Wayward

34 Capítulo 33


Notas iniciais
eu vou inserir na fanfic uma parte da mitologia bíblica que, até onde sei (porque eu dropei a série na décima primeira ou décima segunda temporada), nunca foi mostrada na série (até a quinta temporada, pelo menos) por favor, não me matem espero que gostem ainda estamos no episódio 03x01 ;)

— Que horas são? – Bobby perguntou à Dean, bocejando.

— Meia noite e sete – ele respondeu olhando o relógio.

Estávamos dentro do carro do Bobby, encarando as portas do bar onde eu avistei uma série de demônios entrar. Estávamos cansados de esperar, mas nossos planos não eram exatamente os melhores.

Sam bateu na porta, nos assustando, empurrando o banco de Dean para a frente para se sentar no banco de trás ao meu lado.

— Descobriu alguma coisa? – Dean perguntou mal humorado pelo sono.

— Sim, olha, o nome desse João Ninguém é Walter Rosen, é de Oak Park, à oeste de Chicago e sumiu há quase uma semana.

— Na noite que o portão se abriu?

— É. E se ele só se tocar nas pessoas transforma elas em psicopatas ou algo do tipo?

— Os demônios que passaram pelo portão são capazes de fazer coisas que nunca vimos – Bobby atestou preocupado.

— Gente, olha lá – Dean chamou a nossa atenção.

— A coisa feia chegou – comentei.

— É isso, hora do show.

— Espere um pouco – disse Bobby.

— Por que?

— O que foi que eu disse? Nós não sabemos o que esperar desse cara. Vamos ficar de olho até sabermos.

— Ah, ele mata alguém e a gente fica aqui sentados, esperando?

— Não servimos de nada mortos – Bobby o encarou. – Não vamos fazer nada até saber qual é o lance.

— Olha, Bobby, eu acho que a gente não tem muita escolha – Sam chamou a nossa atenção, e eu praguejei internamente quando os vi.

— Por que?

— Seus amigos estão prestes a entrar – me referi a Isaac e Tamara.

E quando ele os viu entrar, logo ficou puto.

— Mas que droga! Odeio isso! Se estivéssemos nisso juntos, não teríamos esse problema todo!

— É, mas agora é tarde – tirei minha Glock do bolso, verificando o pente, e a deixando a postos em minha cintura. Verifiquei minha garrafa de água benta, que estava cheia e respirei fundo. – Vamos, meninos.

Saímos todos juntos, adrenalina agora bombeando e nos mantendo mais despertos que qualquer outro café que pudéssemos tomar. Tentamos abrir a porta e não conseguimos, o que nos levou a crer que estava trancada por dentro e precisava ser arrombada com muito mais força que tínhamos.

Bobby correu de volta para o carro e nos afastamos das portas para que ele pudesse arrombá-la dando a ré. Quando entramos, a desgraça já tinha acontecido. Isaac estava morto no chão, em uma poça do próprio sangue e eu não pensei duas vezes antes de puxar Tamara para dentro do carro, afogando aqueles horrorosos em água benta no caminho. Bobby e Sam foram rápidos e logo entraram no carro conosco, mas Dean não.

— O que tá fazendo?! – gritei para ele. – Dean!

Ouvimos um grande baque no porta-malas, que se fechou e ele entrou às pressas.

— Vai, vai, vai!

Bobby pisou fundo no acelerador para sairmos todos de lá, em direção à casa abandonada onde eles tinham se instalado. Tamara estava inconsolável enquanto nos contava o que um dos demônios fizera Isaac fazer, mas Dean prometeu que ela teria sua vingança, já que um deles estava no porta-malas do Bobby.

Aquela seria uma madrugada dos diabos.

Eles tiveram um trabalhão para levar o coisa ruim para dentro da casa e mantê-lo preso em uma cadeira, sob uma armadilha pro diabo. Uma estressante discussão se seguiu entre Tamara e Bobby sobre voltar ao bar para pegar Isaac, mas todos tentávamos pôr juízo na cabeça dela. Ele estava morto, e se voltássemos, grandes seriam as chances de morrermos também.

