Wayward

42 Capítulo 41


Notas iniciais
aqui https://www.youtube.com/watch?v=7csnADddM4A

— Meus parabéns, Isabella. Você conseguiu. Você superou tentações e martírios e não cedeu aos demônios. Você se tornou uma mártir da causa dos céus.

Um salão de mármore branco, repleto de luz, mesmo que não houvessem janelas ou portas ali. Eu estava dentro do que parecia ser uma grande piscina e tinha companhia.

Reconheci o arcanjo Gabriel bem à minha frente, com um largo sorriso. Outros anjos o acompanhavam, e dentre eles, um chamou a minha atenção, mas eu não sabia o motivo disso. Todos trajavam armaduras douradas, e suas belas asas estavam à mostra.

Gabriel se aproximou de mim, me segurando com um braço, me induzindo a deitar e imergir nas águas, e assim eu o fiz, sendo envolvida por uma energia que eu não sabia explicar. Uma energia que me fazia sentir revigorada, que me encheu de esperança.

— Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados, e bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra.

Eu estava morta? O que estava acontecendo comigo? Um batismo?

O arcanjo me pôs de pé.

— O Senhor está contente com a sua devoção. Preciso confessar que temia que você não fosse capaz, mas estou feliz por estar errado. Eu tinha grandes esperanças quando você nasceu e estou orgulhoso de ser seu patrono, mas, ouça: seu trabalho ainda não terminou. A última parte será a mais difícil. Haverá testes, de humanidade, de obediência. Se mantenha firme como tem se mantido até agora e manterá sua santidade, você precisará dela. Santa Isabella, cumpra os desígnios do Senhor para permanecer nas graças Dele.

Gabriel tocou meu terceiro olho... E então eu sabia.

Sabia o que tinha que fazer, e sabia como fazer.

Meu corpo, antes em pedaços, estava inteiro novamente. Meus ferimentos estavam curados, minha alma e meu corpo eram um só, como antes. Quando abri meus olhos, percebi que ainda estava amarrada à mesa. Dessa vez, eram os gritos de Dean que preenchiam o silêncio daquela sala infernalmente quente.

Me soltei das cordas com um mero puxão, chamando a atenção dos demônios para mim. De um por um, todos vieram me atacar, e bastou que eu tocasse suas cabeças para que os matasse, preservando a vida dos humanos possuídos.

Que o Senhor os perdoe e os abrigue em Sua luz.

Três demônios a menos no mundo. O cheiro deles ainda estava fresco, mas eu não sentia a presença de mais nenhum entre nós, então voltei para Dean, tirando-o do gancho onde estava preso, quebrando suas correntes.

— Bella? É você que tá aí?

— Sim.

Ouvi sinos estranhos em minha voz. Franzi o cenho, não me reconhecendo por um momento, mas havia outras coisas com as quais me importar naquele momento.

Segurei seu rosto, curando suas feridas, no que ele imediatamente se sentiu melhor. Me abraçou firmemente, e eu podia sentir que estava mais tranquilo.

— Eu pensei... Pensei que tivesse te perdido – afagou meu rosto.

— Eu acho que perdeu.

— O que quer dizer?

— É difícil explicar. Talvez em outro momento. Precisamos tirar essas pessoas daqui.

— Estão vivos? – perguntou surpreso.

— Sim.

— E você matou os demônios neles?

— Sim.

— Como?!

— Não sei – dei de ombros. – Apenas fiz. Vamos – lhe dei as costas.

— Espera.

— O que?

— Toma – ele tirou sua jaqueta azul, me ajudando a vesti-la, abotoando-a até certa altura. – Sinto muito.

— Pelo que?

— Eu deveria... Deveria ter te protegido. Eu deveria ter feito mais.

— Dean, me ouça – segurei seu rosto, fazendo com que me olhasse nos olhos. – Essa é a vontade de Deus. Não é a coisa mais agradável que há pra nós, mas é o que temos. Cada um de nós tem um destino. Eu não posso mais ser garota que você salvou em Forks. Estamos em guerra e eu sou um soldado, assim como você.

Minhas palavras pareceram assombrá-lo de uma forma que eu nunca vi antes.

— Uma família só nossa... Foi tolice minha pensar que teríamos isso, não é?

— Não, não foi. Mas agora... Agora temos outras prioridades – beijei sua testa. – Confia em mim?

— Sempre.

— Vamos superar isso – segurei suas mãos, entrelaçando-as às minhas. – Prometo.

Ouvimos uma porta se abrir, no que ficamos em alerta.

— Dean? Bella? – Sam nos chamou.

