Waves

5 Pasta de Amendoim


Notas iniciais
CES ACHARO QUE EU TAVA MORTO MAS NEM TO. na vdd eu me desanimei um bocado com essa fic, então deixei em hiatus sem postar nenhum aviso...mas é. acho que a segunda temporada tão perto me deu um boost de criatividade!! espero que o capítulo esteja bom, apesar de curto. estou sem tempo de revisar porque já estou escrevendo o próximo, quero logo introduzir um certo personagem. enfim, bora ler?

Keith voltou para casa perto do entardecer, como sempre. Se jogou no sofá, exausto – graças a Pidge, não dormira nada noite passada. Não era a primeira vez que acontecia, mas dessa vez ele pegara pesado. Talvez estrada cansasse mais do que ele imaginava.

...E além disso, não conseguia tirar aquele garoto surfista da mente. Deus.

Checou rapidamente as mensagens e suas redes sociais. Recebera mais uma ask de ódio anônimo no Tumblr. Deletou. Sua paciência era como sua altura: curta.

Se levantou com um grunhido cansado, e olhou de canto para o sofá como se este chamasse seu nome, tentador. Ele poderia deitar e dormir naquele segundo, mas seu estômago gritava mais alto; então, seguiu para a cozinha.

Sem um forno, as opções de jantar não eram muito gourmet. Requentou um macarrão do dia anterior e fez meia dúzia de nuggets congelados. Bem saudável. Shiro morreria de orgulho. Keith suspirou, e checou a data no calendário de lousa na parede da cozinha. Terça-feira...faltavam ainda quatro dias até a visita mensal do mais velho.

A coisa era: Shiro trabalhava há alguns vários quilômetros de distância. Ele se formara na faculdade de astronomia e astrofísica há mais ou menos um ano, e fora logo admitido a trabalhar numa cidade próxima. Nada menos esperado de um aluno-modelo, que graduara no topo de sua classe, cheio de recomendações. Mas, debaixo daquele homem exemplar, Shiro podia ser um “irmão mais velho” bem amoroso – visitava Keith regularmente, para que não morresse de saudades, segundo ele. Keith nunca diria isso a ele, mas é. Provavelmente morreria mesmo de saudades se não fossem por aquelas visitas.

Voltou com o prato para o sofá, e ligou a TV em algum canal de documentários. Geralmente, passavam alguns programas de teorias da conspiração e análises de projetos suspeitos do governo americano, e era o que mantinha Keith mais vidrado à telinha – provavelmente, o documentário sobre pesca em alto mar fora o culpado por ele ter dormido babando no sofá.

X

Keith acordou com o celular vibrando no bolso traseiro, e pulou do sofá jogando um prato de plástico com meio nugget e macarrão mal comido para o alto. Xingou quando os restos do jantar caíram no tapete, e tirou o celular da calça enquanto se curvava para limpar.

Primeira coisa que percebera: eram uma da manhã. Em segundo lugar, o que havia lhe acordado era uma mensagem de Pidge.

Nenhuma surpresa. Levou o prato sujo até a pia, jogando fora os restos de comida primeiro, e voltou para a sala teclando.

Nerd Authority [1:13]: você não acha meio bizarro como amendoins são tão horríveis e pasta de amendoim é tão gostosa?

S4D_B0Y_2001 [1:16]: Como assim?

Nerd Authority [1:17]: quer dizer

Nerd Authority [1:17]: pasta de amendoim é super macia e meio grudenta e docinha mas salgada ao mesmo tempo

Nerd Authority [1:17]: e amendoins só conseguem ser duros e secos e horríveis???

S4D_B0Y_2001 [1:17]: É o mesmo princípio com banana e bananada. Por que ainda está acordado?

S4D_B0Y_2001 [1:18]: Crise de novo?

Nerd Authority [1:18]: não, até que não

S4D_B0Y_2001 [1:19]: Então o que foi?

Pidge começou a digitar e parou de repente. Keith mastigou a parte interna da bochecha enquanto encarava a telinha, e o ícone de Online sobre o nome do outro.

Nerd Authority [1:21]: é que tipo

Nerd Authority [1:21]: você sabe que a época de provas está chegando, certo?

Keith franziu o cenho. Pidge era um gênio por natureza, não costumava ficar nervoso por provas – ao menos que fossem, tipo, provas de artes. Pidge não era bem um Picasso, vamos dizer assim.

S4D_B0Y_2001 [1:21]: Eu sei, mas qual foi a última vez que você ficou com ansiedade por causa da época de provas?

Nerd Authority [1:21]: não é por causa das provas da minha escola

Nerd Authority [1:22]: eu não sei se eu deveria dizer, mas

Nerd Authority [1:23]: você sabe a escola em que meu irmão cursou o ensino médio?

Ah. Bom, agora ele entendera.

S4D_B0Y_2001 [1:23]: A Garrison. Pode dizer o nome.

Nerd Authority [1:23]: eu sempre achei que fosse meio que um trigger pra você

Nerd Authority [1:23]: por isso não disse nada

Keith suspirou. Falar sobre aquele assunto realmente o deixava desconfortável, mas a saúde mental de Pidge vinha em primeiro lugar. Ele faria de tudo para ver o outro mais calmo, mesmo que isso significasse falar daquele inferno de uma escola.

S4D_B0Y_2001 [1:23]: Não, tudo bem. O que tem ela?

Nerd Authority [1:24]: bom, você sabe como meu irmão graduou ela com todas as honras e tal

Nerd Authority [1:24]: meu pai meio que fala disso 24/7

Nerd Authority [1:24]: mas o problema é que

Nerd Authority [1:24]: ele quer que eu estude lá também, algo sobre manter admissões na garrison como uma coisa de gerações e tal

Nerd Authority [1:24]: e a prova é semana que vem

S4D_B0Y_2001 [1:25]: Ouch.

