sozinha, eu preciso estar pronta para Victoria quando ela me alcançar – o encarei. – Eu quero que me ensinem a caçar.

— Não – negou categoricamente, sem sequer me encarar.

— Se vocês não me ensinarem, eu vou encontrar alguém que ensine.

Ele suspirou profundamente, estalando a boca em desaprovação.

— Não vai mudar de ideia, né?

— Não.

Por fim chegamos à lanchonete que ele havia mencionado. Descemos do carro e entramos, nos sentando mais ao fundo. Uma garçonete veio até nós, nos dando cardápios.

— O que vai querer? – ele perguntou.

— Tô sem fome.

— Você está a quase 24 horas sem comer – franziu o cenho. – Assim não vai dar, não. Precisa de uma boa noite de sono e comer alguma coisa se vai cair na estrada com a gente.

Senti meu coração pular no peito.

— Vai me ensinar?

— Vou – ele fez uma careta, infeliz. – É uma péssima ideia, e tenho certeza que os seus sanguessugas não vão gostar nada disso, e você ainda vai ter que convencer o Sammy... – explicou. – Mas da minha parte, você tá dentro. Melhor aprender com a gente do que com estranhos por aí. Tem gente maluca de todos os tipos na estrada, então você vem com a gente.

— Okay – assenti, um pouco mais aliviada.

— Então, vou perguntar de novo: o que vai querer comer?

O cardápio não era dos melhores, mas também não era um horror. Acabei pedindo por suco de laranja e cheeseburguer, pedido que Dean também quis, acrescentando torta de maçã.

Conversamos um pouco sobre como era pra eles viajar de cidade em cidade caçando monstros que atacavam pessoas inocentes. Acho que ele queria me assustar com todo aquele papo, mas eu duvidava seriamente que qualquer coisa pudesse me assustar mais do que James havia conseguido.

No fim, voltamos para o hotel, levando o café da manhã de Sam. Dean mal havia estacionado quando percebi que Alice estava parada de braços cruzados na frente da minha porta, bastante irritada.

— Não suma assim, Bella! Quer nos matar de susto?

— Mas vocês já não estão mortos? – Dean franziu o cenho.

— Calado, projeto de Hannibal Lecter – a baixinha se irritou mais ainda, no que Dean apenas riu e fez um gesto de rendição. – Xô daqui, quero falar a sós com a minha amiga.

— Depois a gente se fala – ele me olhou antes de entrar em seu quarto.

— Quer me contar alguma coisa? – Alice me encarou, pondo as mãos na cintura.

— É, quero. A gente precisa conversar.