Wayward
40 Capítulo 39
Notas iniciais
Bobby e Dean estavam boquiabertos nos encarando. Sam contava animado tudo o que tínhamos feito enquanto eu me servia de mais café e adicionava uma boa dose de açúcar, bebendo uma xícara inteira em alguns segundos, a quarta em menos de uma hora porque eu não pretendia dormir até a noite cair de novo, para não desregular meu sono ainda mais.
O dia tinha nascido quando voltamos pra casa do Bobby, e eles já estavam com a mão na massa, ou melhor, no Colt, quando nos viram.
Quando voltei para a biblioteca, depois de beber quase um litro de café bem forte, os dois me olhavam ainda em choque.
— Melhor time de exorcistas! – Sam ergueu seu punho.
— Exorcistas cafeinados prontos pra mais um round! – eu ergui o meu punho até bater com o dele e nós dois fizemos o sinal da cruz com os braços em seguida porque agora aquele era o nosso toque secreto de bros.
Dean franziu o cenho.
— Quando foi que se tornaram melhores amigos?
— Como assim? – perguntamos ao mesmo tempo, no que começamos a rir da cara um do outro. Estávamos acordados há tempo demais sem cochilo e à base de café, estávamos a um passo de ter algum problema.
Dean grunhiu, baixando a cabeça e fechando os olhos por um momento, provavelmente estressado conosco.
— Vocês dois precisam dormir – ele se levantou de onde estava sentado. – Chega de café, chega de trabalho, vocês dois vão dormir agora mesmo antes que tenham um ataque cardíaco ou algo do tipo. Vamos – pôs as mãos em nossos ombros, nos conduzindo para as escadas.
— Boa noite, Bobby! – eu disse com um aceno antes de subir.
— Boa noite – ele respondeu, acabando por rir depois.
— Vocês dois precisam se desintoxicar de café – Dean resmungou enquanto abria a porta do quarto onde Sam dormia. – Nada de ficar pesquisando casos no notebook, falo sério. Vá dormir, Sammy.
— Tá bom, tá bom – ele riu. – Boa noite, Bella – ele acenou.
— Boa noite, Sammy – eu ri enquanto Dean me empurrava gentilmente até o quarto onde eu ficava.
— Chamou ele de ‘‘Sammy’’ e ele não reclamou? – Dean semicerrou os olhos, me encarando. – Como conseguiu isso?
— Ué, ele é meu cunhado – dei de ombros. – O irmão mais velho que eu nunca tive – pus meus braços sobre os ombros dele. – A gente exorcizou bonito os coisas feias lá em Ohio, cê precisava ver!
— Talvez na próxima – ele tirou meus braços de cima dele. – Mas agora você precisa descansar, é sério.
— Acabei de tomar uns 800ml de café, eu não tô nem um pouco a fim de dormir.
Dean suspirou, baixando a cabeça.
— Muita energia pra gastar, sabe? – me aproximei mais.
— Bella, aqui não – ele franziu o cenho.
— Tudo bem, aqui não. Onde, então? – fiz um biquinho.
Dean mordeu o lábio, desviando o olhar.
— Eu realmente acho que não seja uma boa ideia.
— A gente não precisa fazer nada – me aproximei, beijando sua bochecha, descansando minha cabeça em seu peito. – Só quero ficar com você um pouquinho.
— Você não tá mais brava comigo?
— Claro que eu ainda tô brava – me afastei para encará-lo. – Mas eu tenho mais saudade de você do que raiva nesse momento. Podemos ficar a sós em algum lugar, por favor? Acho que devíamos conversar.
— Tá bem, senhorita, mas você não vai dirigir.
— Sim, senhor – bati continência, rindo.
Então, muito para a minha surpresa, Dean segurou minha mão e me levou de volta para o andar de baixo.
— Estamos de saída! – disse à Bobby enquanto passávamos pela porta dos fundos.
Entramos no Impala, Dean na direção, como dissera, e ele dirigiu até o motel mais próximo. Mal havíamos passado pela porta quando começamos a nos beijar loucamente, e quase não deu tempo de tirarmos nossas roupas e de ele colocar a camisinha.
Dean me colocou contra a parede, e eu entrelacei minhas pernas ao redor da cintura dele enquanto ele estocava fundo. Acabei me soltando mais do que deveria, mas ele cuidou disso, me calando com beijos enquanto segurava meu traseiro firmemente e eu arranhava suas costas.
Acho que a coisa toda durou uns dez minutos e é claro que eu ainda não estava satisfeita. Ele me levou para a cama de casal e me fez esperar enquanto jogava a camisinha, além de lavar as mãos para brincar comigo usando seus dedos, me massageando por dentro enquanto eu me tocava por fora.