Não, eles precisavam ser pegos, e viriam até nós independente do que fizéssemos. Propus que preparássemos a casa com armadilhas, reabastecêssemos nosso estoque de água benta e esperássemos.

— Vai ter sua vingança, eu prometo – a encarei. – Mas precisamos nos preparar pra isso. Nada de ataques suicidas – e encarei Dean, que fez um gesto de rendição.

Bobby, com a sua incrível astúcia, foi capaz de perceber algo que nós, bons lerdos, não tínhamos notado.

Estávamos com seis dos Sete Pecados Capitais vindo na nossa cola. Segundo o autor Binsfeld, que havia os identificado em 1589, eles não eram vícios humanos, eram demônios reais.

A família fora tocada pela Preguiça, a mulher na loja pela Inveja, e Isaac, ao que constava, pela Gula.

A gente tava ferrado. Então nos dividimos.

Sam e eu começamos a pintar armadilhas pro diabo em vários cômodos da casa, só para garantir nossas chances de prender os miseráveis e ganhar tempo. Bobby e Dean prepararam nos ajudaram a pintar mais armadilhas e Tamara se preocupou com a água benta, e só então de a casa estar pronta para os que viriam é que demos nossas atenções para o feioso que tínhamos como refém.

Eu mal havia entrado na sala quando ele começou à... Rosnar?

— Tire essa coisa asquerosa de perto de mim! – ele gritou.

Todos nos entreolhamos confusos.

— Ele tá falando de mim? – franzi o cenho, apontando para mim mesma.

— É claro que eu tô falando de você, sua sonsa! – me assustou.

— Não é por nada não, tô ligada que cê é um demônio e naturalmente não vai com a minha cara por ser uma caçadora, mas por que exatamente você não gosta de mim?

— Eu sinto o fedor do seu tipo de longe! A sua cara me enoja!

Eu continuava confusa.

— Mas não se preocupa, asquerosa. Quando a gente se encontrar no inferno, eu farei questão de eu mesmo corromper essa sua alma nojenta mil vezes até perder esse seu brilhozinho ridículo.

— Mas afinal de contas, do que é que tá falando? – Bobby encarou o demônio.

— Da última vez que encontrei um dos seus, a praga corria solta pelo mundo, faz tempo, muito tempo – estreitou o olhar por um momento. – Mas eu ainda sei bem como tirar essa maldita luz de dentro de vocês!

— Sabe o que mais? Já chega, não estamos aqui pra resolver charadas! – Dean se irritou, se aproximando. – Fala logo o que você sabe!

— Ou o que? Vai me mandar pro inferno quando eu falar e vai mandar se eu não falar, também, caçadorzinho de merda, então vai lá! Dê o seu melhor! – gargalhou.

— O que vocês querem? Por que estão aqui?

O demônio continuou gargalhando, no que Dean lhe deu um belo banho de água benta, e os gritos da coisa fizeram a sala tremer.

— Vou perguntar de novo: o que vocês querem?

— Nós já temos o que queremos – o demônio o encarou. – Nós saímos, estamos livres. Graças à vocês, minha gente está por toda a parte. ‘‘Sou Legião porque somos muitos’’ – ele riu. – Então só tô comemorando, tendo minha diversão, e festejarei muito mais quando os outros vierem me tirar daqui.

— Eles podem até vir... – Dean se aproximou. – Mas não vão te encontrar aqui. Tamara, quer fazer as honras?

— Com todo prazer – ela abriu um largo sorriso, com uma bíblia em mãos, e deu início ao exorcismo enquanto nos retirávamos.

Bobby me puxou para um canto.

— Do que aquele demônio tava falando?

— Não sei.

— Isabella, do que aquele demônio tava falando? – me segurou pelos ombros. – Por que ele falou de você como se não fosse humana?

— Eu não sei! – me irritei. – Eu nem sei do que ele tava falando!

— Primeiro o lance com a Victoria, depois o negócio no cemitério dos vaqueiros, agora isso? – Dean me encarou. – O que você não tá me contando?

— Até você?! – esbravejei. – Eu não sei do que ele tá falando! Quantas vezes vou ter que repetir isso?! Eu tô no escuro tanto quanto vocês aqui, inferno!