Mas eu não estava tranquila. O cheiro de enxofre se tornou fresco novamente.

— Fica atrás de mim – sussurrei à Dean.

— Por que?

— Apenas fica.

— Pessoal, cadê vocês? – Sam nos chamou, no que caminhamos quase na ponta dos pés até sairmos daquela sala, passando pela única porta aberta ali.

Estávamos em um abatedouro abandonado. A sala de tortura onde estive era onde cortavam os animais. Irônico, pra dizer o mínimo.

Caminhamos devagar até o que parecia ser um escritório, e lá eu avistei um demônio, não perdendo tempo e avançando sobre ela.

Mas, muito para a minha surpresa, Sam e Bobby me seguraram.

— O que tá fazendo, Bella? – Sam perguntou.

— Ela é um demônio, Sam!

— É, eu sei. Essa é a Ruby.

— Que Ruby?!

— A garota que me salvou quando exorcizamos os pecados capitais naquela noite.

Eu não me lembrava de ele ter mencionado aquilo.

— Por favor, não a mate – ele me segurou pelos ombros, me mantendo afastada da coisa feia.

— Me dê um bom motivo!

— Ela nos ajudou a consertar O Colt – Bobby me encarou. – E nos ajudou a encontrar vocês. Passamos três dias tentando encontrar vocês antes de ela aparecer e nos ajudar, sem ela não estaríamos aqui.

— Três dias? – me voltei para Dean.

— É – ele assentiu.

Não parecia que todo esse tempo havia se passado para mim. Estranho.

— Que fique claro – disse em alto e bom tom. – Ao menor sinal de perigo, eu vou matar você – encarei a demônio.

— Eu também não sou fã de santos – zombou. – Especialmente Santos Guerreiros. Mas não se preocupa, esquentadinha, estou aqui pra ajudar.

— É o que veremos – Dean ameaçou.

— Precisamos ajudar o pessoal na sala de abate. Eles vão precisar de carona.

— Tem gente viva? – Sam perguntou surpreso.

— Todos vivos. Devem estar assustados.

— Ainda bem que eu vim no meu carro – disse Bobby. – Vamos tirar esses pobres coitados daqui.

~

Sam dirigia o Impala enquanto Dean e eu estávamos no banco de trás. Ele estava dormindo com a cabeça em meu ombro, e apesar de tentar, eu não conseguia dormir.

Podia sentir o medo em Sam. Talvez medo do desconhecido, talvez medo de eu não ser mais a Bella com a qual estava acostumado.

Porque talvez... Talvez parte de mim de fato tivesse morrido naquele abatedouro.

— Aqueles demônios... – chamei a atenção de Sam. – Me acusaram de matar os dois demônios lá em Ohio, mas nós não os matamos. Apenas os exorcizamos. Alguma ideia do motivo pelo qual me acusariam de os matar antes de eu ter essa habilidade?

Sam mordeu o lábio inferior, sem desviar os olhos da estrada. Ele sabia de algo. Eu não queria insistir e ser incômoda, mas eu precisava de respostas.

— Sam?

— Foi a Ruby – ele cedeu. – A Ruby estava na nossa cola há um tempo. Nos seguiu até a cidade e depois seguiu aqueles demônios. Ela os matou porque achou que seria melhor evitar que mais demônios soubessem sobre você.

— O tiro saiu pela culatra.

— É, nota-se. O que foi que aconteceu lá, hein?

— Eu morri, foi isso que aconteceu – desviei o olhar, olhando para a estrada.

— O que?

— Eu morri, Sam. Morri porque essa demônio se meteu onde não devia.

— Mas como...?

— Não sei se posso contar. Sinceramente não gostaria de falar sobre isso. Mas se eu não tivesse voltado, se não estivesse com mais força, e algo tivesse acontecido ao Dean, a culpa seria dela – o encarei pelo retrovisor.

Sam apenas assentiu, claramente desgostoso.

— Não podemos confiar nela.

— Eu sei – ele assentiu.

Mas eu tinha a impressão de que Sam era mais tolerante à Ruby do que deveria.

Notas finais
gente, toda vez eu esqueço de perguntar kk com quem posso shippar o Sam? eu queria MUITO fazer Sabriel (Sam x Gabriel), pq vi umas fanarts tão fofinhas deles dois :3 fiquei toda boba, e é um ship que eu nunca nem teria imaginado kk pq ele e Ruby pode esquecer, odeio aquela sonsa (nunca me enganou!) posso shippar o Sam com o Gabriel? vcs deixam esse ship rolar ou tem outras sugestões?