— Eu senti tanto a sua falta – disse enquanto beijava meu pescoço. – Você tava me deixando louco com isso, Bella.
— Isso... – me aproximei, beijando-o brevemente antes de morder seu lábio inferior por um momento. – É pra você aprender a nunca mais me tratar como uma estranha.
— É? – me encarou enquanto seus dedos iam mais fundo em mim, me fazendo gemer mais. – Tudo bem, lição aprendida. Estou perdoado?
— Não sei, ainda estou em dúvida – brinquei, com um sorriso malicioso.
Seus movimentos ficaram mais rápidos, assim como os meus. Eu estava excitada demais para prolongar mais do que deveria. Segurei seus cabelos com força enquanto ele me beijava, sentindo meu orgasmo mais próximo, e apertei minhas coxas contra sua mão, convulsionando um pouco quando finalmente gozei, arfando cansada.
Dean se deitou ao meu lado, me puxando para os seus braços, onde fiquei feliz em estar, matando a saudade que eu tinha do cheiro dele.
— Agora está perdoado – sorri.
— Graças a Deus – ele riu. – Eu ia pirar se a gente continuasse daquele jeito.
— Você quem começou – levantei a cabeça para fitá-lo, fazendo um biquinho.
— É, eu fui um idiota, sinto muito.
— Nunca mais faça isso.
— Sim, senhora – sorriu. – Fiquei pensando sobre o que disse. Sobre o lance de casamento e tudo mais – seu semblante ficou mais sério. – Talvez tenha sido algo meio precipitado mesmo, mas eu ainda sei que quero me casar com você. Mais do que nunca, tenho certeza disso. Sei que não há futuro comigo depois de eu ir pro inferno, e eu decidi que realmente não quero ir pro inferno, mas, se por algum milagre eu conseguir ficar, eu realmente gostaria de ter uma família com você.
Aquilo definitivamente me pegou desprevenida.
— Tá falando de... Bebês e tudo mais? – pestanejei nervosa. – Bebês, bichinhos de estimação e uma casinha de cerca branca?
— É – sorriu sem jeito. – Uma família só nossa. Claro, se você quiser.
— Pra ser honesta, eu nunca pensei muito a respeito disso. Nunca me imaginei... Mãe de alguém – fiz uma careta. – Especialmente depois de me tornar caçadora. Ainda mais agora que... Tem esse lance de ser uma santa – revirei os olhos, me sentindo desconfortável. – Agora não é a melhor hora, mas... Quando isso tudo acabar... A gente poderia, quem sabe...? Uma vida mais normal, caçar menos...
— É?
— É – assenti. – Mas, Dean, você realmente precisa de ajuda. E não tô falando de encontrar uma forma de desfazer o pacto ou coisa do tipo, isso nós já vamos procurar, mas eu tô falando de ajuda psicológica.
Ele logo suspirou, fechando os olhos.
— Tô falando sério e não é por maldade. Tem certas coisas que eu realmente não sei o que fazer pra ajudar.
— Tipo?
— O lance do seu pai, entre um milhão de outras coisas. Não há nada de errado em precisar de terapia ou qualquer coisa dessa natureza, errado é você ter problemas e não procurar resolvê-los. Quando isso acabar, se você ainda quiser uma família, eu precisarei que procure ajuda, tá?
Ele me fitou, os lábios crispados pela irritação.
— Tá bem. Parece justo.
— Me promete?
— Prometo – segurou minha mão, a beijando.
Ficamos juntos no motel até a noite, depois de ele tentar me fazer dormir de várias formas diferentes. A última, que consistia de Dean cantando, foi a que teve efeito.
Depois de acordarmos, tarde da noite, tomamos banho e nos vestimos para voltar para a casa do Bobby.
— Tô cheio de fome – disse enquanto saíamos do quarto. – Quer comer alguma coisa antes de voltar?
— Pode ser.
Eu estava prestes a entrar no carro quando senti cheiro de enxofre na brisa.
— Demônios – encarei Dean assustada.
— Como você...?
Em um piscar de olhos, haviam dois atrás dele, segurando facas contra o seu pescoço. Logo senti uma lâmina contra o meu e ergui as mãos em rendição, não ousando me mover mais.
— Achou mesmo que tinha acabado? Que mataria nossos companheiros de batalha e ficaria por isso, sua peste?
— Faça o que quiser comigo, mas deixe ele em paz.
— Sem chance – o demônio às minhas costas riu. – Vão se arrepender de ter nascido.
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