Ouvimos o cara da sala ao lado gritar e algumas velas se apagaram, sinal de que o demônio havia saído dele. Uma música começou a tocar, um rádio havia ligado sozinho.

— Vamos deixar essa discussão pra depois – Dean se afastou, assim como Bobby.

Sam era o único que me encarava com alguma empatia. Talvez porque soubesse melhor do que ninguém como era quando alguém olhava estranho, como se fosse uma aberração. Eu não sabia o que tinha de errado comigo, não era como se eu tivesse pedido para ser diferente de uma pessoa comum.

Ficamos perto das janelas, observando o exterior com precaução. Isaac, o corpo dele, possuído por um demônio, foi o primeiro a dar as caras, batendo na porta da frente e falando coisas com Tamara, coisas íntimas sobre a vida deles que mexeram com seu emocional ao ponto de ela não aguentar calada por muito tempo.

Ela abriu a porta para avançar contra o demônio, o paralisando com palo santo, e logo nós nos dividimos pela casa quando percebemos que o resto deles estava vindo.

Bobby e Sam ficaram no térreo enquanto Dean e eu subimos as escadas. Uma loira foi atrás dele e uma morena atrás de mim, a que possuiu a atendente do bar, mas em vez de correr da desgraçada, eu avancei contra ela com um soco atrás do outro, enganando ela como podia, encurralando a desgraçada até um dos quartos onde havíamos colocado uma armadilha pro diabo.

E quando ela tentou sair, bateu de cara contra o nada, urrando furiosa.

— Deixa eu adivinhar, Ira?

— Temos uma gênia aqui, quem diria – ela debochou. – Você até é boa de briga. Para um verme – sorriu. – Mas tenho que admitir, em comparação aos outros do seu tipo, você tem mais chances de sobreviver por mais tempo.

— Do que tá falando?

— Você não sabe? Ah, que pena. Porque vai morrer sem saber – abriu um largo sorriso.

— Pode até ser, mas você não estará aqui pra ver.

Comecei a falar o exorcismo em latim que eu havia sofrido tanto para memorizar corretamente, falando palavra por palavra com convicção, e alguma coisa que poderia ser chamada de fé, enquanto circundava a desgraçada e falava cada vez mais alto, para que seus gritos não atrapalhassem minha concentração.

E eu finalmente consegui fazer com que a Ira deixasse aquele corpo e fosse direto pro Inferno. Meu primeiro exorcismo, e eu havia feito sozinha, e havia conseguido!

Corri para acudir a moça, verificando seus sinais vitais, e, para meu alívio, ela estava viva. Pude respirar aliviada, ao menos por dois segundos, pois precisava saber como os demais estavam. Procurei por Dean no mesmo andar, mas ele não estava mais lá, apenas a moça que fora possuída, parcialmente molhada, e muito, muito assustada.

— Calma, calma, vai ficar tudo bem, tá? – me aproximei dela. – Você tá bem agora, o demônio saiu de você, mas ainda tem outros por perto e eu preciso que fique longe deles até a gente despachar eles todos, tá? Preciso que fique de olho em alguém que exorcizamos, pode fazer isso?

— Acho que sim – ela engoliu a seco.

— Ótimo, vem cá – ajudei ela a se levantar, levando-a até o quarto onde a outra garota estava, ainda desacordada. – Não saia daqui até eu voltar, tá bem? Fica dentro do círculo.

Ela assentiu e eu desci as escadas, procurando pelos outros. Bobby conseguiu exorcizar o rapaz gordo e ele também havia sobrevivido ao ritual, mas os outros dois que haviam perseguido Sam aparentemente estavam mortos.

— Como conseguiu?

— Não foi eu – ele admitiu, parecendo envergonhado. – E os que foram atrás de vocês lá em cima?

— Consegui exorcizar a Ira – sorri satisfeita. – E a garota sobreviveu. A que foi atrás do Dean também.

— Que madrugada horrível – Sam suspirou. – Você tá bem?

— Tô.

Não, não estava, não sabendo que Bobby e Dean me olhavam com desconfiança agora, mas, naquele momento, tínhamos outras prioridades.

Era hora de cremar os mortos.

Notas finais
teorias? quero ouvir as que vcs têm