Waterabout: island in the sun

12 Inside, outside e outherside


I’m already bored

I’m pretty sure I’ve seen this one before

I’ve got a long drive, I’ll tape my eyes

So I don’t fall asleep again

Singing out

— Eu cheguei.

Lá estava ela a bendita ilha, o lugar que todos me anunciaram. O lugar que disseram que eu poderia está em paz. O porto seguro.

Hoje umas quatro da manhã (segundo o fuso horário porquê segundo meu relógio interno ainda são meia noite) o capitão me acordou. Ele fez sinal para que eu arrumasse minhas coisas e logo eu senti um frio na espinha. Uma ansiedade que eu nunca senti antes rondava minha cabeça fazendo o meu coração acelerado.

Eu subi para o deck superior e nesse momento eu tomei o choque de realidade, eu realmente me dei conta. Eu percebi que

-Eu cheguei.

Eu fiquei alguns segundos encarando a ilha enquanto o capitão “Estacionava” o barco. E devo confessar que ela era enorme.

Mas ainda sim ela me passava um certo receio. Ela é estranhamente escura no sentido de não ver casas ou lanterna. A única coisa feita por seres racionais aqui era o pequeno e improvisado píer de madeira. E olhando mais ao longe eu não via nada? Eu olho em volta e tem uma neblina extremamente densa sobre o oceano. Tanto que parando para reparar o barco está molhado.

(Tá isso também soou meio estúpido na minha cabeça)

Mas eu me refiro a como se tivesse chovido quando eu estava dormindo.

Eu vou em direção as escadas para sair do barco mas o capitão me para.

-Você teria algum dinhero?- Indagou o capitão do navio o que me surpreendeu já que ele não disse uma palavra a semana toda. E inclusive sua voz era muito rouca e fraca além de seu inglês que era péssimo.

-Você fala?

-Não tanto mas, você tem algum dinhero?

-Pera aí! Você vai cobrar pela viagem?

-Seu dinhero aqui nada vale, porém para mim ele ser de grande ajuda.

Eu fico muito com o pé atrás por conta disso mas eu me sinto meio mal por não contribuir então eu abro a minha carteira e entrego a ele cem dos meus duzentos dólares. Só espero que ele não esteja me enganando.

Quando eu entrego as cédulas ele sorri e então acena com o chapéu em um gesto de agradecimento. E ele aponta para ilha. Eu atentamente olho para onde ele apontou e vejo uma trilha que se entende entre as árvores.

Eu aperto a mão do capitão agradecendo por me trazer até aqui e saio do navio. Vou caminhando pelo píer de madeira que faz alguns barulhos de madeira podre estralando e então finalmente eu piso em terra firme. Conforme eu caminho na praia o barco vai se afastando.

Agora tudo que me resta é caminhar.

-Finalmente estou do lado de fora.

Eu sigo caminhando pela trilha que começa a subir um morro com uma floresta. E algo estranho faz minha cabeça gira, eu sinto uma fria brisa marinha as minhas costas uma leve neblina a minha frente e ouço coisa que nunca ouvi antes. As folhas das árvores farfalhando os primeiros pássaros começando a cantar.

Eu me sinto excitada com tudo isso. É algo estranho algo que eu nunca senti antes uma felicidade irradiante envolve meu ser.

Mas o que mais me agarrar a esse lugar é o sentimento de nostalgia misturado a saudade de algo que eu nunca vivi.

A cada passo que dou eu me sinto a floresta me engolir. Sinto como se tudo estivesse me chamando, sinto como se eu estivesse envolta em uma infinidade de faixas de seda. Toda vez que uma gota do orvalho cai em mim me dá um arrepio na espinha.

Tudo que eu piso e todas as plantas que eu acabo tocando emitem um energia que eu não consigo explicar. Mas eu sinto e isso é tudo que importa.

Eu não sei o que me aguarda mas já sinto que aqui é meu lugar.

E quanto mais eu caminho mais eu sinto que eu já vivi isso antes ao ponto de eu sonhar acordada. A memória daquela mulher se sintoniza com a minha e eu começo a ver espectros das pessoas que estavam com ela no dia que ela também veio para cá.