Keith passou os próximos vinte minutos tentando motivar Pidge. Era um amigo esforçado, sem dúvida, mas era tão difícil não simplesmente dizer “Foda-se a Garrison e todo mundo lá dentro” e mandar Pidge zerar a prova de propósito.

Infelizmente, as coisas não aconteciam sempre da forma que ele queria.

E com certeza Pidge tiraria nota máxima na prova de admissão, assim como Matt e...bem, Shiro.

Seus olhos ardiam e o relógio digital do celular anunciava duas da manhã. Avisou a Pidge que não aguentaria outra madrugada em claro, e tinha que ir dormir logo, pois o dia seguinte era de trabalho e seria complicado explicar ao seu chefe outro atraso.

Nerd Authority [2:00]: ah, tudo bem

Nerd Authority [2:00]: desculpe te manter acordado até agora :’/

S4D_B0Y_2001 [2:01]: Tudo bem. Fui de alguma ajuda?

Nerd Authority [2:01]: é, foi

Nerd Authority [2:01]: obrigado por tentar me animar, Keith

Nerd Authority [2:01]: eu vou socar essa prova na cara semana que vem

S4D_B0Y_2001 [2:02]: É isso aí.

Deu boa noite ao garoto, e ficou Offline pelo dia. Não teve muito tempo para escovar os dentes e tirar a camisa antes de se projetar na cama e praticamente entrar em coma, ainda de sapatos.

X

Keith acordou cravado no mesmo horário de sempre, com os gritos do despertador. Socou o pobre coitado para que se calasse, e imaginou qual era a possibilidade daquele tipo de aparelho falhar.

Mas não seria uma boa desculpa para faltar ao trabalho, de qualquer forma.

Depois de toda sua rotina matinal, subiu na moto e fez o caminho até a oficina. Repetindo, não era do tipo sociável, então foi uma surpresa quando chegou ao trabalho para bater ponto e viu uma chamada perdida nas notificações do celular.

Se permitiu perder alguns minutos para ligar de volta, e rezou para que fosse rápido – odiava falar ao celular, fosse com quem fosse.

—Alô? -disse a voz no outro lado no terceiro toque, e Keith o reconheceu logo.

—Oi, Hunk? Você me ligou?

—Ah! -ele ouviu metal contra metal e percebeu que Hunk também estava no trabalho- Sim, liguei. Não queria te atrapalhar a essa hora, mas...

Keith olhou para as próprias unhas durante a pausa. Estavam compridas. E sujas.

—...você pensou na minha proposta de ontem?

Seu cérebro teve um breve pane. Proposta? Que proposta? Vasculhou rapidamente e mentalmente suas interações com o havaiano no dia anterior, e subitamente, teve um clique – ah, sim. O número do garoto latino, é claro.

—Ah, uh -Keith corou, e agradeceu pela conversa não ser cara a cara. Não tinha como dizer a Hunk que não, na verdade ele não tinha pensado nada naquilo; que na verdade, ficara a tarde toda pensando em motores a diesel e no rapaz da praia.

Ele não poderia dizer isso.

—Hã, na verdade, não. -DROGA- Na verdade, eu meio que fiquei pensando naquele cara...

KEITH KOGANE, VOCÊ É UM GÊNIO MESMO.

Xingou mentalmente várias vezes, enquanto Hunk ria, bem humorado.

—Tudo bem, cara. Por isso perguntei. -Keith podia ouvir seu sorriso, mas suspirou por não ter sido tirado um sarro pela vergonha que acabara de passar- Então, é muito problemático eu te perguntar isso de novo agora? Quer mais tempo pra pensar?

Keith avaliou a situação rapidamente. Se encostou na mesa de serraria mais próxima, mordiscando o lábio inferior.

Ele não era muito bom com socialização, nem com iniciar conversas...mas, se o amigo de Hunk fosse um pouco como a impressão que sua foto passara, ele saberia carregar o assunto. E se algo desse errado, Keith poderia sempre mudar de nome e se mudar para a Tailândia.

—Não, tudo bem -disse finalmente, as unhas da mão livre riscando impulsivamente a madeira da mesa atrás de si- Pode...pode passar pra ele o meu número.

Hunk pareceu ter derrubado alguma coisa, mas não titubeou, e sua voz estava mais alegre do que nunca.

—Legal! Então, ele estuda assim como eu, então deve te mandar mensagem só de noite...tudo bem, certo?

Keith suspirou. Era melhor assim – ele teria o dia todo para entrar em pânico.

—Tudo.

—Então beleza -ele riu brevemente- E, ei, Keith?

—Hum?

—Estou orgulhoso de você. Socialização não é muito fácil, né?

Esse era um daqueles momentos em que ele se sentia eternamente grato por Hunk. Esboçou um sorriso.

—Não. Mas tudo bem, eu falo com você se precisar de dicas.

—Pode contar comigo -riu.

—Eu tenho que voltar ao trabalho agora...

—Ah, eu sei! Eu também. Bom, vou desligar então. Me fale como tudo se saiu mais tarde, tudo bem?

—Tudo bem -suspirou mais uma vez, ansioso para que a chamada terminasse logo- Até mais tarde.

Hunk desligou, e Keith afastou o celular da orelha, mordendo o lábio.

Se tem uma coisa que ele não costumava ter, eram contatinhos. Parece que esse cara seria seu primeiro, afinal.

Notas finais
às vezes eu me sinto escrevendo essa fic pras paredes haha