Como flashes eles aparecem e desaparecem. Mas em nenhum momento isso me assusta. Muito pelo contrário; isso só me deixa mais ansiosa.

Logo eu aperto o passo para chegar logo onde seja lá que lugar seja esse.

E então depois de uma meia hora de caminhada eu chego no topo do monte. A trilha que eu peguei segue subindo e dando a volta no morro. Em cima dele no ponto que eu estava era semelhante a um planalto. A densa mata dava lugar para uma vegetação mais rasteira. Porém mesmo subindo bastante o ponto onde eu estava não era nem de longe o ponto mais alto daquela ilha tendo em vista que tinha um montanha em uma das direções.

E então eu vi uma das coisas mais lindas da minha vida até então: O nascer do sol. Um nascer que digo com toda a certeza ser de outro mundo. A imagem que eu via era comparada a uma pintura perdida. O céu se misturava em uma palheta de cores de tons roxos e vermelhos e enquanto isso no alto as últimas estrelas da noite continuavam a brilhar e logo se apagavam uma por uma.

Por conta da brisa fria da madrugada sua luz é quentinha e acolhedora como um abraço de uma verdadeira mãe. Sinto até vontade de me espreguiçar um pouco.

Parando pra pensar eu acho que estou caminhando a muito mais do que meia hora.

Eu me sento, descanso e começo a observar duas coisas. A primeira e que tem um anel feito de neblina que envolve a ilha toda. E segunda é que esse morro que eu estou é como uma parede natural que cobre quase um quarto da costa e essa ilha é muito grande.

E depois de um tempinho descansando eu fecho meus olhos e tento me lembrar a direção que eu deveria ir. E então eu ouço uma voz dizendo “por aqui” e eu vou na direção dela.

A voz me desviou do caminho principal e me levou até uma gruta lá tinha a nascente de um pequeno riacho. Dentro dessa gruta tinha um banco feito de pedra. Eu revirei a gruta toda e nada.

“Que perda de tempo!”

E então eu resolvo voltar para a trilha principal.

Uma hora se passa, duas horas talvez três e nenhum sinal de civilização. Mas por sorte antes de eu perder a esperança eu vejo um poste de madeira com uma seta. Logo adiante tem um rio. Ele não é muito largo ou fundo porém ele tem uma correnteza até que forte. Em cada margem tem dois postes e se fosse pra chutar aqui era para ter uma ponte.

Olhando em volta a trilha continua do outro lado. Eu não tenho muitas opções a não ser atravessa-lo.

“Bem eu posso controlar a água então atravessar um rio deve ser fácil!”

Eu vou para mais perto da margem e tento usar a minha energia para conter as águas. Eu uso todo o meu poder e me dou conta de uma coisa: mesmo com todo o meu esforço e uma certa inconsistência, eu apenas consigo “puxar” a água e não empurra-la. Isso vai ser mais difícil do que eu pensava.

Eu fico mais uma tempo tentando e tentando e tentando até que canso. A fome bateu e o sol esquentou me forçando a tirar aquele casaco e o colocar na minha mochila. Eu molho o rosto para dar uma esfriada na cabeça e começo a tentar pensar em um plano B.

“E se eu tentar andar sobre as águas? Aquela mulher fez isso.”

Eu tiro meus tênis e também os coloco na mochila e delicadamente eu ponho meu pé sobre o rio. A água tá bem fria entretanto a sensação é boa. Mas meu pé atravessa a água.

-Foco Carol!- grito comigo mesma.

Eu fecho meus olhos, controlo melhor a minha respiração e tento me lembrar do que eu vi aquela noite.

“Do que eu fiz aquela noite”

E então de uma forma tão natural e instintiva eu firmo me pé sobre a água. E sinto como se a água vibrasse sob meus pés, sinto ela endurecer. Mas é algo diferente de tudo que eu tentei antes. Não é como se eu estivesse caminhando sobre as faixas ou algo do tipo.

Pra falar a verdade eu nem sei o que eu estou fazendo. É como andar de bicicleta depois que aprende você apenas sabe mas eu não aprendi!

Eu dou meu primeiro passo e é difícil me equilibrar. Me sinto como uma criança de dois anos.

“Aprendendo a caminhar novamente ”

Logo em seguida eu dou um passo atrás do outro. E depois de andar alguns metros eu lentamente abro meus olhos para saber se falta muito. E então eu ouço um tiro e sinto uma forte dor nas costas. Com o susto a minha concentração vai embora e eu afundo na água. No desespero eu me debato enquanto tento Voltar para a superfície. Apesar que tudo que eu tenho que fazer é ficar de pé. Esse riacho nem era tão fundo o que chega a ser um pouco decepcionante.

Eu tiro a minha mochila o mais rápido possível e a ergo acima da minha cabeça. Quando eu termino de atravessar o riacho. Eu ergo a camisa e passo a mão nas minhas costas procurando alguma coisa, e nada.

-O que diabos aconteceu? Eu tava indo tão bem!

Não adianta chorar agora tudo que me preocupa no momento é trocar de roupa. Eu confiro a minha mochila para ver se a água entrou e felizmente ela só ficou molhada por fora.

Eu começo a me despir mas eu sinto a estranha sensação de estar sendo observada. Eu vou para atrás das árvores e termino o serviço lá.

“Vai que tem alguma pessoa observando cada ação minha? Não duvido nada que tenha alguém me seguindo.”

Bem eu volto a trilha e sigo caminhando. Eu não vou reclamar muito sobre ter caído na água. No final das contas eu estava precisando de um banho. Aquele cheiro de sal e peixe acaba comigo.

Andando mais alguns quilômetros pelo caminho que dava a volta na grande montanha da ilha eu avisto ao longe o primeiro sinal de civilização: casas!

Isso me anima bastante e eu aperto o passo para chegar mais rápido. Em troca disso eu acabo tropeçando constantemente.

Eu não vejo a hora de chegar. Apesar de que como será que são os habitantes daqui ?

Depois de quase uma ou duas horas de uma caminhada que é quase uma corrida eu chego no que parece ser um portal. E uma armação de madeira envolta por plantas que eu nunca vi que delimitam o fim da floresta. Atravessado ele eu sinto o solo mudar o chão abaixo dos meus pés é bem mais pedregoso e as plantas ao meu redor são mais rasteiras. Andando um pouco mais eu começo a escutar o barulho do oceano, o mar as ondas e o vento.

Conforme eu saio da floresta eu me dou de cara com uma Vila.

Eu imediatamente paro e observo aquilo tudo, eu não sei explicar mais me sinto meio estranha. A Villa é rodeada de plantações das mais variadas culturas e com diversas pessoas com chapéus de palha e bonés cultivando. Ao longe no mar vejo alguns barcos pesqueiros com homens jogando as redes. Nas ruas crianças brincam com bolas e carrinhos feitos de madeira.

“ É a primeira vez que eu vejo algo assim...”

Pessoas realmente felizes.

Eu inspiro fundo e adentro ao local. Vou caminhando com um certo receio e um pouco de vergonha e conforme eu ando pelas casas simples eu ocasionalmente encontro com um morador. Ele saiu de uma espécie de galpão de ferramentas com uma enxada e uma lima na mão.

Ele meio que apareceu do nada e a gente quase se esbarrou. Mas quando ele me viu eu paralisei de medo.

Ele me olhou por alguns segundos e firmou a enxada no chão e de repente ele levanta a mão.

Eu no susto fecho meus olhos e me encolho com o susto.

Quando eu vejo que nada aconteceu eu abro meus olhos e ele está apontando para um monte. Eu forço meus olhos e no topo dele eu vejo uma grande construção erguida sobre a pequena montanha.

Depois disso ele sem dizer nada volta ao trabalho.

-O que será que tem lá em cima?

Mais uma vez eu me ponho a caminhar.

Durante a caminhada eu acabo encontrando com outros moradores da ilha independente se são homens , mulheres, crianças ou idosos todos esboçam a mesma reação: Me encaram por alguns segundos e depois apontam para aquele lugar.

Mas tem algo de especial nessa vila: todos são diferentes.

No fim do caminho até aquela construção tem um portão bem grande. Nele há oito símbolos feitos de pedra. Eu me aproximo e bato nele.

(

Knock, knock, knock)

O símbolo com uma gota brilha em azul e as portas se abrem...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.